segunda-feira, fevereiro 23, 2009
Impressões de Cabo Verde III (Campo do Tarrafal)
Impressões de Cabo Verde II (Interior da ilha de Santiago)
Impressões de Cabo Verde I (Cidade da Praia)

Baixa da Cidade da Praia, com o Palácio Presidencial ao fundo
A canonização e a República
Noticiam hoje os principais periódicos portugueses que o Papa Bento VI (anteriormente o Yoda na Guerra das estrelas) canonizou o Cidadão Português Nuno Alvares Pereira. Até aqui uma notícia pouco “contestável”, mesmo considerando que a base para a decisão final é, e passo a citar o DN de hoje: “uma sexagenária natural de Vila Franca de Xira, que sofreu lesões no olho esquerdo, por ter sido atingida com salpicos de óleo a ferver quando estava a fritar peixe”.
Igualmente humorísticos, mas já mais “contestáveis” foram os comentários do Cidadão Engº Duarte de Bragança sobre a suposta pressão dos malvados espanhóis no atraso da canonização uma vez que "A partir da restauração da independência de Portugal os espanhóis passaram a ver D. Nuno Álvares Pereira com maus olhos. E esta foi a grande razão pela qual o processo de canonização nunca foi para a frente”.Tudo estaria dentro do normal folclore que se esperava decorrer de uma notícia destas, incluindo o júbilo do Cidadão Paulo Portas, quando vejo no DN uma fotografia do Presidente da República Portuguesa com uma citação em que este se congratulava por esta canonização.
É a minha opinião que, tratando-se de uma especie de distinção puramente religiosa e não de um qualquer prémio Nobel da estratégia militar, não é adequado que a República Portuguesa secular e laica, pelo seu presidente, se congratule ou sequer releve este tema.
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
Pírrico
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Um clássico
Sotaque beirão, discurso lento e pomposo, ingenuidade e simplicidade nas ideias, perplexidade perante o questionamento de 'valores essenciais', certezas absolutas num domínio - as relações sexuais entre pessoas adultas - que desconhece - ou devia desconhecer - totalmente. Mas a cereja no topo do bolo é a referência à passagem na "Bíblia" como argumento supostamente determinante. Como quem diz, "está lá, preto no branco, o que é que vocês querem".
Notícia de última hora para o Cardeal D. José Saraiva Martins: a Bíblia pode ser usada para justificar tudo e o seu contrário. Desculpem, mas alguém tinha de lhe dizer.
terça-feira, fevereiro 17, 2009
Valores republicanos
Em stereo, aqui.
Em noite de prós e contras....
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
Regresso ao serviço
E ainda, em breve, novas contratações...
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
Anedota inofensiva
The official helps him to fill the arrivals customs card:
- Your name?
- Moshe.
- Family name?
- Mizrakhi.
- Citizenship?
- Israeli.
- Occupation?
- No, NO!!! Not occupation!! Just visiting!!!"
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
30 anos de SNS
Cometo aqui a empáfia de dizer que, se a criação de um acesso universal e tendencialmente gratuito à saúde é uma das maiores conquistas de Abril em Portugal, como conceito amplamente divulgado no nosso Continente esta é uma das vitórias de uma Europa assente no chão firme dos ideais d'A Revolução (a consultar no cabeçalho deste blog).
Sabemos que os EUA de Obama podem estar bem lançados para trilhar este caminho, mas não deixa de ser uma surpresa o que já se anda a fazer na China.
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Padres hindus, por exemplo
"A actual proposta relativamente às Forças Armadas tem em conta a possibilidade de outras confissões religiosas exercerem ali actividades pastorais."
Cá está um exemplo de como, em Portugal, se começa lentamente a perceber que "religião" e "catolicismo" não são sinónimos e que a ICAR não pode continuar a usufruir de uma posição hegemónica nas instituições da República.
O que nos leva à frase que se segue: "Neste sentido, é admitida a contratação de padres e de leigos oriundos de qualquer igreja e comunidade religiosa inscrita no registo de pessoas colectivas religiosas..."
Hmmm, cheira-me a vocabulário hegemónico...
A República já percebeu que há mais confissões religiosas para além da católica. Agora só falta os jornalistas do DN aprenderem que nem todas as religiões têm padres.
sábado, janeiro 24, 2009
Parem de falar mal do Cristianismo
Vão ver.
A exuberância da espiritualidade New Age
quarta-feira, janeiro 21, 2009
Péricles, Cícero, Maquiavel, Condorcet, Jefferson, Hugo... Obama
Vital Moreira tem razão. O discurso da tomada de posse de Obama evocou uma série de ideias e símbolos do republicanismo. Até lhe perdoo a misturada entre religião e a 'coisa pública'!Mas... A pompa, a música ("Hail to the Chief!"), os uniformes militares, a carga simbólica do neoclassicismo do Capitólio, a multidão, o discurso recheado de referências universalistas (tanto em termos de valores, como no que diz respeito ao papel dos EUA no mundo) - terei sido o único a ficar com a sensação de estar a assistir a uma cerimónia quasi-imperial, a um ritual de sacralização do Líder democrático, à confirmação por aclamação do Líder carismático (que adquire assim mais uma camada de legitimidade)? Tipo cruzamento entre Rousseau, Montesquieu e Bonaparte. Mas no século XXI e numa Democracia.
terça-feira, janeiro 20, 2009
Change has come to America
Do NYTimes:“He is really president,” Ms. Smith whispered, as others in the room applauded. “That’s nice.”
Presidente Obama
segunda-feira, janeiro 19, 2009
Anti-sionismo e anti-semitismo não têm nada a ver um com o outro III
Encontrei esta pérola do Frei Bento Rodrigues na Edição Impressa do Público de 4 de Janeiro."Depois de oito anos a acreditar nas trapaças de George Bush e da sua pandilha, assim como nos negócios vergonhosos da Wall Street, procura-se fazer de Barack Obama o salvador da superpotência para que ela seja a salvação do mundo. É normal que cada grupo procure atrair o Presidente para o seu campo. Foram, sem dúvida, os menos poderosos que o elegeram. Serão, no entanto, os mais poderosos que, em nome das virtualidades da economia de mercado e do seu dinamismo, desviarão a atenção de Obama dos mais pobres das Américas, da África e da Palestina. Israel já fez o suficiente para mostrar que, mesmo com o fariseu Madoff na cadeia, os EUA devem continuar com fé em Israel, mesmo depois de todos os crimes contra a humanidade. Não duvido de que todas as tentativas serão destinadas a arranjar oxigénio para o capitalismo, mesmo através das indesejadas intervenções do Estado. É opinião corrente que o próximo ano vai ser mau para os que mais precisam e que ainda não será o último. Depois, julga-se, pela lei dos ciclos económicos, que a prosperidade regressará."
Eu sei que o Frei Bento Rodrigues é leitor assíduo deste e doutros blogs laicos e republicanos, portanto cá vão umas perguntinhas: explique lá o que é que tem a ver um criminoso (que para além de muitos atributos interessantes também é judeu) e as suas falcatruas monumentais, com Israel e os seus "crimes contra a humanidade"?! O que é que tem a ver o destino deste escroque com a política externa dos EUA?! O que é que tem isto tudo a ver com os pobres, os oprimidos e os esquecidos "das Américas, das Áfricas e da Palestina" (honra especial para a Palestina, único país que merece ser mencionado à parte)?!
Ah, deixe-me adivinhar, eu ajudo: judeus=poder=dinheiro. Mais, se eu entendi bem o que se insinua aqui, aparentemente 5 ou 6 milhões de tipos mandam numa hiperpotência democrática com 300 milhões de habitantes. Eu cá parece-me que isto é uma conspiração. E se "eles" mandam na política externa dos EUA devem mandar no mundo! Espera lá, isto então é uma conspiração mundial! É pá, ó Frei Bento, ainda bem que você nos chama a atenção para isto, senão ainda podíamos cometer a imprudência de pensar que o destino do "fariseu Madoff" e a escolha de aliados dos EUA não tinham qualquer relação. Sugiro que o senhor se sente com o jornalista João Paulo Guerra, que também atribui a responsabilidade dos "crimes" de Israel ao "poder do dinheiro de Israel". Juntos poderão então gizar uma estratégia para nos salvar a todos das garras destes fariseus.
