segunda-feira, maio 14, 2007

domingo, maio 13, 2007

Aquilino ao Panteão. Já

Um grupo de Monárquicos do Fórum Democracia Real (um claro oximoro) pretende impedir, com esta petição, que Aquilino Ribeiro seja transladado para o Panteão Nacional.

Para além de se tratar de um dos escritores mais profícuos do princípio do século XX, Aquilino ajudou a fazer tombar um regime Monarquico que se provou incapaz de trazer o progresso e reduzir a desigualdade social, que se sentia com especial intensidade até ao 5 de Outubro de 1910, e que perdurou com a ajuda das divisões entre Republicanos, da Igreja e de Fátima, de Salazar e do Estado Novo até ao 25 de Abril de 1974.

Ainda assim, e a propósito de Aquilino Ribeiro, disse Salazar: "É um inimigo do Regime. Dir-lhe-á mal de mim; mas não importa: é um grande escritor.". Isto apenas para dar uma referência de um totalitarista com que a maioria dos potenciais subscritores desta petição simpatizará.

É óbvio que, pessoalmente, nunca desconsideraria um regicida para honras de Panteão Nacional, mas a verdade é que nem os próprios autores desta petição ousaram relacionar directamente Aquilino com o regicídio, nem conseguem claramente provar a sua participação em actos de “terrorismo”.

Esta petição pretende apenas lançar uma dúvida mal fundamentada, no registo actual de culpados até prova em contrário, num processo merecido de “panteonização" de uma incontornável personalidade da literatura Portuguesa.

sábado, maio 12, 2007

o ppl n kurte bento16, lolol

João Paulo II promovia a Igreja pop fenómeno de massas. Não interessava que quem aparecesse conhecesse o dogma de fé da imaculada concepção de Maria ou outras admiráveis elaborações teológicas de séculos de actividade doutrinária sem as quais um católico não se pode considerar verdadeiramente como tal. Interessava é que aparecesse muita gente, porque multidão atrai multidão, e quantos mais forem melhor corre o negócio. O bem-estar espiritual da mensagem simples de Jesus Cristo é muito bonito, mas não vale de nada se não for complementado com o acolhimento amoroso no seio da Santa Madre Igreja. Assim é que Fátima é cada vez mais um hipermercado da fé, assim é que aumentam as pessoas que vão a Fátima a pé em busca da tripe suprema.

Bento XVI anda a pregar a sobriedade litúrgica no Brasil, um país onde ou se monta um show monumental ou os fiéis vão a correr para o teatro evangélico mais próximo. Desejo-lhe boa sorte porque acho que faz bem.

Apesar de em última análise os seus esforços se dirigirem a uma Igreja Católica cada vez mais moralmente conservadora, fechada sobre si mesma e pesada na vida de cada fiel, a verdade é que já é tempo de alguém pôr ordem na rebaldaria que João Paulo II trouxe. Mas a vida não lhe vai correr bem. Bento XVI já é a figura antipática que é. Se faz da missa uma celebração sóbria, mais concentrada na palavra do que na emoção, quem é que vai gostar do que vai ouvir?

sexta-feira, maio 11, 2007

Se ainda não fez, podia ter feito

Segundo uma testemunha anónima, Marques Mendes adjudicou hoje o desenvolvimento de uma aplicação para interligar a base de dados do Ministério Público com o sistema de gestão de militantes e detentores de cargos políticos do PSD.

Com o nome de código “Expulsão na hora”, este sistema informático procurará reduzir o tempo entre a constituição como arguido de um militante ou detentor de cargo e a respectiva expulsão ou exoneração. Segundo a mesma testemunha anónima, Marques Mendes terá subido a um pequeno banco e dito em êxtase: “É mesmo isto que precisamos! Poupa-se uma tgabalheiga e consegue-se expulsag logo os gajos, sem toda a chatice de uma análise política caso a caso”.

O projecto foi adjudicado a um sobrinho de um conhecido futuro ex-militante do PSD e perspectiva-se, logo no arranque desta aplicação, um elevado nível de transacções de expulsão e exoneração, bem como a realização de novas eleições antecipadas na Madeira.

