sexta-feira, junho 22, 2007

Nem tanto ao mar…

Numa conferência sobre o sistema de justiça e a competitividade, o ex-ministro das Finanças Eduardo Catroga defendeu perigosamente, entre outras coisas, a possibilidade de os juízes receberem salários em função do cumprimento de objectivos.

Contudo, Catroga sugeriu ainda outras ideias cuja bondade é bem diferente: revisão séria do sistema de avaliação dos juízes, assegurando a sua ponderação efectiva no sistema de progressões, e aposta na formação e especialização contínua dos magistrados, fomentando a busca de valias extra-jurídicas, particularmente na área das ciências económicas.

Em relação à avaliação e classificação, a reacção do presidente da Associação Sindical dos Juízes foi peremptório: “Os juízes não podem ser sujeitos a qualquer classificação como funcionários públicos (sic) porque não são funcionários públicos.” Este argumento surge na linha daquela lógica de que os juízes têm direito à greve na medida em que para esse são funcionários, mas já não pode haver decretamento de serviços mínimos na medida em que para esse efeito já só são titulares de um órgão de soberania.

O Hamas também tem cabecinha para pensar

Não partilho do optimismo de Israel e dos EUA em relação ao colapso do governo de unidade nacional palestiniano. São tristes as imagens que nos chegam dos Territórios Ocupados e não há nada mais dramático do que uma guerra civil: quanto mais o povo palestiniano está desunido, mais a paz é adiada.

Têm razão aqueles que dizem que os EUA, Europa e Israel também partilham responsabilidades pelo estado da situação. Mas nada me parece mais paternalista do que ver os palestinianos como uma espécie de massa disforme de vítimas que se limitam a responder a pressões e a ceder perante forças que não controlam. Enfim, não concordo com uma visão determinista do que está a acontecer, que vê a relação entre Ocupação israelita e "abandono" ocidental por um lado, e colapso da unidade palestiniana por outro, como de causalidade pura e simples.

Acima de tudo acho que importa reflectir sobre o papel do Hamas nisto tudo.

Comecemos por partes: o estatuto jurídico da Autoridade Palestiniana (AP); a transferência de dinheiro de Israel para esta; a existência de uma polícia e de umas incipientes forças armadas palestinianas nos Territórios; eleições livres para a presidência da AP e para o Conselho Legislativo Palestiniano; enfim, toda a parafernália de mecanismos legais, diplomáticos e materiais que davam à AP alguns atributos de um Estado embrionário - tudo isto nasceu do processo de paz de Oslo, do reconhecimento de Israel por parte da OLP e da decisão de Israel de passar a tratar esta organização como único representante do povo palestiniano e como interlocutor para a paz.

O Hamas, quando chegou ao poder na Palestina em Janeiro de 2006, não reconhecia Israel, continuava a advogar a expulsão dos judeus de toda a 'Palestina britânica', não pertencia à OLP, e considerava os acordos de Oslo uma traição à causa palestiniana.

Nessas circunstâncias, pergunto-me que outra decisão podia ser tomada pela Europa, pelos EUA e por Israel, que não o isolamento do Hamas e, por consequência, da AP. Do ponto de vista jurídico, para a Europa, por exemplo, é simples. O Hamas está na lista de organizações terroristas, com as quais a UE não trata. Nesse sentido, só uma decisão política por parte do Conselho Europeu em retirar o Hamas dessa lista é que tinha permitido business as usual.

E o que é decisivo é que o Hamas nunca o deu o passo decisivo para que este impasse terminasse. A ajuda humanitária americana e europeia aos palestinianos nunca esteve em causa e nunca foi interrompida. Mas o apoio directo à AP não é, nem nunca foi, pensado como esmola para os palestinianos. Faz antes parte de uma decisão política - do tempo de Oslo - de sustentar o mais possível um Estado embrionário palestiniano, com vista a uma solução de dois Estados - Israel e a Palestina - vivendo lado a lado em paz. Como é que se pode esperar da Europa e dos EUA que continuem a apoiar uma AP dominada por uma força política que não subscrevia, nem subscreve, as mais fundamentais working assumptions do esquema de Oslo?

