quarta-feira, dezembro 20, 2006

Conto de Natal


É Natal. A todo o momento espera-se a produção do último veículo na Opel de Azambuja.
Fim.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Obrigado Gilberto

Hoje no Público Online:
Gilberto Madaíl diz que instrução do Apito Dourado termina em Fevereiro

Obrigado

Mais livre, mais justo e mais fraterno

A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista.

Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.

A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do país.

A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Memória curta

Este parágrafo é de um artigo do New York Times de hoje:

A spokesman for the White House, Tony Fratto, said: "Augusto Pinochet’s dictatorship in Chile represented one of most difficult periods in that nation’s history. Our thoughts today are with the victims of his reign and their families."

É comovente a empatia dos EUA pelas vítimas chilenas.

Os chilenos, tal como os argentinos, os paraguaios, os brasileiros, e outros, ainda estão à espera de um pedido de desculpas formal dos EUA pelas décadas de apoio de Washington à maior colecção regional de bandidos-chefes-de-estado do século passado.

É que os latino-americanos ainda teimam em não se mostrar agradecidos por terem sido salvos da "peste comunista."

domingo, dezembro 10, 2006

Venceremos


Não se chegou a fazer justiça.
Há que continuar a preservar a memória.

segunda-feira, novembro 27, 2006

You are welcome to Elsinore


Dele ficarão na História as palavras como navalhas que rasgavam a pele e deixavam feridas que floriam.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Léon Blum, 1872-1950





Um grande republicano.
Um grande socialista.
Aconselho a toda a gente a biografia escrita por Jean Lacouture (1972). Por ocasião da morte de Blum, Clement Attlee, primeiro ministro britânico trabalhista disse que se perdia (em francês no original) "le plus éminent socialiste de son temps et un admirable leader d'hommes libres."

Cessar-fogo em Gaza já!




Sem condições.

Welcome back!



É que já não se podia respirar!

quarta-feira, novembro 08, 2006

Take America Back


Repare-se no punho erguido do esfusiante director de campanha de Tim Mahoney, Democrata que ontem conquistou aos Republicanos um lugar no Congresso pelo 16.º Círculo da Florida.
A foto é do site da CNN e o ficheiro informático que lhe corresponde identifica-a sumamente: "fist". Provavelmente um gesto sem grande significado, mas o poder dos símbolos também cabe a cada um atribuir.
Com a Câmara dos Representantes decidida e o Senado num impassível empate, bem encaminhado para que descaía para os Democratas, a América decidiu claramente pela mudança, e parece recompor-se dos danos do neo-conservadorismo obscurantista.
A vitória dos democratas não pode gerar uma alegria clubística, mas é legítimo exultar pelo facto de os americanos terem colocado no devido lugar aqueles que empurraram a América para o papel que não merece ocupar como o ódio de estimação do resto do mundo, e que com tanta ligeireza arrumaram os opositores das suas políticas na prateleira de inimigos.
Por estas e por outras a América será sempre a fascinante dádiva do Novo Mundo, sociedade partida ao meio e que não se pode apreciar sem se ter atenção a todas as variantes e componentes que a caracterizam. A América não pode ser só odiada porque os americanos têm a mania de que a liberdade que existe no mundo se deve a eles, ou porque são geralmente ignorantes e desdenhosos do que desconhecem, como se isso não lhes dissesse respeito, nem pode ser só amada por ser a pátria de grandes homens ou de um modo de vida livre. A liberdade na América e no mundo depende da prevalência dos que a querem garantir, não do poder dado aos que a querem domar e conter a seu belo prazer.
Na sua crónica de Sábado no Expresso, Miguel Sousa Tavares falava muito acertadamente das duas Américas que existem em constante tensão, a América de Thomas Jefferson, liberal e assente na dignidade do ser humano e do indivíduo, e a América do General Custer, prepotente e arrogante, apostada em impôr o seu modo de ser aos indígenas. Mas, como a história não cansa de demonstrar, a liberdade pode ser diminuida temporariamente mas sobrevive e acaba por triunfar, enquanto que as investidas como a do General Custer acabam por resultar no que se sabe.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Lista Negra

A muito badalada iniciativa da RTP de iniciar o processo electivo do maior dos portugueses de todos os tempos (pelo menos desde que há Portugal), não dá só para discutir a ausência inicial de Salazar do lote de convocados. Dá também, se não para revirar os olhos em náusea, o pretexto para a diversão a pensar em muitas outras exclusões se comparadas com alguns dos pré-seleccionados - ainda que ressalvando, nunca demais, que se trata de um lista de sugestões e que se pode votar em quem quiser (estou tentado a votar no meu avô). Senão vejamos só alguns exemplos de grandes portugueses de sempre, e por ordem de ocorrência:

Adriano Correia de Oliveira - e porque não Sérgio Godinho?
Al Berto - e porque não Teixeira de Pascoaes?
Jesus Correia - e porque não Matateu?
D. João VI - e porque não todos os outros?
José Mourinho - e porque não Moniz Pereira?
Guilhermina Suggia - e porque não Domingos Bontempo?
Padre Himalaia - e porque não este?

A propósito da polémica de Salazar, recomenda-se uma visita ao Abrupto para ver alguns exemplos de notícias cortadas pela censura e a fundamentação para tal - uma pérola do obscurantismo!

Não há mal que sempre dure

«Ministro da Economia anuncia fim da crise em Portugal»

Só acredito quando for publicado em Diário da República.

terça-feira, outubro 10, 2006

This Day in Boina

10 de Outubro, Dia Internacional Contra a Pena de Morte.
Digam isso no Texas.

segunda-feira, outubro 02, 2006

O Regresso...


