sábado, setembro 29, 2007

Série Heróis esquecidos da Revolução Francesa II (a Heroína)


Olympe de Gouges (1748-1793), autora da Déclaration des droits de la femme et de la citoyenne, feminista avant la lettre, também adepta da Gironda, outra vítima do fanatismo jacobino

Série Heróis esquecidos da Revolução Francesa I

Jacques Pierre Brissot (1754-1793), líder dos Girondistas, inimigos figadais dos jacobinos

Give'em Hill!

Não sei se sabem, mas o Bill Clinton é o maior. Fica aqui uma entrevista notável. A minha passagem preferida:

Jon Stewart: "Se a Hillary for eleita, você vai-lhe dar muitos conselhos?"
Bill Clinton: "Eu cá ajudo no que for preciso e quando me pedirem para ajudar."

Bem sei que não é particularmente espectacular, mas a modéstia do homem a mim impressiona-me. Gosto muito do Obama e do Edwards. Acho que os Democratas estão a rebentar pelas costuras com talento.
Mas a experiência da Hillary vai ser determinante. Parece-me também que a importância simbólica de colocar uma mulher na Casa Branca é capital. O nosso blog não tem posição oficial, mas cá fica, com toda a modéstia, a minha.
Hillary para Presidente dos Estados Unidos da América! (E Obama para Vice!)

Uma personalidade de estatura internacional

De tanta porcaria que fez, foi logo o único assomo de decência que Santana Lopes teve que a website BBC World registou. Enfim, ele merece, que se portou bem. Só imagino os leitores paquistaneses, malaios, chilenos e canadianos da BBC a pensar assim "é pá, aquele país está cheio de gente corajosa, sim senhor"...

quarta-feira, setembro 26, 2007

Um pândego, este Ahmadinejad

Não há homossexuais no Irão. O programa nuclear iraniano é para fins pacíficos. E o holocausto não está provado cientificamente (mas não deixa de ser uma teoria interessante).
Como é que se diz "o que tu queres sei eu" em persa?

sexta-feira, setembro 21, 2007

terça-feira, setembro 18, 2007

Partidas marotas


Estive em Viena recentemente. Fui visitar o palácio de Belvedere e jardins adjacentes. Uma das ruas que flanqueia o palácio chama-se Prinz Eugen-Strasse. Até aqui tudo bem. Mas não é que puseram a embaixada turca nessa rua (é o número 40, by the way)...

quinta-feira, setembro 13, 2007

Novo lema nacional


Vencer ou morrerVencer ou esmurrar

Não precisamos de ser pressionados...


... damos graxa por iniciativa própria.

quarta-feira, setembro 12, 2007

O que é isto?!

Este senhor de branco, quem será? E o PM, estará a benzer-se, ou estará a levar a mão à cabeça e a pensar "iiiih, esqueci-me de mandar uma sms ao rabino e ao imã com a morada desta terreola; os gajos vão ficar lixados; e o Oppenheimer do Bóina Frígia também."
Pois fico, senhor PM, pois fico.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Licantropia


Já me enjoa um bocado tanta bajulação e engraxação à volta da selecção nacional de futebol. Graças aos bons resultados e àquele apresentador puxa-saco da RTP que faz programas de trivialidades ao Domingo à tarde e manifestos televisivos de propaganda nacionalista pífia, graças também à personalidade do sargentão, arvorado em comandante das tropas e ideólogo do nacionalismo dos outros, que os jogos da selecção dexaram de ter aquele encantador apelativo de sofrimento e sacrifício que era recompensava com uma vitória no jogo qualquer adepto fiel e leal como eu. Só visto. Agora que temos de nos resignar a uma selecção pop, custa mais torcer e sofrer depois de anestesiados com toda a espécie de programas televisivos de antecipação do jogo, de passatempos para ganhar uma camisola, de entrevistas aos jogadores em que a triteza confrangedora de quem não tem nada para dizer é espremida à exaustão para uns largos minutos de televisão sem qualquer substância mas com muita audiência. Onde estão os tempos maravilhosos do Euro 2000, em que a paixão era genuína? Ainda tivemos os bons resultados e as exibições. Agora, que temos de puxar novamente da calculadora para fazer contas ao apuramento, ficamo-nos com a bajulação. Saímos a perder. Só o Benfica ainda é o que era.
De maneira que eu, sem deixar de ser fiel ao beautiful game, vou dar-me descanso dele por uns tempos e deixar que a minha ansiedade se ocupe antes da selecção de râguebi. Os Lobos conseguiram o apuramento para um mundial em França quando o futebol não foi competente para fazer o mesmo em 1998. A emigração está contente lá, e isso é bonito. É certo que esta selecção de râguebi representa pouco mais do que a classe beta do eixo Lisboa-Paço d'Arcos-Cascais; é certo que isto é gente que se apresenta com dois apelidos, cheios de pedigree, a seguir ao nome; é certo que são primos de José Manuel Durão Barroso. Mas também é verdade que: 1) o râguebi é uma modalidade lindíssima e relativamente preservada de todas as manhas que desvirtuam a verdade desportiva; 2) se é para a matemática, que sejam contas simples de fazer, do tipo «perder por menos de 100 pontos contra a Nova Zelândia»; 3) os rapazes esmifraram-se até às últimas para lá estar, mostrando que, ao contrário do que é habitual, exemplos de trabalho, sacrifício e abnegação também podem vir das classes altas O mundo anda virado ao contrário. Eu, enquanto plebeu, congratulo-me por isso.
Por outro lado, é importante protestar: a Sporttv açambarcou a competição para o lucro do pay-per-view. Foram tomadas medidas para impor que os jogos das equipas nacionais em competições internacionais fossem transmitidas em sinal aberto, como sucede com o mundial e o europeu de futebol e com a Liga dos Campeões e a Taça UEFA. Por que razão o mesmo não se estendeu ao mundial de râguebi? Encaminhem o vosso protesto para aqui: info@erc.pt.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Cada continente tem o seu Bush...

... a nós calhou-nos a direita polaca. E se 2008 fosse o ano da despedida para os Bushies e para os gémeos Kaczynski? Isso é que era folgar! Do Cabo da Roca aos Urais!

sexta-feira, agosto 31, 2007

Isso dos OGM não sei, mas gosto da GAIA

Não partilho do zelo.
Não estou convencido da mensagem catastrofista (por exemplo, andamos há anos a manipular remédios geneticamente - anti-retrovirais, contra a leucemia, contra o cancro...; tornar a produção agrícola mais resistente a certas doenças pode melhorar decisivamente a alimentação de populações sub-nutridas etc.)
Não me agradou a iniciativa de destruição do campo de milho.
Estou indeciso neste debate. Há estudos para todos os gostos a provar aquilo que quisermos. O argumento anti-OGM mais convincente é o de que em caso de incerteza, e à falta de dados conclusivos, mais vale ser cuidadoso, já que a opção pró-OGM é irreversível. Mas nós também não temos a certeza em relação aos efeitos dos telemóveis, de todo o tipo de radiações emitidas por aparelhos electrónicos etc. Eu admito que, em caso de dúvida, sou céptico em relação aos argumentos "let's keep it natural", "a natureza tem tudo o que precisamos", "não vamos manipular a natureza" etc.
Não sei se isto é a velha escola marxista a falar, mas se deixássemos a natureza tomar o seu rumo vivíamos nas árvores, comíamos carne crua, demorávamos 72h a fazer o caminho a pé Lisboa-Praia das Maçãs e em termos de sexualidade e reprodução era 'cada tiro, cada melro'.
E como sou um leigo, perguntei a um familiar meu que é biólogo/académico (não, não trabalha para a Monsanto) que me diz que a manipulação do genoma do milho, por exemplo, é inofensiva. Não sei...
Mas esta intervenção, gostei sim senhor: articulados, corajosos, inteligentes. Longe de serem vândalos desvairados...

terça-feira, agosto 28, 2007

Sarkozy

Nada como voltar à actividade bloguística pós-estival do que um post sobre Sarkozy. O homem ainda usufrui do estatuto de notícia fresca, cada palavra por ele proferida é absorvida e reproduzida tal qual pronunciamento de um sábio oráculo. Por exemplo este recente discurso teve mais cobertura mediática do que a invenção da roda. E foi importante: marcha à ré em relação à atávica intransigência anti-turca; críticas aos EUA; apoio a Israel; o Irão como ameaça global e referência à 'opção militar' para lidar com o programa nuclear de Teerão - enfim, é só material para vender papel.
Mas fica aqui lembrado um discurso do senhor ainda em Julho que deve ter passado despercebido a toda a gente por causa das férias. É feio. É porco. E é mau. Neo-colonialismo? Não, este é mesmo o original, o da Conferência de Berlim. The real thing.

segunda-feira, agosto 27, 2007

A brincar, a brincar


Ontem, quando lhe perguntaram o que iria fazer na final, respondeu que acima de tudo ia divertir-se. Hoje ganhou o ouro. Como em tudo na vida, só conseguimos fazer alguma coisa a sério se nos divertirmos com o que estamos a fazer.

