sexta-feira, março 06, 2009

Uma opinião

É uma opinião pessoal. Não é a minha. Mas admiro a coragem.

quinta-feira, março 05, 2009

O Público admite que erra - nós já sabíamos

O Público hoje tem todo um artigo na secção P2 sobre as "gralhas e disparates" dos 19 anos da vida do jornal. Será que esta admissão de culpa vai moderar a sanha justiceira e correctiva deste blog? A resposta é um simples: não, não, não, não, não, não, não, não e não.
E mais, o Público acha que um jornal sem "gralhas e disparates é como um jardim sem flores". Pois eu conheço muitos jornais diários com uma flora consideravelmente menos frondosa... E prefiro esses.

quarta-feira, março 04, 2009

Darfur


O jornal diário português de referência IX

Hoje há um grande dossier no Público sobre um portuga que espiava para os alemães durante a II Grande Guerra. Na página 4 o artigo é acompanhado por uma grande fotografia de barcos de desembarque aliados na costa da Normandia.
O artigo trata do desembarque Aliado no Norte de África em 1942 (Operação Torch) e não do desembarque dos mesmos Aliados na Normandia em 1944 (Operação Overlord). Mas pronto, o Público escolheu uma fotografia da guerra certa. Já não é mau.
Mais engraçada é a legenda que acompanha a dita fotografia: "Armada britânica na costa da Normandia, dias antes do dia D".
O Dia D, como se pode ver aqui, é o primeiro dia da invasão da Normandia: 6 de Junho de 1944.
Mas alguém no Público acha que a "armada britânica" chegou às costas da Europa ocupada "dias antes" da invasão começar...

terça-feira, março 03, 2009

O anti-semitismo é o anti-semitismo do século XXI

Como já referi aqui, aqui e aqui, o anti-semitismo em Portugal está omnipresente. Assim mesmo: omnipresente.

Vão por favor ver à secção P2 do Público de hoje. Um artigo sobre "Queijo da Serra", que explica como na Beira se voltou a fazer queijo kasher (isto é, preparado de acordo com os preceitos higiénicos e rituais previstos pela religião judaica). Uma boa oportunidade para reflectir sobre a presença do judaísmo em Portugal, ou para destruir mitos e preconceitos? Não, para isso não se podia ter incumbido da tarefa um "jornalista" do Público.

A páginas tantas, o "jornalista" explica as motivações de um tal de José Agostinho Braz (especula-se no artigo sobre as suas origens cristãs-novas) para produzir queijo da serra kasher no meio da Beira Alta.

"...aquilo que em Israel é visto como o apelo das origens ou a procura do reencontro com as suas raízes ancestrais, para José Braz parece ter surgido apenas como uma oportunidade de incremento da facturação. Será essa, porventura, a mais firme revelação da sua costela judaica, mas a ideia central era, de facto, a expansão do negócio. "

Depois vêm umas considerações totalmente descabidas sobre "religiões semitas", que nem vale a pena corrigir.

Mas enfim, aparentemente a vontade de alguém querer fazer dinheiro é um indicador de uma "costela judaica".

Não, Daniel, a islamofobia não é o anti-semitismo do século XXI. O anti-semitismo ainda é o anti-semitismo do século XXI.

Adenda: depois de mostrar esta passagem a alguém, fiquei com menos certezas sobre o que escrevi. A que é que se refere a palavra "essa"? Ao "apelo das origens" e à "procura do reencontro com as suas raízes ancestrais"? Ou à "oportunidade de incremento de facturação"? Confesso que lendo com atenção fico com dúvidas... Vale a pena ler o artigo para perceber bem o contexto.

segunda-feira, março 02, 2009

Mais milhar de milhão, menos milhar de milhão



Não é novidade para ninguém que os jornais diários portugueses não primam pelo rigor. E não é só o Público a ter dificuldades em lidar com os desafios da exactidão (como demonstrei aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui).

Tema: cimeira informal dos líderes da UE para lidar com a crise - pacote de apoio financeiro ao Leste da Europa.

O que é que uma selecção aleatória de jornais portugueses diz hoje sobre este assunto?

1. Diário de Notícias (página 4 do caderno principal): "A Alemanha foi a grande opositora da ideia apresentada pela Hungria, que previa um apoio no valor de 160 mil milhões de euros para a região."
2. Diário Económico (página 12 do caderno principal): "O primeiro-ministro húngaro, Ferenc Gyurcsany, que denunciou uma reedição da 'cortina de ferro', pediu um fundo especial de solidariedade no total de 190 mil milhões de euros..."
3. Jornal de Negócios (página 18 do caderno principal): "Os líderes europeus, reunidos ontem informalmente em Bruxelas a pedido da República Checa, rejeitaram a aprovação de uma plano..., tal como preconizava a Polónia, que exigia um pacote de até 180 mil milhões de euros para os países de Leste."