O legado de Alegre

A decisão de Helena Roseta em avançar para a Câmara Municipal de Lisboa é claramente uma manifestação do legado da candidatura de Manuel Alegre à presidência da república, mas baseia-se no frágil mito da "intervenção cidadã" que surgiu com o aparecimento do Bloco de Esquerda e continuou com Alegre.

A obstinação de Manuel Alegre em seguir em frente nas eleições presidenciais, contra o PS, foi uma coisa boa que aconteceu à democracia portuguesa, porque permitiu libertar a acção política da lógica partidária. Muitos cidadãos mobilizaram-se em torno de uma candidatura e de um projecto político de uma forma como nunca sucederia em relação a um candidato apoiado por um partido. Mas a presidência da república é um cargo singular que se presta a uma pessoa como Alegre, que pode atrapalhar-se nas entrevistas e debates, mas que consegue ler e perceber o sentimento do país, e que sabe o que tem de ser dito em cada momento, ao contrário do actual incumbente, que não consegue passar das generalidades inócuas e das banalidades paternalistas. Nesse quadro, e na ausência de um candidato consensual de esquerda, a obstinação de Alegre fez sentido, e a sua candidatura acabou por ter muitos dos elementos característicos da democracia americana. Outra coisa é concorrer a eleições autárquicas.

Ao contrário do que sucede em Portugal, nos Estados Unidos não existe um direito dos partidos, enquanto associações públicas, de apresentarem candidatos a cargos públicos. As candidaturas são pessoais, não são partidárias. O partido apoia o candidato, o candidato adopta a referência ao partido (embora muito discretamente), mas a candidatura é apresentada em nome individual, não em nome do partido. Isto não se deve só ao facto de a quase totalidade dos cargos públicos serem de provimento uninominal e de não haver listas; deve-se também ao carácter individualista da sociedade americana e à tónica que é colocada na responsabilidade do indivíduo perante a sociedade. Nos Estados Unidos também não é o programa do partido ou as orientações do aparelho que ditam a escolha do candidato, mas sim a capacidade do cidadão de mobilizar apoios para uma plataforma, um conjunto de princípios e medidas que constituem a base programática do candidato. Daí que seja natural em cada eleição haver mais do que um candidato de cada partido.
Este sistema permite que os cidadãos se envolvam mais à vontade na política, porque, ao apoiarem uma candidatura, aderem ao candidato e à sua plataforma, não ao partido. Seria bom que em Portugal se evoluísse para uma forma semelhante de acção política, conhecido que é o descrédito que os portugueses têm em relação aos partidos políticos.

A candidatura de Manuel Alegre deu indicações de que há receptividade para evoluir nesse sentido, mas criou a ilusão de que as candidaturas independentes é que são boas e as dos partidos só representam a podridão do sistema, e esse é um erro crucial para a democracia que Helena Roseta se arrisca a cometer. Porque a sua candidatura, a acontecer, não tem no momento presente o mesmo cabimento que teve a candidatura de Manuel Alegre, e porque uma eleição presidencial não é igual a uma eleição autárquica, desde já porque para esta é preciso reunir uma equipa, e nesse caso a estrutura partidária é uma vantagem inestimável.

O que faz mais falta à democracia não é demonizar os partidos políticos, mas lutar por dentro para que estes sejam verdadeiras organizações pluralistas de intervenção cívica e política, e não meros clubes recreativos em que a acção política é feita pelo aparelho, enquanto que às bases resta fazer claque nas eleições e caravana na noite da vitória eleitoral.
O que faz mais falta à democracia portuguesa é criar o hábito de mobilização dos cidadãos para causas bem determinadas, para plataformas de entendimento, sem que a isso tenha que se seguir a criação de um movimento como o Movimento de Intervenção e Cidadania, que se dedica a várias causas que não têm outra relação para além da de integrarem a mesma visão de conjunto sobre a sociedade. Ou seja, o que o MIC faz é o mesmo que faz um partido, mas sem lhe dar esse nome, para não assustar os cidadãos. O MIC é agora para a democracia portuguesa o que o Bloco de Esquerda foi quando apareceu, com o resultado que se viu, e que não poderia ser outro - e a meu ver bem, embora eu já tivesse dado para esse peditório.

Helena Roseta seria uma boa candidata do PS à Câmara, e o PS faz mal em não a querer, se é verdade que foi isso que se passou. Mas, apesar de ganhar, para já, em ser a única figura motivada para gerir uma Câmara sobre-endividada e sem margem para executar um programa político, ao colocar-se de fora da maneira como se colocou Helena Roseta põe em risco qualquer possibilidade de um entendimento à esquerda que é já de si difícil, e contribui para aumentar a confusão do eleitorado quanto à existência de uma alternativa credível para a Câmara da capital.

quarta-feira, maio 09, 2007

Blair e a História


A cerimónia histórica de ontem em Belfast representa um dos maiores êxitos de Tony Blair. Não deixa de ser de assinalar que os únicos protestos que mancharam o evento no exterior tenham sido de opositores da guerra no Iraque, que aproveitaram a ocasião para se fazerem ouvir, deixando um irónico sumário do legado ambivalente de Tony Blair enquanto figura histórica...

Introdução à luta de classes

Assim que soube que tinha saído o DVD, corri a comprá-lo. Novecento, de Bernardo Bertolucci é um catecismo socialista. É tipo "Os Dez Mandamentos" de Cecil B. de Mille, ou qualquer épico bíblico, mas artisticamente muito mais bem conseguido. Não é só um filme grande (5 horas), é um grande filme.

terça-feira, maio 08, 2007

Arre, que é ruim II

Proponho um exercício mental para quem ainda não tenha visto SM 3: chama-se "detecte a simbologia cristã de um filme aparentemente tontinho".

Uma pista: libertação do 'mal' numa torre de igreja. E mais não digo.

Outra, "spot the Stars & Stripes".

Arre, que é ruim.

Só se safam os soberbos efeitos especiais: 30 minutos em 180. De resto, uma xaropada de primeira apanha. Quase tão mau como o Maria Antonieta da Sofia Coppola (também com Kirsten Dunst). Com a diferença de que no caso do SM 3 não há uma misericordiosa guilhotina a pôr fim ao despautério.

segunda-feira, maio 07, 2007

Laicidade qb

Os membros deste blog costumam ser ferozes defensores da laicidade, da laicização do espaço público português e de uma visão particular da história, em que a separação entre Estado e religião institucional é vista como um sintoma de modernidade e progresso.

O que se passa neste momento na Turquia serve de chamada de atenção para a importância do contexto (cultural e histórico) em que se analisam causas aparentemente universais, tais como a laicidade. Na Turquia, os guardiões da laicidade são os militares. Estes têm revelado tremendas dificuldades em se habituar à ‘normalização’ da vida institucional turca, que inclui, naturalmente, a aceitação da supremacia das instituições civis e democraticamente eleitas.

Ora, no passado dia 27 de Abril, o exército levou a cabo aquilo que o Economist chamou um “e-coup”, um “golpe militar electrónico”: colocou na website do CEMGFA uma ameaça velada de “intervir”, caso a “deriva islamista” das instituições civis não parasse. Já.

Sem entrar em descrições detalhadas dos aspectos mais recentes e enfadonhos desta suposta “deriva islâmica”, importa esclarecer que desde que o partido do Primeiro-ministro Erdogan (o AKP), chegou ao poder em 2002, a Turquia – um país cuja Constituição é quase tão laica como este blog – tem assistido a uma gradual (e saudável!) separação não entre Estado e Igreja, mas antes entre Estado e Forças Armadas. A Turquia abriu-se política e economicamente mais nestes 5 anos do que nos 20 anteriores. A este processo de modernização e emancipação da democracia turca da asfixiante tutela militar não foi alheia a (legítima) aspiração a entrar na União Europeia.

