quarta-feira, janeiro 30, 2008

O profeta da Boina

Depois de almoçar deu-me para a profecia, e formou-se-me esta ideia no espírito.

Prognósticos das nomeações presidenciais nos Estados Unidos:

Partido Republicano:
John McCain e Rudy Giuliani

Partido Democrata:
Barack Obama e John Edwards

Esta é especialmente difícil, tendo em conta que Billary Clinton é Billary Clinton, e que John Edwards deve anunciar a sua desistência da corrida hoje e assumir-se como o Fazedor de Reis da campanha. A menos que Obama contrarie o efeito convidando Bill Richardson para a Vice (eleitorado hispânico), ou recorre ao arsenal nuclear: Al Gore, quem sabe?

30 de Janeiro de 1933


Faz hoje 75 anos que a escuridão se abatia sobre a Alemanha. Uma escuridão que em breve alastrava à maior parte da Europa. Que a memória nunca nos falhe e que nos lembremos sempre das vítimas, dos heróis, e dos carrascos. Foi ontem.

terça-feira, janeiro 29, 2008

segunda-feira, janeiro 28, 2008

O factor K



Só faltava mesmo Camelot entrar no conto de fadas.
O apoio de Caroline Kennedy, a filha de JFK, ao conterrâneo de Lincoln num editorial no NYT, é um gesto de enorme carga simbólica. Mas o apoio, hoje, do tio Ted Kennedy (e do filho Patrick) é mais do que isso: descansa os militantes destacados de que não há que temer apoiar Obama contra os Clinton, dá-lhe credibilidade e consistência junto dos sindicatos e do voto hispânico antes da Super Terça-Feira e põe os media a falar do assunto durante muito tempo.

A estratégia de Bill Clinton em descarregar munições em cima de Barack Obama, para além de fazer da esposa um adereço da opereta que o próprio criou, e para além de uma derrota mais estrondosa do que esperado na Carolina do Sul (menos de metade dos votos de Obama), tem desiludido muito boa gente, dentro e fora do Partido Democrático, que se tem vindo a colocar na órbita de Obama. Quem acompanha a internet das primárias (este é um bom sítio para o fazer) tem-se vindo a aperceber disso. A próxima pode muito bem ser a prémio Nobel da Literatura Toni Morrison - a tal que chamou a Bill Clinton o primeiro presidente negro da América.

domingo, janeiro 27, 2008

A Boina Agradece

O líder do PSD Algarve decidiu ontem à noite comparar a ASAE à PIDE. A Boina agradece ao Deputado Mendes Bota por ter resistido a uma "irresistível comparação" com as SS, à la MST, que seria ainda mais cretina.

sábado, janeiro 26, 2008

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Balas e Bolinhos



O Partido Republicano dos Estados Unidos assiste a um reviver dos bons velhos tempos da Guerra Fria, com o apoio de dois símbolos da "cultura" americana da época a diferentes candidatos: o Coronel James Braddock de Desaparecido em Combate e John Rambo.
Chuck Norris apoia Mike Huckabee:



e Sylvester Stalone manifestou a sua simpatia por John McCain, esse sim, um prisioneiro de guerra:



Quem ganhará um duelo destes? Bem, Chuck Norris desenvolve a sua explicação no vídeo que se segue. Pela a forma cândida, quase ternurenta, como se explica, nada consentânea com um verdadeiro herói, aposto no Rambo.


Nicolas, estás feito!

Está aqui a entrevista toda. Fica a passagem que mais interessa. Está-me a parecer que Sarko ou calculou muito mal, ou então está mesmo apaixonado e cometeu suicídio político.

