


Apesar de já lá ir uma semana, há uma direita que ainda regozija com o resultado eleitoral e brinda com champanhe. Contudo, não brinda a vitória de Cavaco Silva, mas a derrota de Mário Soares, celebrando o fim da carreira política do octogenário socialista. Pensa esta direita que ganhou a Mário Soares, que o derrotou definitivamente e que está vingada. Vingada por Abril, pela descolonização, por 10 anos de Presidência da República, pelo republicanismo laico e socialista.
Engana-se, esta direita.
O Mário Soares que eles querem e julgam ter derrotado é invencível. É o Mário Soares que advogou a causa de Delgado assassinado, que percorreu no desterro as praias de S. Tomé e passeou no exílio dos boulevards de Paris, que foi aclamado em Santa Apolónia, que combateu e empolgou na Alameda, que assinou a entrada na Europa nos Jerónimos e que foi eleito Presidente de todos os Portugueses numa noite fria de 1986. É o Mário Soares a quem devo largas fatias da minha liberdade. É o Mário Soares que demonstrou ao País que uma vez eleito, o Presidente é de todos os portugueses, lição essa que ficou aprendida, valeu para Sampaio e vai valer para Cavaco Silva, o meu Presidente a partir de 9 de Março.
Por muito inglória que seja a sua derrota recente, não foi derrotado o Mário Soares que faz confusão à direita saudosista. Esse Mário Soares, o da resistência, da luta contra o colonialismo e da democracia venceu a luta da liberdade por todos nós e, repito-o, é invencível.