Enquanto aguardamos a notícia da segunda volta ou da vitória de Lula à primeira, eis um facto eleitoral relevante: Fernando Collor de Mello foi eleito senador pelo Estado de Alagoas.
Irá ocupar o lugar deixado vago pela ex-senadora Heloísa Helena, ex-militante do PT, que optou por concorrer à eleição presidencial em nome da moralização da vida pública e em repúdio do escândalo do mensalão que abalou o seu anterior partido. Conhecera ela o seu sucessor no Senado, não sei se teria ponderado duas vezes sobre qual o desafio eleitoral que maior moralização traria ao Palácio do Congresso...

Suspense na recta final


São agora 2:29 em Lisboa, 23:59 em Brasília. Neste momento estão apurados 89.57% dos votos: Lula da Silva em primeiro lugar com 49,28% contra 40,95 de Geraldo Alckmin. O actual presidente encontra-se, portanto, a um cabelo da eleição à primeira volta.

Dois dos estados com o apuramento mais atrasado são o Rio de Janeiro (que vai em 87% de votos apurados) e São Paulo (que vai nos 67%). Se no primeiro caso Lula lidera com quase 49% contra os 29% de Alckmin e os 17% de Heloísa Helena, em São Paulo é Geraldo Alckmin, antigo governador daquele Estado, que vai na dianteira com 54% dos votos contados, contra cerca de 36% para Lula). Haverá eleito? Vou-me deitar com a dúvida se estarei de volta de manhã para comentar um cenário de reeleição de Lula ou a 2.ª volta de 29 de Outubro.

sexta-feira, setembro 29, 2006

A Contestatária



A 29 de Setembro de 1964 saiu a primeira tira da Mafalda.

Não sentem a sua falta nestes dias de início conturbado de século?

Sobre o mapa universitário


Em post no Causa Nossa esta segunda-feira, Vital Moreira, a propósito da inclusão do ISCTE no Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, critica o excesso de universidades públicas com sede em Lisboa (mais de um terço do total, conforme refere), apontando a ausência de universidades públicas nos três distritos adjacentes de Leiria, Santarém e Setúbal como uma forma de evitar retirar o mercado a Lisboa.
Não tanto em defesa da honra da capital, mas essencialmente com o intuito de contribuir para demonstrar que o ataque ao pretenso centralismo macrocefálico não é justo, chamaria a atenção para o seguinte:
1 - Das seis Universidades com sede em Lisboa apontadas, uma não é sequer uma universidade pública. Trata-se, obviamente, da Universidade Católica Portuguesa, cuja presença no CRUP é uma clara violação da igualdade entre universidades privadas, na medida em que a privilegia, e um atentado à separação do Estado e das Confissões Religiosas. É algo que Vital Moreira aponta no seu post e que subscrevo inteiramente. Mas há que tirar a ilação devida - a UCP não é universidade pública, logo não serve para exemplificar a macrocefalia alfacinha.
2 - Uma das outras seis Universidades apontadas por Vital Moreira é a Universidade Aberta. Sem prejuízo da sua sede se localizar em Lisboa, não podemos seguramente colocar um estabelecimento de ensino superior à distânica no mesmo plano de análise de universidades de ensino presencial clássico . Ou seja, uma universidade que ministra ensino à distância e em que a localização da sede é irrelevante para a transmissão de conhecimento, precisamente porque aposta em chegar a massas populacionais geograficamente dispersas (vide site da UA), não deve ser utilizada para demonstrar o centralismo académico.
3 - A existência das quatro universidades / institutos não integrados que restam (Universidade de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa, Universidade Nova de Lisboa e ISCTE) não pode ser objecto de comparação pura e sem enquadramento. De facto, enquanto que em Coimbra ou no Porto as duas universidades públicas integram todas as faculdades existentes, as mais antigas universidades da capital, a Universidade de Lisboa e a Universidade Técnica, repartem entre si as faculdades que noutros pontos do país se concentram numa única instituição. Mais interessante do que a contabilidade das universidades em bruto, seria a contabilidade das respectivas faculdades (a título de exemplo, a Universidade de Lisboa tem 8 e a Universidade Técnica de Lisboa tem 7, enquanto a do Porto tem 14) ou mesmo da oferta de cursos (em Coimbra a Faculdade de Medicina oferece Medicina e Medicina Dentária, que na Universidade de Lisboa se repartem por duas Faculdades distintas).
4 - Continuamos a ter um saldo excessivo? De facto, a Universidade Nova e o ISCTE por si só já empurram Lisboa para o topo da concentração de universidades públicas. O que cumpre analisar é se há ou não uma causa para esta realidade. Não será que o número de habitantes da zona de Lisboa contribuirá para a resposta a esta questão? Não será habitual encontrar mais de um estabelecimento público de ensino nas capitais europeias (Paris tem 10 universidades públicas, enquanto Londres, Berlim, Madrid, Bruxelas têm duas ou mais)?
5 - Finalmente, deixo apenas uma última pergunta no ar. Se por três dos distritos limítrofes de Lisboa não terem universidades públicas deparamos com proteccionismo, o mesmo não se aplica a Coimbra, visto que Leiria, Viseu e Guarda também não têm ensino universitário público?

quinta-feira, setembro 28, 2006

15 anos sem Miles...



Don't call me a legend, just call me Miles Davis...

