Estamos demasiado ocupados a mudar o mundo.
Já agora deixou-vos um link para a entrevista que Ehud Olmert deu ao diário israelita de centro-esquerda Haaretz (http://www.haaretz.com/hasen/spages/692704.html). Dá uma no cravo, outra na ferradura. Mas o que mais marca é a promessa de retirar de quase toda a Cisjordânia! Em quatro anos! Cabe à esquerda israelita ter um resultado suficientemente robusto nas eleições da próxima Terça-feira para exercer pressão sobre o executivo liderado por Olmert: Israel não pode anexar Jerusalém Oriental (faz parte do programa do Partido Trabalhista abrir mão de tudo menos a Cidade Velha e o Muro das Lamentações); deve aproximar o trajecto do Muro - infelizmente necessário - o mais possível da Linha Verde de 1967 para evitar mais anexações de terra palestiniana; deve manter uma presença soft no Vale do Jordão e não uma 'fronteira de segurança'.
Finalmente, acima de tudo, só com a esquerda no poder se pode manter vivas as esperanças numa solução negociada.
Já que do lado palestiniano está tudo a andar para trás, cabe a Israel levar a cabo uma política de unilateralismo responsável.
Terça-feira Israel dá mais uma lição de maturidade democrática à região.
sexta-feira, março 24, 2006
segunda-feira, março 06, 2006
The show must go on

A cerimónia dos Oscars de ontem prometia ser impregnada do perfumado charme da dissidência. Começou a ver-se que só poderia ser assim quando a concurso estavam os filmes que estavam, e a Academia deu seguimento quando chamou Jon Stewart para apresentar («a melhor oportunidade para ver tanta celebridade junta sem ser num jantar do Partido Democrático»). Valia a pena ficar acordado só para o ver.
O que se passou não desmereceu o prometido.
George Clooney abriu a noite da melhor maneira. Com um discurso que foi, a muitos títulos, perfeito, o empedernido e empenhado liberal à antiga declarou o seu orgulho em pertencer a uma comunidade que falava de SIDA, desigualdade e exploração quando ninguém falava, e que deu um Oscar a uma negro numa altura em que os negros só podiam sentar-se nas últimas filas dos cinemas. E a noite prosseguiu no mesmo registo, enfatizado no clip sobre filmes que abordaram questões sociais importantes. Farta de ser gozada numa América adormecida pela tribo de Bush, Hollywood sai do armário como que gritando «Liberal, and proud of it». Sacudiu o sufoco e assumiu-se. Não foi gritar e espernear à toa. Não houve folclore à Michael Moore. Foi despejar emoção contida que transbordou de tão cheio que estava o copo. Foi como que dizer a festa é minha, deixem-me dizer o que quero. Foi a celebração do orgulho de fazer filmes como uma oportunidade de provocar a inquietação do espírito através da arte e assim fazer a humanidade avançar.
Não gosto particularmente da instrumentalização da arte, mas de vez em quando faz bem assistir a estes assomos de lucidez. É o que resta de esperança na grandeza da América.
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