segunda-feira, outubro 02, 2006

Suspense na recta final


São agora 2:29 em Lisboa, 23:59 em Brasília. Neste momento estão apurados 89.57% dos votos: Lula da Silva em primeiro lugar com 49,28% contra 40,95 de Geraldo Alckmin. O actual presidente encontra-se, portanto, a um cabelo da eleição à primeira volta.

Dois dos estados com o apuramento mais atrasado são o Rio de Janeiro (que vai em 87% de votos apurados) e São Paulo (que vai nos 67%). Se no primeiro caso Lula lidera com quase 49% contra os 29% de Alckmin e os 17% de Heloísa Helena, em São Paulo é Geraldo Alckmin, antigo governador daquele Estado, que vai na dianteira com 54% dos votos contados, contra cerca de 36% para Lula). Haverá eleito? Vou-me deitar com a dúvida se estarei de volta de manhã para comentar um cenário de reeleição de Lula ou a 2.ª volta de 29 de Outubro.

sexta-feira, setembro 29, 2006

A Contestatária



A 29 de Setembro de 1964 saiu a primeira tira da Mafalda.

Não sentem a sua falta nestes dias de início conturbado de século?

Sobre o mapa universitário


Em post no Causa Nossa esta segunda-feira, Vital Moreira, a propósito da inclusão do ISCTE no Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, critica o excesso de universidades públicas com sede em Lisboa (mais de um terço do total, conforme refere), apontando a ausência de universidades públicas nos três distritos adjacentes de Leiria, Santarém e Setúbal como uma forma de evitar retirar o mercado a Lisboa.
Não tanto em defesa da honra da capital, mas essencialmente com o intuito de contribuir para demonstrar que o ataque ao pretenso centralismo macrocefálico não é justo, chamaria a atenção para o seguinte:
1 - Das seis Universidades com sede em Lisboa apontadas, uma não é sequer uma universidade pública. Trata-se, obviamente, da Universidade Católica Portuguesa, cuja presença no CRUP é uma clara violação da igualdade entre universidades privadas, na medida em que a privilegia, e um atentado à separação do Estado e das Confissões Religiosas. É algo que Vital Moreira aponta no seu post e que subscrevo inteiramente. Mas há que tirar a ilação devida - a UCP não é universidade pública, logo não serve para exemplificar a macrocefalia alfacinha.
2 - Uma das outras seis Universidades apontadas por Vital Moreira é a Universidade Aberta. Sem prejuízo da sua sede se localizar em Lisboa, não podemos seguramente colocar um estabelecimento de ensino superior à distânica no mesmo plano de análise de universidades de ensino presencial clássico . Ou seja, uma universidade que ministra ensino à distância e em que a localização da sede é irrelevante para a transmissão de conhecimento, precisamente porque aposta em chegar a massas populacionais geograficamente dispersas (vide site da UA), não deve ser utilizada para demonstrar o centralismo académico.
3 - A existência das quatro universidades / institutos não integrados que restam (Universidade de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa, Universidade Nova de Lisboa e ISCTE) não pode ser objecto de comparação pura e sem enquadramento. De facto, enquanto que em Coimbra ou no Porto as duas universidades públicas integram todas as faculdades existentes, as mais antigas universidades da capital, a Universidade de Lisboa e a Universidade Técnica, repartem entre si as faculdades que noutros pontos do país se concentram numa única instituição. Mais interessante do que a contabilidade das universidades em bruto, seria a contabilidade das respectivas faculdades (a título de exemplo, a Universidade de Lisboa tem 8 e a Universidade Técnica de Lisboa tem 7, enquanto a do Porto tem 14) ou mesmo da oferta de cursos (em Coimbra a Faculdade de Medicina oferece Medicina e Medicina Dentária, que na Universidade de Lisboa se repartem por duas Faculdades distintas).
4 - Continuamos a ter um saldo excessivo? De facto, a Universidade Nova e o ISCTE por si só já empurram Lisboa para o topo da concentração de universidades públicas. O que cumpre analisar é se há ou não uma causa para esta realidade. Não será que o número de habitantes da zona de Lisboa contribuirá para a resposta a esta questão? Não será habitual encontrar mais de um estabelecimento público de ensino nas capitais europeias (Paris tem 10 universidades públicas, enquanto Londres, Berlim, Madrid, Bruxelas têm duas ou mais)?
5 - Finalmente, deixo apenas uma última pergunta no ar. Se por três dos distritos limítrofes de Lisboa não terem universidades públicas deparamos com proteccionismo, o mesmo não se aplica a Coimbra, visto que Leiria, Viseu e Guarda também não têm ensino universitário público?

quinta-feira, setembro 28, 2006

15 anos sem Miles...



