terça-feira, novembro 06, 2007

Porque é que se fica com a impressão de que isto vai correr mal ainda mais cedo do que estávamos à espera?


Menezes deu hoje uma conferência de imprensa a informar o país daquilo que o líder parlamentar vai perguntar amanhã no debate sobre o Orçamento de Estado. O primeiro-ministro agradece o conhecimento prévio das perguntas e a possibilidade de responder a fundo a todas as questões. Não estou é a ver Santana Lopes a iniciar a sua intervenção com um "o líder do meu partido pediu para lhe perguntar...."

Adenda: Na mesma linha, não perder este texto no Womenage a Trois.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Futurologia


Ir dormir logo a seguir às refeições pesadas e sem tomar Alka Seltzer dá sempre para ter pesadelos. O que era escusado era passá-lo a escrito e fingir que é uma crónica semanal num diário dito de referência. Para além disso, não vos parece estupidamente parecido na temática com esta ou com esta? Sem dúvida um Nostradamus em potência (ou, melhor ainda, um S. João de Patmos).

Mais um resgate



Primeiro Cecília, agora Nicolas, os Sarkozy estão a tornar-se numa espécie de Força Delta da diplomacia internacional, resgatando europeus das malhas dos sistemas de justiça do Norte de África.

Entretanto, do outro lado do estreito...


No momento em que os reis de Espanha se preparam para visitar Ceuta e Melilla, sob protesto formal do governo marroquino, será esta uma boa ocasião para recordar os telhados de vidro da diplomacia espanhola, perante uma situação em tudo idêntica em relação a Gibraltar? Ou vamos passar a ter a organização de manifestações e a chamada do embaixador em Londres para consultas caso a rainha de Inglaterra decida visitar Gibraltar?

Old news

A Ana Matos Pires perguntava num comentário ao meu último post se as afirmações de Arroja seriam mesmo demonstração de preconceito ou se não se trataria antes de taradice e petulância. A sequência de posts que se seguiram no Portugal Contemporâneo, onde Arroja vem "explicar e demonstrar" aquilo que andava a dizer levam-me a confirmar o que disse quanto ao preconceito (não excluindo o resto...). O parágrafo que se segue é o mais elucidativo. E mais elucidativo é o link para onde Arroja remete no final do parágrafo, o site de uma "Racial Nationalist Library" (site aqui, link sugerido aqui).
Acima de tudo, acho que o Richard Dawkins ficaria surpreendido por descobrir que faz parte (e deveria obediência) a uma cultura cristã (já antes nestes últimos posts, Arroja tivera um devaneio similar ao dizer que a totalidade dos intelectuais que frequentam a blogosfera nacional são intelectuais de cultura cristã). Mais do que qualquer outra obra, Arroja anda a precisar de ver dois ou três filmes ou ler dois ou três livros do Woody Allen (ou mais qualquer coisa do Mel Brooks) para ver "ataques aos símbolos da sua cultura" e coisas afins e perceber a dimensão das enormidades que anda a propagar.
Reitero a referência ao preconceito, portanto. A dúvida que subsiste é quanto aos disparates históricos que repete e que estão na base do preconceito. Quanto a esses a dúvida fica no ar: manipulação para servir a argumentação retorcida ou ignorância e alheamento da realidade?
Nesta fase da contenda, acho que o que já era claro é agora transparente e reiterado. Está pois na hora de deixar Pedro Arroja a destilar o seu preconceitozinho odioso sozinho (ou para quem ainda continua a fazer parte da sua claque) e deixar de lhe dar tempo de antena. Não só a corrente anti-semita que representa não é novidade, como o desassombro com que a reitera também deixou de o ser.

sábado, novembro 03, 2007

Como diz?!

Mas que mania... Já cansam as comparações, analogias, alusões metafóricas... Metam-se na vossa vida e escolham lá outra atrocidade para banalizar.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Do alto destas fraldas poucos anos te contemplam

Pedro Arroja vai continuar a insistir na sua tese do "puto" e a fazer propaganda da sua habilidade e experiência a mudar as fraldas ou vai tentar dizer alguma coisa sobre o assunto em discussão? Na sua construção hierárquica das regras do debate, a idade será seguramente um posto, pelo que o facto de ser titular de um direito fundamental à liberdade de expressão não será suficiente para me habilitar a responder às suas provocações anti-semitas. Sobre mim limita-se a saber a minha idade e para si é suficiente para desconsiderar a minha opinião ou a força dos argumentos (ou a falta dela).
Talvez seja a máxima do "respeitinho ser muito bonito" e de não poder admitir acusações de quem não preencherá os seus requisitos minímos para debater. Ou isso, ou a sua irritação resulta do facto de o seu anti-semitismo ser tão evidente que até um puto de fraldas semi-alfabetizado como eu a conseguir identificar.
Contudo, isto de manter um blog pressupõe o poder de encaixe para reagir a opiniões contrárias e a capacidade de responder ao conteúdo das mensagens dos outros. Pedro Arroja prefere a via da discussão ad hominem, seguramente porque não terá argumentos para desmentir aquilo que, para os visitantes do seu blog é por demais evidente: o seu anti-semitismo militante (que, aliás, retoma com mestria no seu post anterior, em que recupera a dimensão conspirativa da "intelectualidade judaica" e volta a repetir disparates sobre a utilidade para Israel da intervenção no Iraque ou sobre a forma como os judeus habilidosamente puseram cristãos e muçulmanos a matar-se uns aos outros).
Com excepção de alguns fiéis que visitam a caixa de comentários do seu blog, aqueles de nós que residem no planeta terra no século XXI (aqui, aqui ou aqui) não teremos dúvidas quanto ao seu preconceito.

Seu Jorge em Portugal

Quem puder, aproveite!

Life on Mars (em The Life Aquatic)

Transparência e boas práticas

O governador do Banco de Portugal veio acusar a comunicação social de voyeurismo em relação à instituição que dirige, apontando um objectivo de limitar a sua actuação e o seu dever de supervisão. Com o devido respeito pela posição assumida por Vítor Constâncio, a reacção tem um forte travo de corporativismo e a acusação que formula não parece ter fundamento.

