quinta-feira, dezembro 20, 2007

Um funcionário, um quê?

Segundo o site da Câmara Municipal de Lisboa o Presidente entregou 1064 brinquedos recolhidos pelos funcionários do Município no âmbito da iniciativa "Um funcionário, um brinquedo".
Já não falo da putativa avareza dos funcionários (sabendo que os brinquedos entregues foram 1064 e os funcionários são para aí uns dez mil). Mas, com as medidas orçamentais draconianas que se conhecem, o título da iniciatva parece-me um trocadilho perigoso, dinamite para qualquer sindicalista mais quezilento.

Olha, olha, a Bóina Frígia faz hoje 3 anos




Dicas para jantares de Natal que se avizinham

Smith & Jones

Fumo bege

Governo na Bélgica!
Mas não se entusiasmem. É só um governo "interino" até Março e que pode apenas representar um intervalo na crise política, dando alguma estabilidade à governação até que haja entendimentos definitivos entre os diversos partidos. É também verdade que é uma formação cheia de peculiaridades. Senão vejamos.

Em primeiro lugar, o primeiro-ministro será o até aqui cessante Verhofstadt, que perdeu as eleições de Junho, enquanto um dos vice-primeiro-ministros será Leterme, o vencedor das eleições de Junho. Os socialistas, que perderam o primeiro lugar na Valónia, acabam por integrar o Governo, quase que confirmando a profecia de que não se governa a Bélgica sem o PS. Aparentemente não basta ganhar, há que saber gerir a vitória.

Em segundo lugar, o anúncio de que se trata de um período de espera até à Páscoa, para permitir a Leterme negociar o que falta e poder assumir funções de primeiro-ministro em Março é demolidor para as suas capacidades políticas - não só falha durante 180 dias o que Verhofstadt consegue (interinamente, é certo) em duas semanas, como ainda fica sob a sua tutela durante os próximos três meses.

Finalmente, o governo "pentapartidário", composto por liberais flamengos (3 ministros) e liberais valões (3 ministros), cristãos-democratas flamengos (4 ministros) e cristãos-democratas valões (1 ministro) e socialistas valões (3 ministros) afigura-se como tudo menos pacífico. Para além de nos bastidores continuarem as negociações para preparar o próximo executivo, as relações entre os diversos partidos continuaram tensas e o equilíbrio parece ser precarário (desde logo, o empate a 7 entre francófonos e flamengos na distribuição das pastas apenas mascara a profunda divisão que o sistema político atravessa).

Instável, com uma legitimidade no mínimo curiosa e com prazo de validade, sempre é melhor ter este do que não ter governo nenhum. Ou será que não?

Man of the Year

Depois de o ano passado ter escolhido toda a gente como pessoa do ano (enquanto utilizadores das novas tecnologias), a Time volta a surpreender e escolheu Vladimir Putin para 2007. Conforme a revista tem dito há anos, a opção não representa uma homenagem, nem qualquer tipo de louvor ou recomendação. Segundo o editor, trata-se de escolher a pessoa que mais impacto teve nas vidas de outros e cujos actos moldarão o futuro nos anos seguintes. Nesta lógica, e segundo a revista, ninguém conseguiu impor a sua visão, ou restaurar estabilidade, prosperidade e orgulho aos russos como Putin.

A opção visa ser estritamente objectiva e não ter qualquer conteúdo axiológico e as escolhas passadas confirmam esta leitura: Andropov, Khomeini, Deng Xiaoping, Khruschev, Estaline (2 vezes) e o próprio Hitler (curiosamente, a foto na saiu na capa) figuram entre os vencedores. Apesar de tudo, isto não significa que não possa ser uma opção criticável: deve poder exigir-se um padrão diferente a uma revista de referência numa sociedade democrática. A apreciação dos resultados deve ser minimamente crítica, e a estabilidade, prosperidade e orgulho não podem ser vistos como susceptíveis de justificar quaisquer meios para as alcançar, particularmente quando estes assentam em autoritarismo, nacionalismo neo-soviético e repressão de liberdades fundamentais.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Contra a discriminação, pelo direito a discriminar

Nos escassos 12 dias que restam para o fim do ano ainda há tempo para disparates maiores, mas por enquanto a idiotice do ano pertence a Nuno da Câmara Pereira, deputado da Nação, com esta pérola, já não digo de intolerância, mas de lógica discursiva: «Ao instituir-se um dia mundial de luta contra a homofobia estar-se-ia, no fundo, a instituir um dia contra todos aqueles que pensam a sexualidade de modo distinto e, consequentemente, a colocá-los numa situação de discriminação».

The Sarkozys

Parece que Cecilia vai retaliar só que ainda não se decidiu entre Kevin Costner, Eric Clapton, Mick Jagger ou Donald Trump.

Meio da semana

Um piscar de olho aos que sabem.

