sexta-feira, julho 14, 2006

LIBERDADE


Liberdade querida e suspirada,
Que o Despotismo acérrimo condena;
Liberdade, a meus olhos mais serena,
Que o sereno clarão da madrugada!

Atende à minha voz, que geme e brada
Por ver-te, por gozar-te a face amena;
Liberdade gentil, desterra a pena
Em que esta alma infeliz jaz sepultada;

Vem, oh deusa imortal, vem, maravilha,
Vem, oh consolação da humanidade,
Cujo semblante mais que os astros brilha;

Vem, solta-me o grilhão da adversidade;
Dos céus descende, pois dos Céus és filha,
Mãe dos prazeres, doce Liberdade!


Manuel Maria Barbosa du Bocage

217 anos de Luz






Feliz Dia da Bastilha!

quarta-feira, julho 12, 2006

Um novo Líbano







Esqueçam o que escrevi aqui há alguns dias. Acabou o modus vivendi com o Hizb'allah.

Agora é a guerra.


Num gesto de agressão gratuita o movimento xiita atacou uma patrulha israelita no Norte de Israel, matou três soldados e capturou dois. No total já morreram 8 soldados israelitas. As represálias da força aérea israelita já causaram mortes entre os libaneses.

Tudo isto para quê? Para marcar pontos nas lutas internas libanesas? Para chamar a atenção numa altura em que o mundo está focado na ofensiva em Gaza? Ou será a Síria a mostrar que ainda pode causar danos? Ou o Irão? Não sei.

Sei que todos os sonhos de assitir em breve a uma retirada substancial da Cisjordânia, que contribua a pôr fim à ocupação, são para esquecer.

Israel já começou a mobilizar as reservas.

Vae victis.

Parto daqui a dois dias para Israel.

(P.S: Para se manterem ao corrente do que se vai passando, usem o www.haaretz.com, um jornal de centro-esquerda israelita. Claro que há o Público, que publica notícias em terceira mão e às vezes funciona como porta-voz da OLP.)

sábado, julho 08, 2006

sexta-feira, julho 07, 2006

Afonso e a República



Noticia a agência LUSA que o deputado do PPM Pignatélli Queirós defendeu hoje que a abertura do túmulo de Afonso Henriques deveria depender de uma autorização da Assembleia da República.

Sem prejuízo da abertura de túmulos de personalidades famosas levantar interessantes questões éticas - saber se há ou não respeito pela memória ao pretender investigar-se os restos mortais - o que é facto é que se trata de uma prática comum, recentemente observada entre nós com a abertura da urna de João VI, que aliás concluiu pela sua morte por envenenamento.

Quanto ao pedido do deputado do PPM eleito nas listas do PSD, ficam duas pequenas observações - uma para a necessidade de respeitar a separação de poderes (os parlamentos não praticam actos administrativos...), outra para a ironia do deputado monárquico solicitar a ajuda da Assembleia da República para preservar a dignidade real. Enfim, parafraseando o João Pimenta num post de outro dia, as voltas que a vida dá.

Um novo Líbano?







É triste o que se passa em Gaza. Sem entrar em grandes análises, uma coisa é clara. Quem me dera que os Territórios Ocupados fossem o Líbano. Israel já desenvolveu um modus vivendi com o Hizb'allah. Quando a situação interna libanesa assim o exige, o Hizb'allah faz de conta que 'resiste', manda uns mísseis, faz uns raids etc. Israel responde, destrói uns campos de treino do lado libanês, depois os dois lados comunicam um com o outro e acabou. Israel fica contente de não ter de levar a cabo operações mais robustas (de que é capaz) e o Hizb'allah voltou a provar que 'resiste' e que é importante e que precisa do armamento pesado que tem, apesar de Israel já não estar no sul do Líbano, e de os outros libaneses quererem paz e sossego.

O problema com os palestinianos, para além da sua fragmentação política, é a falta de racionalidade táctica e estratégica. Os movimentos palestinianos lançam mísseis para dentro de Israel indiscriminadamente, o que não permite a Israel desenvolver um modus vivendi com eles, uma espécie de entendimento tácito de "até aqui, tudo bem, mas a nossa linha vermelha é esta". Sem que haja primeiro este tipo de 'diálogo' ao nível militar, é muito difícil conceber o diálogo político: os israelitas têm colonos em Gaza, os palestinianos lançam mísseis contra os colonatos; os israelitas tiram os colonos de Gaza, os palestinianos lançam mísseis contra a cidade israelita de Sderot; os israelitas assassinam terroristas, os palestinianos lançam mísseis contra a cidade israelita de Sderot; os israelitas aplicam força a mais, até desproporcionada, matando civis, os palestinianos lançam mísseis contra a cidade israelita de Sderot; os israelitas capturam membros da Jihad Islâmica, os palestinianos lançam mísseis contra Sderot; os israelitas, por via do Ministro da Defesa trabalhista, decidem aumentar o número de palestinianos que podem entrar em Israel para trabalhar, os palestinianos lançam mísseis contra a cidade israelita de Sderot; os israelitas, mais uma vez por via de iniciativas dos membros trabalhistas do governo, decidem abrir por mais tempo o posto fronteiriço de Karni para permitir que palestinianos importem e exportem produtos, os palestinianos lançam mísseis contra a cidade israelita de Sderot, atacam o posto fronteiriço de Karni e depois atacam Kerem Shalom EM ISRAEL, matam dois soldados israelitas e capturam outro.

Perante tamanha cegueira, tamanho ódio e tamanha inflexibilidade, é difícil para os moderados israelitas influenciarem as políticas do governo Olmert. Que é fraco. E que por causa disso tem a tendência de passar cheques em branco ao exército. Um exército que se sente humilhado por não conseguir pôr fim aos malditos mísseis e proteger os cidadãos de Sderot (e agora Ashkelon, um grande centro urbano israelita e novo alvo dos mísseis palestinianos). E o exército israelita não está habituado a não conseguir resolver problemas militares: por isso aumenta a intensidade da aplicação dos meios que tem à sua disposição. E é essa a explicação para o elevado número de civis que têm morrido do lado palestiniano. A culpa dessas mortes é do exército israelita e dos políticos israelitas que não assumem claramente que não há solução militar para os mísseis Qassam, e que só uma política ambiciosa e visionária de fortalecimento do Presidente Abbas através de melhorias visíveis da situação da população palestiniana, pode, a longo prazo, garantir o fim da matança. Mas a responsabilidade da agudização a que assistimos é dos movimentos palestinianos e da liderança do Hamas, que preferem continuar a levar a cabo ataques quixotescos contra cidades israelitas, a aproveitar a oportunidade histórica que lhes foi dada de bandeja aquando da retirada israelita de Gaza. Mas para isso era preciso aceitar o status quo militar, para depois se começar a falar do status quo político. O problema, como eu já disse aqui, é que o que se passa agora não passa de uma situação conjuntural, como também o foi a ocupação de '67, a primeira Intifada, a segunda Intifada, ou a retirada de Gaza: a situação estrutural, no entanto, permanece a mesma - os principais actores políticos do lado palestiniano, ou não aceitam o direito de Israel existir, ou, aceitando-o, nunca estiveram dispostos a fazer os sacrifícios políticos que transformariam essa aceitação numa solução duradoura para o conflito.

Será preciso esperar mais 200 anos?



Mais de 200 anos depois de Olympe de Gouges ter agitado o monopólio revolucionário masculino, anunciando a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, a AR debateu e reaprovou ontem com alterações um acto legislativo essencial à construção da igualdade de género na esfera do poder político. Do debate, apesar de mais rico, plural e complexo do que a minha breve escolha permite, destaco a afirmação da deputada Helena Pinto:

"Não estamos a discutir a aprovação de quotas para as mulheres. Estamos aqui a discutir o fim da quota maioritária dos homens."

Revolução e Transição


O PP espanhol inssite em não condenar o golpe de estado que inciou a Guerra Civil em 1936, bem como o regime franquista que acabou por ser a sua consequência final. Lidar com a memória e com a responsabilidade pelo passado é algo que alguma direita espanhola continua a recusar fazer.

Daí que, sem desprimor para o resultado e para o empenho dos seus construtores, eu continue a preferir o resultado libertador e exorcizante da Revolução dos Cravos à transição espanhola sem mácula, mas através do compromiso com o torcionário de ontem.

sexta-feira, junho 30, 2006

Fazer a polis



Rui Rio é um autarca com o qual francamente simpatizo. Aprecio a determinação, um certo sentido republicano que dá ao exercício das funções de edil e que marca um corte com interesses instalados e procura assegurar a defesa do interesse público, na leitura por si legitimamente defendida.
Daí que me entristeça ocasionalmente com medidas um pouco despropositadas e mesmo chocantes na relação com as oposições e com outros intervenientes da vida social e política. Foi o que me sucedeu hoje: a Câmara do Porto aprovou na terça-feira uma proposta de protocolo que atribui um subsídio à Fundação Eugénio de Andrade na condição de esta instituição se abster de criticar a autarquia.
Para além de não ser bonito fazer depender o auxílio a qualquer actividade que revista interesse para a sociedade de contrapartida com contação política, a opção é ainda mais grave do ponto de vista do impacto na política de apoios financeiros - no limite só sobram subsídios para os subservientes, para os amigos ou para os muito dependentes.

A Câmara do Porto devia sim gabar-se de apoiar todos aqueles que enriquecem a cidade legitimamente com actividades culturais e cívicas da mais diversa índole, e deveria fazer gala de apoiar aqueles que são contrários a algumas das suas opções políticas, demonstrando neutralidade e imparcialidade.

Só com a pluralidade se constrói a cidade.

Cheira a censura para os lados da Av. dos Aliados e é pena...



PS: Não posso, porém, deixar de assinalar que a proposta foi aprovada com os votos favoráveis da maioria PSD/CDS-PP e de quatro vereadores do PS, tendo-se abstido um autarca socialista e votado contra apenas o solitário vereador da CDU, pelo que as críticas são extensíveis a todos os autores da triste medida.

As voltas que o mundo dá

Títulos das notícias online do Público sobre a demissão de Freitas do Amaral do MNE (Opinião dos vários partidos apresentada da esquerda para a direita):
PCP preocupado com possível mudança negativa na política externa
Francisco Louçã: Luís Amado será "uma voz de protecção" da política norte-americana
PS elogia desempenho de Freitas do Amaral no MNE
PSD acusa primeiro-ministro de ter acordado tarde para problema no MNE
CDS-PP: demissão de Freitas do Amaral "era politicamente esperada"

LOL...

quarta-feira, junho 28, 2006

Regionalismos...

O Presidente da Junta de Freguesia de Silgueiros, António Carlos Coelho, autarca que esteve na origem das polémicas declarações do respectivo presidente da edilidade, Fernando Ruas, sobre a recepção à pedrada dos vigilantes da natureza, veio em defesa deste último dizendo que "soube interpretar as afirmações de Fernando Ruas, lembrando que se trata de "uma expressão típica das beiras".
"Põe-te a pau senão arriscas-te a levar na tromba, ó animal" também é uma regionalismo muito caro a diversos lisboetas, mas não parece que daí se consiga retirar um sentido muito figurado....

«É corrê-los à pedrada!»


Mas apenas no sentido figurado, como o Ruas. E dentro do maior respeito e amizade

segunda-feira, junho 26, 2006

Academia e homilia



Em relação a um comentário ao meu post de ontem deixava apenas as seguintes breves notas:

1 – A Universidade demite-se objectivamente de assinalar o final das licenciaturas com um acto de entrega de diplomas, invocando precisamente a existência das cerimónias da benção. Aqueles que aparentemente acorrem em massa à iniciativa não o fazem por especial devoção, mas sim porque não tem como festejar a conclusão das suas licenciaturas. Falo com conhecimento de causa, pois observei o fenómeno enquanto aluno e continuo a verificar que assim é enquanto docente. Não questiono a fé que move muitos dos que acorrem à Alameda, questiono sim a instrumentalização pelas autoridades eclesiásticas, que aproveitam para insuflar artificialmente o número dos seus fiéis.

2 – Uma cerimónia neutra, de entrega de diplomas, de abertura de ano académico ou de celebração universitária não é uma liturgia concorrente da religiosa, representando sim interesses e valores distintos. Não há concorrência porque não estão no mesmo plano: a esfera religiosa tem o seu espaço próprio, no qual é livre de se desenvolver e manifestar, o mesmo sucedendo quanto ao mundo académico. O que critico é esta invasão do espaço universitário que o priva das suas próprias tradições e solenidades. Assim como não pretendem os conselhos científicos e os senados das universidades organizar provas de agregação nos templos católicos, igualmente clara deveria ser a separação das esferas no sentido contrário.

3 – Um cerimónia neutra é para todos, não deixando fora das escadarias da reitoria os ateus, os agnósticos, os judeus, os protestantes e todos os que não têm lugar nos ritos católicos. Uma cerimónia neutra não teria por objectivo propagar qualquer doutrina, ideologia ou superstição, apenas celebrar um passo fundamental na formação individual de cada um, o preenchimento de uma etapa de aquisição de conhecimento. É esse o denominador comum entre todos os finalistas.

4 – Quanto àqueles em nome de quem falo, limito-me a colocar-me no papel de quem já foi excluído de um acto académico tomado de assalto por uma fé religiosa particular. A legitimidade que invoco para o efeito é apenas a do grupo de que faço parte e que sente na pele a exclusão. E, independentemente dos números daqueles que elegantemente são descritos como hordas, sempre me pareceu que a discriminação de um é tão condenável como a discriminação de dois ou de cem, tendo em conta o carácter universal e intemporal de determinados valores.

5 – Finalmente, quanto à suposta piada fácil relativa ao pedir perdão pelos excessos, devo assinalar que, ao contrário do que podem pensar, não foi nada fácil ensaiar um esforço de contenção tão grande que evitasse o potencial humorístico da ideia de actos religiosos inseridos no final de festividades universitárias pautadas por rios de cerveja, autodeterminação sexual e música demoníaca.

domingo, junho 25, 2006

Vitória pírrica

Outra vitória assim no mundial e Portugal vê-se obrigado a convocar o massagista e o condutor do autocarro da selecção para jogar. Parece que a nata do futebol português, depois da histeria irresponsável nas meias-finais de 2000 (contra a França) e da estupidez criminosa contra a Coreia do Sul em 2002, nos conseguiu presentear com mais um festival degradante de cabeçadas, entradas a matar e pegas pueris.

Bem sei que eles são bons rapazes, que tiveram uma infância difícil, e que os holandeses também não primaram pela bondade, mas bolas, é sempre a mesma atitude de putos de 12 anos no recreio… Assim não dignificam a imagem da República Portuguesa.

Mas de resto, contra os bretões marchar, marchar…

sábado, junho 24, 2006

Nota pessoal - benção das fitas

Retomando o ponto das bençãos do post anterior, deixo uma breve nota pessoal sobre confusão entre esferas pública e religiosa em domínio análogo.

O único acto solene que marca o fim do curso dos estudantes universitários de Lisboa é a benção das fitas, realizada na Alameda da Universidade com o beneplácito das instâncias reitorais. Não querendo pôr em causa o direito que assiste aos estudantes católicos de querer marcar com uma cerimónia religiosa o fim da sua experiência universitária (pedindo perdão por excessos, quem sabe?), a ausência de um acto público, da iniciativa das Universidades Públicas da cidade, deixa um vazio para os estudantes que, como eu, não professam uma fé ou que, como outros, professam uma fé que não a católica, permitindo a uma confissão monopolizar o espaço académico, forçando a mão dos que pouco crentes ou desejosos de um rito de passagem, alinham na sua instrumentalização do evento.
Falando em nome daqueles que vão continuar a ficar de fora, chamo a atenção para o dever público de evitar a perpetuação da marginalização.

Por vezes as boas ideias vêm de onde menos se espera




Na polémica que aqueles que não compreendem o significado e alcance da laicidade alimentam, o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Melo, ao pensar que provocava os jacobinos da esquerda, teve hoje duas boas ideias:
1 - Acabar com as bençãos em cerimónias de inaugurações oficiais.
De facto, não se consegue compreender como é que é possível que subsistam actos de natureza estritamente religiosa enquadrados em cerimónias públicas. Se a crença de alguns retira conforto do facto de uma ponte, uma estrada ou um parque de diversões em Sobral de Monte Agraço ter sido benzido então, por quem sois, benzei a infra-estrutura pública. Não peçam é para fazê-lo no quadro de uma cerimónica do Estado. A infra-estrutura é para todos usarem, admitindo-se que todos a possam benzer. Agora o Estado é que não é chamado a participar.
2 - Acabar com os feriados religiosos
Na sequência de umas ideias que aqui já tive opinião de referir em sede de comentários, é algo que faz todo o sentido. O Estado pode reconhecer que o fenómeno religioso clama pela existência de dias santos, que os fiéis pretendem observar. Assim sendo, fixe-se um número anual de dias que podem ser requeridos potestativamente pelos trabalhadores ao empregador para este fim (ou para outro qualquer, caso seja agnóstico ou ateu), permitindo, ao contrário da lei actual, que todas as confissões gozem de igual tratamento.
Não dizia Jesus de Nazaré, a César o que é de César?
PS: Desculpem lá isto de nós defensores da laicidade insistirmos sempre em citar um máxima de Jesus Cristo com quase dois mil anos para demonstrar este argumento, mas ele é tão claro que não nos cansamos de o repetir.

A Boina vive!


Os cidadãos e cidadãs da Boina regressam. Depois do exemplo dado pelo post anterior, chegou a hora de acabar com o silêncio e voltar ao ataque. Apesar da negligência criminosa dos últimos meses, a chama da República deste blog não se apaga. A Boina de regresso, numa blogosfera perto de si.

terça-feira, junho 20, 2006

Picasso Tradición y Vanguardia

Sexta-feira passada estive em Madrid para observar a exposição "Picasso tradicion y vanguardia" promovida pelos museus reina Sofia e Prado que se juntaram para uma exposição inédita e irrepetível que pretende confrontar as obras de Picasso com as obras de Goya, Velásquez e outros clássicos que lhe serviram de inspiração.










Quero tentar replicar aqui, desta forma gráfica uma das sensações mais comoventes que me proporcionou a arte. Estar numa sala literalmente rodeado pelo Guernica e o Massacre da Coreia de Picasso, o 3 de Mayo de Goya e o Fuzilamento do Imperador Maximiliano de Manet.

Picasso foi um claro apoiante da causa Republicana durante a Guerra Civil espanhola e o Guernica é o seu testemunho do horror da repressão Franquista durante um dos períodos mais negros da história de Espanha. O confronto deste quadro com o 3 de Mayo de Goya, politicamente simétrico e, resulta numa censura à guerra e aos seus horrores, liberta de qualquer conotação política ou religiosa.

segunda-feira, maio 15, 2006

Obviamente, obrigado!


Humberto Delgado (15 Maio 1906 - 13 Fevereiro 1965)

terça-feira, abril 25, 2006

A Revolução que tanto amamos


Não é por este blog andar paradito de posts que vamos deixar de prestar atenção ao que realmente interessa. Aqui deixo o meu sentido testemunho.

Foi na sequência da Ávinho em Aveiras. Desafiei os escuteiros que ficaram este ano com a taberna do Chico da Serra. Aceitaram prolongar a festa do vinho e das adegas por mais um dia para além do fim de semana e comemorar o 25 de Abril à segunda-feira. O 25.
Não houve imposição de escolha musical, não houve nada. Apenas uma sugestão bem acolhida. eu nem gosto do escutismo, só destes escuteiros de quem sou amigo.
A festa foi bonita, pá!
Cartazes do 25 e música do Zeca. Discussão política com todos os pontos de vista representados - ou melhor, possibilidade de discutir tudo e mais qualquer coisa.
As cabeças estavam alertas e dispostas a debater e discutir. Não sei se por teimosia ou por disposição, mas sei que o tema desta festa abriu muitas portas. E o 25 de Abril aconteceu. A bem ou a mal, a discussão aconteceu. O que era bom, o que era mau, tudo isso apareceu. A política como está, como devia ser, apareceu. O debate surgiu, o diálogo proporcionou-se, e à razão deixou-se o lugar devido.
Disse, pois disse. E ainda bem que há democracia, nem que seja à volta de um copo de cerveja ou vinho.
Depois de vir a casa deixar os posters que serviram de decoração ao espaço da taberna do Chico da Serra, senti que havia alguma coisa a dizer. E por isso voltei. Disse-o. O 25 fez-se por uma sociedade idealizada que não pode conhecer limites de classe ou posição social. O 25 fez-se para que tolerÂncia que a liberdade proprociona. Ainda bem que a liberdade fala pelas mais estranhas formas. Só assim pode o 25 acontecer nas pequenas coisas, Sem atavios ou prisões. Só a liberdade. Hoje o 25 aconteceu. A mensagem passou, e eu, um pequeno elemento na correia de transmissão, deixarei e farei com que aconteça todos os dias. Que bela forma de homenagear a geração dos meus pais! Que belo presente é a liberdade!