quinta-feira, setembro 07, 2006

Rumo ao buraco

Há dois anos fui pela última vez à Festa do Avante!, e de lá para cá só não fui mais porque não calhou. Não ia lá pelo partido, que não é meu, mas certamente que não iria a uma festa do mesmo género do PSD ou do CDS. O pessoal de esquerda tem coisas destas, de se entender em convívio, mesmo que não se entenda em política, mesmo que a esquerda seja tradicionalmente mais inclinada a divisões e a diferenças estranhamente insuperáveis.
Há muita coisa interessante na Festa do Avante!, mas também há muita coisa que não devia lá estar - por exemplo, o posto de turismo montado pelo PC Cubano, ou o stand comercial do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, representação esta que considero particularmente infeliz (na altura o stand era composto por um asiático e três ou quatro portugueses porque, segundo me informou fonte insuspeita do partido, os coreanos tinham o hábito pouco revolucionário de fugirem e nunca mais serem vistos). Há dois anos constatei com particular revolta a presença institucional das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Não era uma representação agregada a um partido comunista, como este ano, era uma presença própria e autónoma.
Quando um casal de jovens do partido me abordou para assinar o Avante!, não desarmaram depois de lhes dizer que, apesar de gostar do jornal e de já o ter comprado, não era do partido, nem simpatizante, e não tinha intenção de o assinar. Responderam que isso não era impedimento e que até o Pacheco Pereira era assinante - como quem diz que até esse assina. Como não levavam nada de mim, perguntaram o que achava da Festa, e aí disse tudo.
O que os militantes comunistas respondem invariavelmente, estes e os outros meus amigos, é que devemos ouvir o ponto de vista deles para formularmos melhor um juízo. Este argumento é válido do ponto de vista da lógica estritamente formal, mas, como lhes respondi, eu não preciso de ouvir exaustivamente o ponto de vista de um radical islâmico para formular um melhor juízo de opinião sobre o que ele defende.
O sururu que agora se formou à volta da revista que o PC Colombiano distribuía na edição deste ano da Festa do Avante! apenas peca pelo atraso de pelo menos dois anos, e a resposta do PCP reflecte a espiral de negação da realidade em que o partido mergulhou. As FARC são criminosas e terroristas porque o seu modus operandi envolve o narcotráfico (ainda que, de forma jocosa e irónica, um amiogo meu comunista observasse que «não há imoralidade em fornecer droga À juventude burguesa do ocidente decadente») e o sequestro, e não porque isso resulte de declaração dos EUA ou da UE. Mas para o PCP basta que os Estados Unidos se declarem contra isto ou aquilo para que isto ou aquilo seja acolhido e acarinhado. Do mesmo modo procede Hugo Chavez quando estende a mão a Lukashenko e a Ahmedinejad. O comunismo transformou-se na religião do contra, escolhendo lados da barricada sem propor um caminho próprio, como se não houvesse alternativa. É a estratégia de sobrevivência que não aproveita a ninguém.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Detecto um certo padrão de comportamento...


O que é que há com o pessoal de direita e retratos pendurados nas sedes de qualquer coisa?

sábado, julho 29, 2006

Comparações

Já que abordei o tópico das teses falaciosas, uma nota para a comparação com o Iraque, ensaiada recentemente por Miguel Portas numa ida a Beirute.
O conflito no Iraque é o resultado de mentira, manipulação e ganância, levando instabilidade à região e aumentando o terrorismo que se procurava combater. Não havia, nem há armas de destruição maciça no Iraque, faltando portanto qualquer legitimação para a intervenção e ocupação.
Quanto às armas de destruição do Hizbullah, essas estão a aterrar em Haifa...

