Carmona Rodrigues
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
segunda-feira, abril 30, 2007
Tens aqui a tua gente
A Lusa noticiava há pouco o aparecimento de um novo blogue de apoio a Carmona Rodrigues. Intitula-se, contra-intuitivamente, O blog dos que querem que Carmona fique. Espreitem, porque demonstra que:b) Enterrar a cabeça na areia não é privativo das avestruzes;
c) "Ele nem é de cá, só veio ver a bola"
Ainda o 25 (para rematar o ciclo bloggicioso)
Se foi assim na esquerda, pior foi na direita. Durante 48 anos, qual eucalipto, o regime reaccionário que existiu secou tudo à sua volta, não deixando espaço para o desenvolvimento de uma direita crítica e consistente, como a que se desenvolveu em França em torno do General de Gaulle. Essa atitude ajuda a explicar um certo alheamento da direita em relação ao 25 de Abril: de facto, a direita mais representativa no plano político português ou está demasiado presa às pouco recomendáveis referências cívicas do antigo regime, ou é composta por militantes que se identificam mais por reacção do que por afirmação positiva, ou por serem contra o deboche activista da esquerda (e eu debochado me confesso), ou por permanecerem amargurados com as consequências pessoais do PREC ou da descolonização.
P.S.: O cravo na lapela também não tem dono. É um símbolo e um ícone. Não caiem os parentes na lama a ninguém por o usar.
Associativismo
Pior do que o esperado

A propósito de Polónia
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Mas isso é lá com eles.
Mas infelizmente o pai desse rapaz foi enviado para Bruxelas como Deputado Europeu. Entre organizar exposições em que compara o aborto ao holocausto e pronunciar discursos na Plenária a defender Salazar e Franco como bastiões da Civilização Ocidental contra as hordas comunistas, este amável senhor ainda encontra tempo para partilhar connosco uns panfletos com títulos como 'Civilizations at War in Europe' e 'European Values'. A primeira publicação defende que o mundo está dividido em civilizações (Civilização Judaica, Civilização Árabe etc), entre as quais há uma clara hierarquia . A civilização superior, de acordo com este iluminado, é a Civilização Latina, que se distingue das outras por ter a Igreja Católica - mãe da Europa - como fonte de inspiração. A mensagem principal do nosso amigo Giertych é que estas civilizaçãoes não se podem misturar, porque são tipo, género, buéda diferentes. O primeiro panfleto é, pois, um cocktail explosivo de racismo, etnocentrismo, paleo-catolicismo, anti-semitismo: enfim, um Best Of dos Greatest Hits do Top 10 da ideologia da extrema-direita polaca.
Já o segundo panfleto é mais a atacar o aborto e a homossexualidade numa tour de force
católico-obscurantista que causaria inveja a qualquer aprendiz de César das Naves, perdão, das Neves. Fica aqui um resumo escrito por uma amiga minha que teve a infelicidade de ler o segundo panfleto na íntegra e que trabalha na Comissão de Liberdades e Garantias do Parlamento Europeu (conhecida como LIBE).
Welcome to the Middle Ages.
Please find attached a new publication of MEP Maciej Giertych. It was delivered to the Member's mailboxes last week in Strasbourg.
Values
The author defines his concept of "values". He considers for example that peace, freedom, democracy, the rule of law, prosperity, justice and solidarity are not values- but rather "conditions" which depend on political circumstances.
Criticism of EP restricting Giertych's rights to "freedom of speech"
The text criticises the European Parliament which "restricted" him on several occasions to his "right to freedom of speech". He uses the following examples:
1) The recent publication of his book "Civilisations at War in Europe".
2) His anti-abortion exhibition in the EP in Strasbourg (November 2005) where abortion was compared to nazism.
3) His "anti-war display" in October 2004, asking the EP President to commemorate the victims of World War II by a minute of silence for the 1st September 1939.
4) His defence of Franco "in guaranteeing traditional values" in his speech in plenary on the 70th anniversary of the Spanish Civil War.
Abortion
Giertych explains that "unfortunately, in Poland we still have access to abortion in a few restricted situations: when the foetus is disabled, when the pregnancy is a consequence of a crime and when it endangers the life of the mother or seriously the health of the mother". He then proceeds to explain why abortion should be banned in those cases:
1) "Defective" babies. He asks "Are disabled babies not human?" He claims that the argument for "killing disabled babies stems from eugenic considerations", promoting the "Darwinian philosophy of the survival of the fittest". In some parts of the EU, "stopping from extending born babies to disabled adults" is to "what Nazi Germany was referred to as life not worth living (lebensunwertes) that justified the extermination program for the mentally ill".
2) Pregnancy from criminal intercourse. Giertych asks "why penalize the pre-born child? He is not guilty of rape". He adds that "the abortion itself will be another trauma that will add on to the one already suffered because of the rape. These may be accompanied by other traumas such as loss of virginity or venereal disease...However, if the child that arose is allowed to live, be born and grow up, it will be eventually recognised as a positive consequence of a very bad experience".
3) When the mother's health or life is at stake. "It is normal for mothers to risk their health, even life, just to protect their child. This lies in the maternal instinct, common to all species. Why should we treasure the health of the mother more than the life of the child.."
The author then calls for the banning of utero embryo production and criticises the European Parliament's work on funding stem-cell research. He also criticises the use of contraceptives.
"Promotion of homosexuality"
This part of the text is virulently homophobic. The author states:
"Homosexuals are in the same category as adulterers. I disapprove of adultery but am tolerant of adulterers.However, once they start bragging about their sexual conquests, showing pride in them and advocating free love, they become a problem, at least in some professions".
"Homosexuals acts are disordered by the very nature of them.The sexual impulse has a biological purpose, and this biological purpose is to perpetrate the species. No reproduction arises from homosexual activity. Thus it is biologically useless".
"Homosexuality is not an inborn condition. Here I speak as a geneticist....Homosexuality is an upbringing effect...Being an upbringing effect is a condition that can be reversed-but this would require cooperation with therapists, desire to become heterosexual and spiritual motivation to shed the disordered condition.It is as easy/difficult as shedding inclination to fornication, pornography, self abuse and other misuses of the sexual instinct".
"People who claim that homosexuality is a normal condition and wish to advertise this view....should be kept at a distance from jobs in which they could influence the opinions of minors".
"Needless to say, such public demonstrations of support for homosexuality as "gay parades" should obviously be forbidden".
"My position is exactly the same as that of the Catholic Church. I am tolerant of the sinner, intolerant of sin. Every sexual activity outside marriage is a sin, and marriage is understood as being composed of a husband and a wife".
Maciej Giertych also refers to the LIBE committee of the 20th March 2007, when the Liberals, Socialists and Greens called to examine if recent Polish declarations calling to forbid "homosexual propaganda" complies with EU laws and respect for fundamental rights. He says: "Does that mean that the EP considers itself competent to tell Poland that we must allow homosexual propaganda in schools? Cui bono?In who's interest?"
sábado, abril 28, 2007
A Lei Kaczinsky