Porque toda a gente sabe que estes fariseus só fazem judiarias. São uns meninos rabinos. Primeiro limpam o sebo a nosso (Vosso) senhor (que felizmente se recompôs do choque), e depois, não contentes com isso, impedem que os EUA ajudem os oprimidos e impõem-lhes uma aliança chata.
À antiga, senhor padre, à antiga: um colega seu do século XVIII não tinha posto as coisas mais claramente. Azar para si, senhor padre, os "fariseus" aprenderam a defender-se.
P.S: Adivinhem a foto que acompanha este texto que versa sobre o capitalismo em geral: uma calculadora? Um banco? Uma nota de $? Um quadro de Adam Smith a jogar monopólio? Não: dois judeus ultra-ortodoxos. Enfim, judiarias.
Últimos argumentos de um anti-americano primário
A um dia da tomada de posse de Barack Obama, não resisto à tentação de partilhar este excelente artigo do Economist de balanço de oito anos de mediocridade agressiva e triunfante na Casa Branca.A minha passagem preferida: "the three most notable characteristics of the Bush presidency: partisanship, politicisation and incompetence." (Eu acrescentava: "ódio pela Razão". Ou como dizia o Stephen Colbert: o triunfo da "truthiness" sobre a "truth". Do "gut feeling" sobre a reflexão.)
Mas muitos de nós, modéstia à parte, sentiram muito depressa depois da chegada ao poder do gang Bush-Cheney-Rumsfeld que o que vinha aí metia medo. E foi por isso que não lhes demos o benefício da dúvida em 2003.
Esta administração representou tudo o que de pior têm os EUA. É como se em Portugal Alberto João Jardim se tornasse Presidente da República, Santana Lopes Primeiro-ministro e Paulo Portas Ministro da Defesa. Enfim, o triunfo da mediocridade. Impensável, claro.
Mas o pior de tudo foi assistir ao seguidismo desta lado do atlântico. Foi ouvir as lições sobre o que são os "verdadeiros EUA" por parte daqueles que hoje, completamente ultrapassados pelos acontecimentos e amargurados com a derrota épica de tudo o que representa o neo-conservadorismo americano, ficam reduzidos ao desespero do wishful thinking: "vão ver que o Obama não muda nada". Já mudou. Já sabemos que a competência voltou aos gabinetes em Washington.
Para aqueles entre nós que nunca acreditaram que Bush e a sua equipa mereciam ser defendidos só porque os rapazes do outro lado da barricada eram ainda piores; para aqueles entre nós que acham que a Europa e os EUA estão condenados a colaborar, mas não a qualquer preço; para aqueles entre nós que odiaram a era Bush com a mesma intensidade com que agora "amamos" Obama (e pelas mesmas razões); para nós, amanhã começa um novo capítulo de esperança. É piroso mas é assim mesmo.
Para mim, Obama tem o benefício da dúvida.
O valor dos destinos individuais
E a estupidez disto tudo.
Também para reler, a carta de David Grossman ao filho morto na guerra do Líbano de 2006.
Muito bem Senhor Primeiro Ministro, mas...
Por outras palavras, a única maneira de introduzir o casamento entre pessoas do mesmo sexo sem introduzir a adopção ao mesmo tempo seria acrescentando uma alteração explícita do parágrafo do Código Civil que diz respeito à adopção.
Espero que o silêncio do PM em relação à adopção não signifique uma tomada de posição contra.
domingo, janeiro 18, 2009
A Intemporalidade
Um pensamento recorrente pôs-me a tentar encontrar paralelos candidatos a intemporais nos artistas meus contemporâneos... Nada me surge que se vislumbre com a mesma longevidade.
