quinta-feira, julho 03, 2008

Interlúdio musical

Para alimentar o vício à Ana:

Scarlett Johansson - Falling Down

Claramente uma conspiração nazi-zionista-americana-uribiana

Como é que não fomos capazes de ver a perfídia estampada no rosto de Ingrid Betancour, essa malévola agente da classe dominante venezuelana? A honestidade intelectual é nula, a distorção da realidade é absoluta, o asco é total.

Três mercenários estado-unidenses, 11 polícias & militares e um membro da classe dominante colombiana foram recuperados dia 2 pelo governo narco-militarista de Uribe. Daquilo que já se sabe deste episódio verifica-se:

1) Seguindo o diktat bushiano, Uribe continua a rejeitar a solução política do conflito – que deveria ter início com uma troca humanitária de prisioneiros, como propõe as FARC-EP.

2) O governo uribiano-bushiano não hesitou em por em risco a vida dos retidos.

3) Os retidos foram mantidos em boa saúde – poderá o Estado colombiano dizer o mesmo daqueles que mantem nas suas masmorras?

4) Regimes repressivos & fascistas muitas vezes obtêm êxitos em operações de comandos, como mostra a história de Israel e da Alemanha hitleriana – mas isso não leva à paz com justiça social.

5) O alarido mediático dos media corporativos volta-se selectivamente para os membros da classe dominante – mas nunca mencionam os sofrimentos dos oprimidos, como os milhões de camponeses colombianos expoliados das suas terras ou as centenas de guerrilheiros das FARC-EP que padecem nas prisões uribistas.

6) A operação ardilosa do dia 2, infelizmente, pôs a Colômbia mais distante da paz.

Retirado daqui via Blasfémias.

Sigam a luz

Cliquem para aumentar.





Simplificação

No 31 da Armada, o Rodrigo Moita de Deus desenvolve o seguinte raciocínio:


O problema é que parece que Manuela Ferreira Leite disse mais qualquer coisinha, um pouco mais do que apenas concordar com a actual lei. Até parece que foi o seguinte:


1 - Em primeiro lugar, admitiu expressamente que a orientação sexual é um factor de discriminação.

2 - Em segundo lugar, reduziu a família a uma instituição construída em torno da procriação, discriminando não só as famílias sem prole, como as famílias formadas na sequência da adopção, deixando de lado as múltiplas normas que protegem a família nas suas cada vez mais ricas e plurais manifestações.

3 - Ainda que se tivesse limitado a concordar com a manutenção em vigor da actual lei, a defesa de um regime jurídico discriminatório em relação a determinada categoria de cidadãos e cidadãs não pode ser visto como um potencial factor de identificação de um preconceito?

Mais bem dito do que estas linhas que aqui deixo, é este comunicado da ILGA, pelo que para aí remeto o que mais há a dizer.

Artigo 37.º

Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.



A recente suspensão do blogue Povoaonline revela a falta de sentido de Estado de Direito e de relevo dos direitos fundamentais que ainda sobrevive nas precisas instituições erguidas para a sua defesa.


Perguntar-se-á o telespectador mais atento se com isto não estou eu a abrir dar uma carta branca para a calúnia e injúria? Não me parece. Se o autor do blogue incorreu na prática de crime ou causou danos aos autarcas, há vias judiciais para o punir e para indemnizar os lesados. Proibir um veículo de livre expressão do pensamento e procurar apagar a história fazendo desaparecer o blogue é que implica dar aquele passozinho totalitário que não só não é necessário, como põe em risco uma das bases fundamentais do sistema democrático.

Tendo deixado passar o desaparecimento de George Carlin há uns dias, não vejo post mais oportuno para referir a necessidade de salvaguar os direitos dos inoportunos do que este:


LIBRE!


Isto promete

Se casar é só para procriar, pergunto se em breve a inversa também será verdadeira?

Para o que me havia de dar

Enfim, ando assombrado por isto há uma semana. Por isso, cá vão todas as versões imagináveis para concluir o exorcismo.

Volare - Domenico Modungo

Volare - Gipsy Kings
Volare - Dean Martin

sábado, junho 28, 2008

46664

Vai com atraso quase indesculpável, mas aqui fica:

Happy Birthday Madiba!

terça-feira, junho 10, 2008

sexta-feira, junho 06, 2008

terça-feira, junho 03, 2008

Pushing the boundaries

Lá chegaremos... Espero que a JS volte a acordar para as suas responsabilidades depois das eleições de '09. Senão ainda vai ser o BE a liderar esta campanha em 2010, talvez aproveitando um PS com maioria relativa na AR...

