quinta-feira, outubro 25, 2007

Gould

Seguindo uma linha recente do Jansenista:
Glenn Gould - J.S. Bach, Goldberg Variations 1-7

Risota, gargalhada, rir a bom rir, rir até não poder mais, galhofa e até alguma folgança

Pedro Arroja, no Portugal Contemporâneo:

e ainda...
Parabéns pela menorização simultânea de homens e mulheres: elas, coitadas, são frágeis e precisam de protecção do homem; eles, inúteis, não servem para cuidar dos filhos. Com o devido respeito, mas se alguém, mulher ou homem, me disser que não sirvo para cuidar de filhos apenas com base nos meus cromossomas, podem ter a certeza que não me vou inibir de oferecer uma provocaçãozita qualquer em troca... Mas como não sou católico, não sei seguramente o que é isso de cavalheirismo.

Igualdade de tratamento


O governo decidiu, com toda a razão, suprimir o subsídio que a Universidade Católica Portuguesa recebia há vários anos, sem qualquer fundamento atendível. Durante anos, enquanto as verbas da Acção Social Escolar para o ensino público não recebiam os reforços de que careciam, enquanto as universidades públicas se debatiam com dificuldades orçamentais e com a necessidade de encetarem contenções de despesas que dificultavam a sua modernização e colocavam em risco o seu funcionamento, a UCP, universidade privada, recebia regularmente apoio estatal, não obstante a sua manifesta auto-suficiência financeira, os avultados investimentos em equipamentos e instalações e os diversos projectos de expansão que ia desenvolvendo. Nenhuma outra universidade privada gozava de idêntico tratamento.

Apesar de diversas construções ensaiadas para sustentar que a UCP não é uma universidade privada como as demais, recorrendo a ficcções ardilosas como a de que se trataria de uma universidade "pública não estatal" ou de que estaríamos perante "ensino concordatário" (uma quarta espécie de propriedade para além da pública, privada e cooperativa, aparentemente desconhecida da Constituição da República Portuguesa), a realidade tem contornos bem definidos e a UCP é a uma universidade privada como as outras.

Mais do que aplaudir, temos de apontar o caminho e indicar o próximo passo no caminho para a igualdade de tratamento, o da saída da UCP do Conselho de Reitores das Universidade Portuguesas, órgão de representação de universidades públicas, no qual não faz sentido a sua presença. Assim o exigem o respeito pela delimitação dos sectores da economia, as regras de funcionamento do ensino superior e a garantia de igualdade de tratamento com as demais universidade privadas que não beneficiam daquele tratamento.

O espírito certo

Gosto cada vez mais do Celtic e dos seus adeptos, que nos voltaram a visitar em números impressionantes. Fair-play no campo, um ambiente incomparável nas bancadas, confraternização com o adversário, dedicação ao clube, sem violência, nem fanatismo. Praticamente tudo o que o desporto consegue gerar de positivo. É daqueles casos em que o lugar comum do "desculpem lá termos ficado com os 3 pontos, mas não podemos ganhar ambos" até faz mesmo sentido.

Casticismologia

Um jogo de futebol em Portugal deve ser dos poucos sítios do mundo em que se ouve dizer de um jogador que "parece uma carraça, não o larga", tratando-se obviamente de um elogio.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Games

Isto é só impressão minha, o ou sr. Erdogan está a conseguir quase tudo o quer com uma habilidade política, militar e diplomática que há muito não se observava por aquela parte do globo? Não só proclama os seus pergaminhos nacionalistas para consumo interno, popularizando-se junto do exército, que aproveita para moralizar, como ainda faz uma demonstração de força sem provavelmente ter uma séria intenção de a utilizar efectivamente, forçando o PKK à moderação e fazendo com que americanos e iraquianos comecem a interiorizar que a autonomia ampla do Curdistão iraquiano não pode ser gerida à custa daquilo que ele identifica como sendo os interesses da Turquia. Obviamente, se este for o plano, trata-se de uma estratégia que poderá correr francamente mal. Tendo em conta o estado da região, esperemos que assim não seja.

Onde está a Bélgica?

Apesar de já estar há 136 dias sem conseguir formar governo, a Bélgica desapareceu das notícias, tão rotineira e pouco interessante se tornou a sua crise política. Ainda para mais, agora que se fechou finalmente o tratado reformador, só a ideia de ter de voltar a dividir votos no Conselho e lugares no Parlamento vai definitivamente arrumar as veleidades secessionistas de quem quer que seja. Cá para mim isto está a demorar tanto tempo porque o sr. Leterme está a ver se aprende a cantar o hino para tomada de posse.

terça-feira, outubro 23, 2007

Beekeeping

Coisas a fazer para não dar azar ao Tratado de Lisboa

Não deixar que seja assinado por Santana Lopes, como o último.
Não voltar a deixar que Giscard d'Estaing fique encarregado das relações públicas.
Não traduzi-lo para inglês, nem publicá-lo no Reino Unido.
Não tentar explicar porque é que não se vai referendar.
Não começar a organizar conferências ou seminários, nem a escrever teses de mestrado ou doutoramento, nem a publicar versões anotadas do tratado antes de se ter a certeza de que entra em vigor.
Não desmarcar os hotéis já reservados para as próximas presidências rotativas.
Não recorrer já ao jogo das cadeiras para ver quais são os primeiros comissários a ficar sem assento.

