sexta-feira, janeiro 04, 2008

É Obama!

Segundo as projecções de todos os canais, Barack Obama ganha os caucusues no Iowa, seguido de Edwards e Clinton, por esta ordem mas empatados em percentagem de votos.
A registar:
  • Uma forte afluência às assembleias deliberativas por parte dos democratas;
  • Obama tem 57% dos votos na faixa dos 18 aos 29 anos; Hillary tem 45% dos votos nos maiores de 45 anos (dados CNN);
  • Obama aproxima-se dos 40% e ganha capital de simpatia e viabilidade enquanto candidato para os estados em que a sua cor de pele (e o nome) ainda possam ser uma questão;
  • Fala-se no peso do voto útil dos apoiantes de Bill Richardson que não ultrapassaram o número mínimo de votos para que o seu candidato pudesse recolher delegados. Fala-se que Bill Richardson pode vir a ser o candidato a Vice-Presidente se Obama ganhar a nomeação. O primeiro Presidente Negro dos Estados Unidos e o primeiro Vice-Presidente Hispânico? Parece abusar demasiado da sorte.
A corrida ainda agora começou e faltam as etapas de alta montanha. Obama dizia há pouco tempo: «Sou um negro chamado Barack Obama a concorrer para Presidente. Quer dizer, é mesmo preciso ter esperança».

Do lado republicano a taça foi para o pastor-evangélico-defensor-do-criacionismo Mike Huckabee. Mas essa é um telenovela completamente diferente, se pensarmos que Rudy Giuliani desertou para a Florida e Mitt Romney ainda tem rios de dinheiro para gastar. Atrevo-me a dizer que aí estará a verdadeira emoção.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Benazir Bhutto (1953-2007)

Por muito que nos procuremos convencer do contrário, identificando grandes tendências ou evoluções imparáveis e objectivamente palpáveis, a História tem momentos de viragem inesperados, muitas das vezes directamente associados ao percurso individual de seres humanos concretos. O desaparecimento de Benazir Bhutto é daqueles momentos de convulsão repentina, de irreversibilidade das rodas dos acontecimentos que revelam a potencial fragilidade das instituições (exarcebada, neste caso, pela efectiva instabilidade do sistema político). Benazir Bhutto será sempre uma figura controversa, multifacetada, geradora de amores e ódios entre os seus concidadãos e objecto de juízos distintos da história: se por um lado a sua governação foi marcada por instabilidade, acusações de corrupção e ineficácia, deixa também um legado considerável, desde logo como primeira mulher a assumir a chefia do Governo num país muçulmano.

É quase inevitável observar os traços que a aproximam da outra mulher que marcou a vida do subcontinente indiano, Indira Gandhi: a tradição e sucessão política familiar, o triunfo político numa sociedade tradicional e patriarcal, a personalidade marcante e larger than life e a morte trágica, na sequência do desafio aos adversários. Não é, porém, minha intenção deixar um panegírico de Benazir Bhutto, ou de minorar a análise dos seus defeitos. Como disse, os juízos negativos não deixarão de ter o seu lugar quando se escrever a sua história. Mas no rescaldo imediato do seu assassinato, é importante não esquecer, é mesmo imperativo realçar, que foram as suas qualidades que determinaram o seu fim trágico.
A Benazir Bhutto que ontem foi alvo da violência sangrenta do seu assassino extremista foi a mulher determinada em regressar ao país numa altura crítica para o futuro, com a intenção de disputar uma eleição e aceder ao poder pela via democrática, que não desistiu perante concretas ameaças à sua vida e que atacou com coragem os extremismos fundamentalistas que querem destabilizar o Paquistão (as madrassas radicais, por exemplo). Foi em campanha, após um comício, em contacto directo com os eleitores, momentos por excelência do processo democrático, que perdeu a vida. E foi precisamente por simbolizar, em grande parte, uma possibilidade de regresso à democracia que foi abatida por extremistas. É por isso não só um mau dia para o Paquistão e para a região, mas para todos os que se revêm na determinação democrática demonstrada por Benazir Bhutto.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Prenda de Natal

Madeleine Peyroux canta Dance me to the end of love (ilustrado por momentos de film noir).


domingo, dezembro 23, 2007

Rudolph, the Red-Nosed reindeer, em Yiddish

Bem sei que o conceito de tradição judaico-cristã não é exactamente isto, mas pode ser útil para alguém, sei lá...