Muitos entres nós (o “crowd” laico) sentimos por vezes alguma indecisão entre dedicar a nossa empatia aos militares (laicos, ‘ocidentalizados’), ou aos adeptos do partido islâmico. Essa indecisão é agravada, no meu caso, por conversas que tenho com amigos turcos que exprimem angústia em relação à possibilidade de uma subversão lenta e intra-sistémica do Estado laico turco por parte dos ‘islamistas’. Também não é difícil encontrar declarações de Erdogan (dos seus tempos rebeldes, ainda bem longe do poder) bem venenosas em relação a uma certa minoria religiosa que recentemente fundou um certo Estado na região…

Mas no contexto turco, a alternativa ao islamismo moderado e virado para a Europa é o nacionalismo chauvinista, defensivo e autoritário dos militares e do partido fundado por Atatürk (Partido Popular Republicano…). Há que resistir à tentação de analisar o que se passa na Turquia fazendo uso de categorizações simplistas (laicos vs. anti-laicos). Seria infinitamente mais útil ver as coisas nos termos em que Olli Rehn, Comissário europeu para o alargamento, as descreveu hoje no Parlamento Europeu: a escolha da Turquia é entre “democratic secularism” e “authoritarian secularism”. São estas as opções na mesa, e não França vs. Taliban, ou Alemanha vs. Arábia Saudita.

Cabe à Europa ajudar a Turquia a cimentar a democracia e a laicidade e demonstrar que ambas são inseparáveis. A primeira sem a segunda fica incompleta; a segunda sem a primeira chama-se ditadura militar.

E todo o conhecedor da história de Portugal sabe no que dão ditaduras militares: regimes fascistas seguidos de guerras seguidas de revoluções populares seguidas de democracia
seguida de blogs revanchistas de miúdos queques com saudades dos tempos em que toda a gente sabia o seu lugar e usava chapéu. E nós não queremos isso para a Turquia, que é boa gente.

Números

Já que tanta gente está impressionadíssima com a força dos números da vitória de Jardim, que tal colocá-los em perspectiva matemática.

- Alberto João Jardim, vencedor das eleições regionais na Madeira com 90 339 votos.

- Lei das Finanças Regionais, aprovada por 121 deputados do PS, eleitos por 2 588 312 votos.

Get it?

Aspirina católica

Em Espanha teme-se o recuo dos valores católicos essenciais face ao avanço da epidemia de homossexualidade e do "revisionismo" de alguns movimentos da Igreja em voga na época da transição constitucional - Cristãos pelo Socialismo, Teologia da Libertação. O arcebispo de Pamplona dá a receita para tratar a doença de que enferma o país: «Comunión Tradicionalista Católica, Alternativa Española, Tercio Católico de Acción Política, Falange Española de las JONS têm um valor testemunhal que pode valer um voto, e poderiam constituir alianças importantes se conseguissem o apoio suficiente dos cidadãos católicos».

Não se morre do mal, morre-se da cura.

Mais sobre a lei do tabaco

Aquela que me parece ser a verdadeira questão sobre a lei do tabaco.

The Queens

Helen Mirren foi convidada para jantar com a rainha no Palácio de Buckingham. O discurso na noite dos Óscares caiu bem junto da monarca, que manifestou o desejo de conhecer a actriz. Encontrando-se a filmar nos EUA, Helen Mirren agradeceu o convite e pediu desculpa por não o poder aceitar na data proposta, uma vez que atrasaria as filmagens, demonstrando profissionalismo e respeito pelos compromissos assumidos.

Fontes próximas do palácio não tardaram em transmitir à imprensa notícias da "afronta" e passaram uma mensagem de insulto que não me parece corresponder de todo à atitude da actriz. Talvez fosse ocasião para os assessores da soberana se recordarem das qualidades da rainha que Mirren elogiou e que motivaram o convite: responsabilidade e sentido de dever.

Valem para todos sabem? Mas, enfim, talvez não saibam. Essa é já uma dimensão excessivamente republicana para ser apreendida por todos nos corredores do palácio...

Open race

Republicanos desiludidos aproximam-se de Obama. Hillary, watch out.

Mais escoceses

Já começa a parecer obsessão, mas eis que mais um escocês está nas notícias. Jack Reid, ministro do Interior britânico, anunciou que não continuará num governo com Gordon Brown, permitindo-lhe renovar o executivo e começar um novo ciclo. Rival de longa data de Brown, por vezes apontado como possível candidato alternativo à sucessão de Blair, Jack Reid sai num contexto em que não são claros os efeitos para o provável futuro PM. Reforça-o, desaparecendo um foco de oposição interna e com quem tinha um relacionamento difícil? Ou enfraquece-o, uma vez que perde um peso-pesado que sai da esfera mais controlado do Governo e regressa ao parlamento?
Time will tell.

Back to Scotland

Já perceberam que estou vidrado na Escócia. Novidades dos últimos dias adensam as incertezas. Primeiro, e depois de dizerem que, em princiípio, não se coligam com o Labour, os Liberais Democratas confirmam que se o referendo sobre a independência não sair da agenda dos nacionalistas, não há coligação possível (para o tripartido maioritário só os verdes deram, para já, assentimento). Governo minoritário do SNP com os Verdes é, pois, uma séria probabilidade.

De seguida, um possível efeito-Flórida pode avizinhar-se. Numa eleição em que o SNP apenas ficou à frente por um mandato, um trabalhista derrotado pondera uma impugnação judicial motivada pelo caos na votação e escrutínio que se verificou em vários locais. Caso avance, reabre-se a incerteza quanto ao maior partido.
Ainda a acrescer, temos a deputada independente Margo MacDonald, que poderá ser o fiel da balança no parlamento de Holyrood, a ponderar uma candidatura a Speaker do Parlamento. Como ninguém a quererá hostilizar, arrisca-se a poder ser eleita.
Finalmente, a espada de Dâmocles - ou há governo até finais de Maio, ou regressa-se às urnas. E regressar às urnas depois de Maio significaria regressar às urnas com outro inquilino em Downing Street, muito provavelmente um escocês...
SNP - 47 mandatos
Trabalhistas - 46 mandatos
Conservadores - 17 mandatos
Liberais Democratas - 16 mandatos
Verdes - 2 mandatos
Independente - 1 mandatos

Provocaçãozinha


Costumo ser pouco radical e provocador por estas bandas, aquilo que na gíria normalmente se descreve como um chato. Mas há pouco vi citada uma das frases de Sarkozy e só me lembrava da divisa do Estado Francês de Pétain, que arrumou na gaveta a trilogia republicana que encabeça, entre outros, este blog. Sarkozy prometeu: "Je vais réhabiliter le travail, le respect et la morale". A divisa do estado pétainista era: "Travail, Familie et Patrie".
Venham daí esses comentários indignados, que também tenho direito!

domingo, maio 06, 2007

As duas surpresas

PND e MPT elegeram, cada um, um deputado à Assembleia Legislativa Regional da Madeira. Confesso que esperava um bom score do PND, tendo em conta a campanha desenvolvida pelo líder regional através da técnica de stalker das inaugurações de Jardim, tendo até imaginado este cenário de eleição de um deputado. O MPT é que me apanha totalmente na curva - escapam-me provavelmente factos locais relevantes para a eleição de um deputado e até para a o resultado à frente do PND.





Uma explicação possível pode passar pelo score muito elevado do PSD e pelo score baixo do PS e os seus efeitos no método d'Hondt num cenário de círculo único. O PSD capitaliza claramente o estatuto de maior partido para efeitos de apuramento, mas é um efeito potenciador que tem limites a partir de uma determinada fasquia percentual. O PS, por seu turno, não beneficia do efeito potenciador do método d'Hondt para os segundos partidos uma vez que tem um score que, em sistemas de dois grandes partidos é, usualmente, de terceira força política. Neste cenário, não se dispersam votos, beneficiando todos os pequeneos partidos candidatos. De facto, coisa inédita, todos os partidos concorrentes estão representados. Pelo menos desta perspectiva, a mudança da lei eleitoral foi positiva e contribui para o maior pluralismo do parlamento madeirense (bem necessário nesta legislatura regional que se inicia).