Congresso Feminista em Lisboa (26 a 28 de Junho)




1. É interessante;

2. É importante;

3. O último congresso feminista em Portugal foi organizado em 1928.
Só não vou porque não estou em lx.


sábado, maio 31, 2008

A história da PIDE


O livro de Irene Flunser Pimentel sobre "A História da PIDE" é a obra final sobre a polícia política portuguesa. Reflecte um trabalho minucioso nos arquivos da PIDE (que no dia 25 de Abril de '74 só teve tempo para destruir o registo de informadores...) e não só. O discurso de Flunser Pimentel reflecte o equilíbrio correcto entre o distanciamento necessário por parte do cientista social em relação ao objecto de investigação, e a inevitável dose de empatia com as muitas vidas destruídas (em todos os sentidos) por uma organização cujos elementos teriam dificuldades em exercer qualquer tipo de poder ou influência numa sociedade livre e democrática.

Uma passagem particularmente interessante sobre "os dois países" que era Portugal - e que, de certa forma, talvez ainda seja (?):

"Pode-se dizer que, no continente, os locais de naturalidade do grosso dos presos políticos fica a sul, no litoral e nas zonas mais populosas - Lisboa, Setúbal, Beja, Évora, Faro, Porto, Braga e Santarém - enquanto o centro e Norte interior são as regiões privilegiadas de nascimento dos elementos da PIDE/DGS - Coimbra, Castelo Branco, Guarda, Viana do Castelo, Portalegre, Viseu, Bragança e Vila Real. Apenas o distrito de Aveiro tem aproximadamente a mesma percentagem de presos e de elementos da política daí naturais."
(P. 425)

A grande virtude do livro (a minúcia da descrição, o detalhe da narrativa) é também o seu maior defeito. O leitor (ou pelo menos, este leitor) sente que durante páginas a fio é confrontado com listas intermináveis: de agentes da PIDE, de presos, de datas, de locais, de eventos. Listas. O capítulo sobre as "modalidades da tortura", por exemplo, dedica uma atenção desproporcional a dezenas de casos individuais que, apesar de interessantes do ponto de vista dos destinos individuais das vítimas, não deviam ser o foco do discurso historiográfico. Bastava escolher alguns casos paradigmáticos para ilustrar uma tese da autora.

E é acima de tudo isso que falta. A análise histórica. Eu não espero de um trabalho desta envergadura os 'facts and figures' da história PIDE, uma espécie de resumo de toda a informação relevante glosada a partir dos arquivos e de entrevistas com vítimas e carrascos, uma narrativa corrida, tipo "em 1948 foram presos x,y,z nos sítios a,b,c pelas razões 1,2,3; já em 1949...; em 1950...".

Sinto falta, neste livro, do debate entre interpretações, teses, teorias diferentes sobre o que era a PIDE, o que a distingue de outras polícias comparáveis, se (e como) ela contribuiu para a longa vida (e agonia) da ditadura, qual era o discurso sobre a PIDE entre os "civis" nas diferentes décadas da ditadura (era ela vista como um mal necessário por uma população obcecada com a ordem nos anos '30, e como um instrumento insuportável de repressão nos anos '60?), como é que se via a própria PIDE, qual a importância da ideologia do regime nas motivações dos pides etc.

Atenção: a autora debruça-se sobre quase todos estes temas. Mas de forma insuficiente. A quantidade de 'matéria prima' historiográfica (quem? quando? onde?) é completamente desproporcional em relação ao espaço que é dedicado à análise.

O resultado é uma obra monumental no que diz respeito à recolha de informação sobre a história da PIDE, mas à qual falta um fio condutor, uma tese histórica, que ajude o leitor a navegar através de uma montanha de dados avulsos. A estrutura do livro não ajuda, já que os capítulos são organizados tematicamente, e não cronologicamente. Por exemplo, é frequente a Quarta Parte do livro (sobre "Os métodos da PIDE/DGS", páginas 308 a 412) fazer referência a acontecimentos que foram descritos na Segunda Parte (sobre "A PIDE/DGS e os seus principais adversários", páginas 132 a 218), e a autora parece esperar do leitor que este se lembre do exacto nome do indivíduo que volta a ser mencionado 100 páginas depois.

