Quarta-feira, Julho 09, 2008

Sem palavras

Segundo o Público de hoje o Dr Mário Soares terá dito ontem, a propósito da prisão de Guantánamo:
"prender suspeitos de actividade terrorista sem provas, sem julgamento, sem tempo e trazendo-os à força dos seus seus países em aviões que fizeram escala em aeroportos europeus para uma base militar em Cuba, tem comparação com os campos de concentração nazis da Segunda Guerra Mundial." (meu ênfase)

Soares está zangado. Soares odeia Bush. Os nazis são o símbolo do mal. Ergo, toca a comparar os EUA com os nazis. É simples. Eu já ouvi isto em algum lado, a divisão do mundo em "bons" e "maus"... Para Soares há uma Axis of Evil. Só os membros é que são diferentes.

Eu já não percebo nada...

Terça-feira, Julho 08, 2008

Corte itinerante

O Eng.º Duarte Bragança vai fazer "monarquias abertas". Até parece que leva uma pequena corte em itinerância e que vai assinar protocolos com entidades locais. Da minha parte, estou especialmente curioso em saber qual a entidade signatária que o senhor representa, qual o conteúdo dos protocolos e, particularmente, qual o critério adoptado para a celebração de acordos com as instituições públicas referidas na notícia, a saber, a UBI, a Escola Superior Agrária de Castelo Branco, ou a Direcção Regional de Agricultura.


Enquanto cidadão com as mesmas faculdades e direitos do senhor Eng.º Bragança, sinto-me inspirado em organizar algo parecido - só ainda não me decidi se vai ser um bonapartismo aberto ou uma xogunato aberto (sonhar por sonhar, porque não ser mais exótico?).

É de facto triste...

Após a decisão preliminar do sínodo da Igreja Anglicana em admitir o acesso de mulheres à qualidade de bispo, o Vaticano afirmou ter recebido a notícia com tristeza, indicando que a opção anglicana vai dificultar a aproximação entre as duas confissões e fazer retroceder o progresso dos últimos anos. A argumentação católica em torno da questão de fundo assenta no facto de todos os apóstolos terem sido homens, o que indiciará uma vontade de Jesus Cristo em vedar o acesso das mulheres ao sacerdócio. Tendo em conta que todos os apóstolos eram também Judeus, se quisermos levar o raciocínio até às suas últimas consequêncaias, cheira-me que a Igreja Católica fica sem padres...

Compassionate society


Para quem de vez em quando se lembra de ter dúvidas sobre a existência de diferenças entre esquerda e direita, eis um friendly reminder:


Tom

Fiquei fã do Tom Lehrer. Eis mais um (este à boleia deste post da Ana Gomes).

Tom Lehrer - Who's next?

Eleições fresquinhas a caminho

A jovem grande coligação austríaca (tinha menos de dois anos) foi ao ar e cheira cada vez mais a acto eleitoral para os lados de Viena. Ao contrário da grande coligação do vizinho alemão, que parece penalizar essencialmente o SPD, as sondagens que se conhecem na Áustria dão conta de empate técnico dos social-democratas da SPÖ e dos populares ÖVP (33%) e subidas da extrema-direita FPÖ (16%) e dos Verdes (14%). E pode ser até que o chanceler Gusenbauer não se recandidate...


Isto de organizar europeus de futebol dá nisto, instabilidade e governos novos. Vejam lá se não aparece um Santana Lopes austríaco...

Segunda-feira, Julho 07, 2008

Alívio, por agora

Notícia de há pouco dá conta de que o incêndio que deflagrou em edifício devoluto na Avenida da Liberdade, junto ao Elevador da Glória está circunscrito. Afastado o perigo de "novo Chiado" que por momentos se temia (o fogo alastrou a alguns edifícios), impõe-se que regressemos ao debate do renascimento da Baixa e da preservação do centro histórico. Este e muitos outros alfacinhas o exigem!

Fobias

Patrícia Lança de volta, sem surpresas. Para si os homossexuais continuam a ser um lóbi sem rosto e não pessoas que pretendem ser tratadas como as demais. Continuam a ser merecedores de discriminação e aversão e quem defende as suas causas anda aos gritos de forma histérica e é feio (sic).
No seu mais recente post, Patrícia Lança teima ainda em desviar a conversa para outro lado. Ninguém a quer silenciar com qualquer criminalização do seu discurso. A sua liberdade em ser contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo ninguém lha contesta.

Prepare-se é para ser confrontada com a justa acusação de homofobia e discriminação. Deixo-lhe uma analogia que ilustrará o argumento do Daniel Oliveira no Eixo do Mal: assim como é hoje inaceitável que alguém defenda a proibição do casamento interracial, também o dia virá em que não haverá um pingo de dúvidas em remeter para o exterior do debate civilizado quem sustenta o tratamento discriminatório de casais homossexuais.

Um desporto sem Conselhos de Justiça


Não vi, mas segundo os relatos foi histórico. Os parciais dão um claro sinal disso mesmo:

Nadal 6-4

Nadal 6-4

Federer 6-7 (5-7)

Federer 6-7 (8-10)

Nadal 9-7

Domingo, Julho 06, 2008

Favoritos PDA

Entre muitos outros, sei que também vai ao encontro das preferências do César e o Chico. A ambos a solidariedade destas pequenas minudências subjectivas...
The Beatles - Eleanor Rigby

The Constitution's most mysterious right

Para quem estiver para aqui virado, e depois desta decisão do Supremo Tribunal dos EUA, deixo uma análise jurídica objectiva, por Cass Sunstein, da Universidade de Chicago, que desmistifica as leituras mais radicais e sacralizantes direito à posse de armas.

A série dos grandes covers (IV)



Jim Carey - I am the Walrus

A série dos grandes covers (III)

Ella Fitzgerald - Desafinado

A série dos grandes covers (II)

Rufus Wainwright - Everybody Knows

A série dos grandes covers (I)

David Bowie & Marianne Faithful - I've got you babe

Clássicos

David Bowie - Heroes

Prestações sociais e IVG

Através de um amável convite da Maria João Pires, "vendi-me" ao 5 dias e por lá postei o texto que se segue. Mas como os deveres para com a causa dos demais "repúblicos" se impõe, cá vem ele transcrito para a Bóina:

Desde que foi publicado em Diário da República o Decreto-Lei n.º 105/2008, que não têm sido poucas as leituras deturpadas, simplistas e alarmistas do seu conteúdo, proclamando-se com pavor a descoberta de subsídios à realização de abortos, nas palavras de alguns dos mais veementes escritos sobre o assunto. Contudo, parece-me melhor política ler o diploma até ao fim e não ser selectivo nas normas que se opta por interpretar.

Em primeiro lugar, lendo o artigo 2.º percebe-se que a finalidade do diploma é a de assegurar compensação por perda de remuneração decorrente das eventualidades descritas no decreto-lei, cujo leque é variado, não sendo a IVG senão um entre vários elementos da lei.

“Artigo 2.º
Os subsídios sociais previstos no presente decreto-lei concretizam-se na atribuição de prestações pecuniárias destinadas a garantir rendimentos substitutivos da ausência ou da perda de remuneração de trabalho, em situações de carência económica, determinadas pela inexistência ou insuficiência de carreira contributiva em regime de protecção social de enquadramento obrigatório ou pela exclusão de atribuição dos correspondentes subsídios do sistema previdencial.”


Da leitura desta norma já se retira sem margem para dúvidas que invocar a existência de um incentivo à realização de aborto não corresponda à realidade e traduz má-fé interpretativa de quem o afirma. O que está em causa é apenas compensar a perda de remuneração decorrente das eventuais consequências da interrupção da gravidez, ou seja, a impossibilidade de trabalhar nos dias que se seguem à realização da intervenção. Lendo ainda mais atentamente o diploma se perceberia que o âmbito pessoal de destinatários até é bem mais limitado do que uma leitura apressada indiciaria, apenas se visando abranger quem não está coberto por qualquer regime de protecção social de enquadramento obrigatório (n.º 1 do artigo 3.º), ou quem por eles esteja enquadrado, mas não beneficie das prestações correspondentes às eventualidades previstas no novo decreto-lei (n.º 2 do artigo 3.º).

Prosseguindo a leitura e chegando aos aspectos específicos relativos à interrupção voluntária da gravidez, fica claro que o período de concessão do subsídio é temporalmente mais apertados do que nas demais prestações previstas no diploma (máximo de 30 dias, por oposição aos 150 para o subsídio de maternidade ou 100 para o subsídio de adopção) e que a atribuição do subsídio depende de demonstração de existência de período de incapacidade para o trabalho: segundo o n.º 3 do artigo 10.º, “em caso de aborto espontâneo ou de interrupção voluntária da gravidez o período de concessão varia entre 14 e 30 dias, consoante o período de incapacidade para o trabalho determinado por prescrição médica.” Não deve, pois, sobrar qualquer dúvida quanto à inexistência de incentivos ou benefícios, mas tão-somente a previsão de uma compensação para quem ainda se encontra em fase de recuperação após a realização de uma interrupção da gravidez.

Para quem analisa a questão da perspectiva dos direitos à saúde sexual e reprodutiva, o regime agora criado vem apenas assegurar que à salvaguarda da saúde da mulher se têm necessariamente de associar mecansimos que evitem causar-lhe um dano económico acrescido. Para quem insista em continuar a viver antes de 11 de Fevereiro de 2007, qualquer abordagem deste teor será sempre reveladora de uma vasta conspiração destinada a promover a prática de abortos, porque continuará a assentar o seu raciocínio numa lógica repressiva e ostracizante, não encarando a questão da principal perspectiva que releva, que é a da protecção da saúde das mulheres. Para quem sustenta esta útima abordagem, a mulher deve ser censurada pela realização da IVG e a abordagem do Estado não deve ser a da solidariedade, mas a da indiferença. Felizmente, o eleitorado optou pelo outro caminho…

Memória e critério

Em dois dias, duas questões interessantes sobre a preservação da memória e como lidar com o passado. Em primeiro lugar, a Assembleia da República aceitou e votou favoravelmente uma petição contra a construção do muito publicitado Museu Salazar, em Santa Comba Dão. Um dia depois, no primeiro dia de abertura ao público da sucursal berlinense do museu de cera da Madame Tussaud, um cidadão alemão decapitou a figura de cera de Hitler (e muito adequadamente, tendo em conta a forma com a senhora Tussaud expandiu a sua actividade no final do século XVIII....).

Em ambos os casos há um elemento comum, uma vez que ambos demonstram que a tarefa de lidar com o passado não tem o carácter linear que os promotores de ambos os espaços museológicos pretendem. O risco de transformar em panegírico ou em memorial aquilo que se pretende que tenha um conteúdo formativo é significativo, se as cautelas necessárias não forem tomadas. É pois de saudar a recusa dos deputados à AR em sancionar uma escolha desacertada da Câmara Municipal de Santa Comba Dão que, na sua ânsia de arranjar um foco de atenção turística, não foi capaz de exigir dos promotores da iniciativa um projecto estruturado e criterioso, sujeitando-se por isso a ficar associada à lógica da celebração "dos aspectos positivos do Estado Novo". Exige-se um pouco mais do que ser filho da terra com notoriedade para merecer este tipo de atenção das autoridades públicas. Relembro que não se trata de uma qualquer iniciativa de um cidadão ou de uma entidade privada, mas sim de um projecto com intervenção e financiamento públicos.

O excesso de reacção do visitante da Madame Tussaud em Berlim revela a forma como o problema está interiorizado pela população alemã. A República Federal da Alemanha é provavelmente o país do mundo com a abordagem mais exemplar e sem complexos do seu passado. Enquanto os manuais escolares japoneses continuam a lidar vergonhosamente com o expansionismo nipónico das décadas de 30 e 40 e os seus políticos de primeira linha continuam a não recusar-se em prestar homenagem a criminosos de guerra, ou enquanto em Itália ainda se compram aventais, lenços e bustos de Mussolini em barraquinhas de rua em Roma e noutras cidades, os alemães souberam olhar de frente o passado e proclamar o seu repúdio pelos valores que estão associados ao nacional-socialismo, enquanto asseguram a análise histórica rigorosa do período e a preservação da memória das vítimas. Tolerância zero e investigação máxima.

Se não queremos ficar limitados a espaços de exaltação de figuras menos recomendáveis, parece-me que a lógica alemã é aquela que devemos seguir. Como disse Fernando Rosas no hemiciclo de São Bento, a uma capelinha ao ditador com as suas pantufas, sofás e escovas de dentes, ainda por cima a expensas do erário público, devemos dizer não, muito obrigado. Um museu com enquadramento científico adequado sobre o Estado Novo e um museu que preserve a memória das vítimas e resistentes ao regime, por seu turno, é algo que se impõe há muitos anos...



PS: E já agora, actualizo os links, com o incontornável Caminhos da Memória.

