A clareza e determinação de Ricardo Araújo Pereira em preservar o seu reduto de privacidade, impedindo a tabloidização e devassa da intimidade à inglesa, mercem o aplauso e apoio de todos os interessados em ter imprensa livre e de qualidade.
segunda-feira, maio 12, 2008
quinta-feira, maio 08, 2008
A opinião pública começa a decidir a nomeação

Capa da Time da próxima semana. Aperta-se o cerco a Clinton.


segunda-feira, maio 05, 2008
Mais vale tarde...

Ainda com a ameaça de balde água fria que poderá resultar do veredicto final às declarações de Niemeyer ao Expresso, nas quais apontou para uma não-autoria do Casino do Funchal (polémica que tem dado frutos e que pode ser acompanhada aqui), a Academia das Ciências de Lisboa, numa homenagem que já tardava, elegeu Oscar Niemeyer como sócio correspondente. Ainda que se conclua que não temos nenhuma obra de Niemeyer em Portugal, teremos pelo menos a possibilidade de reclamar o próprio Niemeyer, através da Academia das Ciências...
2 de Maio

Escapou aqui ao pessoal da Bóina (eu tenho desculpa, estava fora) os 200 anos do levantamento espanhol contra Napoleão (já o D. João VI molhava os pezinhos na baía de Guanabara), que abriria uma das mais problemáticas frentes de guerra ao cavalheiro corso e que, eventualmente, levaria às jornadas constituintes doceanistas, em Cádiz, pelas quais os nossos liberais do vintismo suspirariam até as conseguirem reproduzir em versão lusa. Aqui fica a lembrança (com manifesto copianço do Peão).

Porreiro era fechar grandes superfícies evangélicas para não causar concorrência ao culto tradicional...
Perante a possibilidade de os hipermercados voltarem a abrir aos domingos, a Igreja Católica cá do burgo, através da Liga Operária Católica e do bispo das Forças Armadas, veio manifestar a sua oposição à medida. Sobre o assunto, com os pontos todos nos iis ver o post de Teresa Ribeiro no Corta-Fitas.
domingo, maio 04, 2008
Juizinho
Agora que a recta final se aproxima, a vitória de Obama em Guam pela diferença mínima de um voto ameaça anunciar o quão renhida vai ser a convenção. Por enquanto, McCain não tem aproveitado a folga, mas não fiquem à espera que durma até Novembro...
Prioridades no sítio
E se achavam que todos os exageros sobre a futebolização da vida pública já tinham sido proferidos, eis que...."O presidente da Câmara da Trofa, Bernardino Vasconcelos, diz que a «alegria» pela subida de divisão do Trofense é comparável à «satisfação» sentida quando a Trofa conseguiu a elevação a concelho, em 1998. Bernardino Vasconcelos comparou a elevação da cidade da Trofa a concelho, emancipando-se do concelho de Santo Tirso, em 1998, ao objectivo alcançado hoje pelo Trofense que, depois de dois anos na Liga de Honra conseguiu chegar ao escalão máximo do futebol português. «É um dia histórico. Sinto uma emoção semelhante à que vivi há dez anos atrás, quando a Assembleia da Republica no concedeu a elevação a concelho», disse o presidente da Câmara da Trofa."
Quais 1.ºs de Dezembro e 5 de Outubros, feriados deviam era ser os dias em que fomos a finais europeias...
Notícias que não se podem inventar
Como não podia deixar de ser, também o Kentucky Derby, a corrida de cavalos mais importante dos Estados Unidos, entrou na campanha eleitoral, e ambos os candidatos democratas tornaram públicas as suas apostas. Hillary Clinton apostou numa égua chamada Eight Belles, e justificou a sua aposta por ser a única égua entre os concorrentes, declarando que este era o ano das mulheres.
Eight Belles ficou em segundo lugar, mas partiu as duas patas da frente e teve de ser abatida. O vencedor foi o Big Brown - o cavalo em que Obama apostou.
Eight Belles ficou em segundo lugar, mas partiu as duas patas da frente e teve de ser abatida. O vencedor foi o Big Brown - o cavalo em que Obama apostou.
quarta-feira, abril 30, 2008
Boletins eleitorais
Há uns tempos postei aqui uma série de grandes boletins eleitorais do mundo.