Melhor que o original

Qual Santana Lopes de segunda, qual carapuça. Luís Filipe Menezes bate o seu modelo aos pontos. Onde é que já tinhamos visto, num espaço de menos de duas semanas, e depois da novela da sua intervenção em Lisboa, um acumular de coisinhas tão boas como estas:


- O Governo devia pedir desculpa pelos homicídios na noite do Porto.

- A recusa em apresentar programa político alternativo pelo PSD, perante a certeza de que seria desfeito pela equipa de Pedro Silva Pereira. (Pergunto qual é o plano para as legislativas de 2009. Será na lógica de "tenho ideias muito boas mas não digo, não digo...")

- O plano de, em meia dúzia de meses, "liberalizar a legislação laboral (...) e desmantelar de vez o enorme peso que o Estado tem e que oprime as pessoas", afirmando que o "Estado deve sair do ambiente, das comunicações, dos transportes, dos portos e, na prestação do Estado Social, deve contratualizar com os privados e acabar com o monopólio na saúde, educação e segurança social" Este pequeno excerto revela muitas coisas de uma assentada sobre o conhecimento da realidade pelo líder do PSD. Liberalizar é a noção sacralizada, seja na legislação laboral, seja no papel do Estado. Gosto particularmente da ideia de que o Estado deve "sair do ambiente". Desregular? Abandonar as tarefas de conservação impostas pela Constituição e pelo Direito Comunitário? Com franqueza, duvido que neste tópico Menezes tenha sequer a ideia do que está a propor. Ainda quanto à saúde e à educação é interessante a ideia de acabar com monopólios. Pode ser que amanhã se torne possível a existência de hospitais, clínicas, escolas e até, quem sabe, universidade privadas...

- A ideia fantástica de que o PS quer controlar o BCP. Poderoso este PS que põe gente como António Mexia a promover a nova solução para a administração do BCP. Igualmente curioso que pessoas como Paulo Teixeira Pinto, Miguel Cadilhe ou Miguel Beleza tenham integrado os conselhos de administração do BCP e que Menezes nunca se tenha insurgido por eventuais tomadas do banco pelo PSD.


- Associada a esta última ideia, veio a sugestão de Miguel Cadilhe para presidente da Caixa Geral de Depósitos, perante a saída provável de Santos Ferreira. Curiosamente, Cadilhe é um dos antigos administradores do BCP que, face aos recentes desenvolvimentos na instituição, está inibido pelo Banco de Portugal de voltar a assumir funções na direcção do (ainda) maior banco privado português. Um bom momento para o propor como a escolha credível para a Caixa, sem dúvida.


O que reservará o próximo Ano?

sábado, dezembro 22, 2007

Anúncio da quadra

História de Natal

Eddie Izzard e o Natal

Ahhhh, o Natal...

É só impressão minha ou já começou o abrandamento imparável da blogosfera da época natalícia? Não tarda muito vamos começar a fazer o balanço do ano que passou (se antes disso não entrarmos obedientemente no espírito da época e fizermos sugestões de prendas...). Para já, a não ser que haja golpe de Estado ou invasão alienígena, deixo uma série de "posts natalícios".

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Um funcionário, um quê?

