quarta-feira, dezembro 05, 2007

Quero um tipo assim para me tratar das cobranças difíceis, ou o cowboy mais rápido que a sua tomada de posse

Nos Estados Unidos é impensável para qualquer político republicano fazer um discurso (quanto mais uma campanha eleitoral) sem evocar a figura de Ronald Reagan, fazer-lhe um elogio ainda maior do que o gajo que acabou de falar dele, e reclamar-se seu herdeiro - ou seja, um pouco o que se passa em Portugal com Sá Carneiro e os congressistas do PSD.
A coisa chegou ao ponto de Rudy Giuliani lhe atribuir poderes de super-herói. No seu mais recente anúncio de campanha, evoca a crise dos reféns americanos no Irão em 1979, e o facto de estes, após 444 dias de cativeiro, terem sido libertados durante a hora seguinte a Ronald Reagan ter prestado juramento na sua cerimónia de tomada de posse (na verdade foram 20 minutos após o juramento). Tudo por mérito do então recém-empossado presidente, supõe-se.
Bin Laden, põe-te a pau.


A transcrição aqui.

Ah, e também é engraçado ver Karl Rove a dar conselhos a Barack Obama sobre como derrotar Hillary Clinton. Pelo menos desta vez vale a pena ligar ao que o senhor diz.

Bem sei que ele tem muito petróleo...

... mas era mesmo preciso perder a coluna vertebral? Mais uma vez, obrigado Merkel.

Olhó gajo...

Aparentemente, Putin ficou desiludido com os resultados das eleições, uma vez que o seu partido ficou aquém dos 71% que alcançara nas eleições presidenciais. Compreende-se a insatisfação: com tanto controlo dos media, pressão sobre a oposição e fraude eleitoral, qualquer coisa que fique abaixo dos 75% é profundamente injusto. Uma pessoa investe tempo e dedicação em construir uma aparelho de manipulação opressivo da sociedade que espartilha adequadamente a oposição e vai-se a ver os sacanas ainda elegem deputados. Realmente, não há direito.

A marca de Menezes

A aprovação da solução compromissória para o empréstimo para o município de Lisboa encerra a novela desencadeada pela liderança nacional do PSD, que, procurando cobrir-se de glória derrotando adversários políticos e tornando a gestão municipal na capital virtualmente impossível, acaba por sair cabisbaixa e desmascarada na sua estratégia pouco séria. A intervenção do PSD nesta recambolesca novela demonstra várias características negativas da nova liderança, desde a incoerência, ao oportunismo, passando pela falta de conhecimento da realidade e pela deficiente preparação das soluções técnicas alternativas, que nem junto dos eleitos locais do próprio partido conseguiram reunir acolhimento entusiástico. Pelo meio, acrescenta-se a total ausência de pudor do próprio Luís Filipe Menezes, o autarca que bateu todos os limites de endividamento no seu concelho, e que se achou legitimado a enviar lições de gestão autárquica que não pratica em Vila Nova de Gaia.
Em primeiro lugar, destaca-se uma liderança nacional cujas figuras de proa são dois autarcas ciosos da sua autonomia e possuidores de uma espécie característica de bairrismo populista, a avocar um processo político local e a impor orientações centralistas à estrutura concelhia, através da estrutura distrital. Orientações essas que, segundo António Preto afirmou ontem, à saída da reunião da distrital, a maioria dos deputados municipais do PSD não teria intenção de seguir, mas a que ficariam vinculados pela disciplina de voto, sob ameaça de consequências internas.

De seguida, merece referência a total incapacidade de compreensão da realidade local e de produção de respostas credíveis. O projecto anunciado inicialmente como proposta alternativa não deixou de transparecer o que era, uma remendo construído em cima do joelho, muito abaixo dos montantes em dívida e apostando na alienação de património como alternativa de saneamento. Em suma, mantendo, em parte, a situação insustentável de dívida a fornecedores a curto prazo e propondo-se reduzir os activos municipais, vendendo ao desbarato em tempo de crise. Curiosamente, não é a estutura concelhia, nem é um dos eleitos locais do PSD no município de Lisboa que vem a público defender a alternativa: ela surge pela mão do presidente da distrital, por sinal vice-presidente da Câmara de Cascais, um dos principais para-quedistas deste episódio.