Pink Martini - Je ne veux pas travailler

O seu a seu dono

Já chega das torpes insinuações que apontam para ligações entre membros da liderança dos SuperDragões e membros dos gangs da noite portuense! Não há "ligações" nenhumas, são mesmo as mesmas pessoas!
A este respeito, este post de Pacheco Pereira.

Cascata?

Recorrentemente invoca-se o argumento do "ai-os-outros" no que respeita ao recurso ao referendo: ao recorrer à consulta popular, Portugal estaria a deixar os demais governos numa posição sensível e incómoda, a braços com o potencial aparecimento de um efeito de cascata na exigência de referendos. E então? Se é um debate alargado sobre a Europa o que se pretende o argumento tem de valer para os 27 e não apenas na nossa West Coast...

Cada tiro....


Numa corrida desenfreada para se conseguir descredibilizar sem retorno, a nova liderança da Juventude Popular continua a marcar pontos à grande - acabar com o salário mínimo é a nova ideia genial e radical. Tão genial e radical que nem se percebe como é que o próprio patronato a não sufraga, alinhando até em estratégias opressivas e destrutivas da economia como o aumento gradual do montante do salário mínimo até 500 € em 2011.

Argumenta a JP que o salário mínimo "impede de trabalhar quem estiver disponível para trabalhar por valor inferior a esse preço". Infelizmente, não é assim. Basta olhar para a realidade de muitos putativos estágios profissionalizantes (em que a advocacia representa um exemplo paradigmático) para verificar que não só estamos perante verdadeiro trabalho subordinado (e não perante clássicas profissões liberais), como a remuneração mensal fica bem abaixo do salário mínimo ou não existe de todo. Exploração em estado puro, portanto, fugindo ao salário mínimo com o mecanismo dos falsos recibos verdes.

Curiosamente, ao mesmo tempo que afirma que o salário mínimo impede de trabalhar quem está disponível para trabalhar por menos, a JP vem também dizer que "o paradigma da competitividade baseada em baixos salários acabou". Em que é que ficamos? O salário mínimo é estrangulador ou desnecessário?

É esta radiosa sociedade que se quer oferecer aos trabalhadores portugueses - nem com a garantia de 423 euros mensais podem contar, apenas com a boa vontade e o altruísmo do patronato. Já agora, umas ideias sobre o mínimo necessário para assegurar uma existência condigna e os demais direitos fundamentais dos trabalhadores não faziam mal a ninguém. Ficam uns exemplos:
Artigo 59.º
Direitos dos trabalhadores
1. Todos os trabalhadores, sem distinção de idade, sexo, raça, cidadania, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, têm direito:
a) À retribuição do trabalho, segundo a quantidade, natureza e qualidade, observando-se o princípio de que para trabalho igual salário igual, de forma a garantir uma existência condigna;
[...]
2. Incumbe ao Estado assegurar as condições de trabalho, retribuição e repouso a que os trabalhadores têm direito, nomeadamente:
a) O estabelecimento e a actualização do salário mínimo nacional, tendo em conta, entre outros factores, as necessidades dos trabalhadores, o aumento do custo de vida, o nível de desenvolvimento das forças produtivas, as exigências da estabilidade económica e financeira e a acumulação para o desenvolvimento;
[...]
Constituição da República Portuguesa

terça-feira, dezembro 18, 2007

Igualdade

Sócrates ao Libération:
"O que é que diferencia a esquerda da direita? A igualdade."

Se este raciocínio valer para os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, serão boas notícias.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Speechless

Pequenas obras de solidariedade com a greve de argumentistas (via Zero de Conduta). Deixo alguns, mas há muitos mais aqui.

domingo, dezembro 16, 2007

Filosofia para todos

Eu não tenho palavras para descrever este clássico do humor britânico. Imune à passagem do tempo.

Der Meister

Beethoven nasceu hoje, há 237 anos.


Sinfonia n.º 7 - 4.º Andamento
Sonata para violino n.º 9 "Kreutzer" - 1.º Andamento
Abertura "Egmont"
Sonata para piano n.º 21 "Waldstein" - 3.º Andamento

Porque as homenagens quando merecidas são quase sempre poucas
























O meu Niemeyer favorito.

sábado, dezembro 15, 2007

100 anos de Niemeyer


Parabéns ao pensador da cidade do homem novo, que é alérgico ao ângulo recto, porque as utopias não se constroem com ideias quadradas.

Porque é que será...

... que Gordon Brown tenta fazer o Reino unido entrar na nova União Europeia pela porta do cavalo?

P.S.: Dulce Pontes fartou-se de berrar e Gordon Brown fez o que fez, mas apesar disso a festa foi mesmo bonita.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Entretanto, do outro lado do globo...


Em Bali, a coisa não aquece, nem arrefece. Consequentemente, a coisa vai continuar a aquecer...

Tributo a Garland

Rufus Wainwright sings Judy Garland (aliás Rufus becomes Judy):