
quinta-feira, julho 03, 2008
Para o que me havia de dar
Enfim, ando assombrado por isto há uma semana. Por isso, cá vão todas as versões imagináveis para concluir o exorcismo.
Volare - Domenico Modungo
Volare - Gipsy Kings
Volare - Dean Martin
sábado, junho 28, 2008
quarta-feira, junho 11, 2008
terça-feira, junho 10, 2008
sexta-feira, junho 06, 2008
terça-feira, junho 03, 2008
Pushing the boundaries
Lá chegaremos... Espero que a JS volte a acordar para as suas responsabilidades depois das eleições de '09. Senão ainda vai ser o BE a liderar esta campanha em 2010, talvez aproveitando um PS com maioria relativa na AR...
Congresso Feminista em Lisboa (26 a 28 de Junho)
sábado, maio 31, 2008
A história da PIDE

O livro de Irene Flunser Pimentel sobre "A História da PIDE" é a obra final sobre a polícia política portuguesa. Reflecte um trabalho minucioso nos arquivos da PIDE (que no dia 25 de Abril de '74 só teve tempo para destruir o registo de informadores...) e não só. O discurso de Flunser Pimentel reflecte o equilíbrio correcto entre o distanciamento necessário por parte do cientista social em relação ao objecto de investigação, e a inevitável dose de empatia com as muitas vidas destruídas (em todos os sentidos) por uma organização cujos elementos teriam dificuldades em exercer qualquer tipo de poder ou influência numa sociedade livre e democrática.
Uma passagem particularmente interessante sobre "os dois países" que era Portugal - e que, de certa forma, talvez ainda seja (?):
"Pode-se dizer que, no continente, os locais de naturalidade do grosso dos presos políticos fica a sul, no litoral e nas zonas mais populosas - Lisboa, Setúbal, Beja, Évora, Faro, Porto, Braga e Santarém - enquanto o centro e Norte interior são as regiões privilegiadas de nascimento dos elementos da PIDE/DGS - Coimbra, Castelo Branco, Guarda, Viana do Castelo, Portalegre, Viseu, Bragança e Vila Real. Apenas o distrito de Aveiro tem aproximadamente a mesma percentagem de presos e de elementos da política daí naturais."
(P. 425)
A grande virtude do livro (a minúcia da descrição, o detalhe da narrativa) é também o seu maior defeito. O leitor (ou pelo menos, este leitor) sente que durante páginas a fio é confrontado com listas intermináveis: de agentes da PIDE, de presos, de datas, de locais, de eventos. Listas. O capítulo sobre as "modalidades da tortura", por exemplo, dedica uma atenção desproporcional a dezenas de casos individuais que, apesar de interessantes do ponto de vista dos destinos individuais das vítimas, não deviam ser o foco do discurso historiográfico. Bastava escolher alguns casos paradigmáticos para ilustrar uma tese da autora.
E é acima de tudo isso que falta. A análise histórica. Eu não espero de um trabalho desta envergadura os 'facts and figures' da história PIDE, uma espécie de resumo de toda a informação relevante glosada a partir dos arquivos e de entrevistas com vítimas e carrascos, uma narrativa corrida, tipo "em 1948 foram presos x,y,z nos sítios a,b,c pelas razões 1,2,3; já em 1949...; em 1950...".
Sinto falta, neste livro, do debate entre interpretações, teses, teorias diferentes sobre o que era a PIDE, o que a distingue de outras polícias comparáveis, se (e como) ela contribuiu para a longa vida (e agonia) da ditadura, qual era o discurso sobre a PIDE entre os "civis" nas diferentes décadas da ditadura (era ela vista como um mal necessário por uma população obcecada com a ordem nos anos '30, e como um instrumento insuportável de repressão nos anos '60?), como é que se via a própria PIDE, qual a importância da ideologia do regime nas motivações dos pides etc.
Atenção: a autora debruça-se sobre quase todos estes temas. Mas de forma insuficiente. A quantidade de 'matéria prima' historiográfica (quem? quando? onde?) é completamente desproporcional em relação ao espaço que é dedicado à análise.
O resultado é uma obra monumental no que diz respeito à recolha de informação sobre a história da PIDE, mas à qual falta um fio condutor, uma tese histórica, que ajude o leitor a navegar através de uma montanha de dados avulsos. A estrutura do livro não ajuda, já que os capítulos são organizados tematicamente, e não cronologicamente. Por exemplo, é frequente a Quarta Parte do livro (sobre "Os métodos da PIDE/DGS", páginas 308 a 412) fazer referência a acontecimentos que foram descritos na Segunda Parte (sobre "A PIDE/DGS e os seus principais adversários", páginas 132 a 218), e a autora parece esperar do leitor que este se lembre do exacto nome do indivíduo que volta a ser mencionado 100 páginas depois.
Concluindo, o livro é de leitura morosa. A autora fez um trabalho insubstituível e indispensável de recolha de informações, mas às vezes desaparece a voz da historiadora no meio do ruído dos factos. Último exemplo: o assassinato do General Delgado pela PIDE. A autora começa por descrever o debate dentro da PIDE entre aqueles que eram a favor de prender Delgado, e trazê-lo para Portugal, "onde seria submetido a julgamento" (P.401), e os que preferiam deixá-lo em liberdade para "continuar a manter o trabalho de intoxicação e controlo sobre Delgado" (P.402), levado a cabo por agentes infiltrados pela PIDE na entourage do General. Fica-se sem perceber muito bem porque é que finalmente Delgado e a sua secretária são assassinados (vários indícios apontam categoricamente para a premeditação do crime). A dada altura a autora cita uma fonte que explica que este tipo de crime não podia ter acontecido sem a luz verde de Salazar, sem entrar em grandes detalhes. Ora esta é a questão central. Saber qual dos agentes que foram a Badajoz deu os tiros é relativamente indiferente - e é nisso que a autora concentra considerável atenção!
Neste, como noutros casos, as implicações políticas dos factos assumem papel periférico perante a ânsia da autora em reconstituir minuciosamente a sequência dos acontecimentos. Ainda em relação ao exemplo de Delgado: este capítulo tem uma espécie de coda intitulada "Dúvidas, perplexidades e perguntas por responder" (P.408), em que a autora refere ao de leve várias teorias conspirativas que envolvem a CIA e uma rede europeia de extrema-direita na(s) tentativa(s) de assassinar Delgado. A frase seguinte é um bom exemplo:
"Num recente livro, onde incluiu documentação dos arquivos policiais, nomeadamente da DGS espanhola, Juán Carlos Jiménez Redondo afirmou que, apesar de ter certamente havido, no caso Delgado, uma trama complexa entre os serviços secretos portugueses e as organizações da extrema-direita europeia, o mais relevante foi a existência de uma trama de cumplicidade no interiror do regime salazarista."(P.409/410)
O problema desta frase (e de outras no mesmo capítulo) é que a autora não se pronuncia sobre a importância/veracidade/verosimilhança da tese (especulativa?) em causa. Mais uma vez o tratamento do caso Delgado por parte de Flunser Pimentel deixou este leitor perfeitamente esclarecido sobre o quem/quando/onde, mas confuso em igual medida em relação ao processo de tomada de decisão, nomeadamente no que diz respeito ao grau de envolvimento directo das mais altas esferas do regime, mas também às ramificações europeias/globais do crime.
Mas mesmo assim o livro é de leitura obrigatória para quem está interessado numa perfeita radiografia de um dos pilares do triste regime que desgovernou Portugal de 1933 a 1974. E uma coisa fica clara: a violência, a mediocridade, a boçalidade, o obscurantismo e a mesquinhez que distinguiram a ditadura portuguesa estão profundamente inscritos no ADN da PIDE.
sexta-feira, maio 30, 2008
Seja o que os deuses quiserem
A boa notícia é que há uma nova república à face da terra.
A má notícia é que foi proclamada por maoístas.
terça-feira, maio 27, 2008
sábado, maio 24, 2008
Ainda em Maio
Numa altura em que ainda se discutiam coisas interesantes. No caso Truffaut, Godard e Polansky discutem se deviam parar o festival de Cannes num gesto de solidariedade para com os estudantes. Mais um documento para a posteridade, sponsored by youtube
quarta-feira, maio 21, 2008
Santa paciência
João Miranda, no Blasfémias, já tem revelado uma capacidade inultrapassável de conduzir um raciocínio num determinado rumo e tirar a conclusão oposta. Tem igualmente demonstrado uma dificuldade na apreensão do conceito de liberalismo ou, pelo menos, em acreditar que possa ter um sentido distinto daquele que lhe atribui.
Hoje ficamos a saber que, para além disso, habita uma realidade paralela.
Na sequência da licença de maternidade da Ministra da Defesa espanhola, JM escreve o seguinte:
"Costumava ser da praxe um ministro nunca entrar de baixa. Fazia parte da dignidade de um ministro demitir-se sempre que os seus problemas pessoais de saúde começavam a afectar o desempenho do cargo. Parece que já não é bem assim. O ministro que deixa os seus problemas médicos interferir com a boa governação começa a ser a norma."
Para além do machismo à décima potência do autor, ficamos ainda sabedores de dois factos relevantíssimos:
1 -Uma gravidez é um problema médico.
2 - Os ministros não podem estar de baixa.
Santa paciência...
Chiqui Chiqui
O nostálgico Daniel Oliveira que me perdoe, mas o meu voto deste ano ia para Rodolfo Chiquilicuatre:
terça-feira, maio 20, 2008
And now for something completely different...
sexta-feira, maio 16, 2008
Três em um
Ao atacar implicitamente Obama no seu discurso no Knesset, Bush é capaz de ter feito o maior favor dos últimos tempos ao candidato democrata. Em primeiro lugar, privilegia-o enquanto interlocutor - o próprio Presidente a atacar o candidato, promovendo-o a candidato democrata semi-oficial e afastando a figura de Hillary como alvo republicano privilegiado, o que só beneficia Obama na recta final da corrida do seu partido. Em segundo lugar, pelo teor desastrado da intervenção, permite a Obama dar uma resposta sólida e determinada, repudiando o contéudo da declaração, e demonstrando a inadequação da oportunidade escolhida por Bush para o atacar. Finalmente, ofusca McCain e subordina-o à linha desta presidência, permitindo a Obama capitalizar na linha que tem vindo a desenvolver de McCain como o "terceiro mandato de Bush".
Já agora, recomendo uma visita a este video, que Daniel Oliveira postou no Arrastão (lembra o Luís Delgado, mas para muitíssimo pior...)
Ainda não perceberam...
Três anos depois do resultado eleitoral que claramente sustentou a posição de Sampaio, ainda há quem sustente a tese do "golpe". Com uma estratégia assim, será cada vez mais difícil a Santana Lopes demonstrar que é candidato de futuro e que não continua preso ao passado.
Se somos a costa oeste da Europa bem podíamos seguir o exemplo da costa Oeste da América
O Supremo Tribunal da California declarou ontem que uma lei daquele estado que proibia o casamento entre pessoas do mesmo sexo é inconstitucional, violando o princípio da igualdade na direito a formar uma família:
Comentando a decisão, o governador não só afirmou que respeitará a decisão como não apoiará qualquer alteração constitucional que habilite a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Esperemos que no Palácio Ratton estejam atentos às notícias...
Rigoroso, rigoroso era fazer a conta toda
Noticiam hoje quase todos os jornais diários que só a partir de segunda-feira os portugueses deixarão de trabalhar para fazer face às suas obrigações fiscais e contributivas. Para que deixasse de ser uma mera atoarda demagógica e populista, sSeria no mínimo adequado fazer a conta dos serviços públicos de que os portugueses usufrem em média e descontá-lo do valor apontado.
Subscrever:
Mensagens (Atom)