Não é temerário afirmar que, provavelmente, a viabilidade técnica das soluções nem sequer terá sido adequadamente ponderada. Mais do que uma solução alternativa, neste tipo de jogada o que importa é poder dizer que se tem uma solução alternativa, por mais descabelada e impensável que possa ser à luz da realidade. Consequentemente, nesta lógica palaciana da intervenção menezista esteve sempre patente uma desconsideração pela população e pela cidade de Lisboa, cujos veradeiros problemas se ignoraram, arriscando mergulhar novamente em crise um município que luta para se sanear financeiramente. Acima de tudo estava em causa infligir uma derrota ao PS em Lisboa, ganhar qualquer coisa para colocar uma medalhinha no peito do novo general.

Contudo, tão mal calculado foi o tiro que, dispondo de uma maioria absoluta na Assembleia Municipal que poderia aritmeticamente chumbar o que quisesse, teve de haver uma retirada estratégica para não enfrentar o que seria uma humilhante desautorização da liderança nacional e da estratégia de provocar o confronto pelo confronto. Ninguém pediu a Luís Filipe Menezes para vir arranjar sarilhos a Lisboa - o líder do PSD fê-lo de sua livre e espontânea vontade, pensando em capitalizar com o mau bocado que infligiria a António Costa, ignorando as necessidades da cidade, passando por cima das suas próprias estruturas locais e dos seus eleitos, preparado para instrumentalizar e sacrificar o futuro da capital à sua estratégia de promoção política. No final, aquilo que a novela criada em torno do empréstimo revela é uma total falta de bom senso e de capacidade de ler a situação política e as consequências para o futuro do PSD na cidade de Lisboa. A fotografia final mostra um presidente da edilidade vencedor, apoiado nesta medida por todos os vereadores com excepção dos do PSD, oferecendo soluções para tirar a capital da crise contra os que, por desconhecimento ou má-fé, o tentam impedir.

Seguramente receosa de abstenções ou fugas de voto dos seus eleitos para o lado contrário, a liderança do PSD acaba por produzir um compromisso que aceita as premissas iniciais da solução aprovada na Câmara, embora com montantes mais reduzidos. A solução final acaba por reconhecer o incontornável: todo o montante actualmente em dívida (os 360 milhões) teria mesmo de ser coberto pelo empréstimo, ficando o remanescente para eventuais conclusões desfavoráveis de litígios judiciais reduzido a 40 milhões (o que mais uma vez implica reconhecimento de que essa eventualidade tem de ser objecto de cobertura). A cereja no topo do bolo da incoerência é oferecida, uma vez mais, pelo próprio PSD que, num exercício de quase auto-flagelação, se abstém na proposta de compromisso que ele próprio propusera. Reduzido a 15% dos votos expressos nas intercalares, o futuro autárquico do PSD em Lisboa é sombrio, o que é mau não só para o PSD, como para a cidade de Lisboa.

Lisboa precisa de estabilidade governativa e de uma equipa capaz, mas também precisa de oposição séria, que fiscalize a actividade do executivo e contribua para a gestão da cidade com propostas credíveis e uma estratégia para a cidade. O país precisa do mesmo. O que o PSD de Menezes conseguiu cabalmente demonstrar, em ritmo acelerado e em menos de uma semana, é que a nova liderança não está disponível para o efeito.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Dennis Ross...

...esteve ontem em Bruxelas e falou numa conferência organizada pelo think-thank The Transatlantic Institute. Dennis Ross foi o 'pai' do processo de Oslo, tendo guiado a política americana no Médio Oriente entre 1988 e 2000. A intervenção dele foi fascinante. Annapolis etc etc. Mas do que me lembro melhor é da pequena frase jocosa com que abriu a intervenção.
Citando o Duque de la Rouchefoucauld, explicou que "it suits a gentleman never to speak longer than it takes to perform the act of love."
Com este sentido de humor, pergunto-me como é que ele não conseguiu convencer árabes e israelitas a ganhar juízo.

