A cobertura do conflito em Gaza é perigosa para o jornal Público.
Página 12 da Edição Impressa de hoje:
"Israel propôs entretanto estabelecer um hospital de campanha numa zona na linha de fronteira que divide Gaza da Cisjordânia."
Não faço a menor ideia do que diz realmente o teor da proposta israelita. Só sei que vou continuar a ler a imprensa internacional para me informar sobre este conflito. Aconselho a todos o mesmo. Sugiro o melhor jornal do mundo, o NYT, e o melhor jornal israelita com vocação internacional, o Ha'aretz.
P.S: Gaza e a Cisjordânia não têm "linha de fronteira". Os dois territórios estão separados pelo território de Israel.
sábado, janeiro 17, 2009
sexta-feira, janeiro 16, 2009
Ainda a patriarcada
Para mim, foi a adrenalina da plateia que inebria o artista-vedeta e o faz pensar-se um super-homem que levou ao disparate. Note-se como o cardeal estava colocado em palco: de pé, com a mão na anca, uma conceituada jornalista do mainstream ao lado a fazer-lhe perguntas (daquele tipo de perguntas que habitualmente faz), e uma plateia submissa de importantes frequentadores de um casino rindo às gargalhadas. Como não se achar o maior? Como não descambar para a graçola?
O cardeal ouviu a primeira gargalhada, não esperava, mas gostou. Ouviu a segunda, sentiu que tinha público. A partir daí foi gozar o seu imprevisto estatuto de artista de variedades. O cardeal parecia um actor de stand-up comedy, e o cenário o de um Levanta-te e Ri - ou, mais propriamente, de um Levanta-te e Reza. Isto explica o que terá levado o cardeal a descambar para a vulgaridade da forma como o fez, alienando muito do seu capital de simpatia enquanto figura tolerante e merecedora de confiança.
Mas há na substância das suas declarações um erro fundamental e recorrente quanto à forma de se ser cristão nos dias de hoje, e que também é comum aos sectores mais retrógrados do Islão aos quais o cardeal teve a insensibilidade de generalizar todo o praticante: o de se pensar que qualquer pessoa que professe uma religião defenderá integral e escrupolosamente tudo o que o clero define como doutrina, e que por essa razão se tornará um militante e um soldado ao serviço dos seus interesses, até às últimas consequências.
Felizmente, e mesmo apesar do carácter reaccionário dos "regiménes" que impropriamente foram chamados à colação, ser muçulmano não implica aquilo que o cardeal referiu. E ser católico também não implica pensar como o senhor cardeal queira que se pense.
quarta-feira, janeiro 14, 2009
Um experiente conselheiro matrimonial
(Legenda: o Papa com um "deles")Acho que já toda a gente leu estas declarações desagradáveis.
“Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam.”
Não sei se me choca mais o racismo transparente desta afirmação, ou o tom naïf-paternalista, ou o remate humorístico-tontinho.
“Se eu sei que uma jovem europeia de formação cristã, a primeira vez que vai para o país deles é sujeita ao regime das mulheres muçulmanas, imagine-se lá”
O país "deles"?! A Muçulmânia?! "O regime" das mulheres muçulmanas?! Qual regime?! O regime turco das mulheres muçulmanas?! Ou o sírio?! Ou o saudita?! Ou o marroquino?! Alguém explica a Sua Majestade Patriarcal que não estamos no século XVII e que os turcos não estão prestes a invadir Viena? Já agora, "jovem europeia de formação cristã": trata-se de um desabafo ecuménico!!
“Só é possível dialogar com quem quer dialogar, por exemplo com os nossos irmãos muçulmanos o diálogo é muito difícil”
Curiosamente eu tenho ouvido avaliações bem mais positivas do diálogo entre a comunidade muçulmana em Portugal e outras confissões. Talvez não seja o caso com a ICAR. E, pela imprensa, fica-se com uma impressão de harmonia nas relações entre a comunidade muçulmana portuguesa e as autoridades da República. Mas Sua Santidade Patriarcal refere-se a quê afinal?