Concluindo, o livro é de leitura morosa. A autora fez um trabalho insubstituível e indispensável de recolha de informações, mas às vezes desaparece a voz da historiadora no meio do ruído dos factos. Último exemplo: o assassinato do General Delgado pela PIDE. A autora começa por descrever o debate dentro da PIDE entre aqueles que eram a favor de prender Delgado, e trazê-lo para Portugal, "onde seria submetido a julgamento" (P.401), e os que preferiam deixá-lo em liberdade para "continuar a manter o trabalho de intoxicação e controlo sobre Delgado" (P.402), levado a cabo por agentes infiltrados pela PIDE na entourage do General. Fica-se sem perceber muito bem porque é que finalmente Delgado e a sua secretária são assassinados (vários indícios apontam categoricamente para a premeditação do crime). A dada altura a autora cita uma fonte que explica que este tipo de crime não podia ter acontecido sem a luz verde de Salazar, sem entrar em grandes detalhes. Ora esta é a questão central. Saber qual dos agentes que foram a Badajoz deu os tiros é relativamente indiferente - e é nisso que a autora concentra considerável atenção!

Neste, como noutros casos, as implicações políticas dos factos assumem papel periférico perante a ânsia da autora em reconstituir minuciosamente a sequência dos acontecimentos. Ainda em relação ao exemplo de Delgado: este capítulo tem uma espécie de coda intitulada "Dúvidas, perplexidades e perguntas por responder" (P.408), em que a autora refere ao de leve várias teorias conspirativas que envolvem a CIA e uma rede europeia de extrema-direita na(s) tentativa(s) de assassinar Delgado. A frase seguinte é um bom exemplo:

"Num recente livro, onde incluiu documentação dos arquivos policiais, nomeadamente da DGS espanhola, Juán Carlos Jiménez Redondo afirmou que, apesar de ter certamente havido, no caso Delgado, uma trama complexa entre os serviços secretos portugueses e as organizações da extrema-direita europeia, o mais relevante foi a existência de uma trama de cumplicidade no interiror do regime salazarista."(P.409/410)

O problema desta frase (e de outras no mesmo capítulo) é que a autora não se pronuncia sobre a importância/veracidade/verosimilhança da tese (especulativa?) em causa. Mais uma vez o tratamento do caso Delgado por parte de Flunser Pimentel deixou este leitor perfeitamente esclarecido sobre o quem/quando/onde, mas confuso em igual medida em relação ao processo de tomada de decisão, nomeadamente no que diz respeito ao grau de envolvimento directo das mais altas esferas do regime, mas também às ramificações europeias/globais do crime.

Mas mesmo assim o livro é de leitura obrigatória para quem está interessado numa perfeita radiografia de um dos pilares do triste regime que desgovernou Portugal de 1933 a 1974. E uma coisa fica clara: a violência, a mediocridade, a boçalidade, o obscurantismo e a mesquinhez que distinguiram a ditadura portuguesa estão profundamente inscritos no ADN da PIDE.

sexta-feira, maio 30, 2008

Seja o que os deuses quiserem



A boa notícia é que há uma nova república à face da terra.
A má notícia é que foi proclamada por maoístas.

terça-feira, maio 27, 2008

Mais pobres

Sydney Pollack (1934-2008)

sábado, maio 24, 2008

Ainda em Maio

Numa altura em que ainda se discutiam coisas interesantes. No caso Truffaut, Godard e Polansky discutem se deviam parar o festival de Cannes num gesto de solidariedade para com os estudantes. Mais um documento para a posteridade, sponsored by youtube

quarta-feira, maio 21, 2008

Santa paciência

João Miranda, no Blasfémias, já tem revelado uma capacidade inultrapassável de conduzir um raciocínio num determinado rumo e tirar a conclusão oposta. Tem igualmente demonstrado uma dificuldade na apreensão do conceito de liberalismo ou, pelo menos, em acreditar que possa ter um sentido distinto daquele que lhe atribui.
Hoje ficamos a saber que, para além disso, habita uma realidade paralela.
Na sequência da licença de maternidade da Ministra da Defesa espanhola, JM escreve o seguinte:
"Costumava ser da praxe um ministro nunca entrar de baixa. Fazia parte da dignidade de um ministro demitir-se sempre que os seus problemas pessoais de saúde começavam a afectar o desempenho do cargo. Parece que já não é bem assim. O ministro que deixa os seus problemas médicos interferir com a boa governação começa a ser a norma."
Para além do machismo à décima potência do autor, ficamos ainda sabedores de dois factos relevantíssimos:
1 -Uma gravidez é um problema médico.
2 - Os ministros não podem estar de baixa.
Santa paciência...

Chiqui Chiqui

O nostálgico Daniel Oliveira que me perdoe, mas o meu voto deste ano ia para Rodolfo Chiquilicuatre: