quinta-feira, novembro 08, 2007

Revolução na primeira pessoa


Reds, de Warren Beatty (1981)

Mais do que um biopic de Jack Reed ou a adaptação da sua obra emblemática, Os dez dias que abalaram o mundo, o filme de Warren Beatty representa um marco cinematográfico de primeira qualidade, repleto de "monstros" do cinema (Diane Keaton, Jack Nicholson, Maureen Stapleton, Paul Sorvino), oferecendo uma reconstituição histórica da Revolução de Outurbro ao nível de David Lean no Dr. Jivago, expondo as esperanças e desilusões daqueles que tiveram lugares de primeira fila em Petrogrado e Moscovo e contando a história esquecida do movimento operário nos Estados Unidos.

Outubro em Novembro



A ler: Os posts de Daniel Oliveira sobre o aniversário da Revolução de Outubro, com particular destaque para este.

terça-feira, novembro 06, 2007

E de seguida, a tomada do Palácio de Inverno... desculpem..., de S. Bento, assim é que é...

Segundo o texto de Miguel Urbano Rodrigues que se segue (via Água Lisa), a revolução não tardará. Provavelmente, estando cada vez mais perto o aniversário da Revolução de Outurbo, a vontade de fazer uma reconstituição histórica começa a ultrapassar a realidade...

"Os trabalhadores e a CGTP cumpriram exemplarmente o seu dever na jornada do dia 18. Nestes dias em que a burguesia insiste no desaparecimento da luta de classes, a classe operária portuguesa ofereceu-lhe um desmentido categórico no Parque das Nações. Em Portugal existe um forte partido marxista-leninista com um programa que aponta o socialismo como objectivo. É outro factor positivo porque sem vanguarda revolucionária organizada, a classe dominante não será derrotada por acções espontaneistas, por mais participadas que sejam.Estamos longe, muito longe de uma dualidade de poderes. Mas os de cima não vão poder por muito tempo governar como querem.O governo desta ditadura socratiana da burguesia, com máscara democrática, está progressivamente a desenvolver, na dialéctica do processo, uma política em que despontam já matizes neofascistas.O povo português – repito – está em condições de se assumir em sujeito, como aconteceu em grandes momentos da sua história, e de travar a escalada reaccionária, derrotando o projecto monstruoso em desenvolvimento."

No caminho certo



A concretizar-se esta alteração do Código Penal turco, que acabará com as restrições à liberdade de expressão no que respeita às instituições e à identidade nacional, será um dos maiores passos dados pela Turquia a caminho da União Europeia. Ainda haverá muito por fazer, mas no departamento do direitos fundamentais representará um progresso significativo e uma passo inequívoco para o cumprir os critérios de Copenhaga.

149.º dia sem novo governo


Muitos parabéns por terem quebrado o recorde, mas importam-se de arranjar um Governo? Nós, os restantes europeus, estamos a ficar um bocadinho apreensivos...
Aparentemente, o espinho continua a ser a divisão do círculo eleitoral de Bruxelas-Hal-Vilvorde, reclamada pelos partidos flamengos da coligação conservadora-liberal (CD&V/N-VA et Open VLD), mas que tem merecido a resistência dos partidos francófonos (MR e CDH).

Billary

A clara vantagem que Hillary leva para as primárias democratas será difícil de ultrapassar, ainda que a época eleitoral ainda nem sequer tenha aberto formalmente. Consequentemente, as coisas começam a endurecer no campo democrata e um tema que apareceu timidamente pela primeira vez é o de uma possível influência tutelar de Bill Clinton nas sombras de uma presidência da mulher (neste sentido, vejam-se as declarações de Joe Biden sobre o seu desinteresse em ser vice-presidente de Hillary face à personalidade e ao papel que estaria reservado ao First Gentleman - ou como próprio Clinton gosta de dizer, First Lad). Subrepticiamente, é o género a começar a aparecer nas presidenciais americanas, podendo a via argumentativa agora aberta encaminhar-se no sentido de por em causa a autonomia política de Hillary, pintando-a como fachada para um regresso indirecto do marido. No caso de Hillary, esta linha de argumentação menorizadora é claramente reforçada pelo facto do marido ter sido anterior ocupante da Sala Oval e de ser uma figura tudo menos apagada e de segunda linha (não se ouviu nada parecido sobre Dennis Thatcher....).
Estrategicamente, não será seguramente uma jogada muito bem pensada - não só a independência política da candidata já tem pergaminhos antigos, como a associação ao próprio Bill Clinton depois dos oito anos de Bush não são propriamente um espinho na campanha da senadora de Nova York. Ficaremos por aqui, ou a parada ainda subirá?

Porque é que se fica com a impressão de que isto vai correr mal ainda mais cedo do que estávamos à espera?


Menezes deu hoje uma conferência de imprensa a informar o país daquilo que o líder parlamentar vai perguntar amanhã no debate sobre o Orçamento de Estado. O primeiro-ministro agradece o conhecimento prévio das perguntas e a possibilidade de responder a fundo a todas as questões. Não estou é a ver Santana Lopes a iniciar a sua intervenção com um "o líder do meu partido pediu para lhe perguntar...."

Adenda: Na mesma linha, não perder este texto no Womenage a Trois.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Futurologia


Ir dormir logo a seguir às refeições pesadas e sem tomar Alka Seltzer dá sempre para ter pesadelos. O que era escusado era passá-lo a escrito e fingir que é uma crónica semanal num diário dito de referência. Para além disso, não vos parece estupidamente parecido na temática com esta ou com esta? Sem dúvida um Nostradamus em potência (ou, melhor ainda, um S. João de Patmos).

Mais um resgate



Primeiro Cecília, agora Nicolas, os Sarkozy estão a tornar-se numa espécie de Força Delta da diplomacia internacional, resgatando europeus das malhas dos sistemas de justiça do Norte de África.

Entretanto, do outro lado do estreito...


No momento em que os reis de Espanha se preparam para visitar Ceuta e Melilla, sob protesto formal do governo marroquino, será esta uma boa ocasião para recordar os telhados de vidro da diplomacia espanhola, perante uma situação em tudo idêntica em relação a Gibraltar? Ou vamos passar a ter a organização de manifestações e a chamada do embaixador em Londres para consultas caso a rainha de Inglaterra decida visitar Gibraltar?

Old news

A Ana Matos Pires perguntava num comentário ao meu último post se as afirmações de Arroja seriam mesmo demonstração de preconceito ou se não se trataria antes de taradice e petulância. A sequência de posts que se seguiram no Portugal Contemporâneo, onde Arroja vem "explicar e demonstrar" aquilo que andava a dizer levam-me a confirmar o que disse quanto ao preconceito (não excluindo o resto...). O parágrafo que se segue é o mais elucidativo. E mais elucidativo é o link para onde Arroja remete no final do parágrafo, o site de uma "Racial Nationalist Library" (site aqui, link sugerido aqui).
Acima de tudo, acho que o Richard Dawkins ficaria surpreendido por descobrir que faz parte (e deveria obediência) a uma cultura cristã (já antes nestes últimos posts, Arroja tivera um devaneio similar ao dizer que a totalidade dos intelectuais que frequentam a blogosfera nacional são intelectuais de cultura cristã). Mais do que qualquer outra obra, Arroja anda a precisar de ver dois ou três filmes ou ler dois ou três livros do Woody Allen (ou mais qualquer coisa do Mel Brooks) para ver "ataques aos símbolos da sua cultura" e coisas afins e perceber a dimensão das enormidades que anda a propagar.
Reitero a referência ao preconceito, portanto. A dúvida que subsiste é quanto aos disparates históricos que repete e que estão na base do preconceito. Quanto a esses a dúvida fica no ar: manipulação para servir a argumentação retorcida ou ignorância e alheamento da realidade?
Nesta fase da contenda, acho que o que já era claro é agora transparente e reiterado. Está pois na hora de deixar Pedro Arroja a destilar o seu preconceitozinho odioso sozinho (ou para quem ainda continua a fazer parte da sua claque) e deixar de lhe dar tempo de antena. Não só a corrente anti-semita que representa não é novidade, como o desassombro com que a reitera também deixou de o ser.

sábado, novembro 03, 2007

Como diz?!

Mas que mania... Já cansam as comparações, analogias, alusões metafóricas... Metam-se na vossa vida e escolham lá outra atrocidade para banalizar.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Do alto destas fraldas poucos anos te contemplam

Pedro Arroja vai continuar a insistir na sua tese do "puto" e a fazer propaganda da sua habilidade e experiência a mudar as fraldas ou vai tentar dizer alguma coisa sobre o assunto em discussão? Na sua construção hierárquica das regras do debate, a idade será seguramente um posto, pelo que o facto de ser titular de um direito fundamental à liberdade de expressão não será suficiente para me habilitar a responder às suas provocações anti-semitas. Sobre mim limita-se a saber a minha idade e para si é suficiente para desconsiderar a minha opinião ou a força dos argumentos (ou a falta dela).
Talvez seja a máxima do "respeitinho ser muito bonito" e de não poder admitir acusações de quem não preencherá os seus requisitos minímos para debater. Ou isso, ou a sua irritação resulta do facto de o seu anti-semitismo ser tão evidente que até um puto de fraldas semi-alfabetizado como eu a conseguir identificar.
Contudo, isto de manter um blog pressupõe o poder de encaixe para reagir a opiniões contrárias e a capacidade de responder ao conteúdo das mensagens dos outros. Pedro Arroja prefere a via da discussão ad hominem, seguramente porque não terá argumentos para desmentir aquilo que, para os visitantes do seu blog é por demais evidente: o seu anti-semitismo militante (que, aliás, retoma com mestria no seu post anterior, em que recupera a dimensão conspirativa da "intelectualidade judaica" e volta a repetir disparates sobre a utilidade para Israel da intervenção no Iraque ou sobre a forma como os judeus habilidosamente puseram cristãos e muçulmanos a matar-se uns aos outros).
Com excepção de alguns fiéis que visitam a caixa de comentários do seu blog, aqueles de nós que residem no planeta terra no século XXI (aqui, aqui ou aqui) não teremos dúvidas quanto ao seu preconceito.

Seu Jorge em Portugal

Quem puder, aproveite!

Life on Mars (em The Life Aquatic)

Transparência e boas práticas

O governador do Banco de Portugal veio acusar a comunicação social de voyeurismo em relação à instituição que dirige, apontando um objectivo de limitar a sua actuação e o seu dever de supervisão. Com o devido respeito pela posição assumida por Vítor Constâncio, a reacção tem um forte travo de corporativismo e a acusação que formula não parece ter fundamento.

Em primeiro lugar, as notícias recentes sobre empréstimos do Banco de Portugal a administradores têm inegável interesse público, versando a gestão de uma instituição com a sua centralidade no sistema financeiro. Trazer a público factos que devem ser públicos (não as identidades e os montantes em causa, obviamente, mas a prática de concessão de empréstimos), representa o correcto exercício da função jornalística, uma vez que estamos perante uma entidade pública, especialmente vinculada a exigências de transparência na sua gestão.

Em segundo lugar, o facto noticiado é tanto mais relevante na medida em que surge na sequência das notícias sobre o famoso empréstimo à sociedade do filho de Jardim Gonçalves, e porque permite colocar legítimas questões sobre a forma como tem sido exercidas as competências de supervisão do Banco de Portugal face ao BCP perante práticas semelhantes àquelas que existiam na própria instituição. Ao invés de condicionar, a investigação jornalística vem exigir e fiscalizar o cumprimento das obrigações de supervisão do Banco de Portugal, averiguando se estas foram ou não prosseguidas cabalmente.

Finalmente, o uso da expressão voyeurismo pressupõe a invasão de uma esfera de privacidade. Não sendo o Banco de Portugal uma entidade privada, mas antes uma instituição pública que tem de prestar contas pela sua gestão, a expressão utilizada parece ser francamente desajustada.

Provedor da Boina

O recentemente empossado "Provedor da Boina" (eu e empossado agora mesmo por mim próprio) recebeu centenas de mensagens preocupadas com a eventualidade de se estar a assistir a uma discussão na Boina com os partidários do Pedro Arroja. Eu creio que a seguinte imagem, apesar de politicamente incorrecta, ilustra bem o sentimento dos leitores preocupados sobre o tema das discussões na Internet:
Informo os nossos leitores que aquilo que o meu correligionário Pedro Alves fez ao postar sobre as abomináveis lucubrações do Pedro Arroja não deve ser confundido com o início de uma discussão mas sim, pela sua clareza absoluta e inquestionável, como a constatação simples do anti-semitismo do post e provavelmente do autor Pedro Arroja.

Como não é possível, e nem foi tentado pelos defensores do Pedro Arroja, argumentar que o post não é anti-semita e, como não existem méritos no anti-semitismo para poder sequer ser iniciada uma discussão sobre este tema, o provedor considera que não está em risco a integridade do Blog e dá por encerrado este tema.

Uma nota de louvor para os defensores do Pedro Arroja por escolherem o caminho do insulto em vez de se porem a inventar argumentos que poderiam descambar para uma discussão com argumentos (que o vosso deus nos livre!). Na dúvida, "follow the cats":

quarta-feira, outubro 31, 2007

Se foi assim, se calhar não foi tão mau...


Mel Brooks - History of the World - Part One

De novo sobre o anti-semitismo de Pedro Arroja

O meu post sobre o anti-semitismo de Pedro Arroja parece ter picado o autor e os seus fãs das caixas de comentários. Sobre mim, milhares de mimos: miúdo, anormal, extra-terrestre, maluquinho, jacobino, ignorante, cão-raivoso, e, o meu favorito, da autoria de um dos frequentadores dos comentários, a ideia de que só serviria para abate (provavelmente sou como aqueles judeus que fizeram por merecer ser expulsos deste cantinho da Ibéria). Contudo, para desmentir o anti-semitismo do autor ou para tentar apontar outra vez uma tese de eventual equívoco e de errada compreensão dos seus escritos, nem uma só palavra apareceu (o mais próximo a que se chegou foi a ideia de que o post "poderia gerar apreensões ou pedidos de explicação" - de facto, não só fiquei apreensivo, como pedi a muita gente para me explicar como é que ainda é possível que apareçam manifestações públicas de anti-semitismo como esta).
Pela leitura dos comentários que se fizeram aos posts do Portugal Contemporâneo (imagino o pobre Oliveira Martins a dar voltas no túmulo se imaginasse quem decidiu pedir emprestado o título), eu serei seguramente analfabeto, mas aparentemente ninguém me fez o favor de explicar em que é que li mal o que Pedro Arroja escreveu. O mal não estará no que foi escrito e mal compreendido: eu é que não percebo a razão que o autor tem, nem compreendo o quão indigno é acusá-lo de comportamentos odiosos. Sou mesmo acusado de tentativa de assassinato de carácter, quando manifestamente aquilo com que deparamos é com um suicídio de carácter bem sucedido por parte de Pedro Arroja.
Ao contrário do que Arroja escreveu no seu post de hoje, tenho sérias dúvidas que existam muitos netos de nazis que, seguindo a ideologia dos avós, se atrevam a publicar textos tão abertamente anti-semitas como aquele que ele deu à estampa e que tem gerado o debate. Um leitor da Bóina disse num comentário ao meu post que não devíamos dar-lhe o prazer de chocar e de provacar terceiros. Já afirmei aqui em tempos que, de facto, ignorar e não dar tempo de antena a estes fenómenos é o melhor remédio na maioria dos casos. Contudo, disse também que quando a intensidade dos barbarismos tem exposição pública e atinge proporções como as que estamos a assistir, não podemos deixar de reagir em repúdio e com veemência. Para já, mantenho a mesma linha.

Quando o estado deixa de ser de graça

Depois da contestação sindical do presente mês e da que se anuncia para Novembro (ferroviária, função pública e sector da energia), do anúncio do divórcio, da saída da entrevista ao 60 minutes (em que o pior nem foi o facto de ter abandonado a entrevista quando interrogado sobre a sua vida pessoal, mas o momento em que chama de imbecial a sua assessora de imprensa) agora surge o aumento de 140% na remuneração do Presidente da República a fazer estragos na gestão de imagem e agenda de Sarkozy. A única coisa porreira terá mesmo sido a passagem por Lisboa...

Não houve milagre...


... dois grandes de seguida era pedir demais.