Bom começo

A primeira medida do novo governo australiano após a tomada de posse passou pela ratificação do protocolo de Kyoto. Na próxima semana, o novo PM, Kevin Rudd, participará na conferência de Bali com quatro dos novos ministros, confirmando o empenho nas questões ambientais, já patente na orgânica do Governo, onde, para além de um ministro do Ambiente, existe ainda uma ministra reponsável pelas alterações climáticas e pelos recursos hídricos.

Irão: boas notícias (trazidas pelos amaricanos)

O novo estudo do National Intelligence Council, uma espécie de reunião plenária de todos os serviços de intelligence dos EUA, tem boas notícias (novidades) e algumas más notícias (que não são novidade).
Algumas passagens importantes - as boas notícias:
1. "We judge with high confidence that in fall 2003, Tehran halted its nuclear weapons program";
2. " we judge with high confidence that the halt... was directed primarily in response to increasing international srcutiny and pressure";
3."Tehran's decision to halt its nuclear weapons program suggests it is less determined to develop nuclear wepaons than we have been judging since 2005";
4. "Iran may be more vulnerable to influence on the issue than we judged previously";
5. "We judge with moderate confidence Iran probably would be technically capable of
producing enough HEU for a weapon sometime during the 2010-2015 time frame.
(INR judges Iran is unlikely to achieve this capability before 2013 because of
foreseeable technical and programmatic problems.) All agencies recognize the
possibility that this capability may not be attained until after 2015";
6."Our assessment that Iran halted the program in 2003 primarily in response to
international pressure indicates Tehran’s decisions are guided by a cost-benefit
approach rather than a rush to a weapon irrespective of the political, economic, and military costs.
This, in turn, suggests that some combination of threats of intensified
international scrutiny and pressures, along with opportunities for Iran to achieve its
security, prestige, and goals for regional influence in other ways, might—if perceived
by Iran’s leaders as credible—prompt Tehran to extend the current halt to its nuclear
weapons program. It is difficult to specify what such a combination might be."

Agora as más:

1. "we also assess with moderate-to-high confidence that Tehran at a minimum is keeping open the option to develop nucelar weapons";
2. "We assess with moderate confidence that convincing the Iranian leadership to forgo
the eventual development of nuclear weapons will be difficult given the linkage many
within the leadership probably see between nuclear weapons development and Iran’s
key national security and foreign policy objectives, and given Iran’s considerable
effort from at least the late 1980s to 2003 to develop such weapons. In our judgment,
only an Iranian political decision to abandon a nuclear weapons objective would
plausibly keep Iran from eventually producing nuclear weapons—and such a decision
is inherently reversible";
3."Iranian entities are continuing to develop a range of technical capabilities that could
be applied to producing nuclear weapons, if a decision is made to do so. For example,
Iran’s civilian uranium enrichment program is continuing. We also assess with high
confidence that since fall 2003, Iran has been conducting research and development
projects with commercial and conventional military applications—some of which would
also be of limited use for nuclear weapons";
4."We assess with high confidence that Iran has the scientific, technical and industrial
capacity eventually to produce nuclear weapons if it decides to do so."

Como disse, as más notícias não acrescentam nada de novo, enquanto isolam os falcões que aparentemente andam "todos os dias" a exigir que se bombardeie o Irão. Portanto, isto tudo significa que a opção militar (sempre uma má ideia) está em vias de desaparecer do mainstream do debate americano.

Isto tudo também significa que a percepção da ameaça iraniana por parte da Europa - menos urgência, utilidade do processo diplomático, exclusão da opção militar - tem sido a correcta. (É bom não comparar o ocasional discurso ameaçador de Sarkozy com uma postura americana que considera há anos a opção militar como uma "solução" a ter em conta.)

Sebastianices

Está um daquelas manhãs de nevoeiro à séria:

The Chieftains & Sinéad O'Connor - The Foggy Dew

Night of the Iguana

A ler, a crítica de Lauro António da peça A noite da Iguana, de Tenessee Williams, em cena no Maria Matos, e a comparação com o filme, um dos meus favoritos, com o gigante Richard Burton, Ava Gardner e Deborah Kerr.