Facto essencial

Não me pronunciei ainda directamente sobre o conflito no Líbano, mas penso que os meus posts anteriores traduzem o que penso sobre o assunto. Ainda assim, é importante precisar aspectos que são objecto de confusão e simplificação nos debates em curso sobre o tema. Aliás, a simplificação primária daquele que é provavelmente o conflito internacional mais complexo da actualidade, na ânsia de produzir bons e maus que possam ser fornecidos digeridos aos espectadores e leitores, é revelador da falta de rigor, isenção e bom jornalismo de que padece alguma imprensa portuguesa.
Facto essencial: o Hezbollah é uma organização terrorista que visa destruir o Estado de Israel.
Israel tem o direito a defender-se, atacando o seu inimigo declarado e que a ataca directamente há anos? Sem dúvida.
Israel usa deproporcionadamente a força? Sim.
Israel comete erros no terreno? Inquestionavelmente.
A legitimidade de Israel para se defender desaparece? Não, porque o facto essencial não se alterou: o Hizbullah é uma organização terrorista que visa destruir o Estado de Israel.
Note-se, contudo, que não estou a advogar que os fins justificam os meios, estou apenas a tentar desmontar as teses muito em voga sobre a ausência de legitimidade israelita provocada pelo seu uso excessivo de força.

Contexto

Seguindo uma linha de raciocínio que resulta de uma conversa que ontem tive, imaginemos o seguinte:

Imaginemos que a ETA não só dominava o Algarve, como tinha ministros no Governo português.
Imaginemos de seguida que a ETA atravessava a fronteira em Ayamonte e raptava soldados espanhóis estacionados em Huelva.
Imaginemos agora que a ETA começava a lançar diariamente misseís contra Sevilha.
Imaginemos que o governo português declara a sua impotência para actuar e que se sente pressionado por forças estrangeiras que condicionam a sua actuação no plano interno e externo.

Apesar deste exercício comparativo, mantenhamos algumas constantes retiradas da realidade:
- A ETA não advoga a aniquilação total do estado espanhol;
- A ETA não se assume como exército com mandato divino;
- A ETA não promove atentados bombistas suicidas indiscriminados contra civis;
- A ETA não é financiada por Estados estrangeiros;

O que estaria Espanha a fazer neste momento?

Diz que os israelitas tambem sao como nos





Ainda Vital Moreira no blog Causa Nossa

"Vejo na televisão o primeiro-ministro israelita a condenar veementemente, como "intoleráveis", as vítimas civis dos mísseis lançados pelo Hezbollah sobre Haifa. Tem toda a razão. Mas as vítimas civis libanesas dos ataques israelitas (aliás, em escala muito, muito maior), essas já são "toleráveis", ou os libaneses não contam?" ('Vitimas Israelitas', 25 de Julho)

Duas semanas depois dos civis israelitas terem comecado a morrer, Vital Moreira descobriu que os inocentes israelitas tambem merecem ser mencionados. Quem tem familia em Israel agradece a empatia tardia. E'pena que Vital Moreira nao seja capaz de condenar categoricamente o bombardeamento sistematico dos centros urbanos israelitas. Sem meter a politica ao barulho. E se eu dissesse que Israel so' mata (acidentalmente) civis libaneses por causa da guerra contra o Hezbollah, isso faz dos inocentes libaneses menos inocentes?

Na verdade suspeito que, deep down, Vital Moreira sinta que os israelitas - com ou sem uniforme - estao a pedi-las: e' que eles sao fortes, e os libaneses sao fracos. E os fortes merecem menos seguranca e menos empatia. E' que os fortes deviam ser atacados pelos fracos e ter a sabedoria de conseguir proteger-se sem usar a forca. E' que os fortes sao maquinas militares, que odeiam a paz e impedem os vizinhos de dormir descansados. E' que os israelitas gostam da guerra, nao vivem e morrem, amam e odeiam, como os outros. E' que, finalmente, Israel so' se retirou do Libano em 2000 e de Gaza em 2005 para provocar os fracos e continuar a guerra.

No dia em que a paz irromper dos escombros do Medio Oriente, Vital Moreira e outros vao ser obrigados a procurar outro conflito em que fracos e fortes se confrontam num conflito tao conveniente na sua aparente simplicidade.

(As minhas desculpas por nao acompanhar este post com imagens mais explicitas de civis israelitas feridos nos hospitais do norte de Israel. E' que, ao contrario do que se passa no Libano, as autoridades israelitas - em mais um exemplo claro de falta de escrupulos - nao permitem filmagens nos hospitais.)