MONOGAMIE « Je suis fidele… à moi-même ! (Elle rit.) Je m’ennuie follement dans la monogamie, même si mon désir et mon temps peuvent être reliés à quelqu’un et que je ne nie pas le caractère merveilleux du dévelopement d’une intimité. Je suis monogame de temps en temps mais je préfère la polygamie et la polyandrie. L’amour dure longtemps, mais le désir brûlant, deux à trois semaines. Après ça, il peut toujours renaître de ses cendres mais quand même : une fois que le désir est appliqué, satisfait, comblé, il se transforme. Le pauvre, qu’est-ce que vous voulez qu’il fasse ? Moi, je ne cherche pas particulièrement l’établissement des choses : l’amour et le couple ne me rassurent pas. Je ne me sens jamais en couple, pourtant j’ai un amoureux que j’aime et qui vit avec moi. C’est mon côté garçon. D’ailleurs, comme les hommes, je sais très bien compartimenter. Je sais faire mais avec un avantage sur eux : ma précision féminine (elle rit). Je ne me plante jamais ! Je suis quand même complètement femme avec ces sentiments supposés féminins qui m’envahissent parfois : la responsabilité, la culpabilité, le remords. Et puis ça passe et je redeviens cette espèce de kamikaze qui ne veut qu’une chose : vivre, vivre, vivre ! »

quinta-feira, janeiro 24, 2008

A Boina recomenda: The Bugle


John Oliver é um dos argumentistas/repórteres do Daily Show de Jon Stewart, Andy Zaltzman não sei quem é, mas tenho razões para gostar dele: a sua lista de prendas de Natal incluía uma Nadia Comaneci de 10 metros, a maior melancia do mundo, uma partida de ping-pong com Hillary Clinton e um sotaque português (no fundo, no fundo, gosto destas paroquialidades).
Juntos fazem o The Bugle, um podcast do jornal britânico The Times, provavelmente das coisas mais hilariantes que se pode encontrar na internet.
Juntos é uma forma de dizer: na verdade, John Oliver vive em Nova Iorque e Zaltzman queda-se por Londres, mas a distância e o (des)enquadramento de um britânico na sociedade americana é uma das linhas condutoras do programa. Há a ocasional rubrica Ask an American, a secção Straight to the Bin, com histórias que os autores pensaram em desenvolver, mas que eram tão más que foram directamente para o cesto dos papéis, embora valha a pena falar delas no programa, e todas as outras secções que um jornal convencional tem, do Internacional ao Desporto, onde as equipas inglesas são adequadamente enxovalhadas. E também há lugar à parcialidade: veja-se a perseguição pessoal que Zaltzman move aos vizinhos do n.º 53 que lhe roubaram o caixote do lixo, ou a sua fixação por mulheres sensuais do passado, sobretudo Florence Nightingale - Margaret Thatcher foi considerada, mas desclassificada por ainda estar viva.
E há saídas do tipo «A China e os Estados Unidos chegaram a acordo em relação a medidas a tomar para reduzir os efeitos do aquecimento global. É o mesmo que o Hitler e o Estaline assinarem o acordo para promover os direitos das minorias étnicas.»

Vale a pena ouvir - e subscrever.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

As raízes da França

O Presidente da República francesa diz que descobriu que as raízes da França são "essencialmente cristãs". Vamos por partes.
A França não existia como nação até 1789. Era um reino. Um reino é bonito. Mas não é uma nação. Até 1789 existiam dinastias que se sucediam e que iam dilatando o seu poder a novas áreas geográficas de forma relativamente aleatória, ao sabor dos caprichos de Marte e de Vénus. A França em 1789 não tinha língua comum, representação política comum, vontade comum: era um acidente da história, um resultado de ambições dinásticas.
A nação francesa foi fundada da única maneira que se fundam as nações: pela expressão consciente de uma vontade comum, articulada através de instituições e/ou actos constitucionais.

Não é segredo para ninguém que a Revolução de '89 também foi uma revolução contra os privilégios eclesiásticos e o obscurantismo católico que tolhia a França. Antes de 1789 de facto o Reino da França era maioritariamente cristão. Mas eu cá acho que as raízes da França são os Francos, um povo germânico desagradável que foi pagão durante séculos. Não, esperem, eu acho que as raízes da França são os romanos, que foram pagãos durante séculos. Não, afinal as raízes da França são os Celtas, que no ranking do paganismo estão lá bem em cima. Portanto dizer que as raízes da França são cristãs é tão válido como dizer que são pagãs. Resumindo, esta macacada das "raízes" da França depende da imaginação de cada um. E a imaginação de cada um não chega para explicar as origens de comunidades políticas nacionais. Essas só podem ser fundadas pela vontade comum. E a vontade comum francesa teve que se afirmar contra o cristianismo francês que dominava no século XVIII. (Nem quero sequer entrar aqui no debate da contribuição das outras confissões religiosas para o que é a França hoje...)
O tom lamechas, pseudo-esotérico de Sarkozy representa mais uma faceta de um Presidente que quer ser tudo para toda a gente e que acaba por não ser nada: filósofo reaccionário da laicidade às 2as, 4as e 6as; garanhão mediático às 3as, 5as e Sábados; homem de Estado aos Domingos e feriados.
É muito pouco homem de Estado e demasiada mediocridade e diletantismo.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Lisbon for Obama