O leitor que se amanhe. Ou então que se dê ao trabalho de ir procurar outra fonte que ajude a desempatar. Como o Economist online. Que explca o seguinte:

"EUROPEAN UNION leaders have rejected calls for a special €180 billion ($229 billion) rescue fund for ex-communist countries in east and central Europe. Leaders gathered in Brussels on Sunday March 1st for an emergency summit to discuss the economic crisis dismissed suggestions, led by Hungary, that a single plan was needed to save the region. Without massive help for ex-communist nations, Hungary’s prime minister, Ferenc Gyurcsany, had said, a “new Iron Curtain” risked splitting the continent anew."

Conclusão: nenhum dos jornais portugueses acertou nos factos.
Adenda: Na página 19 do Jornal de Negócios de hoje há um artigo com o título "Regras de adesão ao euro mantêm rigidez apesar da crise global". Depois há um subtítulo a meio da página: "Regras de acesso à UE desajustadas do ciclo económico". Eles querem dizer "regras de acesso ao euro", porque é disso que trata o artigo... Arre, que cada cavadela cada minhoca.

sábado, fevereiro 28, 2009

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Hello Kalashnikov



Nos EUA, as forças da autoridade partilham generosamente o monopólio da violência com milhões de cidadãos armados até aos dentes.
Um dos mais misteriosos aspectos do contrato social americano é sem dúvida o grotesco 'liberalismo' no que diz respeito à posse e compra e venda de armas. Tudo por causa de uma emenda à Constituição (a Segunda) que claramente revela mais sobre o contexto político e social das colónias inglesas na América no fim do século XVIII, do que sobre as necessidades normativas dos EUA de hoje.
Estamos claramente perante um desequilíbrio entre os direitos individuais dos cidadãos e os imperativos da vida em sociedade.
Mas pronto, o "direito de um cidadão possuir armas" até inclui o modesto privilégio de, após escrupuloso preenchimento de uns papelinhos, adquirir uma(s) piquena(s) AK-47 aka Kalashnikov. Fica aqui uma passagem de um artigo do IHT sobre os danos que esta brincadeira causa aos pobres vizinhos dos EUA:



(Querem revoltar-se? Por favor digam aos vossos amigos que percebem de computadores para fazerem maldades a este site.)

terça-feira, fevereiro 24, 2009

A PSP tinha razão...


Afinal está tudo explicado: a criançada ameaçava pôr Braga a ferro e fogo. Dêem uma medalha ao Agente Silva, fazem favor.
Já agora, só para contribuir para a agitação popular a que se assiste, cá vai senhora nua. Vou já preparar as minhas algemas preferidas.



segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Impressões de Cabo Verde IV (Campo do Tarrafal)









Impressões de Cabo Verde III (Campo do Tarrafal)

O núcleo museológico e o interior do campo da morte lenta. As imagens falam por si quanto aos brandos costumes da nossa experiência ditatorial.


Impressões de Cabo Verde II (Interior da ilha de Santiago)

A caminho do Tarrafal, a paisagem interior da ilha de Santiago, incluindo uma escola na cidade de Assomada, município de Santa Catarina e uma loja de artigos chineses à chegada da vila do Tarrafal.




Impressões de Cabo Verde I (Cidade da Praia)

Há uns dias tinha prometido mais de Cabo Verde. Aqui se seguem alguns instantes da minha curtíssima visita, em que entre duas sessões sobre Legísitca e Ciência da Legislação tive oportunidade de visitar o Tarrafal e parte da Cidade da Praia. Soube a muito, muito pouco....



Assembleia Nacional



Sede do Governo

Baixa da Cidade da Praia, com o Palácio Presidencial ao fundo

Carnaval

Chico Buarque - Vai passar

Cheer up!

Blasfémia pela altura do Carnaval

A canonização e a República

Noticiam hoje os principais periódicos portugueses que o Papa Bento VI (anteriormente o Yoda na Guerra das estrelas) canonizou o Cidadão Português Nuno Alvares Pereira. Até aqui uma notícia pouco “contestável”, mesmo considerando que a base para a decisão final é, e passo a citar o DN de hoje: “uma sexagenária natural de Vila Franca de Xira, que sofreu lesões no olho esquerdo, por ter sido atingida com salpicos de óleo a ferver quando estava a fritar peixe”.


Igualmente humorísticos, mas já mais “contestáveis” foram os comentários do Cidadão Engº Duarte de Bragança sobre a suposta pressão dos malvados espanhóis no atraso da canonização uma vez que "A partir da restauração da independência de Portugal os espanhóis passaram a ver D. Nuno Álvares Pereira com maus olhos. E esta foi a grande razão pela qual o processo de canonização nunca foi para a frente”.

Tudo estaria dentro do normal folclore que se esperava decorrer de uma notícia destas, incluindo o júbilo do Cidadão Paulo Portas, quando vejo no DN uma fotografia do Presidente da República Portuguesa com uma citação em que este se congratulava por esta canonização.

É a minha opinião que, tratando-se de uma especie de distinção puramente religiosa e não de um qualquer prémio Nobel da estratégia militar, não é adequado que a República Portuguesa secular e laica, pelo seu presidente, se congratule ou sequer releve este tema.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Pírrico

Neste artigo, cuja análise se confirmou, algumas notas sobre a forma como a vitória dos centristas do Kadima pode ter provocado o efeito inverso da radicalização à direita do próximo governo de Israel.

terça-feira, fevereiro 17, 2009