O poder de Israel

Vital Moreira no blog Causa Nossa

"Aliás, a razão por que Israel não convence muita gente só tem a ver com o Hezbollah na medida em que a sua resposta à provocação deste, com o massacre indiscriminado de infra-estruturas e de civis inocentes no Líbano, só veio aumentar as razões de queixa e de ódio antijudaico entre as massas árabes, inclusive no Líbano, sentimentos que ampliam os apoios do Hezbollah e dos movimentos radicais islâmicos." ('Maniqueismo', 27 de Julho)

Aqui entre nos, quem me dera que Israel tivesse o poder de eliminar o "odio antijudaico entre as massas arabes" (ja' agora tambem gostava que Israel conseguisse eliminar o racismo, a maldade, a fome, as dores nas costas, e a falta de respeito pelas pessoas de idade)...

Admito que, o mais tardar desde 1948, as "massas arabes" tem levado a cabo um esforco consistente de entendimento e reconciliacao com Israel. Alias, poucas semanas antes da ocupacao de 1967 ter comecado, assistia-se a uma nova aurora nas relacoes israelo-arabes: uma era de paz e amor. Mas nessa altura, como agora, alias, Israel, numa ansia de complicar a sua situacao estrategica numa regiao que ate era relativamente pacifica, decidiu "aumentar as razoes de queixa e de odio antijudaico entre as massas árabes".

Quando e' que Vital Moreira e outros deixarao de imputar a Israel todo o mal que lhe acontece? Quando e' que Israel passara' a ser responsavel so pelos seus proprios erros e nao pelos erros, pelos odios, dos outros. Esta justificacao do anti-semitismo arabe atraves da politica israelita faz-me lembrar as justificacoes tao comuns do racismo em Portual. "Pa', o que e' que tu queres, os pretos roubam, e depois ainda querem que eu goste deles."

quarta-feira, julho 26, 2006

Triste figura


Há várias dimensões patéticas no novo regulamento de vestuário para jornalistas na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira. É uma medida autoritária, nada democrática, que visa humilhar a comunicação social e que constitui um coarctar ilegítimo da liberdade pessoal e da liberdade de imprensa. Mas permite-nos constatar o papel central de uma imprensa livre na construção da democracia: ao pretender subjugá-la e apoucá-la, o poder jardinista da Madeira demonstra que se sente incomodado pelo seu papel vigilante e incómodo para os barões locais.

Aproveito a deixa e chamo a atenção para uma curiosidade: nos primórdios do Constitucionalismo português, aprovou-se a dada altura o traje oficial do Deputado da Nação. Sugiro aos deputados regionais madeirenses que aprovaram a medida em relação aos jornalistas que comecem por si próprios - basta uma pesquisa histórica e até pode ser que encontrem o modelo do traje oitocentista...

Espírito de Varsóvia


O PCP manifestou-se contra a eventual participação de Portugal numa força mandatada pelas Nações Unidas no Líbano cunhando-a de "força de ocupação". Não consigo descortinar em que medida é que uma intervenção destinada a estabilizar a região e a assegurar o cessar-fogo, mediante acordo das partes no conflito vai "ocupar" o que quer que seja.

Sem prejuízo das dificuldades em materializar uma operação da UE neste contexto tornarem a discussão quase académica, o PCP consegue voltar a demonstrar que reside numa realidade internacional paralela, onde nem sequer um mandato das Nações Unidas é capaz de legitimar uma operação de manutenção de paz. Para os lados da Soeiro Pereira Gomes uma operação autorizada pela Carta visa servir intuitos "imperialistas" (sic).
Mais grave é o apelo à participação em manifestações anti-imperialistas e anti-sionistas. Sim, leram bem, anti-sionistas.
Será ignorância, má-fé demagógica ou algo pior?
Espero que apenas as duas primeiras...

segunda-feira, julho 24, 2006

24 de Julho de 1833


Poucos sabem o exacto significado da data que dá nome a uma das mais populares avenidas da capital - discuti-o hoje com o meu dentista, que relacionava correctamente o evento às lutas liberais, mas que não precisava exactamente o que se assinalava.

Pois bem, comemoram-se hoje os 173 anos da libertação de Lisboa pelas tropas liberais comandadas pelo Duque da Terceira, na sequência da expedição que, quebrando o cerco do Porto, desembarcou no Algarve e atravessou o Alentejo até à capital, provocando a saída dos miguelistas.

Não esqueçamos os que foram fazendo o caminho da liberdade...

Para todos


Pergunta João César das Neves no DN de hoje, quase retoricamente, aguardando um óbvio não:
"E será que o Teatro Nacional de São Carlos, o Instituto Diplomático e o ensino superior público são para todos?"

Lamento sr. Professor, são de facto para todos, a não ser que adoptemos uma visão elitista e redutora das tarefas do Estado e do seu papel, que reserve as portas do conhecimento a meia dúzia de privilegiados?

quarta-feira, julho 19, 2006

"Orgia sádica de violência bélica" - nao, nao e' o Darfur




De acordo com Vital Moreira, escrevendo no seu blog Causa Nossa:

"no final desta orgia sádica de violência bélica contra um país indefeso, que deixará o Líbano em ruínas, a única coisa que Israel não conseguirá destruir é justamente o Hezbollah (que, como todos os movimentos elusivos, não precisa de infra-estruturas próprias)."

E' sempre util a opiniao de um especialista na regiao. Mas afinal o Libano e' um 'pais indefeso', ou os destinos daquele pais tem sido dominados por um 'movimento elusivo'? O Hezbollah precisa de infra-estruturas proprias e tem infra-estruturas proprias. O Hezbollah, por exemplo, domina todo uma area do sul de Beirute, onde se encontra o QG do movimento. Ou encontrava. Ha coisa mais sadica do que enviar centenas de misseis para dentro de centros urbanos civis, sem qualquer metodo, como o faz o Hezbollah (especialmente contra Haifa - na fotografia, em tempos mais pacificos)? La por Israel ter a' sua disposicao um arsenal militar consideravel, isso nao significa que os civis do norte de Israel nao morrem, nao fogem para o sul, e nao vivem em abrigos. Nao me lembro de Vital Moreira e outros se queixarem da presenca militar ocupante da Siria no Libano durante 16 anos...

Mas no meio da parcialidade bocal (a ler com cedilha que me falta neste teclado), Vital Moreira nao deixa de apontar para uma questao interessante. Depois de ter estado presente durante tantos anos no sul do Libano (ate' 2000) e de nunca ter conseguido neutralizar o Hezbollah, qual e' o plano de Israel agora? E porque e' que ha-de funcionar desta vez...

Desta vez, Israel quer alterar o equilibrio estrategico na regiao. A libertacao dos
dois soldados capturados pelo Hezbollah nao e' a prioridade a longo prazo - antes importa a Israel por fim ao status quo ante que incluia a presenca activamente hostil do Hezbollah na fronteira norte de Israel. Israel neste momento esta a testar a que ponto o Irao e a Siria estao interessados em manter o apoio ao Hezbollah. Para alem disso, Israel conta com a pressao dos outros grupos libaneses (drusos, sunitas e cristaos) para enfraquecer o Hezbollah.

Parece-me uma estrategia arriscada e maximalista: nada mais nada menos do
que neutralizar o Hezbollah de uma vez por todas.

Mas atencao as declaracoes vindas de Damasco: os sirios parecem estar com pouca vontade em arriscar seja o que for para salvar o Hezbollah. "The Syrians will fight Israel until the last Lebanese" dizia ha dias um analista israelita. Israel esta a por isso a prova.

Aqui em Israel: desalento, cansaco, mas tambem conformismo e algum consenso que outra solucao - accao militar - era dificil de imaginar. Estive recentemente com Anat Saragusti (jornalista do segundo canal da televisao israelita e mulher de esquerda) que me confirmou isso: a esquerda israelita,incluindo inicialmente figuras iconicas como Yossi Beilin, sente que Israel foi arrastado para dentro disto e que agora ha que tentar por fim a ameaca que o Hezbollah representa para as comunidades do norte do pais e nao so. 80% dos israelitas apoiam a accao militar. Num recente volte face Yossi Beilin apela agora a negociacoes, mas nao se percebe muito bem com quem e sobre que...

O principal que ha a reter e' que Israel nao esta com pressa para aceitar um cessar fogo. Trata-se agora de enfraquecer o mais possivel o Hezbollah, ao mesmo tempo que se poe a prova o grau de envolvimento de Damasco e Teerao. Se, como espera Israel, na hora H, Irao e Siria ficam quietos, talvez os dias em que o Hezbollah significava uma ameaca estrategica para Israel tenham chegado ao fim. Talvez depois de se ter demonstrado que Damasco e Teerao nao vao para a guerra por causa do Libano, a dinamica interna libanesa mobilize forcas para domar o movimento xiita.