Resultados das eleições primárias em Lisbon, New Hampshire:

Barack Obama: 100 (39,7%)
Hillary Clinton: 89 (35.3%)
John Edwards: 52 (20,6%)
Bill Richardson: 9 (3,6%)
Dennis Kucinich: 1 (0,4%)
Chris Dodd: 1 (0,4%)

terça-feira, janeiro 08, 2008

Problema resolvido - o Menino Barack Clinton Bhutto


Os paquistaneses é que sabem resolver problemas. Bilawal Bhutto, de 19 anos, sucede à mãe Benazir Bhutto, na liderança do partido. Por enquanto, a principal preocupação do rapaz é acabar o curso em Oxford.
Imagino que juntar a juventude de Obama ao direito dinástico de Hillary possa dar uma coisa destas.

Sim, mas...

Caro Gato, admito que estas presidenciais americanas mobilizam mais do meu entusiasmo do que qualquer eleição desde as legislativas portuguesas de '95 (outras em que não me deixaram votar "por ser menor de idade" - um escândalo). Vou mandar um envelope com o meu voto para Washington quer eles queiram quer não.

Mas não concordo com a tese de que o tema de "change" é novo (desde Iowa). É verdade que desde o caucus de Iowa se gerou um consenso à volta da centralidade deste conceito para os eleitores americanos (democratas e republicanos). Só as vitórias de Obama e Huckabee (ambos 'novatos') é que aparentemente trouxeram a confirmação empírica, aos olhos de muitos observadores, que o tema de "change"é o motor desta campanha. O que me parece é que esta conclusão é uma tremenda vitória de marketing para Obama, que já há muito tempo se apresenta como a encarnação do "change".
Eu continuo a achar que é fácil para Obama ser sexy, e que lhe falta substância. Espero que os leitores da Bóina Frígia concordem comigo e que não deixem de ir votar (bem) nas primárias Democratas de Lisboa e Vale do Tejo.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Paz e serenidade


David, meu caro: a questão change nas eleições, em bom rigor, só se tornou um leit-motiv da campanha após os caucuses de quinta-feira, quando praticamente todos os candidatos, republicanos e democratas (a começar por Hillary, com Bill Clinton e Madeleine Albright por trás), puseram o termo no alinhamento dos seus discursos. Mas há um antes do Iowa, com propostas, posições políticas e comportamentos que nos permitem formular uma opinião.
Concordo que a adulação por Obama é irritante, como o é qualquer tipo de adulação em política. Gosto de Obama, gosto de Hillary, gosto de Edwards (embora este me pareça cair mais para o populismo). Para mim qualquer um deles dava um bom presidente. Mas neste exercício absurdo (ia dizer hilariante) em que a população do mundo se põe a defender candidatos para os quais não pode votar, inclino-me para Obama, por muitas e variadas razões, sendo que a oportunidade de mudança não é uma delas. Nem sou daqueles que acham que Obama devia ganhar só por pirraça, para que Hillary não julgasse que ser presidente é um direito de família.
Da mesma forma que acho que Hillary não deve ser penalizada por ser uma figura do establishment, penso que Obama não deve ser menorizado por se ter tornado num fenómeno de popularidade. Fazer do currículo de Hillary ou da fotogenia de Obama as questões decisivas na eleição é empobrecer o debate.

P.S.: Parece-me que a Boina pode dar-se ao luxo de ter defensores dos três principais candidatos democratas. Olha que bonito!

"I've been making change for 35 years!"