Este merece seguramente entrar:
"Um boletim de voto encolhido e "simplificado":
No Porto, a Comissão Politica Alargada escolherá hoje entre "Votar em Pedro Passos Coelho, Alberto João Jardim ou APOIAR OUTRA SOLUÇÃO EM ALTERNATIVA" - assim mesmo, em letras gordas, e excluindo Santana Lopes e Ferreira Leite.
Via Abrupto
Este merece seguramente entrar:
"Um boletim de voto encolhido e "simplificado":
No Porto, a Comissão Politica Alargada escolherá hoje entre "Votar em Pedro Passos Coelho, Alberto João Jardim ou APOIAR OUTRA SOLUÇÃO EM ALTERNATIVA" - assim mesmo, em letras gordas, e excluindo Santana Lopes e Ferreira Leite.
(Jornal de Notícias)"
Via Abrupto
O admirável mundo da justiça desportiva

O Belém vai mesmo perder os 6 pontos. Interessa lá agora que a Liga espanhola não tenha feito constar do passaporte desportivo de Meyong os 12 minutos que jogou ao serviço do Albacete antes de ir para o Levante. Dura lex, sed lex, aplicada na letra e sem espírito algum. Para que a decisão se torne definitiva na ordem jurídica paralela do mundo do futebol só falta mesmo a publicação no diário oficial, ou seja, a alteração da classificação na tabela da Bola.
terça-feira, abril 29, 2008
O Atlântico, o Doutor Salazar e algumas décadas
Estava a trabalhar e a ouvir um CD do West Side Story que comprei há dias quando decidi fazer uma pequena pausa para circular pelos blogs habituais. Ao passar pelo Arrastão, dei conta de mais um post do Daniel Oliveira a recordar a Eurovisão, desta feita com um post da nossa canção estreante, em 1964, a Oração. Parei o Bernstein, onde os Jets cantavam ameaças aos Sharks, e pus a tocar o António Calvário.
Eloquente como só a música o pode ser, fica um retrato do fosso entre a canção nacional, sadia, devota e honesta do Festival da Canção do Doutor Salazar, e a explosão de vitalidade e ritmo das ruas de Nova York, escrita e estreada 7 anos antes da primeira lusa aventura na Eurovisão.
Com o 25 de Abril fresquinho na memória, eis a oferenda de mais um argumento para revelar as portas que Abril abriu. Oiçam, comparem e digam-me lá se preferem o Portugal do Estado Novo, mantendo o País no congelador da História e impondo uma estética musical, ou a abertura artística das sociedades livres e democráticas.
António Calvário, Oração (1964)
West Side Story, America (1957)
El comandante?
sexta-feira, abril 25, 2008
quinta-feira, abril 24, 2008
Vai tudo abaixo

Isto de se interromper longamente a colaboração num blog é coisa que precisa de ser corrigida com um bom pretexto. O meu preparava-se para ser o facto de o PSD estar prestes a fechar um longo e negro período de rebaldaria e repor a dignidade no combate político ao confiar a liderança a uma mulher séria e que sempre apreciei, mesmo que politicamente se situe nos meus antípodas. Preparava-me, finalmente, para fechar um arco de discussão política numa conciliação com esse partido da direita, elogiando-o por ir elevar o combate político e dar realmente de que fazer a um primeiro-ministro cada vez mais convencional e acomodado. Até que a coisa chegou ao ponto de Alberto João Jardim e Santana Lopes serem candidatos viáveis à liderança.
O meu regresso é definitivo (pelo menos até à próxima ocasião). A minha congratulação pela redenção do PSD fica adiada.

O meu regresso é definitivo (pelo menos até à próxima ocasião). A minha congratulação pela redenção do PSD fica adiada.
quinta-feira, março 27, 2008
Parcerias Saúde
Assistiram-se nas últimas semanas a dois recuos claros do Governo em matéria de Parcerias Público-Privadas no sector da Saúde: Devolução do Hospital Amadora Sintra à gestão pública e equacionamento da possibilidade de trocar a gestão privada por gestão pública nos novos Hospitais previstos para Évora, Lisboa, Póvoa, Gaia, Sintra e Algarve.