Então lembrei-me pensar se esta aparente tendência para o esquecimento se aplicaria também aos acontecimentos que nos rodeiam. Desde os anos oitenta até hoje não encontrei nada que não ameace desaparecer na curva do tempo, ou que não se perca neste enorme turbilhão de novidades que é a produção artística e noticiosa destes anos.
Fazendo um balanço dos últimos 30 anos em que vivi não encontro nada que me pareça que permaneça. Nenhum 14 de Julho ou 5 de Outubro ou 25 de Abril. Duvido que resulte algum novo dia feriado para festejar algo que tenha acontecido neste período ou que tenha surgido algum artista que vá ser tocado nos próximos 300 anos para plateias deleitadas.
Nem sei valorizar tudo isto. Não sei se é bom ou mau, se há génio ou não, se é necessário ou não seres e criações intemporais. Parece-me apenas que não é propício o aparecimento dessas criações ou pessoas numa época em que os ideais possíveis são a sustentabilidade financeira e ambiental e um sentimento difuso de necessidade de aprofundamento dos valores da Liberdade, Igualdade e Fraternidade mas sem vislumbre de qualquer força para uma real alteração de paradigma, por ventura desnecessária.
Apenas alguns pensamentos moles, vagos e despretensiosos dignos de um fim de dia destes Domingos.
O jornal diário português de referência VIII
Toda a gente merece ver o seu nome escrito como deve ser. Lá por a senhora não se chamar Silva, ou Andrade, ou Lopes, não quer dizer que não se faça um esforço.
sábado, janeiro 17, 2009
O jornal diário português de referência VII
Na edição de ontem, na página 2, ficámos a saber que a UNWRA (United Nations Relief and Works Agency)"é responsável por cerca de 4 milhões de palestinianos na Faixa [de Gaza]."
Vamos por partes. Gaza tem uma população de 1,5 milhões de pessoas. A Cisjordânia, de 2,4 milhões, sem contar com os colonos judeus (que estão lá a mais...). O que perfaz um total de quase 4 milhões de palestinianos a viver nos Territórios Ocupados.
Portanto, será que o pessoal do Público queria dizer que a UNWRA é responsável "por cerca de 4 milhões de palestinianos nos Territórios Ocupados"?
Não. O mandato da UNWRA: "The current mandate runs till 30 June, 2011, wherein the UN General Assembly has expressed its awareness of the "continuing needs of Palestine refugees throughout the occupied Palestinian territory and in other fields of operation" and noted that the "functioning of the Agency remains essential in all fields of operation". UNRWA looks forward to the time when the question of the refugees it serves is resolved and its operations are no longer necessary."
Numa palavra: refugiados.
De acordo com os dados de 2007 da UNWRA, há 722,000 refugiados palestinianos na Cisjordânia e cerca de 1 milhão em Gaza, o que perfaz 1,722,000 refugiados palestinianos nos Territórios Ocupados.
Resumindo, o número de refugiados ao cuidado da UNWRA na Faixa de Gaza inventado pelo Público parece ser completamente aleatório. Como sempre, este jornal compensa em creatividade o que lhe falta em seriedade.
Repito. NYC. Ha'aretz. Por favor vão lá.
O jornal diário português de referência VI
Página 12 da Edição Impressa de hoje:
"Israel propôs entretanto estabelecer um hospital de campanha numa zona na linha de fronteira que divide Gaza da Cisjordânia."
Não faço a menor ideia do que diz realmente o teor da proposta israelita. Só sei que vou continuar a ler a imprensa internacional para me informar sobre este conflito. Aconselho a todos o mesmo. Sugiro o melhor jornal do mundo, o NYT, e o melhor jornal israelita com vocação internacional, o Ha'aretz.
P.S: Gaza e a Cisjordânia não têm "linha de fronteira". Os dois territórios estão separados pelo território de Israel.
sexta-feira, janeiro 16, 2009
Ainda a patriarcada
quarta-feira, janeiro 14, 2009
Um experiente conselheiro matrimonial
(Legenda: o Papa com um "deles")sábado, janeiro 10, 2009
Ainda Gaza
quarta-feira, janeiro 07, 2009
Anti-sionismo e anti-semitismo não têm nada a ver um com o outro
terça-feira, janeiro 06, 2009
A voz da razão
E como em Julho de 2006, Israel perdeu a oportunidade de parar a ofensiva a tempo. Não há vantagem militar ou política que compense as consequências negativas da invasão terrestre de Gaza: aumento exponencial das baixas civis palestinianas, aumento das baixas militares israelitas e, sobretudo, a erosão da capacidade dissuasora israelita perante a evidência da incapacidade da Tsahal de pôr fim aos disparos de mísseis para dentro de Israel (esta última consequência com implicações políticas graves).
Chega. E David Grossman explica muito melhor do que eu porquê.
quinta-feira, dezembro 25, 2008
terça-feira, dezembro 23, 2008
Saúde por um Fio... Condutor
Li recentemente o "Reformas da Saúde - O Fio Condutor" do nosso último Ministro da Saúde, António Correia de Campos.sexta-feira, dezembro 19, 2008
Santa Aliança
Adenda
Israel e os paises arabes: mais uma vez de lados diferentes da barricada...
terça-feira, novembro 25, 2008
Viagem a Paris - Le Panthéon IV
Viagem a Paris - Le Panthéon
domingo, novembro 16, 2008
Humanitas
O melhor jornalismo do mundo VI
"Hereby it is manifest that during the time men live without a common power to keep them all in awe, they are in that condition which is called war; and such a war as is of every man against every man. For war consisteth not in battle only, or the act of fighting, but in a tract of time, wherein the will to contend by battle is sufficiently known: and therefore the notion of time is to be considered in the nature of war, as it is in the nature of weather. For as the nature of foul weather lieth not in a shower or two of rain, but in an inclination thereto of many days together: so the nature of war consisteth not in actual fighting, but in the known disposition thereto during all the time there is no assurance to the contrary. All other time is peace.
Whatsoever therefore is consequent to a time of war, where every man is enemy to every man, the same consequent to the time wherein men live without other security than what their own strength and their own invention shall furnish them withal. In such condition there is no place for industry, because the fruit thereof is uncertain: and consequently no culture of the earth; no navigation, nor use of the commodities that may be imported by sea; no commodious building; no instruments of moving and removing such things as require much force; no knowledge of the face of the earth; no account of time; no arts; no letters; no society; and which is worst of all, continual fear, and danger of violent death; and the life of man, solitary, poor, nasty, brutish, and short."
sexta-feira, novembro 14, 2008
O bas-fond da internet
Parece que algumas pessoas não conseguem resistir à oportunidade de destilar boçalidade, ódio e ignorânica publicamente - no conforto do lar e escudados pelo anonimato.
Vejam o anti-semitismo e a islamofobia gritantes dos comentários a este artigo. Ainda há dias li um comentário de um sujeito que dizia que os judeus não são flor que se cheire: "se fossem, não os tínhamos expulsado há 500 anos..."Alguns destes comentários demonstram que o anti-sionismo e o anti-semitismo não são sempre dissociáveis.
Enfim, bem sei que é um pouco naïf escrever um post a dizer "ó da guarda, ó da guarda, há gente racista e anti-semita online!" Mas também não me quero conformar e aceitar que é "normal".
quarta-feira, novembro 05, 2008
44
terça-feira, novembro 04, 2008
No ar ao vivo

De volta ao ar para comentar o acto eleitoral da década.
Aqui na Boina e em liveblogging em Cercant na Maria per sa Cuina
domingo, novembro 02, 2008
Lição de decência para o Partido Comunista Português
"Malheureusement, dans les pays dits du "socialisme réel", la dictature du prolétariat devint rapidement celle du seul Parti communiste, voire d'un homme ou d'une burocratie, la socialisation des moyens de production et d'échange se transforma en étatisation. Lors de la période stalinienne, une répressions de masse s'abatit sur la société soviétique: déportations, anéantissement par le travail et la famine de populations entières, tueries, exécutions sommaires après des procès truqués (...). La disparition de Staline mit un terme aux aspects les plus sanglants du régime. Mais jusqu'à l'arrivée de Gorbatchev à la tête de l'URSS, la démocratie "socialiste" continua d'être réduite à un simulacre et les libertés les plus élémentaires furent bafouées."
(citação retirada de Les Guerres de Mémoires - La France et son Histoire, Éditions La Découverte, Paris, 2008, p.124)
quinta-feira, outubro 30, 2008
O Economist apoia Obama
sexta-feira, outubro 24, 2008
A religião, o mercado e a natureza

Enfim, este devaneio serve para exemplificar a tendência de alguns comentadores - cegados por algum excesso de zelo ideológico (neste caso, de fidelidade transatlântica) - em manter a mesma linha independentemente da realidade. São os adeptos daquilo que Stephen Colbert chama truthiness: é uma verdade intuitiva, nossa, orgânica, que facilmente se liberta da pérfida tirania dos "factos". Enfim, uma espécie de religião.
Ora vamos lá ver o que César das Neves aparentemente disse sobre a crise financeira num encontro da Associação Cristã (!) de Empresários e Gestores de Empresas (ACEGE):
As crises “não podem ser uma coisa rara e estranha, até porque a ganância a estupidez são frequentes”. A crise é, na verdade, “normal e banal como os furacões”. Claro que a ganância e a estupidez são atributos da humanidade pecadora. Talvez se esta admitisse as suas fraquezas, visse a Luz, seguisse o Verbo e se dedicasse a fazer o Bem, as crises acabassem? Não! Esclarece (sort of) César das Neves: "A explicação canónica [que dizer da escolha desta palavra?!] para a crise é a ganância e a estupidez, mas não era preciso ganância a estupidez para a crise acontecer”.
Ficamos esclarecidos: a humanidade, escumalha gananciosa e estúpida, está impotente perante o fenómeno orgânico, natural, da crise. É uma espécie de milagre. Inevitável, imparável, inexplicável.
Perceberam?
Agora Alan Greenspan, que teve as rédeas deste milagre nas mãos. Pode-se dizer que foi o Papa do sistema financeiro num período importante de desregulação. Página 34 do Público de hoje:
" "Cometi um erro ao confiar que o livre mercado pode regular-se a si próprio sem a supervisão da administração", afirmou o homem que esteve 18 anos ao comando da Fed. "Há 40 anos ou mais que tinha uma evidência muito clara de que o mercado livre funcionava muito bem", reconheceu Greenspan. Admitiu, depois, o grave erro em que incorreu quando se opôs à regulação do mercado de derivados. "Presumi, erradamente, que o interesse próprio das organizações, nomeadamente dos bancos, era suficiente para que eles protegessem os seus accionistas."
[Greenspan] reconheceu que deveria ter avançado com a regulação dos mercados onde se transaccionavam os chamados produtos tóxicos que estão na origem da actual crise - a mistura explosiva de hipotecas com títulos de dívida que eram depois vendidos a outros investidores. "
Em César das Neves encontram-se três tipos de fanatismo: o Catolicismo pré-Vaticano II obscurantista, homofóbico, cheio de ódio pela perfídia da humanidade pecadora e conspurcada pela carne; o liberalismo naturalista tipo Manchester dos 1830s; e, finalmente, o resultado do cruzamento dos dois - uma fé numa ordem natural das coisas, imutável, sã, imune em relação às variações do tempo e do espaço.
Nesta ordem das coisas, os destinos individuais, as pessoas, não contam nada.
Explica César das Neves, também no Público (desta feita online) "que a actual crise financeira internacional deveria afectar Portugal “com mais violência”, para estimular a economia.“Era importante ter uma coisinha um bocadinho mais violenta em Portugal para ver se a economia acorda, embora os custos sejam grandes”, salienta o economista. Para César das Neves, o problema da economia portuguesa dos últimos sete anos é [sic] a crise anterior nunca é muito forte, “pelo que não crescemos, não caímos, não demos em nada".
É preciso que a natureza continue com o seu trabalho purificador, lançando a crise sobre a cabeça dos portugueses, fustigando este país de pecadores.
Nos EUA e na Europa e em todo o mundo vai-se tentando combater esta crise que César das Neves quer conjurar, qual mensageiro de um deus irado.
E nos EUA, Greenspan discorda e acredita que podia ter alterado o rumo dos acontecimentos. Porquê? Acho que César das Neves diria que não se pode confiar em Greenspan até porque gente da laia dele confundiu a vinda do Messias com um mero desacato entre facções religiosas, com romanos à mistura...
quinta-feira, outubro 23, 2008
quarta-feira, outubro 22, 2008
For all you Liberals out there
O Martin Wolf sempre foi dos colunistas mais razoáveis do FT. E agora põe o dedo na ferida:(Enfim, na verdade a Zona Euro só ficaria em perigo se a Alemanha e/ou a França e/ou a Itália - ou talvez a Espanha - desrespeitassem totalmente os limites do Pacto de Estabilidade. Em termos da credibilidade do Euro, um país como Portugal dificilmente faz a diferença. Mas politicamente seria insustentável entrar em free riding, com toda a gente a apertar o cinto e depois uns tipos com défices orçamentais gigantescos.)
Mas agora o Euro não está em perigo e o fantasma da inflação foi substituído pelo espectro da deflação. E comparando com o Japão ou com os EUA, as contas públicas europeias estão um brinco.
Portanto, toca a abrir os cordões à bolsa. Keynes continua válido. Especialmente para limpar a economia dos escombros deixados por Milton Friedman e a supply-side economics.
sexta-feira, outubro 17, 2008
O candidato socialista?

quinta-feira, outubro 16, 2008
Meet Joe The Plumber
Joe The Plumber marca uma conferência de imprensa para a porta de sua casa e diz isto.
Joe The Plumber tem um discurso tão bem articulado que parece que leu aquilo em algum lado.
Joe The Plumber tem um muito conveniente receio de Obama.
A mim parece-me que, se não existisse, Joe The Plumber teria de ser inventado. Até me parece que Joe The Plumber é bom de mais para não ser inventado.
Nuances

segunda-feira, outubro 06, 2008
O melhor jornalismo do mundo IV
Viva a República!

quinta-feira, outubro 02, 2008
Holy Cow!
Se há muita gente no Congresso a engolir sapos ao aprovar o plano para evitar um mal maior, imagine-se que mal seria esse.
Second in Command
O que tem de fazer Joe Biden para ganhar? Abrir a boca e ser gracioso, para não ser acusado de ser um porco machista.
O que tem de fazer Sarah Palin para ganhar? Fazer um ar super queriducho de cada vez que não souber o que dizer. Mas talvez seja boa ideia arranjar um teleponto, muito pequenininho, para que ninguém dê pela fraude.
quarta-feira, outubro 01, 2008
Não há duas sem três - uma obsessão de Vasco Graça Moura
Já agora sejam coerentes em todo o plágio...

terça-feira, setembro 30, 2008
Afinal a pirataria mais grave não é no e-mule
Enredo manhoso de série B, à espera de Chuck Norris ou Steven Segall? Nada disso, apenas o produto de muitos e bons anos de alimentação de conflitos em África por comerciantes de armas e mercenários, salpicado do desinteresse pela situação dramática na Somália.
Nunca é tarde
E por cá, o condomínio privado na António Maria Cardoso continua lindo...
segunda-feira, setembro 29, 2008
Machado de Assis (1839-1908)

Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
"Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!"
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
"Pudesse eu copiar o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela"
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
"Mísera! tivesse eu aquela enorme, àquela
Claridade imortal, que toda a luz resume"
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
"Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vaga-lume?"
How to be elected president - Carter 1976
Nem só de política externa e de economia se alimenta um debate...
Eleições em alemão (do Sul) - II

Perante este cenário de castigo à grande coligação, as vencedoras da noite são as formações de extrema-direita: em primeiro lugar, o FPÖ, o "clássico" partido de extrema-direita, que sobe 7 pontos e chega aos 18%; logo de seguida, a BZÖ, a cisão organizada pelo antigo patrão da FPÖ, Jörg Haider, que chegou aos 11%, subindo também 7 pontos percentuais e roubando o quarto lugar aos Verdes, que se ficaram pelos 9%. Dividida, marcada por questiúnculas pessoais herdadas do tempo da cisão no rescaldo dos governos de coligação com a ÖVP de Schüssel, e caracterizada pelo discurso xenófobo e eurocéptico do costume, a extrema-direita austríaca chega aos 29% e ultrapassa a sua melhor marca, a de 1999, em que ainda unificada com FPÖ chegou aos 26%.
E o que se segue? O SPÖ anunciou que vai começar a preparar Governo. Ou se coliga outra vez com os conservadores, reeditando a coligação que foi sancionada nas urnas, esperando uma nova liderança do ÖVP menos revanchista, capaz de engolir a derrota de 2006, ou apenas lhe resta tentar um governo minoritário: com FPÖ já disse que não quer conversa (apesar de formar maioria aritmética), com os Verdes não há votos suficientes. Uma alternativa "à la 1999" seria a formação de um tripartido de direita, com conservadores e os dois partidos extremistas. O líder da FPÖ, Heinz-Christian Strache, não só acha a ideia interessante como até acha que tem potencial para ser o seu líder, invocando precisamente o precedente de 1999 em que foi Schüssel, o líder do terceiro partido mais votado, a chegar a chanceler... domingo, setembro 28, 2008
Eleições em alemão (do Sul) - I

sexta-feira, setembro 26, 2008
Por falar em temíveis lobbys judaicos...
The Great Schlep from The Great Schlep on Vimeo.
quinta-feira, setembro 25, 2008
Gravíssimo
O secretário-geral do Gabinete Coordenador de Segurança, Leonel Carvalho, considera que o aumento da criminalidade violenta registado nos últimos meses no país deve-se a “estrangeiros que percentualmente começaram a aparecer” no país, defendendo que a actual legislação deve ser adaptada para controlar a situação.
Those were the days...

Não, a mim o que me choca mais é que o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética que teve lugar em 1956 demonstrou uma maior capacidade de auto-crítica em relação aos crimes do estalinismo do que o XVIII Congresso do Partido Comunista Português, que terá lugar este ano.
O PC já foi um partido que, para além do seu papel na política nacional, agregava forças intelectualmente interessantes e albergava elementos progressistas em várias áreas, como o da emancipação das mulheres, por exemplo.
Neste momento não passa de um partido político amargurado, vazio de conteúdo, desfazado da realidade, intelectualmente estéril e preso na nostalgia de um passado dourado que nunca existiu. Um bocadinho
À consideração do Spin Doctor que há em nós

Hipótese A: McCain é um verdadeiro patriota que põe o país à frente da política, reconhecendo que o sofrimento do povo americano é mais importante do que a sua campanha eleitoral. Demonstra que está apostado em retirar a política de Washington [seja lá isso o que fôr, mas tem sido o seu mantra na últimas semanas] o que só lhe fica bem, porque os politicos são todos iguais, menos ele. Estou comovido, vou entregar-lhe o meu voto e pedir um beijinho à Sarah Palin.
Hipótese B: Are you kidding me? É só uma jogada, quem é que ele pensa que engana?
Hipótese C: Como ele próprio reconheceu que não pesca nada de economia, deve ser para ter explicações durante o fim-de-semana, antes de se atrapalhar em frente ao Obama. Está apresentado.
A acompanhar o dsenvolvimento nas próximas sondagens.