Começa a tornar-se insuportável o apoio acrítico que Barack Obama tem recebido de alguns. Até este blog foi infiltrado por eles... Obama é bom rapaz. E sério etc. Mas eu só o conheço há três anos. Assim é fácil advogar change, change, change. Não é experiência que falta a Obama: é história. Desde que me interesso por política que observo Hillary, conheço-a, e é também por conhecer os seus defeitos que estou mortinho por lhe dar o meu voto.
A mensagem populista de Edwards/Obama quer-nos convencer que tem andado tudo a dormir há 8 anos e que Washington está podre e que eles é que vão arregaçar as mangas e dar a volta a isto - mas é desmentida por dois factos:

1. Obama/Edwards se/quando chegarem ao poder vão ter que funcionar exactamente no mesmo enquadramento constitucional/institucional (com as suas virtudes e seus defeitos) que Bush e seus amigos; é irresponsável e demagógico vender a ilusão de que os EUA se vão transformar no "paraíso da classe média" só porque eles são uns tipos cheios de boa vontade; change é uma palavra agradável, não é um programa político;
2. Hillary, nos últimos anos, tem sido incansável como senadora em áreas tão diversas como segurança e defesa, ou segurança social.

Barack é negro. Change. Parabéns. Hillary é mulher. Change. 1-1.
Hillary já anda nisto há muito tempo e não me parece que tenha perdido nem um bocadinho do élan dos anos 90.
E seria tremendamente injusto penalizá-la por se dedicar à causa pública há mais de trinta anos.
A experiência não é tudo. Mas apoiar change só porque há uma cara nova nos ecrãs de televisão é irresponsável.

P.S: Adoro o Obama, hã, não se zanguem, mas estou farto da adulação pop de que é alvo. Vejam este vídeo que é bem elucidativo.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

É Obama!

Segundo as projecções de todos os canais, Barack Obama ganha os caucusues no Iowa, seguido de Edwards e Clinton, por esta ordem mas empatados em percentagem de votos.
A registar:
  • Uma forte afluência às assembleias deliberativas por parte dos democratas;
  • Obama tem 57% dos votos na faixa dos 18 aos 29 anos; Hillary tem 45% dos votos nos maiores de 45 anos (dados CNN);
  • Obama aproxima-se dos 40% e ganha capital de simpatia e viabilidade enquanto candidato para os estados em que a sua cor de pele (e o nome) ainda possam ser uma questão;
  • Fala-se no peso do voto útil dos apoiantes de Bill Richardson que não ultrapassaram o número mínimo de votos para que o seu candidato pudesse recolher delegados. Fala-se que Bill Richardson pode vir a ser o candidato a Vice-Presidente se Obama ganhar a nomeação. O primeiro Presidente Negro dos Estados Unidos e o primeiro Vice-Presidente Hispânico? Parece abusar demasiado da sorte.
A corrida ainda agora começou e faltam as etapas de alta montanha. Obama dizia há pouco tempo: «Sou um negro chamado Barack Obama a concorrer para Presidente. Quer dizer, é mesmo preciso ter esperança».

Do lado republicano a taça foi para o pastor-evangélico-defensor-do-criacionismo Mike Huckabee. Mas essa é um telenovela completamente diferente, se pensarmos que Rudy Giuliani desertou para a Florida e Mitt Romney ainda tem rios de dinheiro para gastar. Atrevo-me a dizer que aí estará a verdadeira emoção.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Benazir Bhutto (1953-2007)

Por muito que nos procuremos convencer do contrário, identificando grandes tendências ou evoluções imparáveis e objectivamente palpáveis, a História tem momentos de viragem inesperados, muitas das vezes directamente associados ao percurso individual de seres humanos concretos. O desaparecimento de Benazir Bhutto é daqueles momentos de convulsão repentina, de irreversibilidade das rodas dos acontecimentos que revelam a potencial fragilidade das instituições (exarcebada, neste caso, pela efectiva instabilidade do sistema político). Benazir Bhutto será sempre uma figura controversa, multifacetada, geradora de amores e ódios entre os seus concidadãos e objecto de juízos distintos da história: se por um lado a sua governação foi marcada por instabilidade, acusações de corrupção e ineficácia, deixa também um legado considerável, desde logo como primeira mulher a assumir a chefia do Governo num país muçulmano.

É quase inevitável observar os traços que a aproximam da outra mulher que marcou a vida do subcontinente indiano, Indira Gandhi: a tradição e sucessão política familiar, o triunfo político numa sociedade tradicional e patriarcal, a personalidade marcante e larger than life e a morte trágica, na sequência do desafio aos adversários. Não é, porém, minha intenção deixar um panegírico de Benazir Bhutto, ou de minorar a análise dos seus defeitos. Como disse, os juízos negativos não deixarão de ter o seu lugar quando se escrever a sua história. Mas no rescaldo imediato do seu assassinato, é importante não esquecer, é mesmo imperativo realçar, que foram as suas qualidades que determinaram o seu fim trágico.
A Benazir Bhutto que ontem foi alvo da violência sangrenta do seu assassino extremista foi a mulher determinada em regressar ao país numa altura crítica para o futuro, com a intenção de disputar uma eleição e aceder ao poder pela via democrática, que não desistiu perante concretas ameaças à sua vida e que atacou com coragem os extremismos fundamentalistas que querem destabilizar o Paquistão (as madrassas radicais, por exemplo). Foi em campanha, após um comício, em contacto directo com os eleitores, momentos por excelência do processo democrático, que perdeu a vida. E foi precisamente por simbolizar, em grande parte, uma possibilidade de regresso à democracia que foi abatida por extremistas. É por isso não só um mau dia para o Paquistão e para a região, mas para todos os que se revêm na determinação democrática demonstrada por Benazir Bhutto.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Prenda de Natal

Madeleine Peyroux canta Dance me to the end of love (ilustrado por momentos de film noir).


domingo, dezembro 23, 2007

Rudolph, the Red-Nosed reindeer, em Yiddish

Bem sei que o conceito de tradição judaico-cristã não é exactamente isto, mas pode ser útil para alguém, sei lá...

Melhor que o original

Qual Santana Lopes de segunda, qual carapuça. Luís Filipe Menezes bate o seu modelo aos pontos. Onde é que já tinhamos visto, num espaço de menos de duas semanas, e depois da novela da sua intervenção em Lisboa, um acumular de coisinhas tão boas como estas:


- O Governo devia pedir desculpa pelos homicídios na noite do Porto.

- A recusa em apresentar programa político alternativo pelo PSD, perante a certeza de que seria desfeito pela equipa de Pedro Silva Pereira. (Pergunto qual é o plano para as legislativas de 2009. Será na lógica de "tenho ideias muito boas mas não digo, não digo...")

- O plano de, em meia dúzia de meses, "liberalizar a legislação laboral (...) e desmantelar de vez o enorme peso que o Estado tem e que oprime as pessoas", afirmando que o "Estado deve sair do ambiente, das comunicações, dos transportes, dos portos e, na prestação do Estado Social, deve contratualizar com os privados e acabar com o monopólio na saúde, educação e segurança social" Este pequeno excerto revela muitas coisas de uma assentada sobre o conhecimento da realidade pelo líder do PSD. Liberalizar é a noção sacralizada, seja na legislação laboral, seja no papel do Estado. Gosto particularmente da ideia de que o Estado deve "sair do ambiente". Desregular? Abandonar as tarefas de conservação impostas pela Constituição e pelo Direito Comunitário? Com franqueza, duvido que neste tópico Menezes tenha sequer a ideia do que está a propor. Ainda quanto à saúde e à educação é interessante a ideia de acabar com monopólios. Pode ser que amanhã se torne possível a existência de hospitais, clínicas, escolas e até, quem sabe, universidade privadas...

- A ideia fantástica de que o PS quer controlar o BCP. Poderoso este PS que põe gente como António Mexia a promover a nova solução para a administração do BCP. Igualmente curioso que pessoas como Paulo Teixeira Pinto, Miguel Cadilhe ou Miguel Beleza tenham integrado os conselhos de administração do BCP e que Menezes nunca se tenha insurgido por eventuais tomadas do banco pelo PSD.


- Associada a esta última ideia, veio a sugestão de Miguel Cadilhe para presidente da Caixa Geral de Depósitos, perante a saída provável de Santos Ferreira. Curiosamente, Cadilhe é um dos antigos administradores do BCP que, face aos recentes desenvolvimentos na instituição, está inibido pelo Banco de Portugal de voltar a assumir funções na direcção do (ainda) maior banco privado português. Um bom momento para o propor como a escolha credível para a Caixa, sem dúvida.


O que reservará o próximo Ano?