“Nós somos muito ignorantes, queremos dialogar com muçulmanos e não gastámos uma hora da nossa vida a perceber o que é que eles são. Quem é que em Portugal já leu o Alcorão?”, inquiriu. “Se queremos dialogar com muçulmanos, temos de saber o bê-a-bá da sua compreensão da vida, da sua fé. Portanto, a primeira coisa é conhecer melhor, respeitar”
Tem muita razão, Sua Senhoria Patriarcal! Quem é que em Portugal já leu o Alcorão?! Ninguém! E querem dialogar com os muçulmanos! O que virá a seguir?! Quererem dialogar com os judeus sem terem lido a Torá?! Ou mesmo, imagine-se, dialogar com os católicos sem ler o Evangelho!! Se queremos dialogar com os muçulmanos, temos que perceber como é que aquela gente pensa, e isso tá tudo no Corão. Porque o muçulmano, no fundo, é uma espécie de encarnação orgânica do Corão. Por isso é que o diálogo entre a ICAR e os que não têm religião foi tão difícil ao longo dos séculos: os pobres diabos não tinham Livro.
"A primeira coisa é conhecer melhor, respeitar".
Sua Alteza Patriarcal tem razão. Evidentemente já leu o Corão, porque as suas afirmações demonstram um grande respeito pelo Islão e pelos muçulmanos.
sábado, janeiro 10, 2009
Ainda Gaza
Encontrei estes dois vídeos. O primeiro mostra soldados israelitas na Faixa de Gaza há poucos dias. O segundo, não sei o que mostra exactamente. O vídeo tem a data de Janeiro de 2007, pelo que não pode ser desta ofensiva. Parece-me ser claramente uma cena numa rua palestiniana. Onde e quando não sei. Mas sei o que se passa na cena.
quarta-feira, janeiro 07, 2009
Anti-sionismo e anti-semitismo não têm nada a ver um com o outro
"O dinheiro de Israel". Não sei se estão a ver.
terça-feira, janeiro 06, 2009
A voz da razão
Como em Julho de 2006, a resposta militar israelita era inevitável, legítima e urgente. Como em Julho de 2006, o mundo começou por dar a Israel o benefício da dúvida. Como em Julho de 2006, a utilidade dos meios militares descresce rapidamente e à medida que se vai esgotando a lista de alvos legítimos, Israel vê-se a braços com um inimigo invisível e, por isso, imbatível.
E como em Julho de 2006, Israel perdeu a oportunidade de parar a ofensiva a tempo. Não há vantagem militar ou política que compense as consequências negativas da invasão terrestre de Gaza: aumento exponencial das baixas civis palestinianas, aumento das baixas militares israelitas e, sobretudo, a erosão da capacidade dissuasora israelita perante a evidência da incapacidade da Tsahal de pôr fim aos disparos de mísseis para dentro de Israel (esta última consequência com implicações políticas graves).
Chega. E David Grossman explica muito melhor do que eu porquê.
E como em Julho de 2006, Israel perdeu a oportunidade de parar a ofensiva a tempo. Não há vantagem militar ou política que compense as consequências negativas da invasão terrestre de Gaza: aumento exponencial das baixas civis palestinianas, aumento das baixas militares israelitas e, sobretudo, a erosão da capacidade dissuasora israelita perante a evidência da incapacidade da Tsahal de pôr fim aos disparos de mísseis para dentro de Israel (esta última consequência com implicações políticas graves).
Chega. E David Grossman explica muito melhor do que eu porquê.
quinta-feira, dezembro 25, 2008
terça-feira, dezembro 23, 2008
Saúde por um Fio... Condutor
Li recentemente o "Reformas da Saúde - O Fio Condutor" do nosso último Ministro da Saúde, António Correia de Campos.Este livro apresenta uma visão necessariamente pessoal e apologética, mas também clara, directa e documentada sobre o que foi feito e o que ainda há a fazer na Saúde em Portugal.