Zona livre de direito

Volto a dizê-lo: para mim, o ponto mais alto da credibilização da denominada justiça desportiva é o facto de a via de resolução normal de controvérsias jurídicas num Estado de Direito, o recurso aos tribunais, acarretar como consequência imediata a punição com descida de divisão ao clube que ousar exercer esse direito.


Não têm culpa nem os jogadores, nem os adeptos. Para os homens do "dirigismo" é muito bem feito!

Música de fim-de-semana

Flashbacks...

Blur - Country House

Sábado, Julho 05, 2008

Momentinho jacobino

Tom Lehrer - Vatican Rag

Esta nem com acordo ortográfico lá vai

A versão portuguesa do site da Opus Dei traz uma entrevista com um recém-ordenado sacerdote em que este remata (literalmente) a conversa dizendo que Ser católico é jogar para a “Champions” todos os dias.

Consultada a versão brasileira do site, a entrevista do mesmo prelado termina com uma afirmação ligeiramente diferente: Ser católico é jogar uma Copa do Mundo diariamente.

Aparentemente, basta atravessar o Altântico para o Man United se tornar campeão do Mundo de selecções. Fé e futebol movem, de facto, montanhas....

Poder popular

A 26 de Junho de 2008, Salvador Allende completaria 100 anos.



"Não basta que todos sejam iguais perante a lei. É preciso que a lei seja igual perante todos."

Salvador Allende Gossens

Sexta-feira, Julho 04, 2008

Nem no Pravda nos seus dias melhores...

O resistir.info tem muitos mais criteriosas peças de isenção e contacto com a realidade:

Homenagem a Manuel Marulanda

Honra e Glória eterna ao comandante Raúl Reyes!

"O budismo tibetano, uma filosofia? Essa é para rir!"

O desmascaramento final da versão oficial do 11/Set

O mito Kennedy ascende outra vez

Novo estudo de "Pilots for 9/11 Truth": Nenhum Boeing 757 chocou com o Pentágono


Mas um dos melhores chama-se "PROMOÇÃO DO FEUDALISMO TIBETANO" e encontra-se logo na página inicial:

A promoção do feudalismo tibetano continua a desenrolar-se, sob o alto patrocínio da CIA. Os actuais protestos no Tibete, em ligação com os Jogos Olímpicos na China, haviam sido planeados e discutidos em Julho de 2007 em Nova Delhi sob a égide do embaixador estado-unidense, do sr. Jamyang Norbu que se apresenta como escritor exilado e desse bandalho do Dalai Lama que se apresenta como "líder espiritual" do Tibete. O objectivo era fazer mais uma das revoluções coloridas , ao estilo da CIA. A seguir àquela reunião a sra. Paula Dobriansky , sub-secretária de Estado dos EUA, neocon membro do PNAC, efectuou uma visita ao sr. D. Lama para coordenação. A dita sra. Dobriansky já estivera envolvida nas tais 'revoluções coloridas' na Europa do Leste. Promover revoltas com a cobertura do governo americano é uma actividade muito rentável para alguns. A estratégia delineada em N. Delhi previa uma marcha de exilados e protestos dentro do Tibete, sempre com financiamento ciático. Está tudo a ser seguido ao pé da letra. A orquestração nos media que se dizem "de referência" não podia, é claro, deixar de faltar.

Todos sabemos o que têm sofrido os povos do Leste da Europa desde as tais revoluções coloridas...

Parabéns à Revolução Americana!



"We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness. — That to secure these rights, Governments are instituted among Men, deriving their just powers from the consent of the governed, — That whenever any Form of Government becomes destructive of these ends, it is the Right of the People to alter or to abolish it, and to institute new Government, laying its foundation on such principles and organizing its powers in such form, as to them shall seem most likely to effect their Safety and Happiness."

Quinta-feira, Julho 03, 2008

Interlúdio musical

Para alimentar o vício à Ana:

Scarlett Johansson - Falling Down

Claramente uma conspiração nazi-zionista-americana-uribiana

Como é que não fomos capazes de ver a perfídia estampada no rosto de Ingrid Betancour, essa malévola agente da classe dominante venezuelana? A honestidade intelectual é nula, a distorção da realidade é absoluta, o asco é total.