Don't call me a legend, just call me Miles Davis...

Miles Davis
(25 de Maio de 1926 - 28 de Setembro de 1991)

Modernidade vs Obscurantismo

Será menino ou menina?


Já em tempos problematizei o dilema das monarquias modernas em torno das leis de sucessão. Ao procurarem ser sensíveis ao género e eliminar as discriminações decorrentes da varonia gritam alto e a bom som que o rei vai nú: torna-se o regime mais igualitário ao não discriminar as mulheres, mas permanecemos medievalmente indiferentes à discriminação de 99,999999999% da população no acesso à Chefia de Estado.
Em Espanha as coisas complicam-se ainda mais. Agora que todos estavam decididos a ter uma rainha daqui a duas gerações, os princípes das Astúrias trataram de engravidar novamente e re-lançar o debate - e se for um rapaz e a constituição ainda não estiver alterada quando nascer? Prejudica-se o jovem herdeiro aparente?
Dilemas a que as Repúblicas se continuam a poupar...

terça-feira, setembro 26, 2006

Contabilidade persa

Ahmadi-Nejad, Presidente do Irão (e grande pândego, sim senhor) discursou recentemente perante a 61ª Assembleia Geral da ONU.

Mencionou 30 vezes a 'justiça' e a 'injustiça';
Mencionou 11 vezes o Iraque;
Mencionou 3 vezes a Palestina;
Mencionou as mesmas 3 vezes a 'ocupação';
Mencionou uma (só!) vez o 'regime sionista';

Mencionou 'Sudão' e 'Darfur' zero vezes.

Zero.

Também, são só muçulmanos árabes a eliminar sistematicamente muçulmanos negros.

Quéquintressa.

200.000 mortos e 2.5 milhões de refugiados, talvez até genocídio: não chega para aparecer no discurso de Ahmadi-Nejad.

segunda-feira, setembro 25, 2006

100 anos





"Um artista criativo trabalha na sua próxima composição porque não ficou satisfeito com a anterior."



Dmitri Shostakovich
(25 de Setembro de 1906 - 9 de Agosto de 1975)

domingo, setembro 24, 2006

Feliz ano de 5767!

Juntar o útil ao desagradável


Edmund Stoiber, presidente do governo regional da Baviera e líder da CSU, partido siamês da CDU e, para todos os efeitos, partido no poder na grande coligação alemã, afirmou na sequência de algumas críticas feitas ao Papa por dirigentes turcos, que tais afirmações revelam "uma grande distância espiritual e cultural em relação aos valores europeus" e que "a Turquia não é Europa e não faz parte da Europa".

Stoiber parece insistir em esquecer-se de que o projecto europeu não é cristão e muito menos católico, não podendo, nem devendo a União Europeia deixar-se guiar por considerações de cariz teológico. O Vaticano não é Estado membro da União Europeia, nem poderia ser, desde logo, porque a UE exige o respeito pela democracia e pelo Estado de Direito, enquanto o pequeno enclave romano não passa de uma teocracia vitalícia medieva.
Sem dúvida que algumas críticas ao que o papa afirmou são exageradas e instrumentalizadas para fins religiosos, aludindo-se a cruzadas e associando-se o papa ao todo o mundo ocidental com finalidades políticas claras e inadmissíveis. Contudo, são diferentes as observações de quem leu toda a comunicação de Bento XVI e que apontam o seu carácter discriminatório e criticam a tentativa de demonstrar superioridade católica através do argumento de que a "minha religião é mais racional que a tua". O proselitismo vai sempre preferir o choque das civilizações à la Huntington à aliança de civilizações do tipo proposto por Zapatero.
Neste contexto, digam lá se não foi este um incidente muito útil...?