É um livro que explica cabalmente, livre dos filtros da comunicação social, a necessidade e urgência das reformas iniciadas (muitas delas concluídas).
Na minha opinião, António Correia de Campos demonstrou ao longo dos seus mandatos ser um dos melhores Ministros da Saúde que Portugal teve, pela compreensão profunda e conhecimento sustentado deste sector, pela abertura a novas ideias e modelos de gestão, pela escolha das equipas de apoio e pela sua capacidade de acção e concretização.
Não tenho qualquer declaração de interesses a fazer e partilho convosco a minha opinião enquanto Cidadão que viu na acção deste Ministro acções concretas que promoveram a sustentabilidade e universalidade do nosso Serviço Nacional de Saúde.
Ver na acção global e no "fio condutor" da estratégia de Correia de Campos um ataque ao SNS é, na minha opinião, um exercício de uma visão parcelar de realidades regionais apoiado na insustentável ligeireza de alguma comunicação social muito fracamente documentada e preparada.
sexta-feira, dezembro 19, 2008
Santa Aliança
Qual é o tema que une os EUA (os que foram derrotados nas eleições em Novembro), a Rússia, a China, a Santa Sé e a Organização da Conferência Islâmica, qual é? Descubram aqui!
Adenda
Israel e os paises arabes: mais uma vez de lados diferentes da barricada...
Adenda
Israel e os paises arabes: mais uma vez de lados diferentes da barricada...
terça-feira, novembro 25, 2008
Viagem a Paris - Le Panthéon IV
Viagem a Paris - Le Panthéon
domingo, novembro 16, 2008
Humanitas
Não sei se tiveram tod@s a oportunidade de ver isto. Muito obrigado à Fernanda Câncio e ao Jugular.
O melhor jornalismo do mundo VI
Os horrores do Congo. Capítulo XIII do Leviatã (1651) de Hobbes.
"Hereby it is manifest that during the time men live without a common power to keep them all in awe, they are in that condition which is called war; and such a war as is of every man against every man. For war consisteth not in battle only, or the act of fighting, but in a tract of time, wherein the will to contend by battle is sufficiently known: and therefore the notion of time is to be considered in the nature of war, as it is in the nature of weather. For as the nature of foul weather lieth not in a shower or two of rain, but in an inclination thereto of many days together: so the nature of war consisteth not in actual fighting, but in the known disposition thereto during all the time there is no assurance to the contrary. All other time is peace.
Whatsoever therefore is consequent to a time of war, where every man is enemy to every man, the same consequent to the time wherein men live without other security than what their own strength and their own invention shall furnish them withal. In such condition there is no place for industry, because the fruit thereof is uncertain: and consequently no culture of the earth; no navigation, nor use of the commodities that may be imported by sea; no commodious building; no instruments of moving and removing such things as require much force; no knowledge of the face of the earth; no account of time; no arts; no letters; no society; and which is worst of all, continual fear, and danger of violent death; and the life of man, solitary, poor, nasty, brutish, and short."
"Hereby it is manifest that during the time men live without a common power to keep them all in awe, they are in that condition which is called war; and such a war as is of every man against every man. For war consisteth not in battle only, or the act of fighting, but in a tract of time, wherein the will to contend by battle is sufficiently known: and therefore the notion of time is to be considered in the nature of war, as it is in the nature of weather. For as the nature of foul weather lieth not in a shower or two of rain, but in an inclination thereto of many days together: so the nature of war consisteth not in actual fighting, but in the known disposition thereto during all the time there is no assurance to the contrary. All other time is peace.
Whatsoever therefore is consequent to a time of war, where every man is enemy to every man, the same consequent to the time wherein men live without other security than what their own strength and their own invention shall furnish them withal. In such condition there is no place for industry, because the fruit thereof is uncertain: and consequently no culture of the earth; no navigation, nor use of the commodities that may be imported by sea; no commodious building; no instruments of moving and removing such things as require much force; no knowledge of the face of the earth; no account of time; no arts; no letters; no society; and which is worst of all, continual fear, and danger of violent death; and the life of man, solitary, poor, nasty, brutish, and short."
sexta-feira, novembro 14, 2008
O bas-fond da internet
Eu sobre o Público já me queixei muitas vezes neste blog: sobre os erros históricos, as confusões nas traduções e, em geral, sobre a falta de qualidade de algum jornalismo que por lá se faz. Mas o que me deixa mesmo estupefacto são alguns dos comentários que são colocados na versão online do jornal.