A desconfiança existente face aos objectivos de maximização de resultados, inerentes à actividade dos operadores privados, é óbvia na maior parte dos sectores e especialmente acentuada na Saúde, onde todos esperamos que na hora de sermos tratados não se olhem a despesas e não se poupem esforços.
Desconheço os motivos que levaram à revisão no modelo de Parcerias e a esta tendência de recuo, mas presumo que esta desconfiança relativamente aos privados, as dificuldades de concertação sentidas no Amadora-Sintra e a natural orientação de esquerda do Governo tenham contribuído decisivamente.
Para compreendermos como funciona o modelo de contratualização Público-Privada a primeira informação que é necessário reter é que a gestão de uma Unidade de Saúde em regime de Parceria Público-Privada compreende um Contrato de Gestão negociado e assinado entre o Privado e o Ministério da Saúde que obriga o Parceiro privado a um conjunto de exigências e objectivos de monitorização, qualidade e excelência que vão muito além do que é exigido e praticado na maioria dos Hospitais Nacionais.
É também necessário assumir que esta desconfiança existente sobre os operadores privados, o rigor do Contrato de Gestão e a monitorização irrestrita e permanente das Adminsitrações Regionais de Saúde, também elas monitorizadas pelo Tribunal de Contas e outras instituições competentes, geram um ambiente que, sendo por vezes excessivo e pouco razoável na transferência de risco para o Privado, obriga efectivamente a uma Gestão realmente orientada para a excelência do serviço e contraria a eventual tendência do privado comprometer a diferenciação dos serviços prestados para obtenção de melhores resultados.
Dou-vos o exemplo daquele que é o primeiro Hospital no novo regime de contratualização Público-Privada, o Centro de Medicina de Reabilitação do Sul, e que será brevemente a única parceria Público-Privada na gestão de Hospitais em Portugal. Quero deixar aos leitores da Boina alguns esclarecimentos sobre este tema e alguns resultados da experiência (ainda curta) da gestão de um Hospital em parceria Público-Privada com ganhos efectivos para o Doente, para o SNS e para Privado (por esta ordem de importância).
Na prática para o doente a vantagem é usufruir dos equipamentos de ponta que são exigidos no contrato e cuja renovação periódica é obrigatória, o que muitas vezes não acontece na gestão pública, pagando apenas, quando aplicável, as mesmas taxas moderadoras das restantes Unidades do SNS. Por outro lado, o estatuto de “privado” e a maior cultura de cliente associada também cria melhores condições para os doentes serem mais exigentes com os vários serviços conduzindo naturalmente à sua melhoria. Embora os ganhos de saúde sejam difíceis de comparar entre instituições, uma vez que não se usam nos restantes hospitais métricas claras para avaliar os resultados clínicos, o prestador Público-Privado está obrigado por contrato a medir os seus resultados com recurso a escalas internacionais amplamente divulgadas nas que tem obtido resultados muito interessantes, que comprovam aumentos significativos e cumprimento constante de objectivos nas escalas Funcionais e Cognitivas aplicadas aos doentes que permitem “devolver os doentes ao exercício pleno da Cidadania” (frase inscrita na missão da empresa). Este Hospital tem obtido resultados muito positivos nos inquéritos à satisfação dos doentes e tem sido comparado, sempre positivamente, com outras instituições semelhantes nacionais e internacionais.
O ganhos desta Parceria para o Serviço Nacional de Saúde são bastante evidentes uma vez que já deixou de gastar mais de um milhão de euros com este hospital pela transferência dos encargos de arranque e dos custos dos primeiros trimestres de actividade para o operador Privado e, qualquer que venha a ser a produção do Hospital no futuro, o Contrato de Gestão prevê os mecanismos que garantem que os custos com o modelo Público-Privado estejam sempre bastante abaixo do Custo Público Comparável (custo que o Estado teria com a Gestão pública de um Hospital Similar). A prova disto está nos próprios preços cobrados por este hospital ao SNS (em média mais de 15% abaixo do preço da tabela do SNS).
O parceiro privado no Centro de Medicina de Reabilitação do Sul teve prejuízos no valor de um milhão de euros em 2007 mas prevê começar a libertar dinheiro já em 2008 e a obter resultados positivos a partir de 2009. Estes resultados serão obtidos através de uma gestão ágil e de uma cooperação com a ARS que garanta uma referenciação eficaz dos doentes e a correcção de alguns erros de contrato que impedem a facturação total dos serviços prestados.
Uma última palavra para uma opinião pessoal (diz que é uma espécie de disclaimer de esquerda). O papel das Parcerias no volume global da prestação de cuidados no SNS deve ser sempre moderado para garantir ao Estado uma capacidade de controlo real da actividade dos Privados na Saúde. No contexto Nacional em caso de (inevitável?) concentração dos Operadores privados de Saúde neste mercado de muito pequena dimensão, se o Estado perder a vocação de prestador maioritário de Cuidados de Saúde perderá a sua capacidade de negociar e controlar os Contratos de Gestão e perderá sobretudo, a capacidade de suspender ou não renovar um contrato que não esteja a revelar-se favorável (como aconteceu no Hospital Amadora Sintra).
A defesa, que eu subscrevo, do Estado como prestador principal de cuidados de Saúde não deve impedir a aplicação racional deste modelo de Parcerias Público-Privadas que contribui para a melhoria dos cuidados aos Utentes, para a sustentabilidade do SNS e para uma participação dos Privados dentro do contexto do SNS. Na minha opinião o caminho passa mais pela aplicação racional (e racionada) deste modelo do que pela substituição da vocação de prestador do SNS por uma função de mero pagador com a abertura (anunciada?) de cada vez mais convenções que já comprovaram ser também de difícil controlo e muito menos proveitosas para o Estado.
A desconfiança existente face aos objectivos de maximização de resultados, inerentes à actividade dos operadores privados, é óbvia na maior parte dos sectores e especialmente acentuada na Saúde, onde todos esperamos que na hora de sermos tratados não se olhem a despesas e não se poupem esforços.
Desconheço os motivos que levaram à revisão no modelo de Parcerias e a esta tendência de recuo, mas presumo que esta desconfiança relativamente aos privados, as dificuldades de concertação sentidas no Amadora-Sintra e a natural orientação de esquerda do Governo tenham contribuído decisivamente.
Para compreendermos como funciona o modelo de contratualização Público-Privada a primeira informação que é necessário reter é que a gestão de uma Unidade de Saúde em regime de Parceria Público-Privada compreende um Contrato de Gestão negociado e assinado entre o Privado e o Ministério da Saúde que obriga o Parceiro privado a um conjunto de exigências e objectivos de monitorização, qualidade e excelência que vão muito além do que é exigido e praticado na maioria dos Hospitais Nacionais.
É também necessário assumir que esta desconfiança existente sobre os operadores privados, o rigor do Contrato de Gestão e a monitorização irrestrita e permanente das Adminsitrações Regionais de Saúde, também elas monitorizadas pelo Tribunal de Contas e outras instituições competentes, geram um ambiente que, sendo por vezes excessivo e pouco razoável na transferência de risco para o Privado, obriga efectivamente a uma Gestão realmente orientada para a excelência do serviço e contraria a eventual tendência do privado comprometer a diferenciação dos serviços prestados para obtenção de melhores resultados.
Dou-vos o exemplo daquele que é o primeiro Hospital no novo regime de contratualização Público-Privada, o Centro de Medicina de Reabilitação do Sul, e que será brevemente a única parceria Público-Privada na gestão de Hospitais em Portugal. Quero deixar aos leitores da Boina alguns esclarecimentos sobre este tema e alguns resultados da experiência (ainda curta) da gestão de um Hospital em parceria Público-Privada com ganhos efectivos para o Doente, para o SNS e para Privado (por esta ordem de importância).