Por cada salário que não foi pago, por cada palestiniano que perdeu o emprego, por cada família palestiniana que passou a ser dependente da ajuda humanitária das NU ou de outros, eu pergunto-me porque é que o Hamas não deu o braço a torcer e disse: "enfim, tirar Israel daqui não tiramos, matá-los a todos não conseguimos, agora estamos nós no poder, agora somos nós responsáveis pelo destino do nosso povo e esse destino tem que incluir um Estado e o único Estado que vamos ter é um Estado mais ou menos nas fronteiras de 1967."

Nada. O mais que ofereceram àqueles (como eu) que tinham esperanças de ver repetir-se a história da OLP (que passou de organização terrorista para parceiro para a paz) foi o programa de Meca do governo de unidade nacional palestiniano, em que, numa linguagem cheia de ambiguidades, se comprometiam a "respeitar" os acordos de Oslo e delegavam a responsabilidade de negociar com Israel no Presidente Abbas.

Que bom! Assim, o Hamas, por um lado, não fazia concessões objectivas nenhumas, condenando a uma morte prematura qualquer tentativa de reanimar o processo de paz; por outro, quem ficava com as responsabilidades pela estagnação era Abbas. Nestas circunstâncias como é que se pode esperar de Israel que negoceie com Abbas enquanto o governo dominado pelo Hamas não dá quaisquer garantias de estar preparado a fazer as concessões necessárias para que essas negociações dêem frutos, ou de implementar seja o que for que delas saia.

O que se confirmou com a conquista brutal de Gaza pelo Hamas foi que esta organização não conseguiu e não consegue (até agora!) mudar de pele. Não conseguiu mudar de identidade. Não tem vocação para representar o povo palestiniano. Não conseguiu resistir à tentação de acumular os poderes e a legitimidade das instituições com os métodos da resistência, da insurgência e do terrorismo...
(Post de duas partes)

Os dilemas do costume

Não sei se hei-de ficar enojado pelo passado da CIA, ou espantado com a capacidade dos EUA de se olharem no espelho sem medo. Desde que se vá aprendendo umas lições pelo caminho...

quinta-feira, junho 21, 2007

Decididamente medieval


Filipe Brás de Almeida deixou uma sugestão avisada para reagir ao fenómeno, em comentário a este meu post: "O argumento aqui evocado e repetido em diversos blogs que usam e abusam do L-word, equivale a dizer que os activistas de direitos civis nos anos sessenta queriam domínio negro e subjugação branca, ou que as feministas pelo sufrágio universal queriam banir o voto ao portadores do cromossoma Y. [...] Na minha opinião, a qualidade objectiva dos posts dos blogs visados, têm vindo a degradar-se ao ponto de não conseguirem a distinção necessária para serem refutados. Na blogosfera a moeda em vigor que se troca pela qualidade do serviço, é a atenção que se presta aos comentários. Da minha parte tentarei agir em conformidade."

Apesar de concordar em princípio, análogo ao do cordão sanitário para lidar com o extremismo racista de direita, acho, contudo, que quando a intensidade dos barbarismos tem exposição pública e atingem proporções como as que estamos a assistir não podemos deixar de reagir em repúdio e com veemência.

O que eles querem sei eu...

Hoje, estava eu calmamente à espera de um táxi, quando me ocorreu: "é pá, os estrumfes têm boinas frígias na cabeça!" Propaganda republicana? Coincidência? Mau gosto para chapéus? O mistério adensa-se...
O que virá a seguir? O Rato Mickey de avental maçónico? A Rua Sésamo a ensinar a criançada a construir barricadas com legos?

quarta-feira, junho 20, 2007

«I'd rather have a bottle in front of me than a frontal lobotomy»


Três socialistas no (segundo) governo de Sarkozy.
Hummmm...
Ou teve alguma ideia, ou andou a beber outra vez.