Parece que algumas pessoas não conseguem resistir à oportunidade de destilar boçalidade, ódio e ignorânica publicamente - no conforto do lar e escudados pelo anonimato.
Vejam o anti-semitismo e a islamofobia gritantes dos comentários a este artigo. Ainda há dias li um comentário de um sujeito que dizia que os judeus não são flor que se cheire: "se fossem, não os tínhamos expulsado há 500 anos..."Alguns destes comentários demonstram que o anti-sionismo e o anti-semitismo não são sempre dissociáveis.
Enfim, bem sei que é um pouco naïf escrever um post a dizer "ó da guarda, ó da guarda, há gente racista e anti-semita online!" Mas também não me quero conformar e aceitar que é "normal".
Parece que algumas pessoas não conseguem resistir à oportunidade de destilar boçalidade, ódio e ignorânica publicamente - no conforto do lar e escudados pelo anonimato.
Vejam o anti-semitismo e a islamofobia gritantes dos comentários a este artigo. Ainda há dias li um comentário de um sujeito que dizia que os judeus não são flor que se cheire: "se fossem, não os tínhamos expulsado há 500 anos..."Alguns destes comentários demonstram que o anti-sionismo e o anti-semitismo não são sempre dissociáveis.
Enfim, bem sei que é um pouco naïf escrever um post a dizer "ó da guarda, ó da guarda, há gente racista e anti-semita online!" Mas também não me quero conformar e aceitar que é "normal".
quarta-feira, novembro 05, 2008
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terça-feira, novembro 04, 2008
No ar ao vivo

De volta ao ar para comentar o acto eleitoral da década.
Aqui na Boina e em liveblogging em Cercant na Maria per sa Cuina
domingo, novembro 02, 2008
Lição de decência para o Partido Comunista Português
Lembrei-me disto quando li a seguinte passagem dos Cahiers de Formation du Parti Communiste Français de 2005 (artigo sobre "Communisme"):
"Malheureusement, dans les pays dits du "socialisme réel", la dictature du prolétariat devint rapidement celle du seul Parti communiste, voire d'un homme ou d'une burocratie, la socialisation des moyens de production et d'échange se transforma en étatisation. Lors de la période stalinienne, une répressions de masse s'abatit sur la société soviétique: déportations, anéantissement par le travail et la famine de populations entières, tueries, exécutions sommaires après des procès truqués (...). La disparition de Staline mit un terme aux aspects les plus sanglants du régime. Mais jusqu'à l'arrivée de Gorbatchev à la tête de l'URSS, la démocratie "socialiste" continua d'être réduite à un simulacre et les libertés les plus élémentaires furent bafouées."
(citação retirada de Les Guerres de Mémoires - La France et son Histoire, Éditions La Découverte, Paris, 2008, p.124)
"Malheureusement, dans les pays dits du "socialisme réel", la dictature du prolétariat devint rapidement celle du seul Parti communiste, voire d'un homme ou d'une burocratie, la socialisation des moyens de production et d'échange se transforma en étatisation. Lors de la période stalinienne, une répressions de masse s'abatit sur la société soviétique: déportations, anéantissement par le travail et la famine de populations entières, tueries, exécutions sommaires après des procès truqués (...). La disparition de Staline mit un terme aux aspects les plus sanglants du régime. Mais jusqu'à l'arrivée de Gorbatchev à la tête de l'URSS, la démocratie "socialiste" continua d'être réduite à un simulacre et les libertés les plus élémentaires furent bafouées."
(citação retirada de Les Guerres de Mémoires - La France et son Histoire, Éditions La Découverte, Paris, 2008, p.124)
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