Beneplácito Régio e incertezas


Ao fim de alguns dias o que era provável tornou-se evidente: o golpe de Estado tailandês beneficiou, pelo menos, da cumplicidade do monarca, senão mesmo do seu incentivo. Ao contrário do seu homólogo espanhol que se pôs do lado da democracia a combater o golpe em 82, Bhumibol "convidou" a extracção do seu primeiro-ministro e reafirmou a sua autoridade real que este beliscara.
Como já afirmei em post anterior, não procuro afirmar a bondade dos governos anteriores de Thaksin, nem branquear o carácter pouco transparente e potencialmente corrupto da sua gestão. Em causa está apenas o lamentar da instabilidade de uma das poucas democracias da região e a incerteza quanto ao futuro.
Apesar do novo executivo se comprometer a convocar eleições em Outubro de 2007 (promessa de tipo musharafiano), não hesitou em proibir a actividade partidária e as manifestações na capital, nem em censurar a imprensa. As rosas com as quais os populares saudavam os militares não chegam para as comparações abrilistas - trocou-se um democracia imperfeita por uma ditadura militar clássica.
Já agora, para finalizar, a estocada republicana. Dirão alguns que o caso de Juan Carlos demonstra que a monarquia socorrerá a democracia quando em perigo e que o caso tailandês apenas revela falta de maturidade democrática, o que não invalida o pape do monarca constitucional. Eu direi, pelo contrário, que a república permite levar Juan Carlos e Bhumibol às urnas e deixar o eleitorado escolher qual é que prefere como fiel da balança...

quinta-feira, setembro 21, 2006

Sol posto

Já vi o Sol. Não quando ele nasceu, porque não chegou à minha habitual banca de jornais (assim se demonstrando que o Sol, quando nasce, nem sempre é para todos), mas graças aos bons ofícios de uma colega que mo ofereceu depois de o ler, sabendo da minha mania de coleccionar jornais.
Do Sol esperava-se um jornal à imagem do seu criador e, conhecendo o seu criador daquilo que ele dizia no Expresso, eu antevia o pior - e o pior aconteceu, como eu esperava.
O Sol está sempre a olhar para os que estão ao lado: logo na capa "um jornal que vale por si/este semanário não oferece brindes nem faz promoções"; lá dentro, outras miradas de soslaio, de onde se destaca o Cão Traste como a piadola dos DVD's.
Do seu criador o Sol herdou o ego astronómico, olhando de soslaio para a concorrência, não deixando de sublinhar em esparsos apontamentos a notícia do seu nascimento, o seu significado para o país, anunciando desde já o que é de esperar para os próximos números: as confissões do seu pai sobre como saiu do Expresso. Ficamos a saber que a lavagem de roupa suja está para durar, como se esperava.
É notório o copianço do Independente, até pela inclusão (que é de saudar) do Cãotraste, de Augusto Cid, mesmo que para continuar a sanha de vingança do querido líder (o Cão que conta vender jornais só porque oferece DVD's). Mas a subjectividade e criatividade dos títulos e da composição das notícias sai pífia quando comparada com a do defunto, e colando-se ao modelo do 24 Horas. É um jornal mais preocupado com ser engraçado do que ter graça.
É um jornal gordo, em que as letras dos títulos enchem demasiado a página, como a querer sair para vir agarrar leitores cá fora, mas também é gordo porque concentra muita informação no caderno principal, o que acho positivo, e que lamentavelmente se veio a perder no Expresso com a sua labiríntica rede de cadernos. O problema é que para além do fundamental se concentra o supérfluo, e o supérfluo caracteriza muito mais o Sol.
O Sol é um jornal cheio de muita coisa que não interessa mas é apetecível, e por isso é que, não sendo um bom jornal, tem tudo para abocanhar o mercado do Expresso, vetusto, institucional e decadente, embora nunca venha a ocupar o seu espaço.
Já vi o Sol, mas não vi a luz.

Excertos do discurso da Ministra dos Negócios Estrangeiros israelita (Tzipi Livni) na 61ª Assembleia Geral da ONU

"These days, the days of the UN General Assembly, fall this year at a time of unique significance for the Jewish people. They come on the eve of the Jewish New Year and the Day of Atonement and are know as the Days of Awe."

...

"We have been guided... by two core values that are embodied in out declaration of independence and shape our national identity.

The First - that Israel, with Jerusalem at its heart, is the national homeland of the Jewish people - their refuge from persecution, their first and last line of defense.

The Second - that Israel is a democracy; that the values of justice, peace and humanity - first expresed by the prophets of Israel - are an integral part of our nation's sense of mission."

...

"We share the same values as the community of democratic States. We are ready, and pround, to be judged by them. They are our own."

...

"Every innocent casualty in this conflict is a tragedy. There is no difference between the tears of a grieving Israeli mother and a grieving Palestinian mother. But there is a critical moral difference between the terrorists that hunt down civilians, and the soldiers that target terrorists, while trying to avoid civilian casualties."

...

Citando Ariel Sharon:

"The Palestinians will always be our neighbors. We respect them, and have no aspirations to rule over them. They are also entitled to freedom and to a national, sovereign existence in a state of their own."

...

"The Israeli-Palestinian conflict is the consequence and not the cause of this ideology of intolerance and hatred."

...

"May the curses of the last year end; may the blessing of the new year begin."

quarta-feira, setembro 20, 2006

Golpe no Reino do Sião



Uma situação política tensa e em crescente deterioração desaguou ontem em Bangkok em golpe de Estado. Sem prejuízo da insustentável posição do Primeiro-Ministro deposto Thaksin, das manifestações em massa promovidas pela oposição nos últimos meses, da instabilidade constitucional e das relações cada vez mais difíceis com o monarca, o governo agora deposto foi, apesar da polémica eleitoral, legitimado pela vontade popular tailandesa.
A crise revela acima de tudo as fragilidades da juventude democrática: instituições incapazes de evitar a paralisia e de utilizar os mecanismos legais para resolver problemas políticos, a manutenção do poder real como factor determinante na evolução interna e a transformação rápida da sombra tutelar dos militares em intervenção golpista.


Eclipse


Li o primeiro Sol e fiquei com uma indiferente sensação de déjà vu. Ainda assim, consigo assinalar três aspectos negativos no novo semanário:

- A pequenez provocatória da nota/alfinetada de primeira página, junto ao título, indicando que o Sol é um "jornal que vale por si" e que "não oferece brindes nem faz promoções";

- A secção de etiqueta, bobonizando o caderno principal de um semanário que vai querer assumir-se como referência;

- A narrativa épica da saída de J. A. Saraiva do Expresso e da fundação do jornal, que, para além da opção ética duvidosa de revelar o teor de conversas profissionais de foro privado, assume uma dimensão onanista inconsequente, despropositada e algo megalómana.

terça-feira, setembro 19, 2006

Juro que não é obsessão pelo Pontifex


Já que estamos numa de recomendações e links, também a não perder um artigo muito interessante de Fernanda Câncio no DN de hoje em torno do erro e da infabilidade papal.

O esférico rolando sobre a erva


No contexto dos apitos, do Mateus e dos golos com a mão, a não perder o post do Zé Diogo Quintela no Gato Fedorento a propósito do jornalismo desportivo.

domingo, setembro 17, 2006

A Igreja, o passado e a contrição





Tiro o chapéu a Bento XVI. Percebeu rapidamente o alcance do que disse e tirou as consequências que tinha que tirar. Para a próxima é melhor não citar um imperador islamofóbico do século XIV - cismático ainda por cima (ver o Grande Cisma Oriental de 1054). Terá sido a citação uma espécie de piscar de olho ecuménico aos primos gregos? Não, foi mesmo só disparate.

Ironicamente, uma das igrejas que foi queimada na Palestina como represália contra o Vaticano foi uma igreja Grega Ortodoxa em Nablus. O papa diz disparates, os palestinianos não percebem nada e quem leva na cabeça são os pobres dos Ortodoxos.

Enfim... Ambiguidades da globalização.

Mas e a questão das desculpas... A Igreja já pediu desculpas, já exprimiu remorsos várias vezes. Por todo o tipo de malandrices. Chega, não?

Não.

Não é a Igreja que decide quando é que chega. São as vítimas de séculos de participação mais ou menos activa da Igreja nos maiores horrores da história da humanidade. Sublinho, da Igreja, não necessariamente dos católicos, do rank and file católico. Felizmente, a rigidez milenar da hierarquia católica permite-nos esta distinção - e facilita a procura de responsabilidades...