Em primeiro lugar, as notícias recentes sobre empréstimos do Banco de Portugal a administradores têm inegável interesse público, versando a gestão de uma instituição com a sua centralidade no sistema financeiro. Trazer a público factos que devem ser públicos (não as identidades e os montantes em causa, obviamente, mas a prática de concessão de empréstimos), representa o correcto exercício da função jornalística, uma vez que estamos perante uma entidade pública, especialmente vinculada a exigências de transparência na sua gestão.

Em segundo lugar, o facto noticiado é tanto mais relevante na medida em que surge na sequência das notícias sobre o famoso empréstimo à sociedade do filho de Jardim Gonçalves, e porque permite colocar legítimas questões sobre a forma como tem sido exercidas as competências de supervisão do Banco de Portugal face ao BCP perante práticas semelhantes àquelas que existiam na própria instituição. Ao invés de condicionar, a investigação jornalística vem exigir e fiscalizar o cumprimento das obrigações de supervisão do Banco de Portugal, averiguando se estas foram ou não prosseguidas cabalmente.

Finalmente, o uso da expressão voyeurismo pressupõe a invasão de uma esfera de privacidade. Não sendo o Banco de Portugal uma entidade privada, mas antes uma instituição pública que tem de prestar contas pela sua gestão, a expressão utilizada parece ser francamente desajustada.

Provedor da Boina

O recentemente empossado "Provedor da Boina" (eu e empossado agora mesmo por mim próprio) recebeu centenas de mensagens preocupadas com a eventualidade de se estar a assistir a uma discussão na Boina com os partidários do Pedro Arroja. Eu creio que a seguinte imagem, apesar de politicamente incorrecta, ilustra bem o sentimento dos leitores preocupados sobre o tema das discussões na Internet:
Informo os nossos leitores que aquilo que o meu correligionário Pedro Alves fez ao postar sobre as abomináveis lucubrações do Pedro Arroja não deve ser confundido com o início de uma discussão mas sim, pela sua clareza absoluta e inquestionável, como a constatação simples do anti-semitismo do post e provavelmente do autor Pedro Arroja.

Como não é possível, e nem foi tentado pelos defensores do Pedro Arroja, argumentar que o post não é anti-semita e, como não existem méritos no anti-semitismo para poder sequer ser iniciada uma discussão sobre este tema, o provedor considera que não está em risco a integridade do Blog e dá por encerrado este tema.

Uma nota de louvor para os defensores do Pedro Arroja por escolherem o caminho do insulto em vez de se porem a inventar argumentos que poderiam descambar para uma discussão com argumentos (que o vosso deus nos livre!). Na dúvida, "follow the cats":

quarta-feira, outubro 31, 2007

Se foi assim, se calhar não foi tão mau...


Mel Brooks - History of the World - Part One

De novo sobre o anti-semitismo de Pedro Arroja

O meu post sobre o anti-semitismo de Pedro Arroja parece ter picado o autor e os seus fãs das caixas de comentários. Sobre mim, milhares de mimos: miúdo, anormal, extra-terrestre, maluquinho, jacobino, ignorante, cão-raivoso, e, o meu favorito, da autoria de um dos frequentadores dos comentários, a ideia de que só serviria para abate (provavelmente sou como aqueles judeus que fizeram por merecer ser expulsos deste cantinho da Ibéria). Contudo, para desmentir o anti-semitismo do autor ou para tentar apontar outra vez uma tese de eventual equívoco e de errada compreensão dos seus escritos, nem uma só palavra apareceu (o mais próximo a que se chegou foi a ideia de que o post "poderia gerar apreensões ou pedidos de explicação" - de facto, não só fiquei apreensivo, como pedi a muita gente para me explicar como é que ainda é possível que apareçam manifestações públicas de anti-semitismo como esta).
Pela leitura dos comentários que se fizeram aos posts do Portugal Contemporâneo (imagino o pobre Oliveira Martins a dar voltas no túmulo se imaginasse quem decidiu pedir emprestado o título), eu serei seguramente analfabeto, mas aparentemente ninguém me fez o favor de explicar em que é que li mal o que Pedro Arroja escreveu. O mal não estará no que foi escrito e mal compreendido: eu é que não percebo a razão que o autor tem, nem compreendo o quão indigno é acusá-lo de comportamentos odiosos. Sou mesmo acusado de tentativa de assassinato de carácter, quando manifestamente aquilo com que deparamos é com um suicídio de carácter bem sucedido por parte de Pedro Arroja.
Ao contrário do que Arroja escreveu no seu post de hoje, tenho sérias dúvidas que existam muitos netos de nazis que, seguindo a ideologia dos avós, se atrevam a publicar textos tão abertamente anti-semitas como aquele que ele deu à estampa e que tem gerado o debate. Um leitor da Bóina disse num comentário ao meu post que não devíamos dar-lhe o prazer de chocar e de provacar terceiros. Já afirmei aqui em tempos que, de facto, ignorar e não dar tempo de antena a estes fenómenos é o melhor remédio na maioria dos casos. Contudo, disse também que quando a intensidade dos barbarismos tem exposição pública e atinge proporções como as que estamos a assistir, não podemos deixar de reagir em repúdio e com veemência. Para já, mantenho a mesma linha.

Quando o estado deixa de ser de graça

Depois da contestação sindical do presente mês e da que se anuncia para Novembro (ferroviária, função pública e sector da energia), do anúncio do divórcio, da saída da entrevista ao 60 minutes (em que o pior nem foi o facto de ter abandonado a entrevista quando interrogado sobre a sua vida pessoal, mas o momento em que chama de imbecial a sua assessora de imprensa) agora surge o aumento de 140% na remuneração do Presidente da República a fazer estragos na gestão de imagem e agenda de Sarkozy. A única coisa porreira terá mesmo sido a passagem por Lisboa...

Não houve milagre...


... dois grandes de seguida era pedir demais.

Obama e as non-issues

Depois de uma atenção disparatada prestado ao facto de Obama ter aparecido sem um pin da bandeira americana na lapela do casaco (ver o vídeo de Lewis Black no Daily Show), o que eventualmente revelaria, para os comentadores hard-liners da direita republicana, uma falta de patriotismo, o candidato respondeu que estava mais interessado em explicar aos eleitores porque é que as suas propostas vão melhorar o país.
Ontem, depois de outro disparate em torno da discussão sobre se Dennis Kucinich teria ou não visto um OVNI (ou seja, se viu algo que não foi capaz de identificar, um objecto voador não identificado e não se achou que viu meios de transporte alienígena) Obama voltou a mostrar que tem noção da realidade e que não vai dar atenção à profusão de fait-divers. Ao perguntarem-lhe se acreditava na vida noutros planetas, Obama disse o seguinte: “You know, I don't know. And I don't presume to know. What I know is there is life here on Earth, and that we're not attending to life here on Earth. We're not taking care of kids who are alive and unfortunately are not getting health care, we're not taking care of senior citizens who are alive and are seeing their heating prices go up. So, as president, those are the people I will be attending to first."

Revoltante


A saída de Pedro Arroja do Blasfémias, para os que não se recordam, surgiu no contexto de comentários marcadamente anti-semitas. "Equívoco", "mal interpretado", "radicalismos do politicamente correcto" disse-se em intervenções sua defesa (que, felizmente, não foram muitas). Num post digno do boletim mensal do NSDAP, Pedro Arroja vem confirmar o que já todos sabiam, o seu gritante, inaceitável e execrável anti-semitismo. Vejamos os excertos mais significativos deste post em que a pretexto da canonização dos mártires da guerra civil pelo Vaticano aproveita para destilar o seu fel:


[...]


Em tudo o que escreveu no post, Arroja revela os clássicos elementos do anti-semitismo militante. Não é só preconceito de trazer por casa: é estruturado e ideológico. Veja-se a implícita referência conspirativa quando alude à brecha por onde os judeus procuram dividir, leia-se a tradicional fórmula da "massa do sangue". Conexo com o programa ideológico aparece o revisionismo. Em primeiro lugar, a ideia do bom acolhimento na península aparece como uma das muitas falsidades que se querem interiorizar repetindo mil vezes. A não ser, claro, que a obrigatoriedade de viver num gueto do qual não se pode sair livremente a certas horas do dia, a imposição do uso roupas distintivas e a submissão a perseguições ocasionais entre outros elementos do regime aplicável aos judeus seja uma forma de bem receber no léxico distorcido de Pedro Arroja. Nesa linha, os inquisidores seriam seguramente os mestres de cerimónias macabros deste suposto tratamento brando.

Mas o pior momento deste deplorável revisionismo é aquele em que procura determinar, sem fundamentar, sem argumentar ou sem sequer exemplificar, que a expulsão da Península ocorreu devidos aos motivos que os próprios criaram e não devido ao fanatismo dos reis Católicos e à incapacidade de D. Manuel em resistir à sua pressão. Boa gente como esta das duas casas reais ibéricas não se limita a expulsar toda uma comunidade apenas por intolerância religiosa...

Confesso que fiquei chocado. Conhecia a figura, li vários disparates prévios nesta linha e sobre temáticas e até tinha ido visitar o blogue à procura de mais qualquer coisa para me rir, na linha do que aqui escrevi a semana passada. O que acabei por encontrar choca pelo forma despudorada, provocatória e odiosa como surge. Ainda há gente desta por aí, a propagar o ódio étnico e religioso e, ao contrário do que por vezes nos dizemos a nós próprios para não nos desalentarmos, não estão todos acantonados como radicais no PNR. Tentam passar por opinion makers, por académicos respeitáveis e por comentadores legítimos, mas não verdade não passam de abjectas caricaturas recicladas de uma milenar cultura de intolerância, estando ao nível dos energúmenos que profanam cemitérios.

São, contudo, mais perigosos dos que os militante e violentamente racistas e têm de ser desmascarados, desmentidos e expostos publicamente e remetidos de volta para o caldo infecto de ideologias odiosas que representam. Depois de ler o que li no post de Arroja, aquilo que escrevi neste post sobre salvaguarda da memória torna-se ainda mais premente. E apesar de me sentir irado, espero poder canalizar o sentimento para o combate pela via da denúncia, do apelo à razão e à inclusão de todos. Liberdade, igualdade e fraternidade são uma causa permanentemente por realizar...

Talvez estejamos a abusar...

Decorre uma animada discussão na blogosfera (no resto do País nem por isso....) em torno da forma de ratificação do Tratado de Lisboa. "Tratado com ou sem referendo?", pergunta-se em tom de bitoque com ou sem ovo. Argumentos para cá, argumentos para lá (já aqui e aqui escrevi o que penso sobre o assunto, mas até aqui a Bóina é rica em opiniões), teremos de esperar até à assinatura do tratado para ver o que sucede. Mas há quem se esteja a esticar um bocadinho e comece a argumentar ao nível do Prof. César das Neves sobre o aborto. No Diário Económico de dia 29 retira-se esta pérola de João Marques de Almeida (via Sobre o Tempo que Passa e Hoje há conquilhas):
«O argumento que associa o referendo à democracia constitui uma séria ameaça aos princípios e instituições fundamentais da democracia representativa. Este ponto é claro quando se observa o recurso ao referendo por parte de ditadores. Hitler, por exemplo, era um grande adepto do referendo. Entre 1933 e 1938, o ditador nazi convocou quarto referendos. O primeiro decidiu retirar a Alemanha da Sociedade das Nações com 95% dos votos. O segundo, em 1934, reforçou os poderes de Hitler como Chanceler, com 90% dos votos. O terceiro, em 1936, confirmou a remilitarização do Reno, com 98,8% dos votos. O último ratificou a anexação da Áustria, com 99% dos votos. Conclusão: segundo aqueles que associam os referendos à democracia, a estratégia de conquista militar de Hitler foi um caso exemplar de “expansão democrática”»

Gosto muito de passagens como "Hitler era um grande adepto do referendo" (e do Clube Caçadores das Taipas também, ao que parece, mas nem sempre conseguia ir aos jogos) e "a estratégia de conquista militar de Hitler foi um caso exemplar de expansão democrática". Desde logo, sou fã incondicional da técnica argumentativa "se o Hitler fez é porque tem de ser mau". Se o senhor que escreveu as linhas transcritas não fosse membro do Gabinete do Presidente da Comissão Europeia eu quase me atreveria a dizer que isto podia ser ridículo ao ponto de ter alguma piada...

Autoridade, faltas e escola (II)


Concretamente quanto à matéria das faltas, ou melhor, do facto de constituirem fundamento directo para a reprovação, mais uma vez me parece que a onda de histerismo é despropositada. Em primeiro lugar, porque as novas regras se dirigem a um conjunto variado de realidades que vai desde as faltas por motivo de doença ao abandono escolar em sentido estrito. Em segundo lugar, porque a filosofia da nova medida passa por assegurar o acompanhamento do aluno pela Escola, evitando que esta desista de recuperar os discentes no caso de abandono (como realçou correctamente Miguel Sousa Tavares, ontem na TVI). E, finalmente, porque se introduz um mecanismo de recuperação do tempo perdido, através da possibilidade dada ao aluno de prestar uma prova em que demonstra a aquisição de conhecimentos. Ou seja, longe de ser facilitadora da passagem, a medida visa integrar o aluno, mas através da prova de que recuperou terreno face aos colegas. Nos casos mais graves, isto é, em que o período de ausência da escola é maior, maior será também a dificuldade em obter aproveitamento na prova de recuperação, o que significa que nesses casos haverá uma possibilidade de reprovação. Não há segundas oportunidades para causar uma primeira boa impressão, mas podem e devem ser dadas segundas oportunidades a quem não se quer afastar do ensino.

Autoridade, faltas e escola (I)

Há um excesso de referências à "autoridade" como componente a incutir na educação nos comentários que têm aparecido à revisão do Estatuto do Aluno. A escola é um local de transmissão de conhecimentos e de competências e de formação para a vida em sociedade e para a cidadania. Neste contexto, parece-me que a tónica correcta passa pelo transmissão das ideias de responsabilidade, de respeito pelo próximo e pelas suas liberdades e de conhecimento e interiorização das regras (jurídicas, sociais, convivenciais) que regem a vida em comunidade. É neste contexto que deve surgir a indispensável interiorização das consequências da violação das referidas regras, do desrespeito pelas liberdades e pela dignidade do outro e das pessoas dotadas de autoridade para as implementarem e assegurarem os respeito pelas regras. O professor não é em si mesmo fonte de autoridade, ele exerce-a em aplicação das normas a que a sociedade se auto-vincula através dos órgãos democraticamente eleitos e com competência para o fazer. É um aplicador das regras, um árbitro, dotado da autoridade necessária ao exercício das suas funções, não um autocrata ou tiranete numa lógica do "quem manda aqui sou eu". Se quisermos, na linha dos conceitos dos romanos, o valor a representar pelo docente e a receber pelo discente seria o da auctoritas, a personificação de determinada diginidade de quem exerce certas funções, e não o imperium, o poder, a decisão. Num Estado de Direito Democrático, o imperium não sendo privativo de ninguém e devendo ser exercido soberanamente por todos, é este o valor que se deve começar a transmitir na escola.

Novela bancária

Não querendo insistir no assunto, mas a eufemisticamente denominada "instabilidade" no BCP começa a gerar o tipo de interesse mediático a que nos temos habituado com Congressos do PSD ou com assembleias-gerais do Benfica. Daqui a nada é o "banco mais português de Portugal" e daí até à "família BCP" ou ao Eng.º Jardim Gonçalves anunciar que sai dos órgãos de gestão mas que vai "andar por aí" é só um passo suicida...

terça-feira, outubro 30, 2007

Finalmente!

Reabriu hoje, depois de muitos meses de encerramento, a ponte Eiffel, em Viana do Castelo.

Marcar passo

Através do Renas e Veados, esta notícia sobre a Suécia:

"Uma larga maioria dos delegados presentes na convenção do Partido Moderado da Suécia (centro-direita) aprovou uma moção a favor da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo no país escandinavo. Também votaram favoravelmente o direito às lésbicas recorrerem à inseminação artificial em hospitais públicos e à possibilidade dos casais homossexuais adoptarem crianças.Isto significa que 3 dos 4 partidos que formam a coligação governamental, incluindo o do Primeiro-Ministro (moderado) estão a favor da medida, tal como toda a oposição. Notar que o Partido Moderado se senta em Bruxelas ao lado do CDS e do PSD! Sobram então os cristãos-democratas, contra o casamento, mas que à partida não serão grande estorvo, a aprovação é mesmo uma questão de tempo. Falta apenas saber se a vizinha Noruega conseguirá ser mais rápida."
Por cá continuamos a marcar passo. Pode ser que do Tribunal Constitucional venham boas novas, seguindo o exemplo da África do Sul (elementos detalhados sobre o recurso apresentado aqui). Vamos aguardando...

Não esquecer (II)

A Câmara da capital vai discutir na próxima reunião do executivo a edificação, no Largo de São Domingos, ao Rossio, de um memorial às vítimas do pogrom de 1506. Uma proposta conjunta dos vereadores do PS, BE e de Helena Roseta, a iniciativa visará recordar as vítimas da intolerância, discriminação e violência. Recordo-me de ter participado na vígilia realizada precisamente naquele local há cerca de um ano e meio, no dia em que se assinalaram os 500 anos do massacre. Recordo também o aparecimento de meia dúzia de skin-heads a gritar "Juden Raus", a fazer a saudação nazi e a queixar-se da conspiração zionista internacional. A PSP estava no local e aquelas tristes figuras não fizeram mais do que reforçar o ânimo de quem se tinha deslocado ao local. Pouco representativos e não conformes ao espírito de tolerância do povo português poderia dizer-se, como se dissse recentemente depois da vandalização do cemitério judaico. Contudo, esse conforto não chega, é necessário exorcizar pública e simbolicamente o veneno que representa aquela visão de ódio e intolerância. Na sequência do ataque de há um mês, as autoridades públicas responderam ao mais alto nível, conforme aqui indicámos. Na próxima quarta-feira, espero que a CML se lhes junte, evocando a memória dos que perderam a vida e reavivando os valores que devem guiar a nossa sociedade livre e inclusiva.

Não esquecer

Assinalou-se ontem a passagem dão 71.º aniversário do desembarque dos primeiros prisioneiros internados no campo de concentração do Tarrafal. A homenagem aos que aí perderam a vida e aos que aí foram privados da liberdade passa pela salvaguarda da memória do seu sacrifício. Apesar das exigências de reposição de justiça sejam menores do que em Espanha, legislação sobre a preservação da resistência ao Estado Novo é necessária e urgente se não quiseremos continuar a ver o desaparecimento de locais essenciais para a compreensão da nossa história contemporânea e para a transmissão dos valores da democracia e da República.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Como é que se diz Prós e Contras em castelhano?

Alguns dos principais responsáveis dos dois bancos envolvidos numa potencial operação de fusão destinada a criar uma instituição bancária nacional capaz de competir no plano ibérico estão mesmo num canal público de televisão a discutir os detalhes do assunto? Se este é o bom senso da banca portuguesa, ficamos todos a pensar se não seria preferível que aparecesse a tal OPA estrangeira. Rapidamente....

Ideias para a reforma do Conselho de Estado

A eventual entrada de Luís Filipe Menezes no Conselho de Estado está a fazer correr rios de tinta (aqui, aqui ou aqui) que francamente não se justificam. Juridicamente a questão é cristalina: Menezes não consta da lista de eleitos pela Assembleia da República, pelo que só se esgotando todas as possibilidades de substituição é que poderia haver lugar a nova eleição (algo que, curiosamente, o actual Estatuto dos Membros do Conselho de Estado não só não prevê, como exclui à partida, mas que seria a única solução conforme à Constituição). O problema principal reside na prática adoptada em 2005 de apenas submeter uma lista de consenso a votação parlamentar. Havendo uma só lista, as substitutições deveriam seguir a ordem nela prevista, o que desde logo colocaria um problema (que parece estar a ser diplomaticamente evitado), visto que o primeiro substituto na lista seria Gomes Canotilho e não António Capucho. No entanto, parece ter prevalecido o entendimento de que se deve respeitar a indicação de cada partido, não alterando a relação de forças existente. Assim sendo, ficamo-nos com o problema decorrente da vontade de Menezes ocupar o lugar deixado vago por Marques Mendes.

Vir invocar a tese da representatividade dos partidos no Conselho traz à colação a opção de Cavaco Silva em não designar para o Conselho os líderes do PCP ou do CDS, cortando com a prática inaugurada por Sampaio, destinada a alargar a representatividade do órgão. Se no caso do CDS a questão ainda fica relativamente sanada devido à presença de Anacoreta Correia, o PCP fica privado de acesso a um órgão que praticamente sempre vinha integrando desde a sua criação (primeiro por eleição, quando reunia o número de deputados suficiente, com um hiato entre 92 e 96, e depois através da referida opção de Sampaio). Apesar de, podendo, não ter contribuido para aumentar o pluralismo do órgão, a decisão do Presidente não deixa de ser legítima (e não difere de semelhante atitude de Soares durante os seus mandatos), não residindo aí o busílis da questão. Note-se ainda, que nem sempre esteve assegurada a presença do líder do maior partido da oposição no Conselho de Estado: nem Marcelo, nem Durão Barroso foram membros enquanto lideraram o PSD, nem José Sócrates ascendeu ao Conselho quando foi eleito secretário-geral do PS.
O que a polémica em torno da subsituição de Marques Mendes no Conselho de Estado revela é que é verdadeiramente tempo de pensar seriamente numa revisão da composição do órgão de aconselhamento do Presidente da República, de forma a assegurar o pluralismo da sua composição e, já agora, introduzir alguns elementos de representação institucional em falta. A Constituição prevê a representação proporcional para os membros eleitos pela Assembleia, contudo, uma vez que o Conselho de Estado não desempenha quaisquer funções deliberativas vinculativas, parece-me bem mais relevante garantir o pluralismo de opiniões nas funções de aconselhamento do Chefe de Estado do que o equilíbrio de forças políticas.
Assim sendo, preferiria um órgão em que estão presentes os líderes de todos os partidos com representação parlamentar (restrita aqueles que constituissem grupo parlamentar, por hipótese), reconhecendo o papel dos partidos políticos no sistema e a opção eleitoral dos Portugueses. Apesar de poder inflacionar o número de membros do órgão, admito que se poderia manter a eleição de alguns membros do Conselho (três?) pela Assembleia da República. No plano institucional, uma reforma poderia passar pela abertura do Conselho aos presidentes do STJ e do STA e ao Procurador-Geral da República, uma vez que se afigura igualmente desejável, alargar a representatividade do órgão à magistratura judicial e do Ministério Público.

Aqui ficam, pois, meia dúzia de tópicos para uma revisão constitucional (não se entusiasme muito o Dr. Menezes, porque para isto baste fazer uma revisão...)

Efeito K

Os resultados preliminares confirmam a vitória de Cristina Kirchner nas presidenciais argentinas, sem necessidade de segunda volta. Marcado por grande apatia eleitoral, devida em grande parte à quase certa vitória de Cristina na primeira volta e por alguma desorganização do processo eleitoral, o resultado passa ainda pelo reforço da maioria peronista no Senado e pela conquista de maioria absoluta no congresso dos deputados.
A sucessão ao marido, revela a provável génese de uma nova dinastia eleitoral, apostando vários analistas numa nova troca em 2011, com Nestor a suceder a Cristina. A nova presidente será a segunda mulher a ascender à Chefia do Estado, depois de Isabel Perón vice-presidente do seu marido, Juan Péron, lhe ter sucedido quando este morreu. As semelhanças ficam-se por aí: esta sucessão é por via eleitoral e Cristina, já senadora, tem um papel político central que a viúva de Péron nunca almejou. No entanto, a linha política do casal é justicialista (tudo e nada, portanto...) e o espectro de Evita pairou sobre a campanha, o que me permite formular as reservas habituais a este modelo de populismo...

A curisosidade final a apontar respeita ao sistema eleitoral argentino, que dispensa a segunda volta se o candidato colocado em primeiro lugar obtiver mais de 45 % dos votos ou se alcançar os 40% e tiver obtido uma diferença de mais de 10% face ao segundo colocado. Segundo indicam as mais recentes projecções, Cristina Kirchner terá cerca de 43% dos votos enquanto a provável segunda colocada, Elisa Carrió, está na casa dos 23% e Roberto Lavagna, o terceiro, tem cerca de 18%. Ou seja, os dois candidatos mais votados a seguir à vencedora quase igualam o seu resultado. Tendo em conta que Nestor Kirchner foi eleito com pouco mais de 20% dos votos depois da desistência de Meném, este resultado vem finalmente legitimar eleitoralmente a linha política do actual presidente, cujo rumo será mantido pela nova presidente. Mas para quem está habituado ao escrutínio maioritário clássico, fica no ar a questão sobre quais se seriam os resultados se houvesse segunda volta...

quinta-feira, outubro 25, 2007

Gould

Seguindo uma linha recente do Jansenista:
Glenn Gould - J.S. Bach, Goldberg Variations 1-7

Risota, gargalhada, rir a bom rir, rir até não poder mais, galhofa e até alguma folgança

Pedro Arroja, no Portugal Contemporâneo:

e ainda...
Parabéns pela menorização simultânea de homens e mulheres: elas, coitadas, são frágeis e precisam de protecção do homem; eles, inúteis, não servem para cuidar dos filhos. Com o devido respeito, mas se alguém, mulher ou homem, me disser que não sirvo para cuidar de filhos apenas com base nos meus cromossomas, podem ter a certeza que não me vou inibir de oferecer uma provocaçãozita qualquer em troca... Mas como não sou católico, não sei seguramente o que é isso de cavalheirismo.

Igualdade de tratamento


O governo decidiu, com toda a razão, suprimir o subsídio que a Universidade Católica Portuguesa recebia há vários anos, sem qualquer fundamento atendível. Durante anos, enquanto as verbas da Acção Social Escolar para o ensino público não recebiam os reforços de que careciam, enquanto as universidades públicas se debatiam com dificuldades orçamentais e com a necessidade de encetarem contenções de despesas que dificultavam a sua modernização e colocavam em risco o seu funcionamento, a UCP, universidade privada, recebia regularmente apoio estatal, não obstante a sua manifesta auto-suficiência financeira, os avultados investimentos em equipamentos e instalações e os diversos projectos de expansão que ia desenvolvendo. Nenhuma outra universidade privada gozava de idêntico tratamento.

Apesar de diversas construções ensaiadas para sustentar que a UCP não é uma universidade privada como as demais, recorrendo a ficcções ardilosas como a de que se trataria de uma universidade "pública não estatal" ou de que estaríamos perante "ensino concordatário" (uma quarta espécie de propriedade para além da pública, privada e cooperativa, aparentemente desconhecida da Constituição da República Portuguesa), a realidade tem contornos bem definidos e a UCP é a uma universidade privada como as outras.

Mais do que aplaudir, temos de apontar o caminho e indicar o próximo passo no caminho para a igualdade de tratamento, o da saída da UCP do Conselho de Reitores das Universidade Portuguesas, órgão de representação de universidades públicas, no qual não faz sentido a sua presença. Assim o exigem o respeito pela delimitação dos sectores da economia, as regras de funcionamento do ensino superior e a garantia de igualdade de tratamento com as demais universidade privadas que não beneficiam daquele tratamento.

O espírito certo

Gosto cada vez mais do Celtic e dos seus adeptos, que nos voltaram a visitar em números impressionantes. Fair-play no campo, um ambiente incomparável nas bancadas, confraternização com o adversário, dedicação ao clube, sem violência, nem fanatismo. Praticamente tudo o que o desporto consegue gerar de positivo. É daqueles casos em que o lugar comum do "desculpem lá termos ficado com os 3 pontos, mas não podemos ganhar ambos" até faz mesmo sentido.

Casticismologia

Um jogo de futebol em Portugal deve ser dos poucos sítios do mundo em que se ouve dizer de um jogador que "parece uma carraça, não o larga", tratando-se obviamente de um elogio.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Games

Isto é só impressão minha, o ou sr. Erdogan está a conseguir quase tudo o quer com uma habilidade política, militar e diplomática que há muito não se observava por aquela parte do globo? Não só proclama os seus pergaminhos nacionalistas para consumo interno, popularizando-se junto do exército, que aproveita para moralizar, como ainda faz uma demonstração de força sem provavelmente ter uma séria intenção de a utilizar efectivamente, forçando o PKK à moderação e fazendo com que americanos e iraquianos comecem a interiorizar que a autonomia ampla do Curdistão iraquiano não pode ser gerida à custa daquilo que ele identifica como sendo os interesses da Turquia. Obviamente, se este for o plano, trata-se de uma estratégia que poderá correr francamente mal. Tendo em conta o estado da região, esperemos que assim não seja.

Onde está a Bélgica?

Apesar de já estar há 136 dias sem conseguir formar governo, a Bélgica desapareceu das notícias, tão rotineira e pouco interessante se tornou a sua crise política. Ainda para mais, agora que se fechou finalmente o tratado reformador, só a ideia de ter de voltar a dividir votos no Conselho e lugares no Parlamento vai definitivamente arrumar as veleidades secessionistas de quem quer que seja. Cá para mim isto está a demorar tanto tempo porque o sr. Leterme está a ver se aprende a cantar o hino para tomada de posse.

terça-feira, outubro 23, 2007

Beekeeping

Coisas a fazer para não dar azar ao Tratado de Lisboa

Não deixar que seja assinado por Santana Lopes, como o último.
Não voltar a deixar que Giscard d'Estaing fique encarregado das relações públicas.
Não traduzi-lo para inglês, nem publicá-lo no Reino Unido.
Não tentar explicar porque é que não se vai referendar.
Não começar a organizar conferências ou seminários, nem a escrever teses de mestrado ou doutoramento, nem a publicar versões anotadas do tratado antes de se ter a certeza de que entra em vigor.
Não desmarcar os hotéis já reservados para as próximas presidências rotativas.
Não recorrer já ao jogo das cadeiras para ver quais são os primeiros comissários a ficar sem assento.

Amen to that

Ao fim de alguns meses de ausência pensei que ainda demoraria a ganhar ritmo e energia para voltar à Boina. Mas depois do quinto milagre de Fátima no Domingo no Restelo, sentia-se a anunciação de mais uma Epístola de São João César das Neves aos Lusitanos e a minha esperança aumentou. Ao abrir o DN de ontem a minha motivação como que miraculosamente surgiu...

Começando pela ideia de que o rastreio pré-natal quase só serve para "suscitar a morte de crianças saudáveis" devido à existência de muitos falsos positivos e que no fundo não passa de um incentivo ao aborto, passando à (previsível) crítica aos malvados procurador e Ministro da Saúde que querem (pasme-se) que a Ordem dos Médicos não puna disciplinarmente a prática de um acto lícito, JCN está em grande forma (muito ginásio, muita corrida à volta da Igreja da Santíssima Trindade e muito lançamento de cilício, está-se a ver). A coroa de glória é a comparação da situação actual do aborto aos horrores do nazismo. Reparem:


Para finalizar, fica a crítica literária: não perca o volume "Ao Gólgota! - A Liberalização do Aborto e o Nazismo" da Editora Crucifixus, do Padre Serras Pereira. Sim, esse mesmo, o que acusou a APF de assassínio em série, que afirmou que o aborto é um crime pior que a pedofilia, que publicou um anúncio em que afirmava ir recusar a comunhão a quem recorresse à contracepção e que afirmou repetidas vezes que a homossexualidade é uma doença. Um moderado, portanto. Uma obra a não perder.

PS: Já agora senhor Professor, o parecer é do Conselho Consultivo da PGR, não do Procurador. Trata-se portanto de todo um círculo satânico e não de um mero agente solitário do mafarrico.

Goodbye, farewell, Aufwiedersehen, adieu...



Parece que muito bravado que só se salda num advogado-geral e numa promoção de Ioanina de declaração a protocolo não chegou para dar a volta. Para este amigo, Lisboa não terá sido assim tão porreiro, pá...

Voltei...


... mas se calhar não me fui verdadeiramente embora.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Retiro...

... as duas últimas frases deste post. Já não estou triste.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Kundalini and other misdemeanours


Vão ler o Pêndulo de Foucault de Umberto Eco. Está lá tudo explicado. Lixaram os Templários para lhes sacarem as propriedades e o dinheiro. Acusações de homossexualidade esotérica, tortura, gente queimada viva, valia tudo em nome do combate à "heresia", comandado pelo Papa Clemente V.
Já o Papa Bento XVI, na famosa intervenção de Setembro de 2006 em Regensburg quis-nos convencer (citando o imperador bizantino Manuel II), que o reconhecimento da incompatibilidade da violência e da fé é uma das imagens de marca do Cristianismo, juntamente com a importância da Razão herdada do helenismo (o logos). Ao contrário do Islão, claro. "Porque o Muçulmano é um tipo que etc"

Perante histórias como a do fim violento dos Templários, é caso para dizer: ó Bento, se vivesses há uns séculos, acusavam-te de heresia!

Negacionistas assumidos


Folclore. Já passaram 97 anos. Relaxem. Encostem-se para trás e respirem a liberdade. E por amor da Razão, parem de comparar a República portuguesa com a monarquia espanhola. É muito mais útil comparar a República portuguesa com a monarquia portuguesa (ou a "piolheira", como lhe chamava el-Rei D. Carlos, o Roliço).

Série Heróis esquecidos da Revolução Francesa III



Marquis de Condorcet (1743-1794), filósofo e matemático, adepto da República muito antes da 'fuga para Varennes', defensor do sufrágio feminino e dos direitos políticos das mulheres - a data da morte (Março de 1794) não engana: mais um espírito livre eliminado pelos jacobinos

Parabéns República!











quarta-feira, outubro 03, 2007

"Um acto de defesa do meu cavalo..."

Raras vezes se vê a estupidez encarnada de forma mais límpida numa série de imagens e declarações, como aqui.

A história é assim: um cidadão decidiu montar a cavalo e fazer cóçegas na cabeça de um touro selvagem. O touro decidiu exprimir o seu desagrado com a carícia despejando toda a sua amargura num anónimo cavalo. Mas o cavalo, que é uma besta - como se diz na gíria zoológica - "grande e forte", retirou-se incólume. Já o cidadão de que falávamos achou por bem "defender" o cavalo por via de um diálogo robusto com dito touro. O touro chegou-lhe forte e feio. Parabéns ó touro!

Eu sou grande adepto dos direitos dos animais, na medida em que estes são criações humanas que revelam um estado avançado de consciência da responsabilidade do ser humano para com o mundo que o rodeia. Uma sociedade que tortura animais é uma sociedade doente. Por mim as touradas acabavam amanhã.

Só há uma ressalva a fazer: sem touradas não nos podíamos deliciar com estas demonstrações regulares de boçalidade trauliteira por parte de uns sujeitos que ganham a vida a espetar ferros em animais que nunca lhes fizeram mal nenhum.

terça-feira, outubro 02, 2007

Fachos e surpresas

Andam aí. Dizem-me que são poucos e que "não reflectem o sentimento geral da sociedade portuguesa." Assim fico mais descansado. Também "não somos um povo racista" e "a homofobia é muito exagerada pelo lóbi gay". Resumindo, somos uma espécie de versão ibérica da Noruega. Que bom.
Eu mesmo assim prefiro ficar de olhos neles, mesmo se forem poucos.
A propósito de desilusões, não vi mais ninguém a repetir este exercício.
Estou triste.

sábado, setembro 29, 2007

Série Heróis esquecidos da Revolução Francesa II (a Heroína)


Olympe de Gouges (1748-1793), autora da Déclaration des droits de la femme et de la citoyenne, feminista avant la lettre, também adepta da Gironda, outra vítima do fanatismo jacobino

Série Heróis esquecidos da Revolução Francesa I

Jacques Pierre Brissot (1754-1793), líder dos Girondistas, inimigos figadais dos jacobinos

Give'em Hill!

Não sei se sabem, mas o Bill Clinton é o maior. Fica aqui uma entrevista notável. A minha passagem preferida:

Jon Stewart: "Se a Hillary for eleita, você vai-lhe dar muitos conselhos?"
Bill Clinton: "Eu cá ajudo no que for preciso e quando me pedirem para ajudar."

Bem sei que não é particularmente espectacular, mas a modéstia do homem a mim impressiona-me. Gosto muito do Obama e do Edwards. Acho que os Democratas estão a rebentar pelas costuras com talento.
Mas a experiência da Hillary vai ser determinante. Parece-me também que a importância simbólica de colocar uma mulher na Casa Branca é capital. O nosso blog não tem posição oficial, mas cá fica, com toda a modéstia, a minha.
Hillary para Presidente dos Estados Unidos da América! (E Obama para Vice!)

Uma personalidade de estatura internacional

De tanta porcaria que fez, foi logo o único assomo de decência que Santana Lopes teve que a website BBC World registou. Enfim, ele merece, que se portou bem. Só imagino os leitores paquistaneses, malaios, chilenos e canadianos da BBC a pensar assim "é pá, aquele país está cheio de gente corajosa, sim senhor"...

quarta-feira, setembro 26, 2007

Um pândego, este Ahmadinejad

Não há homossexuais no Irão. O programa nuclear iraniano é para fins pacíficos. E o holocausto não está provado cientificamente (mas não deixa de ser uma teoria interessante).
Como é que se diz "o que tu queres sei eu" em persa?

sexta-feira, setembro 21, 2007

terça-feira, setembro 18, 2007

Partidas marotas


Estive em Viena recentemente. Fui visitar o palácio de Belvedere e jardins adjacentes. Uma das ruas que flanqueia o palácio chama-se Prinz Eugen-Strasse. Até aqui tudo bem. Mas não é que puseram a embaixada turca nessa rua (é o número 40, by the way)...

quinta-feira, setembro 13, 2007

Novo lema nacional


Vencer ou morrerVencer ou esmurrar

Não precisamos de ser pressionados...


... damos graxa por iniciativa própria.

quarta-feira, setembro 12, 2007

O que é isto?!

Este senhor de branco, quem será? E o PM, estará a benzer-se, ou estará a levar a mão à cabeça e a pensar "iiiih, esqueci-me de mandar uma sms ao rabino e ao imã com a morada desta terreola; os gajos vão ficar lixados; e o Oppenheimer do Bóina Frígia também."
Pois fico, senhor PM, pois fico.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Licantropia


Já me enjoa um bocado tanta bajulação e engraxação à volta da selecção nacional de futebol. Graças aos bons resultados e àquele apresentador puxa-saco da RTP que faz programas de trivialidades ao Domingo à tarde e manifestos televisivos de propaganda nacionalista pífia, graças também à personalidade do sargentão, arvorado em comandante das tropas e ideólogo do nacionalismo dos outros, que os jogos da selecção dexaram de ter aquele encantador apelativo de sofrimento e sacrifício que era recompensava com uma vitória no jogo qualquer adepto fiel e leal como eu. Só visto. Agora que temos de nos resignar a uma selecção pop, custa mais torcer e sofrer depois de anestesiados com toda a espécie de programas televisivos de antecipação do jogo, de passatempos para ganhar uma camisola, de entrevistas aos jogadores em que a triteza confrangedora de quem não tem nada para dizer é espremida à exaustão para uns largos minutos de televisão sem qualquer substância mas com muita audiência. Onde estão os tempos maravilhosos do Euro 2000, em que a paixão era genuína? Ainda tivemos os bons resultados e as exibições. Agora, que temos de puxar novamente da calculadora para fazer contas ao apuramento, ficamo-nos com a bajulação. Saímos a perder. Só o Benfica ainda é o que era.
De maneira que eu, sem deixar de ser fiel ao beautiful game, vou dar-me descanso dele por uns tempos e deixar que a minha ansiedade se ocupe antes da selecção de râguebi. Os Lobos conseguiram o apuramento para um mundial em França quando o futebol não foi competente para fazer o mesmo em 1998. A emigração está contente lá, e isso é bonito. É certo que esta selecção de râguebi representa pouco mais do que a classe beta do eixo Lisboa-Paço d'Arcos-Cascais; é certo que isto é gente que se apresenta com dois apelidos, cheios de pedigree, a seguir ao nome; é certo que são primos de José Manuel Durão Barroso. Mas também é verdade que: 1) o râguebi é uma modalidade lindíssima e relativamente preservada de todas as manhas que desvirtuam a verdade desportiva; 2) se é para a matemática, que sejam contas simples de fazer, do tipo «perder por menos de 100 pontos contra a Nova Zelândia»; 3) os rapazes esmifraram-se até às últimas para lá estar, mostrando que, ao contrário do que é habitual, exemplos de trabalho, sacrifício e abnegação também podem vir das classes altas O mundo anda virado ao contrário. Eu, enquanto plebeu, congratulo-me por isso.
Por outro lado, é importante protestar: a Sporttv açambarcou a competição para o lucro do pay-per-view. Foram tomadas medidas para impor que os jogos das equipas nacionais em competições internacionais fossem transmitidas em sinal aberto, como sucede com o mundial e o europeu de futebol e com a Liga dos Campeões e a Taça UEFA. Por que razão o mesmo não se estendeu ao mundial de râguebi? Encaminhem o vosso protesto para aqui: info@erc.pt.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Cada continente tem o seu Bush...

... a nós calhou-nos a direita polaca. E se 2008 fosse o ano da despedida para os Bushies e para os gémeos Kaczynski? Isso é que era folgar! Do Cabo da Roca aos Urais!