terça-feira, agosto 07, 2007

Deputados desgovernados


As histórias vêm na Time desta semana, ilustrando a degradação da classe política do país, deputados e senadores especialmente, num artigo sobre o assunto.
A baixa da capital estava bloqueada por uma visita do presidente americano e Gustavo Selva, veterano membro do Senado, estava atrasado para chegar a uma entrevista na televisão. Confrontado com tão ignóbil contratempo para alguém do seu estatuto, o senador chamou uma ambulância e deu indicações para o levarem à morada do seu "cardiologista", que era, claro, a morada do estúdio de televisão, onde a sua augusta pessoa prontamente relatou o episódio, no ar e em directo, elogiando a sua própria capacidade de desenrascanço.
E há esta outra. Quando um deputado se demitiu na sequência de um escandaloso envolvimento com um prostituta, o líder dos democratas-cristãos propôs um "subsídio de reunião familiar" para que os deputados possam passar mais tempo com as suas famílias porque, como explicou, «a solidão é um assunto sério». Mais uma contribuição para juntar aos cerca de 145 mil euros anuais que um parlamentar ganha em média por ano.
Enquanto apenas 15% da população manifestam confiança na classe política, a manutenção do Palácio do Presidente custa quatro vezes mais do que a do Palácio de Buckingham (já sei o que dirão os regulares visitantes monárquicos, mas a isso já o Pedro Alves respondeu eloquentemente), e os políticos vão-se gozando da maior frota europeia de viaturas com motorista. E continuam a apresentar protestos formais pela falta de qualidade dos gelados no bar do parlamento.

Não é África, é a Itália.

terça-feira, julho 31, 2007

A Colina da Primavera




Respira-se liberdade em Tel Aviv. Casais gay. Mulheres seguras de si, livres e belas. No meio do Médio Oriente. A cidade parece não dormir, multiplicam-se restaurantes e esplanadas. No meio da Avenida Rothschild - artéria conhecida pelos muitos edifícios Bauhaus - montaram uns bares onde a juventude académica/yuppie conversa até às tantas. Parece que todos têm cães. Asseadinhos, mas ainda assim cães.
A Universidade de Tel Aviv é um complexo enorme tipo Gulbenkian, com edifícios de pedra cinzentos separados por zonas verdes, relvados e palmeiras. Uma das ruas que contorna o quarteirão universitário chama-se Rehov Klausner (Rua Klausner), certamente em honra do tio de Amos Oz, um dos mais eminentes estudiosos da literatura hebraica e da história do judaísmo.
As ruas e avenidas não só se chamam Rabin, Begin, Ben Gurion, Namir, Arlozoroff, Ben Yehuda, Spinoza, Mendelssohn ou Einstein. Também as há Jaurès, Zola, Lincoln, Allenby, Balfour...
A oferta cultural é espantosa, em hebraico, inglês (falado universalmente), francês, ladino, yiddish...
Tá mal: fizeram um trabalho extraordinário em estragar a marginal com edifícios de 132423 andares, hotéis saídos de um filme de ficção científica, mas enfim.
Apeteceu-me escrever um post sobre Israel que não tratasse de política e de conflito. Tel Aviv é pura luz e não há conflito, ameaça ou ódio que a ofusque. Aconselho uma visita a toda a gente.









O jogo de xadrez que não se ganha...


Ingmar Bergman deixou hoje a companhia do planeta. Parafraseando quatro compatriotas, thank you for the movies...

quarta-feira, julho 25, 2007

Uma passo para a igualdade no subcontinente

A maior democracia do mundo tem desde hoje uma mulher como Chefe de Estado. Pratibha Patil, de 72 anos, tomou hoje posse perante o parlamento indiano.


Num país em que, apesar dos esforços das autoridades públicas, a discriminação em relação às mulheres é ainda significativa, este gesto simbólico é uma importante bandeira na luta pela igualdade. Apesar das funções serem predominantemente protocolares e de não dispor de legitimidade democrática directa, a magistratura de prestígio do chefe de Estado é considerável, funcionando a presidência como factor de unidade nacional. Aliás, não é a primeira vez que a escolha do titular da presidência sinaliza um gesto político. Num país de uma grande riqueza cultural e religiosa, três dos primeiros cinco presidentes indianos (bem como o imediato antecessor da nova chefe de Estado), eram muçulmanos, um dos seus outros antecessores recentes, Kocheril Narayanan, foi o primeiro dalit ou intocável (de acordo com o sistema de castas indiano) a alcançar a presidência da República, tendo Zail Singh, nos anos oitenta, sido o primeiro sikh a exercer o cargo.