Em 2007 os ultra-zelotas irmãos Kaczinsky que governam a Polónia (alguma ligação ao Unabomber?), fazem aprovar uma lei de "descomunização", segundo a qual qualquer responsável político, jornalista, professor universitário, advogado ou director de escola com mais de 35 anos deve dizer se colaborou ou não com a polícia secreta comunista.
Tadeusz Mazowiecki, primeiro chefe de governo não comunista da Polónia, e Bronislaw Geremek, antigo ministro dos negócios estrangeiros e hoje eurodeputado, recusaram assinar a declaração, em nome de uma Polónia democrática e europeia. Ambos foram destacados membros do Solidarnosc e reconhecidos resistentes ao totalitarismo que não precisam de exibir credenciais a ninguém. O primeiro foi demitido da comissão para a atribuição da mais alta condecoração polaca; o segundo tem em risco o seu mandato como eurodeputado, ou pelo menos assim pretende o governo.
Ambos não teriam decerto qualquer problema em assinar a declaração, não fosse ser este um acto de cobardia democrática e de perseguição totalitária, e tanto um como outro serem, como suspeito que sejam, genuínos na sua atitude de resistência à tirania, e não quererem substituir um totalitarismo por outro de sinal contrário. A sua recusa assume ainda especial relevo numa altura em que é moda ser anti-comunista e de bom tom desancar nos comunistas.
Tanto hoje como em 1935, é só um papel que se assina e poucos se importariam de o assinar (mesmo declarando falsamente). Mas em 1935, também poucos poderiam imaginar o que viria a seguir a um acto coberto de inocuidade burocrática, tanto mais que o país estava na ordem e havia alguém que mandava.
É no conforto de um estado de coisas como este que começa o comprometimento das liberdades mais elementares. Importa por isso relembrar o poema de Martin Niemöller, que nada esquecido tem estado nos últimos dias na blogosfera:
Mas não falei, por não ser judeu.
Depois, perseguiram os comunistas.
Nada disse então, por não ser comunista.
Decidi não falar, por não ser sindicalista.
Mais tarde, foi a vez dos católicos.
Também me calei, por ser protestante.
Então, um dia, vieram buscar-me.
Mas, por essa altura, já não restava nenhuma voz
Que, em meu nome, se fizesse ouvir.
O que tu queres sei eu
Salto geracional
Estive ontem num debate entre representantes de juventudes partidárias, no bar novo da Faculdade de Letras da UL, sobre legalização de drogas leves. Aquilo que normalmente promete ser palco para disputas ideológicas revelou-se de amplo consenso - JS, JSD e jovens do Bloco todos de acordo quanto à legalização, com mais ou menos restrições, e mesmo a representante da JP a afirmar a necessidade de despenalizar e mudar de estratégia. Cada vez menos uma questão dita fracturante, cada vez mais uma questão de dar uma solução racional para uma resposta desadequada da lei.Dança das cadeiras
Boa sorte
Felizmente já não manda