Liberal ou medieval?


Parece que se torna cada vez mais indisfarçável a homofobia de alguns bloggers que se reclamam do liberalismo. O mais recente objecto de ataque é Teresa Caeiro que, num exercício de verdadeiro liberalismo em matéria de costumes, defendeu o combate à discriminação, o apoio à formação anti-discriminação pelas e para autoridades públicas e a aquisição de bibliografia sobre a temática LGBT em bibliotecas municipais.


Já num post anterior, André Azevedo Alves criticava o apoio da câmara ao arraial Pride do próximo dia 23 de Junho. Se o que questionam é o apoio da CML a eventos privados, muito bem, é coerente com a linha editorial do blog, como disse num comentário ao post. Agora que apenas se lembrem da crítica quando são eventos relacionados com a realidade LGBT é que já começa a ser suspeito. Os restantes textos começam a deixar cada vez mais claro que neste pseudo-liberalismo as cambalhotas argumentativas valem todas, desde que se demonstre o insuportável apoio público a iniciativas relacionadas com a temática LGBT.

Of mice and men

Um rato em decomposição no tribunal da Boa-Hora está a motivar exigências de condições sanitárias por parte dos magistrados e funcionários. Tendo em conta que perante o mesmo problema a solução apresentada há três anos foi recorrer a ratoeiras, cheira-me que antes de ir para obras a nova resposta vai passar por comprar um gato...

terça-feira, junho 19, 2007

Bravado iraniano

Salman Rushdie vai tornar-se cavaleiro do império Britânico. Prontamente o Irão veio condenar a condecoração como um acto de islamofobia e como parte de uma campanha internacionalmente orquestrada.
Relembro a este respeito um frase do futuro Sir Rushdie, que sintetiza a questão magistralmente:
"It must be the things you loath that you tolerate, otherwise you don't believe in free speech."
O Irão que diga o que quiser.

Maneiras de pedir desculpa e mostrar arrependimento



"If it was up to me, I would close Guantanamo not tomorrow but this afternoon."





Collin Powell

Quinta República e dois terços

Depois da questão em torno do sistema eleitoral francês ter sido suscitada a propósito dos resultados de ontem, o Le Monde traz hoje simulações de resultados usando sistemas eleitorais distintos, que se podem encontrar aqui. Apesar de ser um exercício teórico interessante, há que ter algumas reservas na análise dos resultados - os dados que são inseridos nas várias alternativas resultam dos comportamentos dos eleitores no quadro de um determinado sistema eleitoral.
Ou seja, o comportamento dos partidos e eleitores franceses seria muito provavelmente distinto em função do sistema que vigorasse. Manteria o PCF candidatos em circunscrições de vitória incerta para o PSF se o sistema fosse maioritário a uma volta? Haveria desmobilização ou voto útilo do eleitorado da Frente Nacional se soubesse que todos os votos contam no quadro de um sistema proporcional? Abdicariam os ex-UDF do Novo Centro que se aproximaram de Sarkozy de apresentar candidatos se o sistema fosse proporcional? Haveria tanta dispersão de agrupamentos de esquerda se existisse uma cláusula barreira de tipo alemão? Não podemos saber, pelo que os resultados das simulações devem ser lidos com cuidado e reservas.
Ainda a este respeito, devo dizer que a conclusão a que se chega neste artigo do Le Monde onde se faz a comparação do resultado real com os resultados simulados, concluindo que sempe haveria maioria da UMP não vai ao âmago do problema suscitado por Bayrou. Não é a vitória obtida pela UMP que está em causa no sistema actual, mas sim o desperdício de votos nas formações médias como o MoDem, penalizando o seu trabalho parlamentar e impedindo-o de crescer graças à visibilidade do trabalho dos seus deputados. Num sistema de tipo alemão chegaria aos 62 deputados, num sistema proporcional puro alcançaria 28 e num sistema misto (50% eleitos maioritariamente e 50% eleitos proporcionalmente) obteria 32. Não é a necessidade de manter a governabilidade o que se contesta, nem sequer a deturpação do resultado final, mas sim a necessidade de assegurar e reforçar o pluralismo da representação dos cidadãos.
Questões a reter, caso se decida avançar, entre nós, com reformas ao sistema...

