sábado, maio 31, 2008

A história da PIDE


O livro de Irene Flunser Pimentel sobre "A História da PIDE" é a obra final sobre a polícia política portuguesa. Reflecte um trabalho minucioso nos arquivos da PIDE (que no dia 25 de Abril de '74 só teve tempo para destruir o registo de informadores...) e não só. O discurso de Flunser Pimentel reflecte o equilíbrio correcto entre o distanciamento necessário por parte do cientista social em relação ao objecto de investigação, e a inevitável dose de empatia com as muitas vidas destruídas (em todos os sentidos) por uma organização cujos elementos teriam dificuldades em exercer qualquer tipo de poder ou influência numa sociedade livre e democrática.

Uma passagem particularmente interessante sobre "os dois países" que era Portugal - e que, de certa forma, talvez ainda seja (?):

"Pode-se dizer que, no continente, os locais de naturalidade do grosso dos presos políticos fica a sul, no litoral e nas zonas mais populosas - Lisboa, Setúbal, Beja, Évora, Faro, Porto, Braga e Santarém - enquanto o centro e Norte interior são as regiões privilegiadas de nascimento dos elementos da PIDE/DGS - Coimbra, Castelo Branco, Guarda, Viana do Castelo, Portalegre, Viseu, Bragança e Vila Real. Apenas o distrito de Aveiro tem aproximadamente a mesma percentagem de presos e de elementos da política daí naturais."
(P. 425)

A grande virtude do livro (a minúcia da descrição, o detalhe da narrativa) é também o seu maior defeito. O leitor (ou pelo menos, este leitor) sente que durante páginas a fio é confrontado com listas intermináveis: de agentes da PIDE, de presos, de datas, de locais, de eventos. Listas. O capítulo sobre as "modalidades da tortura", por exemplo, dedica uma atenção desproporcional a dezenas de casos individuais que, apesar de interessantes do ponto de vista dos destinos individuais das vítimas, não deviam ser o foco do discurso historiográfico. Bastava escolher alguns casos paradigmáticos para ilustrar uma tese da autora.

E é acima de tudo isso que falta. A análise histórica. Eu não espero de um trabalho desta envergadura os 'facts and figures' da história PIDE, uma espécie de resumo de toda a informação relevante glosada a partir dos arquivos e de entrevistas com vítimas e carrascos, uma narrativa corrida, tipo "em 1948 foram presos x,y,z nos sítios a,b,c pelas razões 1,2,3; já em 1949...; em 1950...".

Sinto falta, neste livro, do debate entre interpretações, teses, teorias diferentes sobre o que era a PIDE, o que a distingue de outras polícias comparáveis, se (e como) ela contribuiu para a longa vida (e agonia) da ditadura, qual era o discurso sobre a PIDE entre os "civis" nas diferentes décadas da ditadura (era ela vista como um mal necessário por uma população obcecada com a ordem nos anos '30, e como um instrumento insuportável de repressão nos anos '60?), como é que se via a própria PIDE, qual a importância da ideologia do regime nas motivações dos pides etc.

Atenção: a autora debruça-se sobre quase todos estes temas. Mas de forma insuficiente. A quantidade de 'matéria prima' historiográfica (quem? quando? onde?) é completamente desproporcional em relação ao espaço que é dedicado à análise.

O resultado é uma obra monumental no que diz respeito à recolha de informação sobre a história da PIDE, mas à qual falta um fio condutor, uma tese histórica, que ajude o leitor a navegar através de uma montanha de dados avulsos. A estrutura do livro não ajuda, já que os capítulos são organizados tematicamente, e não cronologicamente. Por exemplo, é frequente a Quarta Parte do livro (sobre "Os métodos da PIDE/DGS", páginas 308 a 412) fazer referência a acontecimentos que foram descritos na Segunda Parte (sobre "A PIDE/DGS e os seus principais adversários", páginas 132 a 218), e a autora parece esperar do leitor que este se lembre do exacto nome do indivíduo que volta a ser mencionado 100 páginas depois.