Na prática para o doente a vantagem é usufruir dos equipamentos de ponta que são exigidos no contrato e cuja renovação periódica é obrigatória, o que muitas vezes não acontece na gestão pública, pagando apenas, quando aplicável, as mesmas taxas moderadoras das restantes Unidades do SNS. Por outro lado, o estatuto de “privado” e a maior cultura de cliente associada também cria melhores condições para os doentes serem mais exigentes com os vários serviços conduzindo naturalmente à sua melhoria. Embora os ganhos de saúde sejam difíceis de comparar entre instituições, uma vez que não se usam nos restantes hospitais métricas claras para avaliar os resultados clínicos, o prestador Público-Privado está obrigado por contrato a medir os seus resultados com recurso a escalas internacionais amplamente divulgadas nas que tem obtido resultados muito interessantes, que comprovam aumentos significativos e cumprimento constante de objectivos nas escalas Funcionais e Cognitivas aplicadas aos doentes que permitem “devolver os doentes ao exercício pleno da Cidadania” (frase inscrita na missão da empresa). Este Hospital tem obtido resultados muito positivos nos inquéritos à satisfação dos doentes e tem sido comparado, sempre positivamente, com outras instituições semelhantes nacionais e internacionais.
O ganhos desta Parceria para o Serviço Nacional de Saúde são bastante evidentes uma vez que já deixou de gastar mais de um milhão de euros com este hospital pela transferência dos encargos de arranque e dos custos dos primeiros trimestres de actividade para o operador Privado e, qualquer que venha a ser a produção do Hospital no futuro, o Contrato de Gestão prevê os mecanismos que garantem que os custos com o modelo Público-Privado estejam sempre bastante abaixo do Custo Público Comparável (custo que o Estado teria com a Gestão pública de um Hospital Similar). A prova disto está nos próprios preços cobrados por este hospital ao SNS (em média mais de 15% abaixo do preço da tabela do SNS).
O parceiro privado no Centro de Medicina de Reabilitação do Sul teve prejuízos no valor de um milhão de euros em 2007 mas prevê começar a libertar dinheiro já em 2008 e a obter resultados positivos a partir de 2009. Estes resultados serão obtidos através de uma gestão ágil e de uma cooperação com a ARS que garanta uma referenciação eficaz dos doentes e a correcção de alguns erros de contrato que impedem a facturação total dos serviços prestados.
Uma última palavra para uma opinião pessoal (diz que é uma espécie de disclaimer de esquerda). O papel das Parcerias no volume global da prestação de cuidados no SNS deve ser sempre moderado para garantir ao Estado uma capacidade de controlo real da actividade dos Privados na Saúde. No contexto Nacional em caso de (inevitável?) concentração dos Operadores privados de Saúde neste mercado de muito pequena dimensão, se o Estado perder a vocação de prestador maioritário de Cuidados de Saúde perderá a sua capacidade de negociar e controlar os Contratos de Gestão e perderá sobretudo, a capacidade de suspender ou não renovar um contrato que não esteja a revelar-se favorável (como aconteceu no Hospital Amadora Sintra).
A defesa, que eu subscrevo, do Estado como prestador principal de cuidados de Saúde não deve impedir a aplicação racional deste modelo de Parcerias Público-Privadas que contribui para a melhoria dos cuidados aos Utentes, para a sustentabilidade do SNS e para uma participação dos Privados dentro do contexto do SNS. Na minha opinião o caminho passa mais pela aplicação racional (e racionada) deste modelo do que pela substituição da vocação de prestador do SNS por uma função de mero pagador com a abertura (anunciada?) de cada vez mais convenções que já comprovaram ser também de difícil controlo e muito menos proveitosas para o Estado.
quarta-feira, março 12, 2008
Matemática parlamentar
Retomando o capítulo da vida eleitoral alemã, há algumas novidades. Em Hamburgo, caminha-se com cada vez mais probabilidade para uma inédita coligação CDU-Verdes a nível estadual. Depois de grande abertura negocial demonstrada pela CDU, os "realistas" nos Verdes prevaleceram e conseguirarm alcançar das bases o OK do partido à condução de negociações.
Por outro lado, em Hessen, as coisas não estão fáceis. Depois de muita discussão e tensão interna, o SPD local está disposto a avançar com uma coligação com os Verdes, tolerada parlamentarmente pela Linke. A passar, seria a primeira vez que o modelo ocorreria num Estado "ocidental". No entanto, uma deputada do SPD, por sinal detentora de mandato directo, não só se prepara para recusar a solução encontrada pelo partido, como se recusa em renunciar ao mandato.
Mudança forçada
E para quem pensava que a emoção política nos EUA se cingia à campanha eleitoral, eis que o Governador do Estado de Nova York, Eliot Sptizer, é apanhado num escândalo sexual "à antiga". Aparentemente, o ainda governador terá sido apanhado a utilizar os serviços de uma rede de prostituição e a sua demissão está iminente. Eleito expressivamente após doze anos de governação republicana e portador de um currículo impressionante enquanto advogado e promotor público a carreira de Spitzer parece estar a caminhar para o fim.Ironicamente, para além das suas mais destacadas acções, entre as quais avultam o desmantelamento da família Gambino e uma série de casos de crimes de colarinho branco em Wall Street, a lista de vitórias de Spitzer inclui também o desmantelamento de uma rede de prostituição em Staten Island, em 2004...
O homem que aguarda o desfecho do episidónio é o Vice-Governador, David Paterson, que pode tornar-se o primeiro negro a chegar ao posto de governador do Estado de Nova York e o único invisual a tornar-se governador de um Estado americano. Apesar das causas da sua provável ascensão não serem as melhores, não deixa de ficar no ar um sinal de mudança que pode ser útil a algum candidato presidencial... terça-feira, março 11, 2008
Cheguem-se pra lá

Como havia cá poucos, Rui Marques inventou mais um partido, que é a solução mais velha nos manuais para resolver os problemas da política. Este chama-se Movimento Esperança Portugal - não sei se estão a ver a inspiração obamista da coisa; provavelmente Rui Marques achou que "Movimento Esperança e Mudança" fosse uma indesejável cacafonia (se bem que desse uma bela sigla).
Mas preparemo-nos: com Barack Obama Presidente é inevitável que o seu exemplo frutifique em muitas imitações sem a qualidade do original.
Por paradoxal que possa parecer, esta é uma das razões por que sou admirador de Obama: o observador céptico vê o homem para ali a falar e tem-se a sensação de que aquilo pode descarrilar a qualquer momento para uma coisa sem sentido. Mas não. No fim gosta-se. O círculo completa-se, a ideia permanece. Naquele tipo de discursos, é muito difícil não resvalar para a demagogia fácil ou para uma espécie de misticismo tipo homilia religiosa.
Pelo contrário, a inspiração de Obama (não me canso do termo, ainda que esgotado pelos detractores) faz-me acreditar no regresso da política, cada vez mais substituída na acção governativa por uma espécie de messianismo tecnocrático, em que o importante é saber dissecar os assuntos até ao ínfimo pormenor, pôr as vírgulas antes das casa decimais e executar um programa político-eleitoral até ao fim levando tudo à frente, como se do caderno de encargos de uma empreitada se tratasse.
Obama não. Mesmo que haja muita gente a retirar o tipo errado de inspiração.
Por paradoxal que possa parecer, esta é uma das razões por que sou admirador de Obama: o observador céptico vê o homem para ali a falar e tem-se a sensação de que aquilo pode descarrilar a qualquer momento para uma coisa sem sentido. Mas não. No fim gosta-se. O círculo completa-se, a ideia permanece. Naquele tipo de discursos, é muito difícil não resvalar para a demagogia fácil ou para uma espécie de misticismo tipo homilia religiosa.
Pelo contrário, a inspiração de Obama (não me canso do termo, ainda que esgotado pelos detractores) faz-me acreditar no regresso da política, cada vez mais substituída na acção governativa por uma espécie de messianismo tecnocrático, em que o importante é saber dissecar os assuntos até ao ínfimo pormenor, pôr as vírgulas antes das casa decimais e executar um programa político-eleitoral até ao fim levando tudo à frente, como se do caderno de encargos de uma empreitada se tratasse.
Obama não. Mesmo que haja muita gente a retirar o tipo errado de inspiração.
segunda-feira, março 10, 2008
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