sexta-feira, abril 27, 2007
quinta-feira, abril 26, 2007
Um anti-semita nunca vem só
Nós temos paciência: esperámos 48 anos pela Democracia, esperamos mais 50 para que eles aprendam a apreciá-la.
Eles lá sabem...
Os dados das presidenciais francesas em Portugal deram como resultados 37,2% dos votos para Ségolène, 35,6% para Sarkozy, 16,8% para Bayrou e 2,95% para Le Pen. Sim, 2,95 %, cerca de 75 pessoas. Eu sei que fica muito abaixo dos 10% obtidos em França. Mas ainda assim são 2,95% dos imigrantes franceses residentes em Portugal que votaram. 75 imigrantes escolheram Le Pen. Serão coerentes ao ponto de fazerem as malas?
Fui experimentar
Depois de ler o post que o João acabou de escrever, confesso que fiquei com remorsos. Pois é, já atravessei o famigerado túnel... (Pior, durante a tarde tentei subi-lo a pé, mas fui informado pelo polícia municipal que só se podia descer. Entende-se perfeitamente, podia chocar em contramão com um outro peão que viesse a descer).Salvar a memória
O Túnel do Nibelungo da Metropolis

Este é o benefício que se espera deste investimento que deixou a Câmara de Lisboa em enormes dificuldades financeiras e sem capacidade de desenvolver projectos com real valor para a Cidade e para os seus Cidadãos. O investimento, que poderia reabilitar e apoiar a reabilitação de centenas de imóveis em Lisboa, foi “alocado” a uma obra sem intresse local mas com a projecção nacional, por pessoas que falharam à promessa de servir os interesses dos seus munícipes com o único objectivo de permitir um futuro aproveitamento político.
Contrariando a aparente irrelevância dos objectivos a que se propõe esta obra, sobretudo para a população lisboeta, hoje é, segundo o Presidente da Câmara de Lisboa, “dia de Túnel e de 25 Abril”. Para lá da absurdidade do comentário que tenta pôr ao mesmo nível o incomparável, a CML chegou mesmo a relegar o 25 de Abril para segundo plano ignorando a tradicional marcha na Avenida da Liberdade e marcando em sobreposição a abertura ao público desta obra.
quarta-feira, abril 25, 2007
Preâmbulo da Constituição da República Portuguesa

Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.
Abril com R

Trinta anos depois querem tirar o r
se puderem vai a cedilha e o til
trinta anos depois alguém que berre
r de revolução
r de porra r vezes dois
r de renascer trinta anos depois
Trinta anos depois ainda nos resta
da liberdade o l mas qualquer dia
democracia fica sem o d.
Alguém que faça um f para festa
alguém que venha perguntar porquê
e traga um grande p de poesia.
Trinta anos depois a vida é tua
agarra as letras todas e com elas
escreve a palavra amor
(onde somos sempre dois)
escreve a palavra amor em cada rua
e então verás de novo as caravelas
a passar por aqui: trinta anos depois.
Manuel Alegre
(Há mais imagens aqui)
terça-feira, abril 24, 2007
Arrojado demais (II)
Luz ao fundo do túnel?