Três mercenários estado-unidenses, 11 polícias & militares e um membro da classe dominante colombiana foram recuperados dia 2 pelo governo narco-militarista de Uribe. Daquilo que já se sabe deste episódio verifica-se:

1) Seguindo o diktat bushiano, Uribe continua a rejeitar a solução política do conflito – que deveria ter início com uma troca humanitária de prisioneiros, como propõe as FARC-EP.

2) O governo uribiano-bushiano não hesitou em por em risco a vida dos retidos.

3) Os retidos foram mantidos em boa saúde – poderá o Estado colombiano dizer o mesmo daqueles que mantem nas suas masmorras?

4) Regimes repressivos & fascistas muitas vezes obtêm êxitos em operações de comandos, como mostra a história de Israel e da Alemanha hitleriana – mas isso não leva à paz com justiça social.

5) O alarido mediático dos media corporativos volta-se selectivamente para os membros da classe dominante – mas nunca mencionam os sofrimentos dos oprimidos, como os milhões de camponeses colombianos expoliados das suas terras ou as centenas de guerrilheiros das FARC-EP que padecem nas prisões uribistas.

6) A operação ardilosa do dia 2, infelizmente, pôs a Colômbia mais distante da paz.

Retirado daqui via Blasfémias.

Sigam a luz

Cliquem para aumentar.





Simplificação

No 31 da Armada, o Rodrigo Moita de Deus desenvolve o seguinte raciocínio:


O problema é que parece que Manuela Ferreira Leite disse mais qualquer coisinha, um pouco mais do que apenas concordar com a actual lei. Até parece que foi o seguinte:


1 - Em primeiro lugar, admitiu expressamente que a orientação sexual é um factor de discriminação.

2 - Em segundo lugar, reduziu a família a uma instituição construída em torno da procriação, discriminando não só as famílias sem prole, como as famílias formadas na sequência da adopção, deixando de lado as múltiplas normas que protegem a família nas suas cada vez mais ricas e plurais manifestações.

3 - Ainda que se tivesse limitado a concordar com a manutenção em vigor da actual lei, a defesa de um regime jurídico discriminatório em relação a determinada categoria de cidadãos e cidadãs não pode ser visto como um potencial factor de identificação de um preconceito?

Mais bem dito do que estas linhas que aqui deixo, é este comunicado da ILGA, pelo que para aí remeto o que mais há a dizer.

Artigo 37.º

Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.



A recente suspensão do blogue Povoaonline revela a falta de sentido de Estado de Direito e de relevo dos direitos fundamentais que ainda sobrevive nas precisas instituições erguidas para a sua defesa.


Perguntar-se-á o telespectador mais atento se com isto não estou eu a abrir dar uma carta branca para a calúnia e injúria? Não me parece. Se o autor do blogue incorreu na prática de crime ou causou danos aos autarcas, há vias judiciais para o punir e para indemnizar os lesados. Proibir um veículo de livre expressão do pensamento e procurar apagar a história fazendo desaparecer o blogue é que implica dar aquele passozinho totalitário que não só não é necessário, como põe em risco uma das bases fundamentais do sistema democrático.

Tendo deixado passar o desaparecimento de George Carlin há uns dias, não vejo post mais oportuno para referir a necessidade de salvaguar os direitos dos inoportunos do que este:


LIBRE!


Isto promete

Se casar é só para procriar, pergunto se em breve a inversa também será verdadeira?

Para o que me havia de dar

Enfim, ando assombrado por isto há uma semana. Por isso, cá vão todas as versões imagináveis para concluir o exorcismo.

Volare - Domenico Modungo

Volare - Gipsy Kings
Volare - Dean Martin

Sábado, Junho 28, 2008

46664

Vai com atraso quase indesculpável, mas aqui fica:

Happy Birthday Madiba!

Quarta-feira, Junho 11, 2008

Un país de mierda...

Façam o teste.

Terça-feira, Junho 10, 2008

Que saudades...

Cavaco sem graça.

Sexta-feira, Junho 06, 2008

Uma imagem vale mil palavras

Terça-feira, Junho 03, 2008

Pushing the boundaries

Lá chegaremos... Espero que a JS volte a acordar para as suas responsabilidades depois das eleições de '09. Senão ainda vai ser o BE a liderar esta campanha em 2010, talvez aproveitando um PS com maioria relativa na AR...

Congresso Feminista em Lisboa (26 a 28 de Junho)




1. É interessante;

2. É importante;

3. O último congresso feminista em Portugal foi organizado em 1928.
Só não vou porque não estou em lx.


Sábado, Maio 31, 2008

A história da PIDE


O livro de Irene Flunser Pimentel sobre "A História da PIDE" é a obra final sobre a polícia política portuguesa. Reflecte um trabalho minucioso nos arquivos da PIDE (que no dia 25 de Abril de '74 só teve tempo para destruir o registo de informadores...) e não só. O discurso de Flunser Pimentel reflecte o equilíbrio correcto entre o distanciamento necessário por parte do cientista social em relação ao objecto de investigação, e a inevitável dose de empatia com as muitas vidas destruídas (em todos os sentidos) por uma organização cujos elementos teriam dificuldades em exercer qualquer tipo de poder ou influência numa sociedade livre e democrática.

Uma passagem particularmente interessante sobre "os dois países" que era Portugal - e que, de certa forma, talvez ainda seja (?):

"Pode-se dizer que, no continente, os locais de naturalidade do grosso dos presos políticos fica a sul, no litoral e nas zonas mais populosas - Lisboa, Setúbal, Beja, Évora, Faro, Porto, Braga e Santarém - enquanto o centro e Norte interior são as regiões privilegiadas de nascimento dos elementos da PIDE/DGS - Coimbra, Castelo Branco, Guarda, Viana do Castelo, Portalegre, Viseu, Bragança e Vila Real. Apenas o distrito de Aveiro tem aproximadamente a mesma percentagem de presos e de elementos da política daí naturais."
(P. 425)

A grande virtude do livro (a minúcia da descrição, o detalhe da narrativa) é também o seu maior defeito. O leitor (ou pelo menos, este leitor) sente que durante páginas a fio é confrontado com listas intermináveis: de agentes da PIDE, de presos, de datas, de locais, de eventos. Listas. O capítulo sobre as "modalidades da tortura", por exemplo, dedica uma atenção desproporcional a dezenas de casos individuais que, apesar de interessantes do ponto de vista dos destinos individuais das vítimas, não deviam ser o foco do discurso historiográfico. Bastava escolher alguns casos paradigmáticos para ilustrar uma tese da autora.

E é acima de tudo isso que falta. A análise histórica. Eu não espero de um trabalho desta envergadura os 'facts and figures' da história PIDE, uma espécie de resumo de toda a informação relevante glosada a partir dos arquivos e de entrevistas com vítimas e carrascos, uma narrativa corrida, tipo "em 1948 foram presos x,y,z nos sítios a,b,c pelas razões 1,2,3; já em 1949...; em 1950...".

Sinto falta, neste livro, do debate entre interpretações, teses, teorias diferentes sobre o que era a PIDE, o que a distingue de outras polícias comparáveis, se (e como) ela contribuiu para a longa vida (e agonia) da ditadura, qual era o discurso sobre a PIDE entre os "civis" nas diferentes décadas da ditadura (era ela vista como um mal necessário por uma população obcecada com a ordem nos anos '30, e como um instrumento insuportável de repressão nos anos '60?), como é que se via a própria PIDE, qual a importância da ideologia do regime nas motivações dos pides etc.

Atenção: a autora debruça-se sobre quase todos estes temas. Mas de forma insuficiente. A quantidade de 'matéria prima' historiográfica (quem? quando? onde?) é completamente desproporcional em relação ao espaço que é dedicado à análise.

O resultado é uma obra monumental no que diz respeito à recolha de informação sobre a história da PIDE, mas à qual falta um fio condutor, uma tese histórica, que ajude o leitor a navegar através de uma montanha de dados avulsos. A estrutura do livro não ajuda, já que os capítulos são organizados tematicamente, e não cronologicamente. Por exemplo, é frequente a Quarta Parte do livro (sobre "Os métodos da PIDE/DGS", páginas 308 a 412) fazer referência a acontecimentos que foram descritos na Segunda Parte (sobre "A PIDE/DGS e os seus principais adversários", páginas 132 a 218), e a autora parece esperar do leitor que este se lembre do exacto nome do indivíduo que volta a ser mencionado 100 páginas depois.

Concluindo, o livro é de leitura morosa. A autora fez um trabalho insubstituível e indispensável de recolha de informações, mas às vezes desaparece a voz da historiadora no meio do ruído dos factos. Último exemplo: o assassinato do General Delgado pela PIDE. A autora começa por descrever o debate dentro da PIDE entre aqueles que eram a favor de prender Delgado, e trazê-lo para Portugal, "onde seria submetido a julgamento" (P.401), e os que preferiam deixá-lo em liberdade para "continuar a manter o trabalho de intoxicação e controlo sobre Delgado" (P.402), levado a cabo por agentes infiltrados pela PIDE na entourage do General. Fica-se sem perceber muito bem porque é que finalmente Delgado e a sua secretária são assassinados (vários indícios apontam categoricamente para a premeditação do crime). A dada altura a autora cita uma fonte que explica que este tipo de crime não podia ter acontecido sem a luz verde de Salazar, sem entrar em grandes detalhes. Ora esta é a questão central. Saber qual dos agentes que foram a Badajoz deu os tiros é relativamente indiferente - e é nisso que a autora concentra considerável atenção!

Neste, como noutros casos, as implicações políticas dos factos assumem papel periférico perante a ânsia da autora em reconstituir minuciosamente a sequência dos acontecimentos. Ainda em relação ao exemplo de Delgado: este capítulo tem uma espécie de coda intitulada "Dúvidas, perplexidades e perguntas por responder" (P.408), em que a autora refere ao de leve várias teorias conspirativas que envolvem a CIA e uma rede europeia de extrema-direita na(s) tentativa(s) de assassinar Delgado. A frase seguinte é um bom exemplo:

"Num recente livro, onde incluiu documentação dos arquivos policiais, nomeadamente da DGS espanhola, Juán Carlos Jiménez Redondo afirmou que, apesar de ter certamente havido, no caso Delgado, uma trama complexa entre os serviços secretos portugueses e as organizações da extrema-direita europeia, o mais relevante foi a existência de uma trama de cumplicidade no interiror do regime salazarista."(P.409/410)

O problema desta frase (e de outras no mesmo capítulo) é que a autora não se pronuncia sobre a importância/veracidade/verosimilhança da tese (especulativa?) em causa. Mais uma vez o tratamento do caso Delgado por parte de Flunser Pimentel deixou este leitor perfeitamente esclarecido sobre o quem/quando/onde, mas confuso em igual medida em relação ao processo de tomada de decisão, nomeadamente no que diz respeito ao grau de envolvimento directo das mais altas esferas do regime, mas também às ramificações europeias/globais do crime.

Mas mesmo assim o livro é de leitura obrigatória para quem está interessado numa perfeita radiografia de um dos pilares do triste regime que desgovernou Portugal de 1933 a 1974. E uma coisa fica clara: a violência, a mediocridade, a boçalidade, o obscurantismo e a mesquinhez que distinguiram a ditadura portuguesa estão profundamente inscritos no ADN da PIDE.

Sexta-feira, Maio 30, 2008

Seja o que os deuses quiserem



A boa notícia é que há uma nova república à face da terra.
A má notícia é que foi proclamada por maoístas.

Terça-feira, Maio 27, 2008

Mais pobres

Sydney Pollack (1934-2008)

Sábado, Maio 24, 2008

Ainda em Maio

Numa altura em que ainda se discutiam coisas interesantes. No caso Truffaut, Godard e Polansky discutem se deviam parar o festival de Cannes num gesto de solidariedade para com os estudantes. Mais um documento para a posteridade, sponsored by youtube

Quarta-feira, Maio 21, 2008

Santa paciência

João Miranda, no Blasfémias, já tem revelado uma capacidade inultrapassável de conduzir um raciocínio num determinado rumo e tirar a conclusão oposta. Tem igualmente demonstrado uma dificuldade na apreensão do conceito de liberalismo ou, pelo menos, em acreditar que possa ter um sentido distinto daquele que lhe atribui.
Hoje ficamos a saber que, para além disso, habita uma realidade paralela.
Na sequência da licença de maternidade da Ministra da Defesa espanhola, JM escreve o seguinte:
"Costumava ser da praxe um ministro nunca entrar de baixa. Fazia parte da dignidade de um ministro demitir-se sempre que os seus problemas pessoais de saúde começavam a afectar o desempenho do cargo. Parece que já não é bem assim. O ministro que deixa os seus problemas médicos interferir com a boa governação começa a ser a norma."
Para além do machismo à décima potência do autor, ficamos ainda sabedores de dois factos relevantíssimos:
1 -Uma gravidez é um problema médico.
2 - Os ministros não podem estar de baixa.
Santa paciência...