Uma língua, vários registos

Para o nosso debate em torno de grafias, pronúncias e outras coisas que tais, o fantástico Eddie Izzard:

Nova estratégia

Decorridos 176 dias sem que um governo tenha saído das últimas eleições, e perante a desistência de Leterme em prosseguir como formador de coligação, o rei dos Belgas optou por uma estratégia radicalmente diferente, encarregando o primeiro-ministro em exercício, Guy Verhofstadt, de explorar estratégias para sair da crise, procurar lançar pontes para a reforma do Estado e estabelecer soluções para questões prioritárias, que ultrapassem a gestão corrente (entre as quais avulta o orçamento de 2008).
Apesar do seu famigerado voluntarismo e da sua capacidade de alcançar com habilidade comprmissos inatingíveis, o recurso a Verhofstadt acaba por ser problemático na medida em que, para todos os efeitos, perdeu as eleições de Junho. É certo que é o seu capital de estadista que surge como nova hipótese para sair da crise. Mas como sustentá-la politica e parlamentarmente - um governo de união nacional como propõem os socialistas, uma manutenção da coligação ainda no poder com uma base parlamentar alargada ou baralhar e dar de novo?

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Para o Daniel Oliveira

Para começar, obrigado por escolher a Boina Frígia para blog da semana. Li o post que escreveu a justificar/explicar a escolha do nosso humilde cantinho cibernáutico e senti-me inspirado a tentar explicar o porquê de um blog republicano décadas depois da implantação da República em Portugal e séculos depois da tomada da Bastilha.
Julgo que há duas razões principais - uma positiva, outra negativa - para realçar os valores republicanos como fonte de inspiração ética, cultural e política e para continuar a ver a "principal herança comum de todas as esquerdas: a revolução francesa" como principal fonte de inspiração.

Primeiro, e julgo que pelo menos aqui falo pelos meus co-republicanos de serviço, sentimos que em Portugal o programa da República de 1910 ainda só foi parcialmente implementado. A separação incompleta de Estado e Igreja; a cidadania anémica e cheia de vícios criados por séculos de conformismo; um sistema de educação que ainda não prepara para a modernidade, para a cidadania e para o espírito crítico; o medo da diferença directamente herdado do obscurantismo beato; a obsessão com a autoridade: estas são apenas algumas das questões para as quais a República francesa esboçou respostas e que a República de 1910 reconheceu correctamente como ameaças fundamentais. O Daniel e outros (alguns neste blog) exprimem regularmente a sua estupefacção com os debates que penosamente ainda temos que levar a cabo na blogosfera: fanatismo religioso, intolerânica em relação à diferença, medo da mudança e, acima de tudo, a mediocridade estéril e a nostalgia por um Portugal perdido que nunca existiu - de certa forma, estamos mais perto de 1910 do que de 2010: para velhas doenças, remédios antigos.

A segunda razão - como disse, negativa - para nos inspirarmos nos valores republicanos é a desilusão com a performance da esquerda no século passado. Muito se escreveu recentemente sobre a Revolução Russa, mas também sobre a tragédia do triunfo fascista em Espanha e sobre o socialismo científico que (para a maior parte de nós) morreu o mais tardar em 1989 (ou logo nos anos 20, ou no XXº Congresso do PCUS, enfim, uns levaram mais tempo do que outros). Tudo começou bem: a esquerda pós-Revolução Francesa produziu uma hoste de pensadores - Saint-Simon, Proudhon, Fourrier, mas também os hegelianos de esquerda de onde veio Marx - que identificaram perfeitamente os limites da República como narrativa emancipatória. A Revolução francesa tinha sido incapaz de atacar a questão da justiça social, e da redistribuição da riqueza: a distribuição dos meios de produção e a reorganização das relações de produção nunca foram o forte de Mirabeau et ses copains... Atenção: nunca me ocorreria fazer o disparate de culpar as Teses sobre Feuerbach pelos horrores dos gulags: este exercício muito comum entre os nossos amigos do outro lado da(s) barricada(s), para além de ser indefensável do ponto de vista da metodologia histórica, é profundamente injusto para com Marx. Do que eu sinto falta em Marx é por um lado a dimensão ética da vida política (falta Kant a Marx; felizmente a Escola de Frankfurt salvou Kant para o marxismo não-leninista do século XX!), e por outro o reconhecimento da importância das identidades e das instituições na construção de espaços políticos emancipatórias. Resumindo, o nosso amor pela República, longe de rejeitar as lições de Marx, prefere usar as que são úteis e manter uma distância céptica em relação às outras.

A leitura do Contrato Social ou da Origem das Desigualdades de Rousseau, ou dos discursos de Mirabeau e Brissot na Assembleia Nacional, ou o que Condorcet escreveu sobre os direitos políticos das mulheres, ou até momentos excepcionais da Revolução, como a meia dúzia de dias entre 4 e 11 de Agosto de 1789, em que a nação francesa, constituída em Assembleia Nacional, deita pela janela séculos (milénios?) de vetustos privilégios feudais e eclesiásticos como se de uns trapos se tratassem: que outro momento ideológico, que outra linguagem consegue servir de inspiração 250 depois de ter nascido?
Enfim, este blog e as nossas convicções de republicanismo reciclado através das experiências recentes da esquerda talvez não passem de uma espécie de back to the basics difícil de conciliar com o passar dos tempos. Uma nostalgia anacrónica, até. Também não temos respostas para o racismo, colonialismo, anti-semitismo e sexismo que distinguiram muito bom republicano em 1789, como em 1910, em Portugal, como em França.

Simplesmente continuamos a achar que a República é um ideal que continua a exigir o melhor de nós, e que ainda não foi inventado mote mais belo na sua simplicidade do que Liberdade-Igualdade-Fraternidade.


Solidariedade

Para quem advoga a flexibilização da legislação laboral, eis um exemplo do que pode ocorrer quando se deixa a faca e o queijo na mão da entidade empregadora. Na sequência da greve dos argumentistas e invocando que não há possibilidade de continuar a produzir os programas diários de entretenimento (o Tonight Show e o Late Night), a NBC comunicou aos trabalhadores que dá por terminada a relação laboral até ao final da greve.

Entretanto, revelando um fantástico exemplo de solidariedade laboral, Conan O'Brien e Jay Leno asseguraram que vão pagar os salários a todo o pessoal que trabalha nos programas respectivos até ao final da greve.

Sem comentários

Acontece aos melhores

Em cima a célebre foto em que Harry Truman, depois de saber que tinha ganho a eleição presidencial americana de 1948, empunha um exemplar do Chicago Tribune que dava a vitória ao seu adversário republicano, Thomas Dewey. Em baixo a capa do Público de hoje.

Not so expected...


Sábio povo venezuelano. E agora? O que faria Bolívar? Expulsava os espanhóis, claro.

domingo, dezembro 02, 2007

As expected...

As previsões confirmam-se e Vladimir Putin e a sua Rússia Unida arrecadam mais de 60% dos votos nas eleições hoje. Apesar do optimismo ser moderado, tudo aponta para a presença no parlamento de mais três partidos, o Partido Comunista (que ficará pelos 11%), cuja entrada na Duma era previsível, o partido Liberal Democrático (com 9,6%) e o Partido Uma Rússia Justa (com cerca de 7,7%). Ainda que não se tivesse em conta tudo o que de não democrático se tem feito a caminho destas eleições, desde logo a existência de um cláusula barreira para conversão de votos em mandatos de 7% (só batida pelos 10% turcos) é revelador da falta de pluralismo que se pretende no futuro parlamento.

Reflexões sobre a greve, ao domingo

Era bom que os sindicatos tivessem representantes menos mal-dispostos e mais capazes de fazer convencer a opinião pública de que a greve é necessária, em vez de se limitarem a reproduzir os habituais clichés.

Era bom que os sindicatos percebessem que uma greve se marca para o meio da semana, quando causa mais transtorno a patrões e trabalhadores, e não para uma sexta-feira, quando há a possibilidade de se confundir a greve com uma desculpa para começar o fim de semana mais cedo, e sempre se pode deixar trabalho adiantado de véspera.

E era bom que o Governo deixasse de disparar números e de fazer de conta que tudo não passou de uma birra de meia dúzia de funcionários rabugentos.

I'm a Queen Bee, or feminism is for pussies

Bzzzz

E o resto são pormenores.

Humanidade.