Eu sei que o título é previsível, mas depois de tanta história já sobra pouco...
Notícia da TSF: A Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP) defendeu que o túnel do Marquês, em Lisboa, não deve abrir ao trânsito quarta-feira, como previsto, por ainda apresentar falhas na segurança e falta de planos de emergência em casos de acidente.
Actualização:
Aparentemente, a cerimónia de inauguração do túnel está marcada para as 15h15, praticamente em simultâneo com a descida da Avenida da Liberdade em comemoração do 25 de Abril. A edilidade mostra com clareza as suas prioridades.
segunda-feira, abril 23, 2007
A chave
Não há aritmética na conversão de votos de primeiras para segundas voltas - nem Sarkozy, nem Ségolène se podem limitar a sacar das calculadoras e a juntar "esquerdas" e "direitas". Apesar de tudo, os resultados dos candidatos do seu campo ideológico são indicativos. A grande incerteza é o que fazer aos quase 19% de Bayrou. Serão para dividir entre os finalistas? Seriam só dele, Bayrou, e do seu projecto centrista, o que levará muitos dos seus eleitores a ficar em casa no dia 6 de Maio? Pronunciar-se-á o vencedor do bronze eleitoral sobre a sua escolha? Será essa pronúncia suficiente para mobilizar aqueles dos seus votos que eram de protesto contra a bipolarização tradicional?Primeiras impressões

domingo, abril 22, 2007
Não há só um Marx
Desde que o DN noticiou o veto da JCP à intervenção de Ricardo Araújo Pereira no dia 25 de Abril (aqui e resposta do PCP aqui) que queria deixar umas ideias sobre o assunto. Estarei seguramente a repetir o que muitos já disseram (aqui, aqui e aqui, por exemplo), mas para além de ser um resultado final francamente mau para a imagem da JCP, que matou a possibilidade de intervenção jovem no comício final do desfile, apresentando-se sectária e fechada sobre os seus dogmas, é também um resultado mau para quem queria que o 25 de Abril representasse o momento de unidade de todos os que saúdam as conquistas de Abril e que desejavam, num momento em que parece importante fazê-lo, preservar a memória da ditadura e o legado da Revolução para os jovens.Coerência

Tudo normal
Look who's back

sexta-feira, abril 20, 2007
À espera de Winograd

A resposta sonolenta e frustrante de Israel às propostas de abertura de negociações de paz da Liga Árabe, da Arábia Saudita e da Síria tem uma só explicação: a Comissão Winograd. Esta Comissão foi criada para investigar o que correu mal durante a Segunda Guerra do Líbano, tanto do ponto de vista militar, como do ponto de vista da preparação do país para os ataques do Hezbollah contra civis israelitas.
A equação é simples:
1. Se os resultados da Comissão forem mesmo maus para Olmert, o governo cai, e há novas eleições. E isso explica a relutância de Olmert em entrar agora num processo de paz - ninguém em Israel (e fora de Israel, suponho) leva a sério um Primeiro Ministro que não tem a confiança da população e que pode cair a qualquer momento. Olmert não tem crédito político para abrir uma loja do cidadão, quanto mais para abrir negociações com o arqui-inimigo sírio.
2. Se os resultados forem só maus (talvez culpando apenas a liderança militar, ou até Peretz, mas deixando Olmert incólume) é possível, repito, possível, que Olmert tente uma espécie de fuga para a frente agarrando-se a um processo de paz como forma de salvar o seu governo, a sua estatura como líder e a sua carreira. É por isso que de quando em vez Olmert vai fazendo declarações que, sem serem bombásticas, deixam qualquer adepto esperançoso de um processo de paz a salivar por mais...
Neste momento está, portanto, tudo em suspenso. Mas que custa ver Israel tão paralizado perante as oportunidades que as últimas iniciativas árabes parecem oferecer, lá isso custa.
Se Israel se mostrar incapaz de responder de forma responsável a esta oportunidade histórica, estou certo que pagará um preço muito alto.
L'important c'est la rose