Miles Davis
(25 de Maio de 1926 - 28 de Setembro de 1991)

Modernidade vs Obscurantismo

Será menino ou menina?


Já em tempos problematizei o dilema das monarquias modernas em torno das leis de sucessão. Ao procurarem ser sensíveis ao género e eliminar as discriminações decorrentes da varonia gritam alto e a bom som que o rei vai nú: torna-se o regime mais igualitário ao não discriminar as mulheres, mas permanecemos medievalmente indiferentes à discriminação de 99,999999999% da população no acesso à Chefia de Estado.
Em Espanha as coisas complicam-se ainda mais. Agora que todos estavam decididos a ter uma rainha daqui a duas gerações, os princípes das Astúrias trataram de engravidar novamente e re-lançar o debate - e se for um rapaz e a constituição ainda não estiver alterada quando nascer? Prejudica-se o jovem herdeiro aparente?
Dilemas a que as Repúblicas se continuam a poupar...

terça-feira, setembro 26, 2006

Contabilidade persa

Ahmadi-Nejad, Presidente do Irão (e grande pândego, sim senhor) discursou recentemente perante a 61ª Assembleia Geral da ONU.

Mencionou 30 vezes a 'justiça' e a 'injustiça';
Mencionou 11 vezes o Iraque;
Mencionou 3 vezes a Palestina;
Mencionou as mesmas 3 vezes a 'ocupação';
Mencionou uma (só!) vez o 'regime sionista';

Mencionou 'Sudão' e 'Darfur' zero vezes.

Zero.

Também, são só muçulmanos árabes a eliminar sistematicamente muçulmanos negros.

Quéquintressa.

200.000 mortos e 2.5 milhões de refugiados, talvez até genocídio: não chega para aparecer no discurso de Ahmadi-Nejad.

segunda-feira, setembro 25, 2006

100 anos





"Um artista criativo trabalha na sua próxima composição porque não ficou satisfeito com a anterior."



Dmitri Shostakovich
(25 de Setembro de 1906 - 9 de Agosto de 1975)

domingo, setembro 24, 2006

Feliz ano de 5767!

Juntar o útil ao desagradável


Edmund Stoiber, presidente do governo regional da Baviera e líder da CSU, partido siamês da CDU e, para todos os efeitos, partido no poder na grande coligação alemã, afirmou na sequência de algumas críticas feitas ao Papa por dirigentes turcos, que tais afirmações revelam "uma grande distância espiritual e cultural em relação aos valores europeus" e que "a Turquia não é Europa e não faz parte da Europa".

Stoiber parece insistir em esquecer-se de que o projecto europeu não é cristão e muito menos católico, não podendo, nem devendo a União Europeia deixar-se guiar por considerações de cariz teológico. O Vaticano não é Estado membro da União Europeia, nem poderia ser, desde logo, porque a UE exige o respeito pela democracia e pelo Estado de Direito, enquanto o pequeno enclave romano não passa de uma teocracia vitalícia medieva.
Sem dúvida que algumas críticas ao que o papa afirmou são exageradas e instrumentalizadas para fins religiosos, aludindo-se a cruzadas e associando-se o papa ao todo o mundo ocidental com finalidades políticas claras e inadmissíveis. Contudo, são diferentes as observações de quem leu toda a comunicação de Bento XVI e que apontam o seu carácter discriminatório e criticam a tentativa de demonstrar superioridade católica através do argumento de que a "minha religião é mais racional que a tua". O proselitismo vai sempre preferir o choque das civilizações à la Huntington à aliança de civilizações do tipo proposto por Zapatero.
Neste contexto, digam lá se não foi este um incidente muito útil...?

Beneplácito Régio e incertezas


Ao fim de alguns dias o que era provável tornou-se evidente: o golpe de Estado tailandês beneficiou, pelo menos, da cumplicidade do monarca, senão mesmo do seu incentivo. Ao contrário do seu homólogo espanhol que se pôs do lado da democracia a combater o golpe em 82, Bhumibol "convidou" a extracção do seu primeiro-ministro e reafirmou a sua autoridade real que este beliscara.
Como já afirmei em post anterior, não procuro afirmar a bondade dos governos anteriores de Thaksin, nem branquear o carácter pouco transparente e potencialmente corrupto da sua gestão. Em causa está apenas o lamentar da instabilidade de uma das poucas democracias da região e a incerteza quanto ao futuro.
Apesar do novo executivo se comprometer a convocar eleições em Outubro de 2007 (promessa de tipo musharafiano), não hesitou em proibir a actividade partidária e as manifestações na capital, nem em censurar a imprensa. As rosas com as quais os populares saudavam os militares não chegam para as comparações abrilistas - trocou-se um democracia imperfeita por uma ditadura militar clássica.
Já agora, para finalizar, a estocada republicana. Dirão alguns que o caso de Juan Carlos demonstra que a monarquia socorrerá a democracia quando em perigo e que o caso tailandês apenas revela falta de maturidade democrática, o que não invalida o pape do monarca constitucional. Eu direi, pelo contrário, que a república permite levar Juan Carlos e Bhumibol às urnas e deixar o eleitorado escolher qual é que prefere como fiel da balança...

quinta-feira, setembro 21, 2006

Sol posto

Já vi o Sol. Não quando ele nasceu, porque não chegou à minha habitual banca de jornais (assim se demonstrando que o Sol, quando nasce, nem sempre é para todos), mas graças aos bons ofícios de uma colega que mo ofereceu depois de o ler, sabendo da minha mania de coleccionar jornais.
Do Sol esperava-se um jornal à imagem do seu criador e, conhecendo o seu criador daquilo que ele dizia no Expresso, eu antevia o pior - e o pior aconteceu, como eu esperava.
O Sol está sempre a olhar para os que estão ao lado: logo na capa "um jornal que vale por si/este semanário não oferece brindes nem faz promoções"; lá dentro, outras miradas de soslaio, de onde se destaca o Cão Traste como a piadola dos DVD's.
Do seu criador o Sol herdou o ego astronómico, olhando de soslaio para a concorrência, não deixando de sublinhar em esparsos apontamentos a notícia do seu nascimento, o seu significado para o país, anunciando desde já o que é de esperar para os próximos números: as confissões do seu pai sobre como saiu do Expresso. Ficamos a saber que a lavagem de roupa suja está para durar, como se esperava.
É notório o copianço do Independente, até pela inclusão (que é de saudar) do Cãotraste, de Augusto Cid, mesmo que para continuar a sanha de vingança do querido líder (o Cão que conta vender jornais só porque oferece DVD's). Mas a subjectividade e criatividade dos títulos e da composição das notícias sai pífia quando comparada com a do defunto, e colando-se ao modelo do 24 Horas. É um jornal mais preocupado com ser engraçado do que ter graça.
É um jornal gordo, em que as letras dos títulos enchem demasiado a página, como a querer sair para vir agarrar leitores cá fora, mas também é gordo porque concentra muita informação no caderno principal, o que acho positivo, e que lamentavelmente se veio a perder no Expresso com a sua labiríntica rede de cadernos. O problema é que para além do fundamental se concentra o supérfluo, e o supérfluo caracteriza muito mais o Sol.
O Sol é um jornal cheio de muita coisa que não interessa mas é apetecível, e por isso é que, não sendo um bom jornal, tem tudo para abocanhar o mercado do Expresso, vetusto, institucional e decadente, embora nunca venha a ocupar o seu espaço.
Já vi o Sol, mas não vi a luz.

Excertos do discurso da Ministra dos Negócios Estrangeiros israelita (Tzipi Livni) na 61ª Assembleia Geral da ONU

"These days, the days of the UN General Assembly, fall this year at a time of unique significance for the Jewish people. They come on the eve of the Jewish New Year and the Day of Atonement and are know as the Days of Awe."

...

"We have been guided... by two core values that are embodied in out declaration of independence and shape our national identity.

The First - that Israel, with Jerusalem at its heart, is the national homeland of the Jewish people - their refuge from persecution, their first and last line of defense.

The Second - that Israel is a democracy; that the values of justice, peace and humanity - first expresed by the prophets of Israel - are an integral part of our nation's sense of mission."

...

"We share the same values as the community of democratic States. We are ready, and pround, to be judged by them. They are our own."

...

"Every innocent casualty in this conflict is a tragedy. There is no difference between the tears of a grieving Israeli mother and a grieving Palestinian mother. But there is a critical moral difference between the terrorists that hunt down civilians, and the soldiers that target terrorists, while trying to avoid civilian casualties."

...

Citando Ariel Sharon:

"The Palestinians will always be our neighbors. We respect them, and have no aspirations to rule over them. They are also entitled to freedom and to a national, sovereign existence in a state of their own."

...

"The Israeli-Palestinian conflict is the consequence and not the cause of this ideology of intolerance and hatred."

...

"May the curses of the last year end; may the blessing of the new year begin."

quarta-feira, setembro 20, 2006

Golpe no Reino do Sião



Uma situação política tensa e em crescente deterioração desaguou ontem em Bangkok em golpe de Estado. Sem prejuízo da insustentável posição do Primeiro-Ministro deposto Thaksin, das manifestações em massa promovidas pela oposição nos últimos meses, da instabilidade constitucional e das relações cada vez mais difíceis com o monarca, o governo agora deposto foi, apesar da polémica eleitoral, legitimado pela vontade popular tailandesa.
A crise revela acima de tudo as fragilidades da juventude democrática: instituições incapazes de evitar a paralisia e de utilizar os mecanismos legais para resolver problemas políticos, a manutenção do poder real como factor determinante na evolução interna e a transformação rápida da sombra tutelar dos militares em intervenção golpista.


Eclipse


Li o primeiro Sol e fiquei com uma indiferente sensação de déjà vu. Ainda assim, consigo assinalar três aspectos negativos no novo semanário:

- A pequenez provocatória da nota/alfinetada de primeira página, junto ao título, indicando que o Sol é um "jornal que vale por si" e que "não oferece brindes nem faz promoções";

- A secção de etiqueta, bobonizando o caderno principal de um semanário que vai querer assumir-se como referência;

- A narrativa épica da saída de J. A. Saraiva do Expresso e da fundação do jornal, que, para além da opção ética duvidosa de revelar o teor de conversas profissionais de foro privado, assume uma dimensão onanista inconsequente, despropositada e algo megalómana.

terça-feira, setembro 19, 2006

Juro que não é obsessão pelo Pontifex


Já que estamos numa de recomendações e links, também a não perder um artigo muito interessante de Fernanda Câncio no DN de hoje em torno do erro e da infabilidade papal.

O esférico rolando sobre a erva


No contexto dos apitos, do Mateus e dos golos com a mão, a não perder o post do Zé Diogo Quintela no Gato Fedorento a propósito do jornalismo desportivo.

domingo, setembro 17, 2006

A Igreja, o passado e a contrição





Tiro o chapéu a Bento XVI. Percebeu rapidamente o alcance do que disse e tirou as consequências que tinha que tirar. Para a próxima é melhor não citar um imperador islamofóbico do século XIV - cismático ainda por cima (ver o Grande Cisma Oriental de 1054). Terá sido a citação uma espécie de piscar de olho ecuménico aos primos gregos? Não, foi mesmo só disparate.

Ironicamente, uma das igrejas que foi queimada na Palestina como represália contra o Vaticano foi uma igreja Grega Ortodoxa em Nablus. O papa diz disparates, os palestinianos não percebem nada e quem leva na cabeça são os pobres dos Ortodoxos.

Enfim... Ambiguidades da globalização.

Mas e a questão das desculpas... A Igreja já pediu desculpas, já exprimiu remorsos várias vezes. Por todo o tipo de malandrices. Chega, não?

Não.

Não é a Igreja que decide quando é que chega. São as vítimas de séculos de participação mais ou menos activa da Igreja nos maiores horrores da história da humanidade. Sublinho, da Igreja, não necessariamente dos católicos, do rank and file católico. Felizmente, a rigidez milenar da hierarquia católica permite-nos esta distinção - e facilita a procura de responsabilidades...

A coisa mais feia que há é pedir desculpas e depois esperar que o assunto esteja resolvido, é pedir desculpas desonestamente, é querer comprar o perdão com um (ou dois, ou mil) pedidos formais de desculpa. Parece haver quem ache que o mundo deve à Igreja um agradecimento especial pelos pedidos de desculpa. Há quem choramingue que a Igreja é vítima, sim, vítima, e não algoz. Vítima porque pede desculpas e ninguém a deixa sossegada. Pois bem, tendo em conta as Cruzadas (diz que Urbano II em 1096 também disse umas marotices em relação ao Islão, mas sempre num espírito de amor cristão), as Guerras Religiosas, a Inquisição, o silêncio ensurdecedor perante o Holocausto, a colaboração activa com o fascismo espanhol e as abananadas ditaduras latino-americanas, tendo em conta estes e outros episódios na lista infindável de crimes da Igreja, o Vaticano pode pedir desculpas até perder o fôlego e ainda assim não chega. E como diz um personagem na série americana ‘Six feet Under’ (estou a parafrasear): “you don’t get to cry, you take it like a man!”

A Alemanha, consciente da sua culpa histórica, aprendeu uma verdadeira lição, e toda a identidade alemã – institucional e não só – assenta numa reflexão séria sobre o passado, sobre as responsabilidades que a nação alemã carrega. E é precisamente por toda a gente acreditar na natureza genuína dessa contrição, dessa penitência colectiva, que hoje, mais do que nunca, a Alemanha volta a ter um papel preponderante nos destinos da Europa e do mundo. A Alemanha do pós-guerra took it like a man, e fez o que tinha que ser feito, sem estar sempre à espera que a recompensassem por isso. Kant, na Fundamentação da Metafísica dos Costumes fala de uma vontade heterónoma, que age moralmente para ser recompensada (com uma ida para o céu, por exemplo), e uma vontade autónoma, que age moralmente, porque segue a razão incarnada nos princípios universais do imperativo categórico. Se fossem pessoas, a Alemanha aprendeu a agir de acordo com uma vontade autónoma, enquanto o Vaticano insiste no contrário.

As recentes declarações do papa demonstram precisamente uma aflitiva falta de aprendizagem com o passado.

Quanto aos crimes dos ‘outros’, dos bolcheviques, dos jacobinos, e de outros ateus furiosos, quem me dera que houvesse uma instituição, uma hierarquia que os representasse e que permitisse o mesmo processo de aprendizagem que tanto falta à Igreja. Mas não há. Sorry. É precisamente a continuidade milenar da Igreja que a obriga a aceitar a culpa do que fez – e não fez – séculos depois de o ter feito – ou não.

Mas por mim, posso dizer que os crimes do Terror de 1794 e 1795, do ‘socialismo real’ do século vinte, ou até do exército republicano espanhol são lições importantes, que influenciam de forma decisiva os meus ideais e a minha visão do mundo. Acima de tudo porque me ensinam o efeito venenoso que certezas, dogmas e ideologias rígidas podem ter nas vidas das pessoas. Já a Igreja continua a definir-se por dogmas, certezas e rigidez.

Não admira portanto que os pedidos de desculpa saibam a pouco.

sábado, setembro 16, 2006

LEX


"A ignorância ou má interpretação da lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nela estabelecidas."
Artigo 6.º do Código Civil.
Para além do acesso universal e gratuito ao Diário da República com faculdade de impressão e gravação, disponível desde 1 de Julho, todos os cidadãos têm ainda acesso a informação de cidadania alargada, desde 15 de Setembro, através do acesso simultâneo à base de dados DIGESTO.
A vontade geral, a um clique de distância em www.dre.pt

Parabéns atrasados

Devido às férias estivais escapou o assinalar de três efemérides: a Revolução de 24 de Agosto de 1820, a Independência do Brasil e a Revolução de 9 de Setembro de 1836.
Assim sendo, aqui ficam as felicitações às liberdades conquistadas, e a homenagem, respectivamente, ao Sinédrio, que do Porto fez começar a soprar a modernidade, a D. Pedro que do Ipiranga deu à luz uma nação-continente, e aos setembristas que procuraram aprofundar a dimensão democrática do liberalismo português.
PS: Em Outubro e Novembro cá estaremos para comemorar os passos dados posteriormente no caminho da luz da razão: a proclamação da República nas duas margens do Atlântico lusófono.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Bom Português


Referindo-se ao "lisboetês", Vital Moreira pergunta na Causa Nossa: "Mas se um cego não pode ser fotógrafo e um maneta não pode ser barbeiro, por que é que alguém que pronuncia mal o Português pode ser apresentador/a de televisão?"

Terá isto como consequência que os apresentadores da TV Globo, da RTP-N e das televisões dos PALOP também não podem ser apresentadores porque pronunciam "mal" o Português, ou melhor, porque não pronunciam o Português que tradicionalmente se considerava como padrão correcto?
Não devemos assumir que há um Português padrão e superior, há pelo contrário uma riqueza imensa de pronúncias, dialectos e regionalismos que enriquecem a nossa experiência linguística comum e permitem dentro do espaço de lusofonia dar estatuto de igualdade linguística ao Beirão, ao habitante na cidade da Beira, ao Carioca, ao Angolano, ao Minhoto e, pasme-se, ao desgraçado do Alfacinha. Não respeitando a questão à correcção gramatical, não sendo por isso adequado aludir em falar mal o Português, há sim que realçar que as várias pátrias da língua portuguesa são iguais em pergaminhos e em riqueza.
Não tinha o grande orador da nossa língua, o Padre António Vieira, um característico sotaque da Baía?

Adiante...


Vital Moreira chama a atenção na Causa Nossa para este artigo de opinião respondendo ao coro de críticas que se segui à presença das FARC na Festa do Avante! Há de tudo um pouco - anti-americanismo e anti-europeísmo primários, manipulação, insulto gratuito e relativismo gritante.
Recomendando a leitura integral do texto, cito este pequeno excerto e destacarei 3 notas breves:

"Acusando o PCP de apoiar «terroristas», os próceres da direita não procuram apenas passar uma esponja sobre a luta heróica de sucessivas gerações que combateram o fascismo em Portugal e nas ex-colónias, quantas vezes à custa da liberdade e da própria vida, mas sobretudo negar o direito dos povos a decidir dos seus próprios destinos, se necessário pela via armada."
As notas são:
1- Não havendo argumentos, argumentamos ad hominem, cunhando de fascista e direitistas os que têm opinião contrária;
2- Não havendo argumentos, manipulamos o recurso a analogias com causas universalmente reconhecidas como movimentos de libertação contra a opressão;
3- Não havendo argumentos, fugimos em frente falando em "direito dos povos a decidir dos seus próprios destinos, se necessário pela via armada," desvalorizando a realização de eleições como forma de decisão dos destinos dos povos quando o resultado é desfavorável.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Sorry...


Em declarações na passada terça-feira na Universidade de Regensburg, na Alemanha, Bento XVI manifestou-se contra o fundamentalismo religioso, afirmando que a jihad (guerra santa) do Islão é contra Deus e que defender a fé com a violência é uma coisa "irracional".
Hoje o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, tentou acalmar os ânimos que se agitaram na sequência das declarações do pontífice romano, afirmando que "não era intenção do papa realizar um "estudo profundo" sobre a jihad (guerra santa) e sobre o pensamento muçulmano a esse respeito e muito menos ofender a sensibilidade dos crentes".
Em vez de tentar pedir desculpa pela potencial ofensa contida numa declaração contra a guerra em nome de Deus e contra a violência em defesa da fé, teria sido mais interessante pedir desculpa pelas Cruzadas ou pela Guerra dos 30 anos, universalizando a condenação (correcta) da guerra santa a todas as confissões que a pregam ou pregaram (particularmente as que fazem por esquecê-lo).

quinta-feira, setembro 07, 2006

Rumo ao buraco

Há dois anos fui pela última vez à Festa do Avante!, e de lá para cá só não fui mais porque não calhou. Não ia lá pelo partido, que não é meu, mas certamente que não iria a uma festa do mesmo género do PSD ou do CDS. O pessoal de esquerda tem coisas destas, de se entender em convívio, mesmo que não se entenda em política, mesmo que a esquerda seja tradicionalmente mais inclinada a divisões e a diferenças estranhamente insuperáveis.
Há muita coisa interessante na Festa do Avante!, mas também há muita coisa que não devia lá estar - por exemplo, o posto de turismo montado pelo PC Cubano, ou o stand comercial do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, representação esta que considero particularmente infeliz (na altura o stand era composto por um asiático e três ou quatro portugueses porque, segundo me informou fonte insuspeita do partido, os coreanos tinham o hábito pouco revolucionário de fugirem e nunca mais serem vistos). Há dois anos constatei com particular revolta a presença institucional das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Não era uma representação agregada a um partido comunista, como este ano, era uma presença própria e autónoma.
Quando um casal de jovens do partido me abordou para assinar o Avante!, não desarmaram depois de lhes dizer que, apesar de gostar do jornal e de já o ter comprado, não era do partido, nem simpatizante, e não tinha intenção de o assinar. Responderam que isso não era impedimento e que até o Pacheco Pereira era assinante - como quem diz que até esse assina. Como não levavam nada de mim, perguntaram o que achava da Festa, e aí disse tudo.
O que os militantes comunistas respondem invariavelmente, estes e os outros meus amigos, é que devemos ouvir o ponto de vista deles para formularmos melhor um juízo. Este argumento é válido do ponto de vista da lógica estritamente formal, mas, como lhes respondi, eu não preciso de ouvir exaustivamente o ponto de vista de um radical islâmico para formular um melhor juízo de opinião sobre o que ele defende.
O sururu que agora se formou à volta da revista que o PC Colombiano distribuía na edição deste ano da Festa do Avante! apenas peca pelo atraso de pelo menos dois anos, e a resposta do PCP reflecte a espiral de negação da realidade em que o partido mergulhou. As FARC são criminosas e terroristas porque o seu modus operandi envolve o narcotráfico (ainda que, de forma jocosa e irónica, um amiogo meu comunista observasse que «não há imoralidade em fornecer droga À juventude burguesa do ocidente decadente») e o sequestro, e não porque isso resulte de declaração dos EUA ou da UE. Mas para o PCP basta que os Estados Unidos se declarem contra isto ou aquilo para que isto ou aquilo seja acolhido e acarinhado. Do mesmo modo procede Hugo Chavez quando estende a mão a Lukashenko e a Ahmedinejad. O comunismo transformou-se na religião do contra, escolhendo lados da barricada sem propor um caminho próprio, como se não houvesse alternativa. É a estratégia de sobrevivência que não aproveita a ninguém.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Detecto um certo padrão de comportamento...


O que é que há com o pessoal de direita e retratos pendurados nas sedes de qualquer coisa?

sábado, julho 29, 2006

Comparações

Já que abordei o tópico das teses falaciosas, uma nota para a comparação com o Iraque, ensaiada recentemente por Miguel Portas numa ida a Beirute.
O conflito no Iraque é o resultado de mentira, manipulação e ganância, levando instabilidade à região e aumentando o terrorismo que se procurava combater. Não havia, nem há armas de destruição maciça no Iraque, faltando portanto qualquer legitimação para a intervenção e ocupação.
Quanto às armas de destruição do Hizbullah, essas estão a aterrar em Haifa...

Facto essencial

Não me pronunciei ainda directamente sobre o conflito no Líbano, mas penso que os meus posts anteriores traduzem o que penso sobre o assunto. Ainda assim, é importante precisar aspectos que são objecto de confusão e simplificação nos debates em curso sobre o tema. Aliás, a simplificação primária daquele que é provavelmente o conflito internacional mais complexo da actualidade, na ânsia de produzir bons e maus que possam ser fornecidos digeridos aos espectadores e leitores, é revelador da falta de rigor, isenção e bom jornalismo de que padece alguma imprensa portuguesa.
Facto essencial: o Hezbollah é uma organização terrorista que visa destruir o Estado de Israel.
Israel tem o direito a defender-se, atacando o seu inimigo declarado e que a ataca directamente há anos? Sem dúvida.
Israel usa deproporcionadamente a força? Sim.
Israel comete erros no terreno? Inquestionavelmente.
A legitimidade de Israel para se defender desaparece? Não, porque o facto essencial não se alterou: o Hizbullah é uma organização terrorista que visa destruir o Estado de Israel.
Note-se, contudo, que não estou a advogar que os fins justificam os meios, estou apenas a tentar desmontar as teses muito em voga sobre a ausência de legitimidade israelita provocada pelo seu uso excessivo de força.

Contexto

Seguindo uma linha de raciocínio que resulta de uma conversa que ontem tive, imaginemos o seguinte:

Imaginemos que a ETA não só dominava o Algarve, como tinha ministros no Governo português.
Imaginemos de seguida que a ETA atravessava a fronteira em Ayamonte e raptava soldados espanhóis estacionados em Huelva.
Imaginemos agora que a ETA começava a lançar diariamente misseís contra Sevilha.
Imaginemos que o governo português declara a sua impotência para actuar e que se sente pressionado por forças estrangeiras que condicionam a sua actuação no plano interno e externo.

Apesar deste exercício comparativo, mantenhamos algumas constantes retiradas da realidade:
- A ETA não advoga a aniquilação total do estado espanhol;
- A ETA não se assume como exército com mandato divino;
- A ETA não promove atentados bombistas suicidas indiscriminados contra civis;
- A ETA não é financiada por Estados estrangeiros;

O que estaria Espanha a fazer neste momento?

Diz que os israelitas tambem sao como nos





Ainda Vital Moreira no blog Causa Nossa

"Vejo na televisão o primeiro-ministro israelita a condenar veementemente, como "intoleráveis", as vítimas civis dos mísseis lançados pelo Hezbollah sobre Haifa. Tem toda a razão. Mas as vítimas civis libanesas dos ataques israelitas (aliás, em escala muito, muito maior), essas já são "toleráveis", ou os libaneses não contam?" ('Vitimas Israelitas', 25 de Julho)

Duas semanas depois dos civis israelitas terem comecado a morrer, Vital Moreira descobriu que os inocentes israelitas tambem merecem ser mencionados. Quem tem familia em Israel agradece a empatia tardia. E'pena que Vital Moreira nao seja capaz de condenar categoricamente o bombardeamento sistematico dos centros urbanos israelitas. Sem meter a politica ao barulho. E se eu dissesse que Israel so' mata (acidentalmente) civis libaneses por causa da guerra contra o Hezbollah, isso faz dos inocentes libaneses menos inocentes?

Na verdade suspeito que, deep down, Vital Moreira sinta que os israelitas - com ou sem uniforme - estao a pedi-las: e' que eles sao fortes, e os libaneses sao fracos. E os fortes merecem menos seguranca e menos empatia. E' que os fortes deviam ser atacados pelos fracos e ter a sabedoria de conseguir proteger-se sem usar a forca. E' que os fortes sao maquinas militares, que odeiam a paz e impedem os vizinhos de dormir descansados. E' que os israelitas gostam da guerra, nao vivem e morrem, amam e odeiam, como os outros. E' que, finalmente, Israel so' se retirou do Libano em 2000 e de Gaza em 2005 para provocar os fracos e continuar a guerra.