segunda-feira, junho 18, 2007

Ainda sobre o zelota

Não perder: post de Ricardo Alves sobre os dislates de JCN no DN de hoje.

O inigualável JCN

O homem lá me vai obrigando a isto. Mas agora vou passar a limitar-me a transcrever passagens da obra e a deixar o pessoal rir à gargalhada. Divirtam-se....


Vivemos a apoteose da ideologia ocultista, panteísta e esotérica.

[...]

Naturalmente, num tempo obcecado com o erotismo, a magia sexualis está no centro.

[...]

Se as instituições hoje favorecem o sincretismo, porquê perseguir a fé cristã? Trata-se de uma forma de calar a consciência. Quem se afunda no deboche e sofre as suas dramáticas consequências sente a necessidade de descarregar os remorsos.
João César das Neves, DN 18/06/07

Quinta República e meia?

Conforme tinha escrito no meu post sobre a segunda volta das legislativas francesas, os recentes actos eleitorais franceses colocam várias questões interessantes quanto à evolução do sistema político local.

A primeira das questões reporta-se a um possível reforço da matriz presidencial no quadro do sistema semi-presidencialista. Curiosamente, a transformação ficará a dever-se em parte à eliminação do tradicional septennat presidencial e a passagem a um mandato de cinco anos que, devido à consequente reconfiguração do calendário eleitoral, tenderá a produzir maiorias parlamentares coincidentes com as do presidente. É certo que as duas eleições de Mitterand foram seguidas de dissoluções parlamentares que produziram precisamente esse efeito, pelo que sempre se poderia dizer que a mudança não é tão significativa quanto isso. Contudo, a alteração elimina pura e simplesmente a realização de uma eleição legislativa intercalar, tendencialmente castigadora da eventual impopularidade da maioria governamental/presidencial, e reduz igualmente a tentação de provocar dissoluções para evitar esse efeito (ou seja, torna improvável o aparecimento de um cenário como aquele que em 1997 levou Chirac a dissolver a Assembleia Nacional).
Claro está que para além das alterações jurídico-constitucionais, a chegada ao poder de um presidente dotado de uma ampla maioria parlamentar em que o seu partido (que controla inequivocamente) é hegemónico, também contribuirão para a eventual presidencialização. Os anos de Sarkozy podem ser significativos se, conforme tudo indica, vierem a representar uma forma diferente de exercício da magistratura presidencial.

A segunda questão é velha, mas não perdeu (antes adquiriu) particular actualidade: o sistema eleitoral para a Assembleia Nacional. O escrutínio maioritário a duas voltas representa um seguro de vida para os governos – é praticamente inconcebível a ausência de uma maioria para o partido (ou melhor dito, bloco de partidos) vencedor. Contudo, o facto do peso dos quase 8% de Bayrou e do seu Movimento Democrático quase não se fazer sentir na conversão de votos em mandatos podem reavivar o debate. À sua voz poder-se-á juntar um PCF receoso de conseguir continuar a eleger no quadro do sistema maioritário a duas voltas e para o qual o mecanismo da proporcionalidade poderia ser um conforto.


Até hoje, a única experiência da V República com a representação proporcional, nas eleições de 1986, até produziu uma maioria parlamentar (de um deputado apenas, é certo) para a UDF, RPR e outros partidos de direita, mas a memória não foi positiva e a nova maioria regressou ao sistema clássico. Aliás, datam desse acto eleitoral os únicos deputados eleitos pela Frente Nacional para o parlamento francês (35, tantos como os do PCF), o que também não deixa boas memórias – o sistema maioritário tem funcionado também como barragem à sua entrada na Assembleia Nacional.

Perante a maioria actual e a previsível estabilidade do ciclo político, é natural que nada mude e que as exigências proporcionalizantes do MoDem sejam objecto do tratamento que tem sido dado a semelhantes reivindicações dos Liberal Democrats britânicos quanto às eleições para Westminster: isso da proporcionalidade é muito, muito giro, é muito moderno, em princípio têm toda a razão, mas para já não…

França: 2.ª volta (actualização)

O líder dos Verdes, Noel Mamère, anunciou a sua intenção de juntar os seus quatro deputados aos do PCF e de outros partidos de esquerda, para procurar chegar aos 20 deputados que dão direito a grupo parlamentar e aos direitos de iniciativa legislativa e acesso aos debates que lhe estão associados. Talvez a noite ainda tenha acabado por correr melhor aos comunistas franceses do que se esperaria.

Cá vos esperamos

França: 2.ª volta das legislativas

Apesar do resultado final não ser surpreendente (maioria absoluta para a UMP), os números da vitória do partido de Sarkozy é que ficaram aquém das previsões. Usando o esquema dos tópicos, cá vai:
- Em primeiro lugar, esta será a Assembleia Nacional francesa com maior número de deputadas de sempre, cerca de 20% (a actual composição era de 13%). É certo que o sistema eleitoral francês não se articula com um regime de quotas, uma vez que é maioritário, mas ainda assim o resultado é fraquito. Apesar de este ano, pela primeira vez, uma mulher ter disputado a segunda volta de umas presidenciais, ainda há muito trabalho pela frente.

- O PSF consegue um resultado francamente melhor do que o esperado. Não só trava aquilo que parecia uma inevitável vaga de fundo da UMP, como ainda consegue melhorar o número de deputados que tinha na legislatura anterior (tinha 141 deputados na assembleia actual, deverá passar a ter 205). O resultado deve-se, aparentemente, a dois factores. Por um lado, à maior mobilização da esquerda do que da direita, que assumiu a folga da semana passada como um sinal de confiança na vitória. Por outro lado, a transferência de alguns votos do MoDem de Bayrou. Apesar de, na sequência do apelo de Ségolène, este se ter escusado a apoiar candidatos socialistas, acabou por haver transferência de votos. A este cenário acresce a notícia de que Ségolène e Hollande estão separados e que a candidata derrotada pretende disputar a lidernaça do PSF ao ex-companheiro. Apesar de ter de enfrentar os barões do partido, o resultado de hoje reforça os pergaminhos de Ségolène: foi ela que insistiu na aliança com o centro, foi ela que não baixou os braços e lutou pela mobilização para a segunda volta. Da minha parte, que nunca endeusei o seu novo estilo e que estive por vezes céptico do seu sucesso presidencial, revelou nestas legislativa a dignidade de quem foi derrotado e ainda assim se empenhou na luta seguinte.
- O PCF tem um balão de oxigénio com a eleição provável de 18 deputados, o que apesar de não lhe dar direito a grupo parlamentar permite uma sobrevivência digna e a manutenção de relevância parlamentar. É quarta formação, a seguir aos aliados centristas de Sarkozy. Talvez se safe de vender a sede e o recheio, conforme se comentava há uns dias...
- François Bayrou vê confirmar-se a quase insignificância parlamentar do seu novo partido, apesar da percentagem de votos (retomarei este problema num outro post). Acompanhado de mais 3 deputados, Bayrou terá uma díficil travessia do deserto, com pouco peso político, isolado da sua família tradicional, cujo grosso está com Sarko (22 deputados para o Novo Centro) e longe do PSF à sua esquerda (a não ser que uma vitória de Ségolène possa alterar os dados do problema e permitir um namoro ao centro). Contudo, é de registar o flirt da UMP, que desisitiu da sua candidatura na circunscrição de Bayrou e levou à sua eleição folgada com mais de 60%. Quem sabe se o reencontro não se faz à direita?