Neste lado da blogosfera espera-se por uma Ségolène que tire a França do marasmo identitário e existencial em que mergulhou em doze anos de Chirac.
Outras eleições

Guns don't kill people...

quinta-feira, abril 19, 2007
Lei n.º 16/2007, de 17 de Abril
Missão cumprida.
As partes e o todo
Se dúvidas houvesse
Faz o que eu digo...
domingo, abril 15, 2007
Requiem
Kurt Vonnegut, Jr.
Li o meu primeiro livro de Vonnegut há quase dez anos, ainda nos tempos da Escola Alemã, uma escolha em relação à qual sempre ficarei grato à minha professora de inglês. Lembro-me até de que pude usar a cópia que a minha mãe tinha lido, no caso dela nos tempo da faculdade, quando os ares de Abril trouxeram outra literatura aos curricula. Slaughterhouse Five, provavelmente o mais marcante título de Vonnegut e aquele em que a sua vivência pessoal lhe dá um profundidade e uma capacidade superior de denunciar a irracionalidade da guerra, faz parte daquele conjunto de livros que me marcou de forma mais significativa.
Desculpem insistir...
Bastante claro, parece-me...
Eles ainda aí andam

Our man in Moscow
Gary Kasparov foi ontem detido em Moscovo quando se preparava para se manifestar contra o estilo autoritário e as políticas de Putin. Quantos episódios destes, acrescidos aos de Anna Politokvskaya ou de envenamentos por polónio serão necessários para que se leve a sério a falta de liberdade e democracia? Purga

Valeu a espera

sábado, abril 14, 2007
República aguarda-se

Parte da minha falta de escrita na Bóina deve-se a uma estadia de alguns dias na Catalunha. De lá venho imbuído de grande solidariedade para com os republicanos espanhóis, particularmente para com aqueles que na Catalunha viram as suas aspirações nacionais atendidas precisamente pelo advento da República, faz hoje 76 anos.

Aqui ficam o assinalar da efeméride e da memória da República Espanhola e os desejos de uma futura convivência de duas repúblicas democráticas no solo peninsular, que a marcha da História tem vindo a recusar.

Viva a República!
quarta-feira, abril 11, 2007
terça-feira, abril 10, 2007
Caput Mundi

Cheguei há 48 horas de Roma e ainda estou sob o efeito da cidade: da simetria, da beleza das formas simples, da monumentalidade intemporal, da omnipresença da história.
Estive nos Museus do Vaticano que contêm uma grande parte dos maiores tesouros artísticos do Ocidente.
E depois entrei na basílica de S.Pedro. Uma palavra: poder, poder, poder. Nunca tinha visto poder incarnado em arquitectura daquela maneira. Se ainda houvesse dúvidas: a Igreja foi e é uma máquina de concentração e distribuição de poder temporal e político, de legitimidade, de salvação etc.
Poder.
Mas lindo. Que bem que a Igreja aproveitou o génio infinito da Humanidade.
sexta-feira, abril 06, 2007
Fábula da Rotunda

Reduzida a história aos seus caracteres básicos, temos o seguinte:
Digamos que a isto respondem uns rapazecos com dinheiro para gastar, que de sérios não querem ter nada - o que me parece uma admirável forma de seriedade e lucidez - e que resolvem o assunto, colocando os outros no seu devido lugar.
Entra em cena a autoridade, conhecida por se distrair no momento de conceder licenças, com ânsia de zelosamente efectivar um regulamento de publicidade, dando sequência a um conjunto de acções em que o seu representante convoca a comunicação social para registar o momento em que, simbolicamente, começa a arrancar publicidade comercial das paredes de Lisboa, prometendo que nada será como antes (em boa hora). Por isso, manda arrancar o cartaz dos bons rapazes.
O cartaz dos maus está em vias de tornar-se um ex-libris de arte pública da cidade, não pela versão original, mas pelo o acto de desobediência civil que constitui a sua vandalização. O cartaz dos bons é sacrificado pela autoridade no labirinto da legalidade formal em que os maus se souberam mexer, mas o exemplo persiste.
Há vilão, herói e polícia tonto, tudo por esta ordem. Parece que temos enredo para opera buffa.