Por aqui chovem katyushas em Haifa. Na praia em Tel Aviv veem-se os helicopteros a ir e vir do Libano, no norte as pessoas vivem em bunkers, foram mobilizadas algumas unidades das reservas. Parece haver, por enquanto, pouco apetite para uma invasao terrestre em grande escala, mas se caem misseis em Tel Aviv, all bets are off, tudo e'possivel. A televisao e os jornais israelitas nao param de mostrar imagens das ruinas no Libano e nao se ve em lado nenhum um ambiente de entusiasmo a volta desta guerra.

Entretanto os civis de ambos os lados vao morrendo, e o Libano esta de rastos.

Mas as minhas perguntas para o Vital Moreira e outros: que alternativas? Negociar com quem? Porque e' que o Hezbollah decidiu atacar? O que e' que esperavam de Israel? O que faria um estado europeu numa situacao comparavel? O que acham que fariam os estados arabes se tivessem o arsenal a disposicao de Israel? Ja pensaram nisso? Quanto tempo sobreviveria Israel se nao fosse a sua superioridade belica?

Lembro que no dia em que o Hezbollah atacou a patrulha militar israelita em territorio israelita, no mesmo dia, algumas horas antes, cairam os primeiros misseis nas cidades do norte de Israel.

Que fazer numa situacao destas?

Ficam aqui os contactos do MNE israelita, ja que toda a gente parece querer dar conselhos:

Ministry of Foreign Affairs
9 Yitzhak Rabin Blvd.
Kiryat Ben-Gurion
Jerusalem 91035
Tel. 972-2-5303111
Fax 972-2-5303367

70 Anos


Negras tormentas agitan los aires
nubes oscuras nos impiden ver,
aunque nos espere el dolor y la muerte,
contra el enemigo nos llama el deber.


El bien más preciado es la libertad
hay que defenderla con fe y valor,
alza la bandera revolucionaria
que llevará al pueblo a la emancipación
alza la bandera revolucionaria
que llevará al pueblo a la emancipación.



En pie pueblo obrero, a la batalla
hay que derrocar a la reacción.
¡A las barricadas, a las barricadas,
por el triunfo de la Confederación!
¡A las barricadas, a las barricadas,
por el triunfo de la Confederación!






sexta-feira, julho 14, 2006

LIBERDADE


Liberdade querida e suspirada,
Que o Despotismo acérrimo condena;
Liberdade, a meus olhos mais serena,
Que o sereno clarão da madrugada!

Atende à minha voz, que geme e brada
Por ver-te, por gozar-te a face amena;
Liberdade gentil, desterra a pena
Em que esta alma infeliz jaz sepultada;

Vem, oh deusa imortal, vem, maravilha,
Vem, oh consolação da humanidade,
Cujo semblante mais que os astros brilha;

Vem, solta-me o grilhão da adversidade;
Dos céus descende, pois dos Céus és filha,
Mãe dos prazeres, doce Liberdade!


Manuel Maria Barbosa du Bocage

217 anos de Luz






Feliz Dia da Bastilha!

quarta-feira, julho 12, 2006

Um novo Líbano







Esqueçam o que escrevi aqui há alguns dias. Acabou o modus vivendi com o Hizb'allah.

Agora é a guerra.


Num gesto de agressão gratuita o movimento xiita atacou uma patrulha israelita no Norte de Israel, matou três soldados e capturou dois. No total já morreram 8 soldados israelitas. As represálias da força aérea israelita já causaram mortes entre os libaneses.

Tudo isto para quê? Para marcar pontos nas lutas internas libanesas? Para chamar a atenção numa altura em que o mundo está focado na ofensiva em Gaza? Ou será a Síria a mostrar que ainda pode causar danos? Ou o Irão? Não sei.

Sei que todos os sonhos de assitir em breve a uma retirada substancial da Cisjordânia, que contribua a pôr fim à ocupação, são para esquecer.

Israel já começou a mobilizar as reservas.

Vae victis.

Parto daqui a dois dias para Israel.

(P.S: Para se manterem ao corrente do que se vai passando, usem o www.haaretz.com, um jornal de centro-esquerda israelita. Claro que há o Público, que publica notícias em terceira mão e às vezes funciona como porta-voz da OLP.)