Amen to that

Ao fim de alguns meses de ausência pensei que ainda demoraria a ganhar ritmo e energia para voltar à Boina. Mas depois do quinto milagre de Fátima no Domingo no Restelo, sentia-se a anunciação de mais uma Epístola de São João César das Neves aos Lusitanos e a minha esperança aumentou. Ao abrir o DN de ontem a minha motivação como que miraculosamente surgiu...

Começando pela ideia de que o rastreio pré-natal quase só serve para "suscitar a morte de crianças saudáveis" devido à existência de muitos falsos positivos e que no fundo não passa de um incentivo ao aborto, passando à (previsível) crítica aos malvados procurador e Ministro da Saúde que querem (pasme-se) que a Ordem dos Médicos não puna disciplinarmente a prática de um acto lícito, JCN está em grande forma (muito ginásio, muita corrida à volta da Igreja da Santíssima Trindade e muito lançamento de cilício, está-se a ver). A coroa de glória é a comparação da situação actual do aborto aos horrores do nazismo. Reparem:


Para finalizar, fica a crítica literária: não perca o volume "Ao Gólgota! - A Liberalização do Aborto e o Nazismo" da Editora Crucifixus, do Padre Serras Pereira. Sim, esse mesmo, o que acusou a APF de assassínio em série, que afirmou que o aborto é um crime pior que a pedofilia, que publicou um anúncio em que afirmava ir recusar a comunhão a quem recorresse à contracepção e que afirmou repetidas vezes que a homossexualidade é uma doença. Um moderado, portanto. Uma obra a não perder.

PS: Já agora senhor Professor, o parecer é do Conselho Consultivo da PGR, não do Procurador. Trata-se portanto de todo um círculo satânico e não de um mero agente solitário do mafarrico.

Goodbye, farewell, Aufwiedersehen, adieu...



Parece que muito bravado que só se salda num advogado-geral e numa promoção de Ioanina de declaração a protocolo não chegou para dar a volta. Para este amigo, Lisboa não terá sido assim tão porreiro, pá...

Voltei...


... mas se calhar não me fui verdadeiramente embora.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Retiro...

... as duas últimas frases deste post. Já não estou triste.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Kundalini and other misdemeanours


Vão ler o Pêndulo de Foucault de Umberto Eco. Está lá tudo explicado. Lixaram os Templários para lhes sacarem as propriedades e o dinheiro. Acusações de homossexualidade esotérica, tortura, gente queimada viva, valia tudo em nome do combate à "heresia", comandado pelo Papa Clemente V.
Já o Papa Bento XVI, na famosa intervenção de Setembro de 2006 em Regensburg quis-nos convencer (citando o imperador bizantino Manuel II), que o reconhecimento da incompatibilidade da violência e da fé é uma das imagens de marca do Cristianismo, juntamente com a importância da Razão herdada do helenismo (o logos). Ao contrário do Islão, claro. "Porque o Muçulmano é um tipo que etc"

Perante histórias como a do fim violento dos Templários, é caso para dizer: ó Bento, se vivesses há uns séculos, acusavam-te de heresia!

Negacionistas assumidos


Folclore. Já passaram 97 anos. Relaxem. Encostem-se para trás e respirem a liberdade. E por amor da Razão, parem de comparar a República portuguesa com a monarquia espanhola. É muito mais útil comparar a República portuguesa com a monarquia portuguesa (ou a "piolheira", como lhe chamava el-Rei D. Carlos, o Roliço).

Série Heróis esquecidos da Revolução Francesa III



Marquis de Condorcet (1743-1794), filósofo e matemático, adepto da República muito antes da 'fuga para Varennes', defensor do sufrágio feminino e dos direitos políticos das mulheres - a data da morte (Março de 1794) não engana: mais um espírito livre eliminado pelos jacobinos

Parabéns República!











quarta-feira, outubro 03, 2007

"Um acto de defesa do meu cavalo..."

Raras vezes se vê a estupidez encarnada de forma mais límpida numa série de imagens e declarações, como aqui.

A história é assim: um cidadão decidiu montar a cavalo e fazer cóçegas na cabeça de um touro selvagem. O touro decidiu exprimir o seu desagrado com a carícia despejando toda a sua amargura num anónimo cavalo. Mas o cavalo, que é uma besta - como se diz na gíria zoológica - "grande e forte", retirou-se incólume. Já o cidadão de que falávamos achou por bem "defender" o cavalo por via de um diálogo robusto com dito touro. O touro chegou-lhe forte e feio. Parabéns ó touro!

Eu sou grande adepto dos direitos dos animais, na medida em que estes são criações humanas que revelam um estado avançado de consciência da responsabilidade do ser humano para com o mundo que o rodeia. Uma sociedade que tortura animais é uma sociedade doente. Por mim as touradas acabavam amanhã.

Só há uma ressalva a fazer: sem touradas não nos podíamos deliciar com estas demonstrações regulares de boçalidade trauliteira por parte de uns sujeitos que ganham a vida a espetar ferros em animais que nunca lhes fizeram mal nenhum.

terça-feira, outubro 02, 2007

Fachos e surpresas

Andam aí. Dizem-me que são poucos e que "não reflectem o sentimento geral da sociedade portuguesa." Assim fico mais descansado. Também "não somos um povo racista" e "a homofobia é muito exagerada pelo lóbi gay". Resumindo, somos uma espécie de versão ibérica da Noruega. Que bom.
Eu mesmo assim prefiro ficar de olhos neles, mesmo se forem poucos.
A propósito de desilusões, não vi mais ninguém a repetir este exercício.
Estou triste.