Concluindo, o livro é de leitura morosa. A autora fez um trabalho insubstituível e indispensável de recolha de informações, mas às vezes desaparece a voz da historiadora no meio do ruído dos factos. Último exemplo: o assassinato do General Delgado pela PIDE. A autora começa por descrever o debate dentro da PIDE entre aqueles que eram a favor de prender Delgado, e trazê-lo para Portugal, "onde seria submetido a julgamento" (P.401), e os que preferiam deixá-lo em liberdade para "continuar a manter o trabalho de intoxicação e controlo sobre Delgado" (P.402), levado a cabo por agentes infiltrados pela PIDE na entourage do General. Fica-se sem perceber muito bem porque é que finalmente Delgado e a sua secretária são assassinados (vários indícios apontam categoricamente para a premeditação do crime). A dada altura a autora cita uma fonte que explica que este tipo de crime não podia ter acontecido sem a luz verde de Salazar, sem entrar em grandes detalhes. Ora esta é a questão central. Saber qual dos agentes que foram a Badajoz deu os tiros é relativamente indiferente - e é nisso que a autora concentra considerável atenção!

Neste, como noutros casos, as implicações políticas dos factos assumem papel periférico perante a ânsia da autora em reconstituir minuciosamente a sequência dos acontecimentos. Ainda em relação ao exemplo de Delgado: este capítulo tem uma espécie de coda intitulada "Dúvidas, perplexidades e perguntas por responder" (P.408), em que a autora refere ao de leve várias teorias conspirativas que envolvem a CIA e uma rede europeia de extrema-direita na(s) tentativa(s) de assassinar Delgado. A frase seguinte é um bom exemplo:

"Num recente livro, onde incluiu documentação dos arquivos policiais, nomeadamente da DGS espanhola, Juán Carlos Jiménez Redondo afirmou que, apesar de ter certamente havido, no caso Delgado, uma trama complexa entre os serviços secretos portugueses e as organizações da extrema-direita europeia, o mais relevante foi a existência de uma trama de cumplicidade no interiror do regime salazarista."(P.409/410)

O problema desta frase (e de outras no mesmo capítulo) é que a autora não se pronuncia sobre a importância/veracidade/verosimilhança da tese (especulativa?) em causa. Mais uma vez o tratamento do caso Delgado por parte de Flunser Pimentel deixou este leitor perfeitamente esclarecido sobre o quem/quando/onde, mas confuso em igual medida em relação ao processo de tomada de decisão, nomeadamente no que diz respeito ao grau de envolvimento directo das mais altas esferas do regime, mas também às ramificações europeias/globais do crime.

Mas mesmo assim o livro é de leitura obrigatória para quem está interessado numa perfeita radiografia de um dos pilares do triste regime que desgovernou Portugal de 1933 a 1974. E uma coisa fica clara: a violência, a mediocridade, a boçalidade, o obscurantismo e a mesquinhez que distinguiram a ditadura portuguesa estão profundamente inscritos no ADN da PIDE.

sexta-feira, maio 30, 2008

Seja o que os deuses quiserem



A boa notícia é que há uma nova república à face da terra.
A má notícia é que foi proclamada por maoístas.

terça-feira, maio 27, 2008

Mais pobres

Sydney Pollack (1934-2008)

sábado, maio 24, 2008

Ainda em Maio

Numa altura em que ainda se discutiam coisas interesantes. No caso Truffaut, Godard e Polansky discutem se deviam parar o festival de Cannes num gesto de solidariedade para com os estudantes. Mais um documento para a posteridade, sponsored by youtube

quarta-feira, maio 21, 2008

Santa paciência

João Miranda, no Blasfémias, já tem revelado uma capacidade inultrapassável de conduzir um raciocínio num determinado rumo e tirar a conclusão oposta. Tem igualmente demonstrado uma dificuldade na apreensão do conceito de liberalismo ou, pelo menos, em acreditar que possa ter um sentido distinto daquele que lhe atribui.
Hoje ficamos a saber que, para além disso, habita uma realidade paralela.
Na sequência da licença de maternidade da Ministra da Defesa espanhola, JM escreve o seguinte:
"Costumava ser da praxe um ministro nunca entrar de baixa. Fazia parte da dignidade de um ministro demitir-se sempre que os seus problemas pessoais de saúde começavam a afectar o desempenho do cargo. Parece que já não é bem assim. O ministro que deixa os seus problemas médicos interferir com a boa governação começa a ser a norma."
Para além do machismo à décima potência do autor, ficamos ainda sabedores de dois factos relevantíssimos:
1 -Uma gravidez é um problema médico.
2 - Os ministros não podem estar de baixa.
Santa paciência...