A coisa mais feia que há é pedir desculpas e depois esperar que o assunto esteja resolvido, é pedir desculpas desonestamente, é querer comprar o perdão com um (ou dois, ou mil) pedidos formais de desculpa. Parece haver quem ache que o mundo deve à Igreja um agradecimento especial pelos pedidos de desculpa. Há quem choramingue que a Igreja é vítima, sim, vítima, e não algoz. Vítima porque pede desculpas e ninguém a deixa sossegada. Pois bem, tendo em conta as Cruzadas (diz que Urbano II em 1096 também disse umas marotices em relação ao Islão, mas sempre num espírito de amor cristão), as Guerras Religiosas, a Inquisição, o silêncio ensurdecedor perante o Holocausto, a colaboração activa com o fascismo espanhol e as abananadas ditaduras latino-americanas, tendo em conta estes e outros episódios na lista infindável de crimes da Igreja, o Vaticano pode pedir desculpas até perder o fôlego e ainda assim não chega. E como diz um personagem na série americana ‘Six feet Under’ (estou a parafrasear): “you don’t get to cry, you take it like a man!”

A Alemanha, consciente da sua culpa histórica, aprendeu uma verdadeira lição, e toda a identidade alemã – institucional e não só – assenta numa reflexão séria sobre o passado, sobre as responsabilidades que a nação alemã carrega. E é precisamente por toda a gente acreditar na natureza genuína dessa contrição, dessa penitência colectiva, que hoje, mais do que nunca, a Alemanha volta a ter um papel preponderante nos destinos da Europa e do mundo. A Alemanha do pós-guerra took it like a man, e fez o que tinha que ser feito, sem estar sempre à espera que a recompensassem por isso. Kant, na Fundamentação da Metafísica dos Costumes fala de uma vontade heterónoma, que age moralmente para ser recompensada (com uma ida para o céu, por exemplo), e uma vontade autónoma, que age moralmente, porque segue a razão incarnada nos princípios universais do imperativo categórico. Se fossem pessoas, a Alemanha aprendeu a agir de acordo com uma vontade autónoma, enquanto o Vaticano insiste no contrário.

As recentes declarações do papa demonstram precisamente uma aflitiva falta de aprendizagem com o passado.

Quanto aos crimes dos ‘outros’, dos bolcheviques, dos jacobinos, e de outros ateus furiosos, quem me dera que houvesse uma instituição, uma hierarquia que os representasse e que permitisse o mesmo processo de aprendizagem que tanto falta à Igreja. Mas não há. Sorry. É precisamente a continuidade milenar da Igreja que a obriga a aceitar a culpa do que fez – e não fez – séculos depois de o ter feito – ou não.

Mas por mim, posso dizer que os crimes do Terror de 1794 e 1795, do ‘socialismo real’ do século vinte, ou até do exército republicano espanhol são lições importantes, que influenciam de forma decisiva os meus ideais e a minha visão do mundo. Acima de tudo porque me ensinam o efeito venenoso que certezas, dogmas e ideologias rígidas podem ter nas vidas das pessoas. Já a Igreja continua a definir-se por dogmas, certezas e rigidez.

Não admira portanto que os pedidos de desculpa saibam a pouco.

sábado, setembro 16, 2006

LEX


"A ignorância ou má interpretação da lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nela estabelecidas."
Artigo 6.º do Código Civil.
Para além do acesso universal e gratuito ao Diário da República com faculdade de impressão e gravação, disponível desde 1 de Julho, todos os cidadãos têm ainda acesso a informação de cidadania alargada, desde 15 de Setembro, através do acesso simultâneo à base de dados DIGESTO.
A vontade geral, a um clique de distância em www.dre.pt

Parabéns atrasados

Devido às férias estivais escapou o assinalar de três efemérides: a Revolução de 24 de Agosto de 1820, a Independência do Brasil e a Revolução de 9 de Setembro de 1836.
Assim sendo, aqui ficam as felicitações às liberdades conquistadas, e a homenagem, respectivamente, ao Sinédrio, que do Porto fez começar a soprar a modernidade, a D. Pedro que do Ipiranga deu à luz uma nação-continente, e aos setembristas que procuraram aprofundar a dimensão democrática do liberalismo português.
PS: Em Outubro e Novembro cá estaremos para comemorar os passos dados posteriormente no caminho da luz da razão: a proclamação da República nas duas margens do Atlântico lusófono.