
Sinfonia n.º 7 - 4.º Andamento
Sonata para violino n.º 9 "Kreutzer" - 1.º Andamento
Abertura "Egmont"
Sonata para piano n.º 21 "Waldstein" - 3.º Andamento


Não sendo ainda esta o prometido post sobre a nova lei eleitoral autárquica, não posso deixar passar a potencial proposta de exclusão de independentes das candidaturas antes de decorrer um determinado período sobre o seu abandono de partidos políticos que representavam em mandatos anteriores sem dizer, com todas as letrinhas: inconstitucional e politicamente inaceitável. Não está em causa o fenómeno de mudança de partido no decurso do exercício de um mandato, com o consequente defraudar das maiorias desejadas pelo eleitorado (como sucede com os mandatos na AR), pelo que só podemos concluir pela presença de uma reacção de autodefesa corporativa dos partidos lesados por dissidências eleitorais recentes.
O estado de New Jersey está em vias de fazer história, juntando-se a Maine, Alaska, Hawaii, Iowa, Minnesota, Dakota do Norte, Wisconsin, Michigan, Virgina Ocidental, Vermont, Massachusetts, Rhode Island e ao Distrito de Columbia na recusa da pena de morte. O governador democrata deverá assinar a nova lei nos próximos dias, seguindo a votação de ambas as câmaras, ambas controladas também pelo Partido Democrata, tornando o estado no primeiro em mais de 40 anos a abolir a pena capital.



José Miguel Júdice, enquanto antigo bastonário da Ordem, deveria mostrar mais respeito pela instituição a que presidiu. Sem qualquer pudor, Júdice afirmou que "se o mandato de Rogério Alves foi uma tragédia, o de Marinho Pinto será uma tragédia ao quadrado." Pela leitura do comentário, parecerá que a época dourada da advocacia portuguesa ocorreu no mandato de Júdice. Época essa em que, recorde-se, Marinho Pinto presidiu (até sair por virtude dos seus ataques à magistratura) à Comissão de Direitos Humanos e Rogério Alves foi presidente do Conselho Distrital de Lisboa, ambos eleitos na lista de... José Miguel Júdice.
Se há um elemento que penso ser indispensável para assegurar o pluralismo da representação parlamentar é a manutenção do número de deputados em 230. Só assim continuará a ser possível assegurar um equilíbrio entre a governabilidade, permitindo o aparecimento de maiorias estáveis (absolutas ou quase-absolutas), e a proporcionalidade da representação nacional. Menos deputados significará necessariamente menor representatividade dos pequenos partidos e menor pluralismo da assembleia. E se é inegável que uma crítica ao papel apagado do parlamento tem de passar pela crítica feroz à existência de deputados da nação cuja produtividade política é muito reduzida e que emergem dos aparelhos partidários e de equilíbrios regionais e de tendência muito mais feudais do que representativos, também não pode ser negada a qualidade e quantidade da produção e da intervenção política parlamentar dos pequenos partidos. A reforma destinada a qualificar o parlamento pela via da lei eleitoral poderia acabar por eliminar uma das fontes de qualidade do trabalho parlamentar hoje existente nas formações mais pequenas. Num cenário de menos deputados, os muitos frontbenchers do PS e do PSD (as lideranças das bancadas e os presidentes e coordenadors das comissões) continuariam naturalmente a assegurar, enquanto formigas obreiras que normalmente são, o nível de produção legislativa e fiscalizadora hoje existente, mas perdiamos o capital de pluralismo que enriquece o trabalho legislativo e a maior liberdade fiscalizadora dos partidos que tendem a quedar-se pela oposição.
Concordo que é necessário repensar a função do parlamento. Não estou é tão seguro de que a solução para esse exercício deva passar pela legislação eleitoral ou pela redução do número de deputados. Quanto à primeira, se há uma lição a tirar de mais de trinta anos de democracia é a de esta que sempre ofereceu resultados seguros, nunca se transformou numa questão de regime (como hoje acontece em Itália, por exemplo) e tem servido quer a governabilidade (três maiorias absolutas de um só partido, seis governos de coligação pré- e pós- eleitoral com maioria absoluta, duas "quase
maiorias absolutas" de um só partido), quer a proporcionalidade (representação de pelo menos quatro partidos e entrada de novas forças políticas no parlamento sem recurso a coligações - UDP, PRD, PSN e BE, neste caso com uma implantação que os anteriores não conheceram). Quanto à segunda, tendo em conta o ratio população - deputados, temos uma representação que se encontra na exacta média dos Estados membros da UE e que representa uma aplicação quase perfeita da regra da raiz cúbica, normalmente apontada como critério para aferir o tamanho "ideal" dos parlamentos. Enfim, é uma discussão que dá pano para mangas e que continuarei por estas bandas.
Passeava eu pelo site do Estado Maior General das Forças Armadas (don't ask why...), quando deparei com esta notícia, sobre a colocação da Cruz de Cristo "símbolo da Força Aérea, no local de culto e referência de resistência nacionalista Lituano, denominado "Monte das Cruzes". A cerimónia contou com a presença do Bispo das Forças Armadas da Lituânia (o Januário Torgal Ferreira local) e os órgãos de comunicação social lituanos efectuaram larga cobertura deste evento "em especial o momento em que o Bispo das Forças Armadas Lituanas fez questão de benzer a Cruz de Cristo Portuguesa, ajoelhando-se e beijando a cruz lusitana, afirmando em Inglês:" - Estou muito feliz por ter uma Cruz Portuguesa neste local !"
... mas era mesmo preciso perder a coluna vertebral? Mais uma vez, obrigado Merkel.
Aparentemente, Putin ficou desiludido com os resultados das eleições, uma vez que o seu partido ficou aquém dos 71% que alcançara nas eleições presidenciais. Compreende-se a insatisfação: com tanto controlo dos media, pressão sobre a oposição e fraude eleitoral, qualquer coisa que fique abaixo dos 75% é profundamente injusto. Uma pessoa investe tempo e dedicação em construir uma aparelho de manipulação opressivo da sociedade que espartilha adequadamente a oposição e vai-se a ver os sacanas ainda elegem deputados. Realmente, não há direito.
A aprovação da solução compromissória para o empréstimo para o município de Lisboa encerra a novela desencadeada pela liderança nacional do PSD, que, procurando cobrir-se de glória derrotando adversários políticos e tornando a gestão municipal na capital virtualmente impossível, acaba por sair cabisbaixa e desmascarada na sua estratégia pouco séria. A intervenção do PSD nesta recambolesca novela demonstra várias características negativas da nova liderança, desde a incoerência, ao oportunismo, passando pela falta de conhecimento da realidade e pela deficiente preparação das soluções técnicas alternativas, que nem junto dos eleitos locais do próprio partido conseguiram reunir acolhimento entusiástico. Pelo meio, acrescenta-se a total ausência de pudor do próprio Luís Filipe Menezes, o autarca que bateu todos os limites de endividamento no seu concelho, e que se achou legitimado a enviar lições de gestão autárquica que não pratica em Vila Nova de Gaia.
...esteve ontem em Bruxelas e falou numa conferência organizada pelo think-thank The Transatlantic Institute. Dennis Ross foi o 'pai' do processo de Oslo, tendo guiado a política americana no Médio Oriente entre 1988 e 2000. A intervenção dele foi fascinante. Annapolis etc etc. Mas do que me lembro melhor é da pequena frase jocosa com que abriu a intervenção.
A primeira medida do novo governo australiano após a tomada de posse passou pela ratificação do protocolo de Kyoto. Na próxima semana, o novo PM, Kevin Rudd, participará na conferência de Bali com quatro dos novos ministros, confirmando o empenho nas questões ambientais, já patente na orgânica do Governo, onde, para além de um ministro do Ambiente, existe ainda uma ministra reponsável pelas alterações climáticas e pelos recursos hídricos.
O novo estudo do National Intelligence Council, uma espécie de reunião plenária de todos os serviços de intelligence dos EUA, tem boas notícias (novidades) e algumas más notícias (que não são novidade).
A ler, a crítica de Lauro António da peça A noite da Iguana, de Tenessee Williams, em cena no Maria Matos, e a comparação com o filme, um dos meus favoritos, com o gigante Richard Burton, Ava Gardner e Deborah Kerr. Para o nosso debate em torno de grafias, pronúncias e outras coisas que tais, o fantástico Eddie Izzard:
Decorridos 176 dias sem que um governo tenha saído das últimas eleições, e perante a desistência de Leterme em prosseguir como formador de coligação, o rei dos Belgas optou por uma estratégia radicalmente diferente, encarregando o primeiro-ministro em exercício, Guy Verhofstadt, de explorar estratégias para sair da crise, procurar lançar pontes para a reforma do Estado e estabelecer soluções para questões prioritárias, que ultrapassem a gestão corrente (entre as quais avulta o orçamento de 2008).
Para começar, obrigado por escolher a Boina Frígia para blog da semana. Li o post que escreveu a justificar/explicar a escolha do nosso humilde cantinho cibernáutico e senti-me inspirado a tentar explicar o porquê de um blog republicano décadas depois da implantação da República em Portugal e séculos depois da tomada da Bastilha.
Para quem advoga a flexibilização da legislação laboral, eis um exemplo do que pode ocorrer quando se deixa a faca e o queijo na mão da entidade empregadora. Na sequência da greve dos argumentistas e invocando que não há possibilidade de continuar a produzir os programas diários de entretenimento (o Tonight Show e o Late Night), a NBC comunicou aos trabalhadores que dá por terminada a relação laboral até ao final da greve.
As previsões confirmam-se e Vladimir Putin e a sua Rússia Unida arrecadam mais de 60% dos votos nas eleições hoje. Apesar do optimismo ser moderado, tudo aponta para a presença no parlamento de mais três partidos, o Partido Comunista (que ficará pelos 11%), cuja entrada na Duma era previsível, o partido Liberal Democrático (com 9,6%) e o Partido Uma Rússia Justa (com cerca de 7,7%). Ainda que não se tivesse em conta tudo o que de não democrático se tem feito a caminho destas eleições, desde logo a existência de um cláusula barreira para conversão de votos em mandatos de 7% (só batida pelos 10% turcos) é revelador da falta de pluralismo que se pretende no futuro parlamento. 
Nos preparativos finais para as eleições de Domingo, somam-se intervenções laudatórias de Vladimir Putin nos vários meios de comunicação social, com destaque para a televisão. Um dos apoios do actual presidente é o clero ortodoxo que, através do director de relações externas do patriarcado de Moscovo, veio afirmar, entre outras coisas, que "existem valores acima da liberdade e da democracia" e que "a Igreja rejeita a ideia de que os direitos humanos prevalecem sobre os interesses da sociedade (disponível no P2 do Público). 

Perante a decisão do Tribunal Constitucional no sentido da não inconstitucionalidade do OE para 2008, cuja fiscalização fora suscitada pela Assembleia Legislativa da Madeira, Alberto João Jardim vem falar em "terrorismo de Estado" e passa a sufragar a tese da extinção daquele órgão avançada por Luís Filipe Menezes. Um apoiante credível, nada vingativo ou despeitado para a causa da reforma institucional.
No Bitoque, descreve-se Mahmoud Abbas como "o líder imposto pelos EUA à Fatah" e critica-se a ausência do Hamas, o partido eleito pelos palestinianos para os representar. Aparentemente, nesta lógica o voto das eleições legislativas palestinianas é o único que conta. O das eleições presidenciais já não interessa. De resto, o facto de o Hamas não ter abdicado da destruição do Estado de Israel na sua declaração programática não parece ser suficiente para questionar a sua vontade em negociar um acordo de paz equilibrado entre ambas as partes. 
Luísa Mesquita foi hoje expulsa do PCP. O principal fundamento da decisão reside na recusa da autarca e deputada em abandonar os cargos para os quais foi eleita, o que constituiria uma violação dos seus deveres estatutrários e do compromisso assumido com o Partido. Há quem afirme que é bem feito, que Luísa Mesquita conhecia as regras do jogo no PCP e que agora se recusa acatá-las. Contudo, é uma argumentação que não colhe: regras que violam princípios elementares da democracia representativa, que atentam contra a independência do exercício dos mandatos e contra a relação de representação não são válidas. Dirão que Luísa Mesquita ainda assim se conformou com elas ao optar em militar no PCP. Digo-vos-eu que a renúncia a certos direitos fundamentais não é válida nem exigível, nem pode servir de contrapartida para pertencer ao partido com o qual se tem a maior afinidade ideológica.