Chiqui Chiqui

O nostálgico Daniel Oliveira que me perdoe, mas o meu voto deste ano ia para Rodolfo Chiquilicuatre:

terça-feira, maio 20, 2008

And now for something completely different...

De volta às lides bloguísticas, gostava de avançar com a seguinte questão: porque é que os estrumpfes andam todos com uma boina frígia? Mensagem republicana subliminar para as criancinhas? Pelo menos comigo funcionou.

sexta-feira, maio 16, 2008

Três em um

Ao atacar implicitamente Obama no seu discurso no Knesset, Bush é capaz de ter feito o maior favor dos últimos tempos ao candidato democrata. Em primeiro lugar, privilegia-o enquanto interlocutor - o próprio Presidente a atacar o candidato, promovendo-o a candidato democrata semi-oficial e afastando a figura de Hillary como alvo republicano privilegiado, o que só beneficia Obama na recta final da corrida do seu partido. Em segundo lugar, pelo teor desastrado da intervenção, permite a Obama dar uma resposta sólida e determinada, repudiando o contéudo da declaração, e demonstrando a inadequação da oportunidade escolhida por Bush para o atacar. Finalmente, ofusca McCain e subordina-o à linha desta presidência, permitindo a Obama capitalizar na linha que tem vindo a desenvolver de McCain como o "terceiro mandato de Bush".
Já agora, recomendo uma visita a este video, que Daniel Oliveira postou no Arrastão (lembra o Luís Delgado, mas para muitíssimo pior...)

Ainda não perceberam...

Três anos depois do resultado eleitoral que claramente sustentou a posição de Sampaio, ainda há quem sustente a tese do "golpe". Com uma estratégia assim, será cada vez mais difícil a Santana Lopes demonstrar que é candidato de futuro e que não continua preso ao passado.

Se somos a costa oeste da Europa bem podíamos seguir o exemplo da costa Oeste da América

O Supremo Tribunal da California declarou ontem que uma lei daquele estado que proibia o casamento entre pessoas do mesmo sexo é inconstitucional, violando o princípio da igualdade na direito a formar uma família:

Comentando a decisão, o governador não só afirmou que respeitará a decisão como não apoiará qualquer alteração constitucional que habilite a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Esperemos que no Palácio Ratton estejam atentos às notícias...

Rigoroso, rigoroso era fazer a conta toda

Noticiam hoje quase todos os jornais diários que só a partir de segunda-feira os portugueses deixarão de trabalhar para fazer face às suas obrigações fiscais e contributivas. Para que deixasse de ser uma mera atoarda demagógica e populista, sSeria no mínimo adequado fazer a conta dos serviços públicos de que os portugueses usufrem em média e descontá-lo do valor apontado.

O Oráculo de Belém


Cavaco Silva lançou o debate sobre o interesse e a participação dos jovens na política, convocando as juventudes partidárias num contexto de assumir as responsabilidades que estas têm no assunto.

Boa!

Não digo que seja a primeira ou a única, mas foi uma oportunidade de ver o Presidente da República a dizer mais do que as habituais generalidades e banalidades simpáticas e sempre superficiais sobre os assuntos, declarações daquelas em que é impossível não concordar, mas também impossível ver qualquer coisa de inspirador. É bom ver isso num Presidente que até agora só se conseguia entusiasmar com perorações alongadas de especialista em economia e com análises macro-económicas que, embora o deixassem com os olhos iluminados, constituíam momentos de interminável bocejo para os que o escutavam.


Cavaco Silva saiu-se realmente bem, porque a sua intervenção foi consistente e sumarenta, e eu fiquei satisfeito por o ver ter este tipo de iniciativa. E, confesso, senti-me satisfeito por ter algo de positivo a assinalar-lhe. Nem me parece ter causado ofuscação a polémica do não convite à jota do Bloco de Esquerda, sob o argumento (realmente muito frágil) de não ter organização de juventude autónoma, de tal maneira amuada pareceu a reacção do jovem bloquista que respondeu.
Até que o Governo revê em baixa as perspectivas de crescimento económico, e o Presidente é perguntado sobre o assunto. Ressurge então o homem dos números, brilhozinho nos olhos a dar o seu parecer de académico. Cavaco não resiste a desenvolver e a falar em economiquês, e fala, fala, referindo as suas anteriores previsões sobre o assunto e terminando a confortar os portugueses com uma mensagem de optimismo. Foi isso que os portugueses quiseram ao elegê-lo: um economista que governasse da Presidência, porque nada melhor para o estado em que o país está do que alguém que perceba de números. Mesmo que a função não tenha qualquer poder executivo ficamos mais descansadinhos por isso. Elegemos um Alan Greenspan para sabermos para onde vamos.
E é assim o nosso Presidente: governante opinativo na reserva todos os dias; líder inspirador só às vezes.

quinta-feira, maio 15, 2008

As Novas Parcerias da Saúde – PPPPP

Tem vindo a ser veiculado pela imprensa e pelo Ministério que houve apenas uma alteração ao modelo das Parcerias Público-Privadas para os novos hospitais que têm sido anunciados (exemplo: Hospital de Faro). É mentira!

O que houve foi uma inversão completa no modelo para as novas unidades que já não pode continuar a ser chamado de Parceria Público-Privada. Independentemente de concordar (e já o escrevi aqui) com uma moderação do Nº de Hospitais onde é aplicado o modelo de Parceria, a decisão de retirar a gestão clínica equivale a retirar os Privados da “Parceria”.

Neste novo paradigma que vou chamar “os 5Ps” (Pseudo-Parceria Público-Pseudo-Privado) existem apenas duas componentes asseguradas por Privados:
Ø Construção do Hospital - que eu saiba a construção dos hospitais do SNS não abrangidos pelos 5 Ps não tem sido feita por pedreiros, carpinteiros e electricistas funcionários do estado inscritos na ADSE;
Ø Gestão das instalações – trata-se apenas de um subcontrato para a manutenção do edifício que tendencialmente seria sempre subcontratada seja uma 5Ps, fosse uma PPP ou qualquer Hospital privado.

O rigor obriga a admitir que os novos Hospitais anunciados não serão de Parceria Público-Privada e que, para já, o modelo de Parceria Público-Privada irá ter apenas cinco unidades (por ordem previsível de início de actividade): São Brás de Alportel (já em exploração: GPSaúde), Cascais (em construção: HPP), Braga (Negociação Final: Mello), Vila Franca de Xira (Shortlist: Mello e GPSaúde) e Loures (aposto que ainda volta atrás). Reparem que nesta lista nunca falei (e raramente se fala) dos construtores nem das empresas que vão ficar com o subcontrato da manutenção...

Chamar Parcerias Público-Privadas aos novos hospitais (exemplo: Faro) dá-me vontade de lançar um concurso de Parceria Público-Privada para a pintura da minha sala ou para a contratação de uma mulher-a-dias.

Como sempre a Boina a pugnar por um maior rigor no tratamento dos conceitos que permita uma avaliação clara dos modelos em exploração, para os aplicar depois da forma que melhor garanta a sustentabilidade do nosso constitucionalmente ganho Sistema Nacional de Saúde.

Os mais iguais que os outros

Hoje e ontem temos assistido a algum debate sobre o fumo do nosso Primeiro Ministro e do Ministro da Economia no avião da TAP para a Venezuela. Chegou ao ponto em que até “Os Constitucionalistas” (estou a falar do Vital Moreira e Jorge Miranda e não de um novo programa de humorismo na RTP) já vieram confirmar que é ilegal e o próprio Sócrates já veio dizer que, não só pedia desculpa, como iria mesmo deixar completamente de fumar.

Eu até sou contra esta onda higiénica que nos tem varrido (já escrevi sobre isso por diversas vezes), mas enquanto responsáveis pelo acolhimento e propagação do higienismo radical, os nossos governantes deveriam ser os primeiros a aplicar uma "inverted caeser's wife" e serem, para além de parecerem, cidadãos cumpridores das leis que eles próprios criaram.

Não basta alegar o desconhecimento da Lei (uma vez que este nunca aproveita a ninguém) e muito menos é relevante a decisão de deixar de fumar ou outra qualquer informação relativa à sua vida privada.

A mim vem-me à memória uma frase batida:
ALL ANIMALS ARE EQUAL
BUT SOME ANIMALS ARE MORE EQUAL THAN OTHERS.


quarta-feira, maio 14, 2008

terça-feira, maio 13, 2008

A 13 de Maio

(entra o coro das velhas)
Aaa treeeezeeee deee Maaaaiooooo
Naaa Cooovaaaa daaa Iriiiaaaaa...
Não aconteceu absolutamente nada. Só para ficarmos claros em relação a esse evento a la Luís de Matos (para pior).

Mas o que "não aconteceu" a 13 de Maio de 1917 foi muito aproveitado para destruir o que efectivamente aconteceu a 5 de Outubro de 1910. Assim, declaro luto este dia um dia de luto Republicano.

Dois textos sobre Israel.

Posso não concordar com tudo o que escrevem Daniel Oliveira e Fernanda Câncio nestes seus textos sobre os 60 anos do Estado de Israel, mas fico muito satisfeito por saber que no debate à esquerda há quem consiga ser objectivo, recusar radicalismos e maniqueísmos e oferecer uma análise rica sobre uma questão complexa. É a trocar ideias assim que nascerá a luz.

segunda-feira, maio 12, 2008

Artes circenses

O país que abriu hoje os telejornais com a leitura em directo da convocatória da selecção para o Euro 2008, está a dedicar o Prós e contras de hoje à arbitragem. Valentim Loureiro, o Major-Sem-Medo-de-Ninguém, defronta Dias da Cunha, o anti-sistema. Fátima Campos Ferreira (ela própria um grande exemplo de arbitragem imparcial e isenta) está agora a ler as escutas de Valentim Loureiro, para que este as possa descodifica logo de seguida. Um épico!

A não perder daqui a pouco, a entrada em campo de Guilherme Aguiar e Dias Ferreira que, saídos fresquinhos do Dia Seguinte, onde estiveram em aquecimento com Fernando Seara, se vão juntar ao painel na terceira parte do programa. Um daqueles casos em que a realidade bate a ficção aos pontos:
Uma nota final para os restantes autores da Bóina: Se dois posts sobre futebol em menos de uma hora não é motivo suficiente para voltarem a escrever não sei o que é que preciso fazer.

Não durou muito

Aparentemente, o acordo entre o PPP e a Liga Muçulmana do Paquistão de Shariff, está prestes a estatelar-se e o partido deste último vai sair do Governo. Passado o choque e a unidade que se seguiram ao assassinato de Benzari Bhutto, parece que se volta ao business as usual da instabilidadde.

Fronteiras e passaportes

No regresso de dois dias no Leste da Eslovénia, atravessei a fronteira com a Croácia, para apanhar o meu vôo para Lisboa em Zagreb, num carro com matrícula da Bósnia-Herzegovina, cheio de portadores de passaportes com brasões e alfabetos diferentes.

Entre os muitos sérvios com os quais pude trocar impressões sobre o assunto, era clara a expectativa quanto ao resultado das eleições de ontem, quanto à possibilidade de chegar à União Europeia e de encerrar o capítulo do nacionalismo. O Kosovo não ajuda, é verdade. Mas acima de tudo, poder atravessar fronteiras com normalidade e, quem sabe, mais tarde poder eliminá-las com a adesão, foi isto que os Sérvios escolheram ontem. Cabe-nos a nós, os do passaporte com as estrelinhas, fazer o possível para não frustar as expectativas e ajudar a Sérvia e os seus vizinhos dos Balcãs ocidentais a fazer o resto do percurso.

Obrigado Rui Costa!


Até o clube podia estar já condenado a descer à II Liga ou às distritais. O estádio teria sempre enchido para se despedir. Não há cinismo e piadola fácil que tirem a beleza ao momento do adeus ao Maestro. Procurem que não encontrarão muitos jogadores dispostos a vir acabar a época no seu clube de sempre. Também não encontrarão muitos clubes aos quais valha a pena voltar incondicionalmente, ainda que para ficar sem ganhar títulos e experimentar resultados menos simpáticos...

Bowing gracefully

Tenho estado silencioso quanto às minhas preferências no campo democrata. Por perguiça ou por ser cobardolas, uma vez que ambas as soluções me agradariam e assim escuso de me empenhar num candidato que depois poderá ficar pelo caminho, tenho ficado à espera para ver o rumo que as primárias tomariam, tentando funcionar como o fiel da balança numa Bóina onde hillaristas e obamistas ocasionalmente trocam galhardetes.

Contudo, a minha calmaria blasée acabou, o vencedor está aí e só os irredutíveis dos irredutíveis de Clinton é que se recusam a ver o que já é evidente para os restantes: Barak Obama vai ser o candidato presidencial do Partido Democrata. A vantagem que era só em número de Estados e de delegados há uns meses, passou a sê-lo também em número absoluto de votos e em número de superdelegados. Quem consultar o simulador de delegados do NY Times verificará que, enquanto Obama apenas precisa de 13% dos superdelegados em falta caso mantenha o nível de votação médio que tem tido, Hillary só chegaria à nomeação conquistando mais de 87% dos restantes ou subindo drasticamente o número de delegados eleitos.
Depois de uma campanha, de um nível de debate e de uma mobilização históricos, seriam igualmente sem precedentes deitar tudo a perder por não saber sair a tempo. Três semanas não farão diferença, podem pensar os mais acérrimos apoiantes de Hillary. A questão não é essa, é a de saber por que raio é que se tem de perder três semanas nisto...

Nem mais

No Público:

A clareza e determinação de Ricardo Araújo Pereira em preservar o seu reduto de privacidade, impedindo a tabloidização e devassa da intimidade à inglesa, mercem o aplauso e apoio de todos os interessados em ter imprensa livre e de qualidade.

quinta-feira, maio 08, 2008

A opinião pública começa a decidir a nomeação


Capa da Time da próxima semana. Aperta-se o cerco a Clinton.

segunda-feira, maio 05, 2008

Mais vale tarde...


Ainda com a ameaça de balde água fria que poderá resultar do veredicto final às declarações de Niemeyer ao Expresso, nas quais apontou para uma não-autoria do Casino do Funchal (polémica que tem dado frutos e que pode ser acompanhada aqui), a Academia das Ciências de Lisboa, numa homenagem que já tardava, elegeu Oscar Niemeyer como sócio correspondente. Ainda que se conclua que não temos nenhuma obra de Niemeyer em Portugal, teremos pelo menos a possibilidade de reclamar o próprio Niemeyer, através da Academia das Ciências...

2 de Maio


Escapou aqui ao pessoal da Bóina (eu tenho desculpa, estava fora) os 200 anos do levantamento espanhol contra Napoleão (já o D. João VI molhava os pezinhos na baía de Guanabara), que abriria uma das mais problemáticas frentes de guerra ao cavalheiro corso e que, eventualmente, levaria às jornadas constituintes doceanistas, em Cádiz, pelas quais os nossos liberais do vintismo suspirariam até as conseguirem reproduzir em versão lusa. Aqui fica a lembrança (com manifesto copianço do Peão).


Porreiro era fechar grandes superfícies evangélicas para não causar concorrência ao culto tradicional...

Perante a possibilidade de os hipermercados voltarem a abrir aos domingos, a Igreja Católica cá do burgo, através da Liga Operária Católica e do bispo das Forças Armadas, veio manifestar a sua oposição à medida. Sobre o assunto, com os pontos todos nos iis ver o post de Teresa Ribeiro no Corta-Fitas.

domingo, maio 04, 2008

Juizinho

Agora que a recta final se aproxima, a vitória de Obama em Guam pela diferença mínima de um voto ameaça anunciar o quão renhida vai ser a convenção. Por enquanto, McCain não tem aproveitado a folga, mas não fiquem à espera que durma até Novembro...

Prioridades no sítio

E se achavam que todos os exageros sobre a futebolização da vida pública já tinham sido proferidos, eis que....


Quais 1.ºs de Dezembro e 5 de Outubros, feriados deviam era ser os dias em que fomos a finais europeias...

Notícias que não se podem inventar

Como não podia deixar de ser, também o Kentucky Derby, a corrida de cavalos mais importante dos Estados Unidos, entrou na campanha eleitoral, e ambos os candidatos democratas tornaram públicas as suas apostas. Hillary Clinton apostou numa égua chamada Eight Belles, e justificou a sua aposta por ser a única égua entre os concorrentes, declarando que este era o ano das mulheres.
Eight Belles ficou em segundo lugar, mas partiu as duas patas da frente e teve de ser abatida. O vencedor foi o Big Brown - o cavalo em que Obama apostou.