No dia em que a paz irromper dos escombros do Medio Oriente, Vital Moreira e outros vao ser obrigados a procurar outro conflito em que fracos e fortes se confrontam num conflito tao conveniente na sua aparente simplicidade.

(As minhas desculpas por nao acompanhar este post com imagens mais explicitas de civis israelitas feridos nos hospitais do norte de Israel. E' que, ao contrario do que se passa no Libano, as autoridades israelitas - em mais um exemplo claro de falta de escrupulos - nao permitem filmagens nos hospitais.)

O poder de Israel

Vital Moreira no blog Causa Nossa

"Aliás, a razão por que Israel não convence muita gente só tem a ver com o Hezbollah na medida em que a sua resposta à provocação deste, com o massacre indiscriminado de infra-estruturas e de civis inocentes no Líbano, só veio aumentar as razões de queixa e de ódio antijudaico entre as massas árabes, inclusive no Líbano, sentimentos que ampliam os apoios do Hezbollah e dos movimentos radicais islâmicos." ('Maniqueismo', 27 de Julho)

Aqui entre nos, quem me dera que Israel tivesse o poder de eliminar o "odio antijudaico entre as massas arabes" (ja' agora tambem gostava que Israel conseguisse eliminar o racismo, a maldade, a fome, as dores nas costas, e a falta de respeito pelas pessoas de idade)...

Admito que, o mais tardar desde 1948, as "massas arabes" tem levado a cabo um esforco consistente de entendimento e reconciliacao com Israel. Alias, poucas semanas antes da ocupacao de 1967 ter comecado, assistia-se a uma nova aurora nas relacoes israelo-arabes: uma era de paz e amor. Mas nessa altura, como agora, alias, Israel, numa ansia de complicar a sua situacao estrategica numa regiao que ate era relativamente pacifica, decidiu "aumentar as razoes de queixa e de odio antijudaico entre as massas árabes".

Quando e' que Vital Moreira e outros deixarao de imputar a Israel todo o mal que lhe acontece? Quando e' que Israel passara' a ser responsavel so pelos seus proprios erros e nao pelos erros, pelos odios, dos outros. Esta justificacao do anti-semitismo arabe atraves da politica israelita faz-me lembrar as justificacoes tao comuns do racismo em Portual. "Pa', o que e' que tu queres, os pretos roubam, e depois ainda querem que eu goste deles."

quarta-feira, julho 26, 2006

Triste figura


Há várias dimensões patéticas no novo regulamento de vestuário para jornalistas na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira. É uma medida autoritária, nada democrática, que visa humilhar a comunicação social e que constitui um coarctar ilegítimo da liberdade pessoal e da liberdade de imprensa. Mas permite-nos constatar o papel central de uma imprensa livre na construção da democracia: ao pretender subjugá-la e apoucá-la, o poder jardinista da Madeira demonstra que se sente incomodado pelo seu papel vigilante e incómodo para os barões locais.

Aproveito a deixa e chamo a atenção para uma curiosidade: nos primórdios do Constitucionalismo português, aprovou-se a dada altura o traje oficial do Deputado da Nação. Sugiro aos deputados regionais madeirenses que aprovaram a medida em relação aos jornalistas que comecem por si próprios - basta uma pesquisa histórica e até pode ser que encontrem o modelo do traje oitocentista...

Espírito de Varsóvia


O PCP manifestou-se contra a eventual participação de Portugal numa força mandatada pelas Nações Unidas no Líbano cunhando-a de "força de ocupação". Não consigo descortinar em que medida é que uma intervenção destinada a estabilizar a região e a assegurar o cessar-fogo, mediante acordo das partes no conflito vai "ocupar" o que quer que seja.

Sem prejuízo das dificuldades em materializar uma operação da UE neste contexto tornarem a discussão quase académica, o PCP consegue voltar a demonstrar que reside numa realidade internacional paralela, onde nem sequer um mandato das Nações Unidas é capaz de legitimar uma operação de manutenção de paz. Para os lados da Soeiro Pereira Gomes uma operação autorizada pela Carta visa servir intuitos "imperialistas" (sic).
Mais grave é o apelo à participação em manifestações anti-imperialistas e anti-sionistas. Sim, leram bem, anti-sionistas.
Será ignorância, má-fé demagógica ou algo pior?
Espero que apenas as duas primeiras...

segunda-feira, julho 24, 2006

24 de Julho de 1833


Poucos sabem o exacto significado da data que dá nome a uma das mais populares avenidas da capital - discuti-o hoje com o meu dentista, que relacionava correctamente o evento às lutas liberais, mas que não precisava exactamente o que se assinalava.

Pois bem, comemoram-se hoje os 173 anos da libertação de Lisboa pelas tropas liberais comandadas pelo Duque da Terceira, na sequência da expedição que, quebrando o cerco do Porto, desembarcou no Algarve e atravessou o Alentejo até à capital, provocando a saída dos miguelistas.

Não esqueçamos os que foram fazendo o caminho da liberdade...

Para todos


Pergunta João César das Neves no DN de hoje, quase retoricamente, aguardando um óbvio não:
"E será que o Teatro Nacional de São Carlos, o Instituto Diplomático e o ensino superior público são para todos?"

Lamento sr. Professor, são de facto para todos, a não ser que adoptemos uma visão elitista e redutora das tarefas do Estado e do seu papel, que reserve as portas do conhecimento a meia dúzia de privilegiados?