Segundo o site da Câmara Municipal de Lisboa o Presidente entregou 1064 brinquedos recolhidos pelos funcionários do Município no âmbito da iniciativa "Um funcionário, um brinquedo".
Já não falo da putativa avareza dos funcionários (sabendo que os brinquedos entregues foram 1064 e os funcionários são para aí uns dez mil). Mas, com as medidas orçamentais draconianas que se conhecem, o título da iniciatva parece-me um trocadilho perigoso, dinamite para qualquer sindicalista mais quezilento.

Olha, olha, a Bóina Frígia faz hoje 3 anos




Dicas para jantares de Natal que se avizinham

Smith & Jones

Fumo bege

Governo na Bélgica!
Mas não se entusiasmem. É só um governo "interino" até Março e que pode apenas representar um intervalo na crise política, dando alguma estabilidade à governação até que haja entendimentos definitivos entre os diversos partidos. É também verdade que é uma formação cheia de peculiaridades. Senão vejamos.

Em primeiro lugar, o primeiro-ministro será o até aqui cessante Verhofstadt, que perdeu as eleições de Junho, enquanto um dos vice-primeiro-ministros será Leterme, o vencedor das eleições de Junho. Os socialistas, que perderam o primeiro lugar na Valónia, acabam por integrar o Governo, quase que confirmando a profecia de que não se governa a Bélgica sem o PS. Aparentemente não basta ganhar, há que saber gerir a vitória.

Em segundo lugar, o anúncio de que se trata de um período de espera até à Páscoa, para permitir a Leterme negociar o que falta e poder assumir funções de primeiro-ministro em Março é demolidor para as suas capacidades políticas - não só falha durante 180 dias o que Verhofstadt consegue (interinamente, é certo) em duas semanas, como ainda fica sob a sua tutela durante os próximos três meses.

Finalmente, o governo "pentapartidário", composto por liberais flamengos (3 ministros) e liberais valões (3 ministros), cristãos-democratas flamengos (4 ministros) e cristãos-democratas valões (1 ministro) e socialistas valões (3 ministros) afigura-se como tudo menos pacífico. Para além de nos bastidores continuarem as negociações para preparar o próximo executivo, as relações entre os diversos partidos continuaram tensas e o equilíbrio parece ser precarário (desde logo, o empate a 7 entre francófonos e flamengos na distribuição das pastas apenas mascara a profunda divisão que o sistema político atravessa).

Instável, com uma legitimidade no mínimo curiosa e com prazo de validade, sempre é melhor ter este do que não ter governo nenhum. Ou será que não?

Man of the Year

Depois de o ano passado ter escolhido toda a gente como pessoa do ano (enquanto utilizadores das novas tecnologias), a Time volta a surpreender e escolheu Vladimir Putin para 2007. Conforme a revista tem dito há anos, a opção não representa uma homenagem, nem qualquer tipo de louvor ou recomendação. Segundo o editor, trata-se de escolher a pessoa que mais impacto teve nas vidas de outros e cujos actos moldarão o futuro nos anos seguintes. Nesta lógica, e segundo a revista, ninguém conseguiu impor a sua visão, ou restaurar estabilidade, prosperidade e orgulho aos russos como Putin.

A opção visa ser estritamente objectiva e não ter qualquer conteúdo axiológico e as escolhas passadas confirmam esta leitura: Andropov, Khomeini, Deng Xiaoping, Khruschev, Estaline (2 vezes) e o próprio Hitler (curiosamente, a foto na saiu na capa) figuram entre os vencedores. Apesar de tudo, isto não significa que não possa ser uma opção criticável: deve poder exigir-se um padrão diferente a uma revista de referência numa sociedade democrática. A apreciação dos resultados deve ser minimamente crítica, e a estabilidade, prosperidade e orgulho não podem ser vistos como susceptíveis de justificar quaisquer meios para as alcançar, particularmente quando estes assentam em autoritarismo, nacionalismo neo-soviético e repressão de liberdades fundamentais.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Contra a discriminação, pelo direito a discriminar

Nos escassos 12 dias que restam para o fim do ano ainda há tempo para disparates maiores, mas por enquanto a idiotice do ano pertence a Nuno da Câmara Pereira, deputado da Nação, com esta pérola, já não digo de intolerância, mas de lógica discursiva: «Ao instituir-se um dia mundial de luta contra a homofobia estar-se-ia, no fundo, a instituir um dia contra todos aqueles que pensam a sexualidade de modo distinto e, consequentemente, a colocá-los numa situação de discriminação».

The Sarkozys

Parece que Cecilia vai retaliar só que ainda não se decidiu entre Kevin Costner, Eric Clapton, Mick Jagger ou Donald Trump.

Meio da semana

Um piscar de olho aos que sabem.

Pink Martini - Je ne veux pas travailler

O seu a seu dono

Já chega das torpes insinuações que apontam para ligações entre membros da liderança dos SuperDragões e membros dos gangs da noite portuense! Não há "ligações" nenhumas, são mesmo as mesmas pessoas!
A este respeito, este post de Pacheco Pereira.

Cascata?

Recorrentemente invoca-se o argumento do "ai-os-outros" no que respeita ao recurso ao referendo: ao recorrer à consulta popular, Portugal estaria a deixar os demais governos numa posição sensível e incómoda, a braços com o potencial aparecimento de um efeito de cascata na exigência de referendos. E então? Se é um debate alargado sobre a Europa o que se pretende o argumento tem de valer para os 27 e não apenas na nossa West Coast...

Cada tiro....


Numa corrida desenfreada para se conseguir descredibilizar sem retorno, a nova liderança da Juventude Popular continua a marcar pontos à grande - acabar com o salário mínimo é a nova ideia genial e radical. Tão genial e radical que nem se percebe como é que o próprio patronato a não sufraga, alinhando até em estratégias opressivas e destrutivas da economia como o aumento gradual do montante do salário mínimo até 500 € em 2011.

Argumenta a JP que o salário mínimo "impede de trabalhar quem estiver disponível para trabalhar por valor inferior a esse preço". Infelizmente, não é assim. Basta olhar para a realidade de muitos putativos estágios profissionalizantes (em que a advocacia representa um exemplo paradigmático) para verificar que não só estamos perante verdadeiro trabalho subordinado (e não perante clássicas profissões liberais), como a remuneração mensal fica bem abaixo do salário mínimo ou não existe de todo. Exploração em estado puro, portanto, fugindo ao salário mínimo com o mecanismo dos falsos recibos verdes.

Curiosamente, ao mesmo tempo que afirma que o salário mínimo impede de trabalhar quem está disponível para trabalhar por menos, a JP vem também dizer que "o paradigma da competitividade baseada em baixos salários acabou". Em que é que ficamos? O salário mínimo é estrangulador ou desnecessário?

É esta radiosa sociedade que se quer oferecer aos trabalhadores portugueses - nem com a garantia de 423 euros mensais podem contar, apenas com a boa vontade e o altruísmo do patronato. Já agora, umas ideias sobre o mínimo necessário para assegurar uma existência condigna e os demais direitos fundamentais dos trabalhadores não faziam mal a ninguém. Ficam uns exemplos:
Artigo 59.º
Direitos dos trabalhadores
1. Todos os trabalhadores, sem distinção de idade, sexo, raça, cidadania, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, têm direito:
a) À retribuição do trabalho, segundo a quantidade, natureza e qualidade, observando-se o princípio de que para trabalho igual salário igual, de forma a garantir uma existência condigna;
[...]
2. Incumbe ao Estado assegurar as condições de trabalho, retribuição e repouso a que os trabalhadores têm direito, nomeadamente:
a) O estabelecimento e a actualização do salário mínimo nacional, tendo em conta, entre outros factores, as necessidades dos trabalhadores, o aumento do custo de vida, o nível de desenvolvimento das forças produtivas, as exigências da estabilidade económica e financeira e a acumulação para o desenvolvimento;
[...]
Constituição da República Portuguesa