- Marine LePen, filha do líder da Frente Nacional, falhou a eleição numa circunscrição do Pas-de-Calais, confirmando a ausência do partido da Assembleia Nacional. Apesar disso, o resultado é deveras significativo, tendo a candidata da FN recolhido mais de 40% dos votos.

- Finalmente, mais um desaire para Allain Juppé, que não consegue ser eleito. O antigo primeiro-ministro, um dos poucos indefectíveis de Chirac no governo de François Fillon, no qual era ministro de Estado, do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (e n.º 2 do executivo) vem somar mais uma derrota ao seu catastrófico currículo político recente (derrota eleitoral nas legislativas de 97, condenação por corrupção com inibição de direitos políticos por um ano e incapacidade de tomar conta da UMP, travando Sarkozy). Fillon fizera saber que quem fosse derrotado nas legislativas não poderia continuar em funções, por falta de apoio popular expresso nas urnas. Apesar de ser embaraçoso perder o n.º 2 do executivo, algures no Eliseu cheira-me que deve haver um sorriso nos lábios de Sarkozy...

sexta-feira, junho 15, 2007

Business as usual


É possível que, por ter açambarcado uma colecção de arte para doar ao Estado, por ter aparecido num anúncio ao banco de que é accionista, por ter patrocinado os estudos do novo aeroporto em Alcochete sem ter interesses no terreno (pois...), e por ter sido sucessivamente apontado como candidato à presidência do Benfica para agora vir lançar uma OPA sobre o clube, Joe Berardo tenha como motivação principal insuflar o seu gigantesco ego, e que tudo se trate de uma extravagância de milionário. É possível mas não é provável.

Se formos a ver, o negócio da colecção de arte é um bom negócio para o Estado, mas é também um bom negócio para Berardo, que associa permanentemente o seu nome ao acervo e coloca-se a si e aos seus familiares como caucionadores de qualquer decisão sobre os destinos da fundação - não se tente, por isso, apresentá-lo como acto de desinteressada benevolência. O anúncio do Millenium dá-lhe uma posição confortável quando se trata de meter Jardim Gonçalves na ordem numa Assembleia Geral do banco, e permite-lhe ficar bem visto aos olhos do cidadão comum, que mistifica este tipo de personagens, ainda por cima quando é o primeiro a assumir-se publicamente como patrocinador do estudo da CIP.

Joe Berardo é um jogador que sabe interferir de forma a virar o mercado a seu favor. E ser dono do Benfica, isso sim, seria o auge. O Benfica, seguramente a marca mais conhecida de Portugal, não é só a paixão do povo. Enquanto clube tem um potencial para gerar receitas que nenhum outro clube de futebol tem, e que começa agora a despontar, passado que foi o tempo dos delírios megalómanos do final do século passado. O negócio do Benfica, como o de qualquer clube em Inglaterra ou de qualquer franchise desportivo nos EUA, é a capacidade de mexer com a paixão e o irracional de milhões. O modus operandi de Berardo passa por explorar o subjectivo e o irracional nos negócios. Não é por benfiquismo nem por simpatia que Berardo quer o Benfica: é porque Berardo sabe o que o Benfica vale e vai valer daqui a uns anos, e porque sabe o que ele pode fazer com o Benfica.

Coulter-bashing is fun

Depois de ler este post no 31 da Armada, lembrei-me deste segmento do Late Show:

quinta-feira, junho 14, 2007

Grandes frases do debate político


Margarida Moreira, Directora Regional de Educação do Norte, inquirida pelo DN sobre se o seu trabalho é político:


Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque.