Títulos das notícias online do Público sobre a demissão de Freitas do Amaral do MNE (Opinião dos vários partidos apresentada da esquerda para a direita):
PCP preocupado com possível mudança negativa na política externa
Francisco Louçã: Luís Amado será "uma voz de protecção" da política norte-americana
PS elogia desempenho de Freitas do Amaral no MNE
PSD acusa primeiro-ministro de ter acordado tarde para problema no MNE
CDS-PP: demissão de Freitas do Amaral "era politicamente esperada"
LOL...
sexta-feira, junho 30, 2006
quarta-feira, junho 28, 2006
Regionalismos...
O Presidente da Junta de Freguesia de Silgueiros, António Carlos Coelho, autarca que esteve na origem das polémicas declarações do respectivo presidente da edilidade, Fernando Ruas, sobre a recepção à pedrada dos vigilantes da natureza, veio em defesa deste último dizendo que "soube interpretar as afirmações de Fernando Ruas, lembrando que se trata de "uma expressão típica das beiras"."Põe-te a pau senão arriscas-te a levar na tromba, ó animal" também é uma regionalismo muito caro a diversos lisboetas, mas não parece que daí se consiga retirar um sentido muito figurado....
segunda-feira, junho 26, 2006
Academia e homilia

Em relação a um comentário ao meu post de ontem deixava apenas as seguintes breves notas:
1 – A Universidade demite-se objectivamente de assinalar o final das licenciaturas com um acto de entrega de diplomas, invocando precisamente a existência das cerimónias da benção. Aqueles que aparentemente acorrem em massa à iniciativa não o fazem por especial devoção, mas sim porque não tem como festejar a conclusão das suas licenciaturas. Falo com conhecimento de causa, pois observei o fenómeno enquanto aluno e continuo a verificar que assim é enquanto docente. Não questiono a fé que move muitos dos que acorrem à Alameda, questiono sim a instrumentalização pelas autoridades eclesiásticas, que aproveitam para insuflar artificialmente o número dos seus fiéis.
2 – Uma cerimónia neutra, de entrega de diplomas, de abertura de ano académico ou de celebração universitária não é uma liturgia concorrente da religiosa, representando sim interesses e valores distintos. Não há concorrência porque não estão no mesmo plano: a esfera religiosa tem o seu espaço próprio, no qual é livre de se desenvolver e manifestar, o mesmo sucedendo quanto ao mundo académico. O que critico é esta invasão do espaço universitário que o priva das suas próprias tradições e solenidades. Assim como não pretendem os conselhos científicos e os senados das universidades organizar provas de agregação nos templos católicos, igualmente clara deveria ser a separação das esferas no sentido contrário.
3 – Um cerimónia neutra é para todos, não deixando fora das escadarias da reitoria os ateus, os agnósticos, os judeus, os protestantes e todos os que não têm lugar nos ritos católicos. Uma cerimónia neutra não teria por objectivo propagar qualquer doutrina, ideologia ou superstição, apenas celebrar um passo fundamental na formação individual de cada um, o preenchimento de uma etapa de aquisição de conhecimento. É esse o denominador comum entre todos os finalistas.

4 – Quanto àqueles em nome de quem falo, limito-me a colocar-me no papel de quem já foi excluído de um acto académico tomado de assalto por uma fé religiosa particular. A legitimidade que invoco para o efeito é apenas a do grupo de que faço parte e que sente na pele a exclusão. E, independentemente dos números daqueles que elegantemente são descritos como hordas, sempre me pareceu que a discriminação de um é tão condenável como a discriminação de dois ou de cem, tendo em conta o carácter universal e intemporal de determinados valores.
5 – Finalmente, quanto à suposta piada fácil relativa ao pedir perdão pelos excessos, devo assinalar que, ao contrário do que podem pensar, não foi nada fácil ensaiar um esforço de contenção tão grande que evitasse o potencial humorístico da ideia de actos religiosos inseridos no final de festividades universitárias pautadas por rios de cerveja, autodeterminação sexual e música demoníaca.
domingo, junho 25, 2006
Vitória pírrica
Outra vitória assim no mundial e Portugal vê-se obrigado a convocar o massagista e o condutor do autocarro da selecção para jogar. Parece que a nata do futebol português, depois da histeria irresponsável nas meias-finais de 2000 (contra a França) e da estupidez criminosa contra a Coreia do Sul em 2002, nos conseguiu presentear com mais um festival degradante de cabeçadas, entradas a matar e pegas pueris.
Bem sei que eles são bons rapazes, que tiveram uma infância difícil, e que os holandeses também não primaram pela bondade, mas bolas, é sempre a mesma atitude de putos de 12 anos no recreio… Assim não dignificam a imagem da República Portuguesa.
Mas de resto, contra os bretões marchar, marchar…
Bem sei que eles são bons rapazes, que tiveram uma infância difícil, e que os holandeses também não primaram pela bondade, mas bolas, é sempre a mesma atitude de putos de 12 anos no recreio… Assim não dignificam a imagem da República Portuguesa.
Mas de resto, contra os bretões marchar, marchar…
sábado, junho 24, 2006
Nota pessoal - benção das fitas
Retomando o ponto das bençãos do post anterior, deixo uma breve nota pessoal sobre confusão entre esferas pública e religiosa em domínio análogo.
O único acto solene que marca o fim do curso dos estudantes universitários de Lisboa é a benção das fitas, realizada na Alameda da Universidade com o beneplácito das instâncias reitorais. Não querendo pôr em causa o direito que assiste aos estudantes católicos de querer marcar com uma cerimónia religiosa o fim da sua experiência universitária (pedindo perdão por excessos, quem sabe?), a ausência de um acto público, da iniciativa das Universidades Públicas da cidade, deixa um vazio para os estudantes que, como eu, não professam uma fé ou que, como outros, professam uma fé que não a católica, permitindo a uma confissão monopolizar o espaço académico, forçando a mão dos que pouco crentes ou desejosos de um rito de passagem, alinham na sua instrumentalização do evento.
Falando em nome daqueles que vão continuar a ficar de fora, chamo a atenção para o dever público de evitar a perpetuação da marginalização.
Por vezes as boas ideias vêm de onde menos se espera

Na polémica que aqueles que não compreendem o significado e alcance da laicidade alimentam, o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Melo, ao pensar que provocava os jacobinos da esquerda, teve hoje duas boas ideias:
1 - Acabar com as bençãos em cerimónias de inaugurações oficiais.
De facto, não se consegue compreender como é que é possível que subsistam actos de natureza estritamente religiosa enquadrados em cerimónias públicas. Se a crença de alguns retira conforto do facto de uma ponte, uma estrada ou um parque de diversões em Sobral de Monte Agraço ter sido benzido então, por quem sois, benzei a infra-estrutura
pública. Não peçam é para fazê-lo no quadro de uma cerimónica do Estado. A infra-estrutura é para todos usarem, admitindo-se que todos a possam benzer. Agora o Estado é que não é chamado a participar.
pública. Não peçam é para fazê-lo no quadro de uma cerimónica do Estado. A infra-estrutura é para todos usarem, admitindo-se que todos a possam benzer. Agora o Estado é que não é chamado a participar. 2 - Acabar com os feriados religiosos
Na sequência de umas ideias que aqui já tive opinião de referir em sede de comentários, é algo que faz todo o sentido. O Estado pode reconhecer que o fenómeno religioso clama pela existência de dias santos, que os fiéis pretendem observar. Assim sendo, fixe-se um número anual de dias que podem ser requeridos potestativamente pelos trabalhadores ao empregador para este fim (ou para outro qualquer, caso seja agnóstico ou ateu), permitindo, ao contrário da lei actual, que todas as confissões gozem de igual tratamento.
Não dizia Jesus de Nazaré, a César o que é de César?
PS: Desculpem lá isto de nós defensores da laicidade insistirmos sempre em citar um máxima de Jesus Cristo com quase dois mil anos para demonstrar este argumento, mas ele é tão claro que não nos cansamos de o repetir.
terça-feira, junho 20, 2006
Picasso Tradición y Vanguardia
Sexta-feira passada estive em Madrid para observar a exposição "Picasso tradicion y vanguardia" promovida pelos museus reina Sofia e Prado que se juntaram para uma exposição inédita e irrepetível que pretende confrontar as obras de Picasso com as obras de Goya, Velásquez e outros clássicos que lhe serviram de inspiração.




Quero tentar replicar aqui, desta forma gráfica uma das sensações mais comoventes que me proporcionou a arte. Estar numa sala literalmente rodeado pelo Guernica e o Massacre da Coreia de Picasso, o 3 de Mayo de Goya e o Fuzilamento do Imperador Maximiliano de Manet.
Picasso foi um claro apoiante da causa Republicana durante a Guerra Civil espanhola e o Guernica é o seu testemunho do horror da repressão Franquista durante um dos períodos mais negros da história de Espanha. O confronto deste quadro com o 3 de Mayo de Goya, politicamente simétrico e, resulta numa censura à guerra e aos seus horrores, liberta de qualquer conotação política ou religiosa.
segunda-feira, maio 15, 2006
terça-feira, abril 25, 2006
A Revolução que tanto amamos

Não é por este blog andar paradito de posts que vamos deixar de prestar atenção ao que realmente interessa. Aqui deixo o meu sentido testemunho.
Foi na sequência da Ávinho em Aveiras. Desafiei os escuteiros que ficaram este ano com a taberna do Chico da Serra. Aceitaram prolongar a festa do vinho e das adegas por mais um dia para além do fim de semana e comemorar o 25 de Abril à segunda-feira. O 25.
Não houve imposição de escolha musical, não houve nada. Apenas uma sugestão bem acolhida. eu nem gosto do escutismo, só destes escuteiros de quem sou amigo.
A festa foi bonita, pá!
Cartazes do 25 e música do Zeca. Discussão política com todos os pontos de vista representados - ou melhor, possibilidade de discutir tudo e mais qualquer coisa.
As cabeças estavam alertas e dispostas a debater e discutir. Não sei se por teimosia ou por disposição, mas sei que o tema desta festa abriu muitas portas. E o 25 de Abril aconteceu. A bem ou a mal, a discussão aconteceu. O que era bom, o que era mau, tudo isso apareceu. A política como está, como devia ser, apareceu. O debate surgiu, o diálogo proporcionou-se, e à razão deixou-se o lugar devido.
Disse, pois disse. E ainda bem que há democracia, nem que seja à volta de um copo de cerveja ou vinho.
Depois de vir a casa deixar os posters que serviram de decoração ao espaço da taberna do Chico da Serra, senti que havia alguma coisa a dizer. E por isso voltei. Disse-o. O 25 fez-se por uma sociedade idealizada que não pode conhecer limites de classe ou posição social. O 25 fez-se para que tolerÂncia que a liberdade proprociona. Ainda bem que a liberdade fala pelas mais estranhas formas. Só assim pode o 25 acontecer nas pequenas coisas, Sem atavios ou prisões. Só a liberdade. Hoje o 25 aconteceu. A mensagem passou, e eu, um pequeno elemento na correia de transmissão, deixarei e farei com que aconteça todos os dias. Que bela forma de homenagear a geração dos meus pais! Que belo presente é a liberdade!
sexta-feira, março 24, 2006
Há tanta coisa para fazer
Estamos demasiado ocupados a mudar o mundo.
Já agora deixou-vos um link para a entrevista que Ehud Olmert deu ao diário israelita de centro-esquerda Haaretz (http://www.haaretz.com/hasen/spages/692704.html). Dá uma no cravo, outra na ferradura. Mas o que mais marca é a promessa de retirar de quase toda a Cisjordânia! Em quatro anos! Cabe à esquerda israelita ter um resultado suficientemente robusto nas eleições da próxima Terça-feira para exercer pressão sobre o executivo liderado por Olmert: Israel não pode anexar Jerusalém Oriental (faz parte do programa do Partido Trabalhista abrir mão de tudo menos a Cidade Velha e o Muro das Lamentações); deve aproximar o trajecto do Muro - infelizmente necessário - o mais possível da Linha Verde de 1967 para evitar mais anexações de terra palestiniana; deve manter uma presença soft no Vale do Jordão e não uma 'fronteira de segurança'.
Finalmente, acima de tudo, só com a esquerda no poder se pode manter vivas as esperanças numa solução negociada.
Já que do lado palestiniano está tudo a andar para trás, cabe a Israel levar a cabo uma política de unilateralismo responsável.
Terça-feira Israel dá mais uma lição de maturidade democrática à região.
Já agora deixou-vos um link para a entrevista que Ehud Olmert deu ao diário israelita de centro-esquerda Haaretz (http://www.haaretz.com/hasen/spages/692704.html). Dá uma no cravo, outra na ferradura. Mas o que mais marca é a promessa de retirar de quase toda a Cisjordânia! Em quatro anos! Cabe à esquerda israelita ter um resultado suficientemente robusto nas eleições da próxima Terça-feira para exercer pressão sobre o executivo liderado por Olmert: Israel não pode anexar Jerusalém Oriental (faz parte do programa do Partido Trabalhista abrir mão de tudo menos a Cidade Velha e o Muro das Lamentações); deve aproximar o trajecto do Muro - infelizmente necessário - o mais possível da Linha Verde de 1967 para evitar mais anexações de terra palestiniana; deve manter uma presença soft no Vale do Jordão e não uma 'fronteira de segurança'.
Finalmente, acima de tudo, só com a esquerda no poder se pode manter vivas as esperanças numa solução negociada.
Já que do lado palestiniano está tudo a andar para trás, cabe a Israel levar a cabo uma política de unilateralismo responsável.
Terça-feira Israel dá mais uma lição de maturidade democrática à região.
segunda-feira, março 06, 2006
The show must go on

A cerimónia dos Oscars de ontem prometia ser impregnada do perfumado charme da dissidência. Começou a ver-se que só poderia ser assim quando a concurso estavam os filmes que estavam, e a Academia deu seguimento quando chamou Jon Stewart para apresentar («a melhor oportunidade para ver tanta celebridade junta sem ser num jantar do Partido Democrático»). Valia a pena ficar acordado só para o ver.
O que se passou não desmereceu o prometido.
George Clooney abriu a noite da melhor maneira. Com um discurso que foi, a muitos títulos, perfeito, o empedernido e empenhado liberal à antiga declarou o seu orgulho em pertencer a uma comunidade que falava de SIDA, desigualdade e exploração quando ninguém falava, e que deu um Oscar a uma negro numa altura em que os negros só podiam sentar-se nas últimas filas dos cinemas. E a noite prosseguiu no mesmo registo, enfatizado no clip sobre filmes que abordaram questões sociais importantes. Farta de ser gozada numa América adormecida pela tribo de Bush, Hollywood sai do armário como que gritando «Liberal, and proud of it». Sacudiu o sufoco e assumiu-se. Não foi gritar e espernear à toa. Não houve folclore à Michael Moore. Foi despejar emoção contida que transbordou de tão cheio que estava o copo. Foi como que dizer a festa é minha, deixem-me dizer o que quero. Foi a celebração do orgulho de fazer filmes como uma oportunidade de provocar a inquietação do espírito através da arte e assim fazer a humanidade avançar.
Não gosto particularmente da instrumentalização da arte, mas de vez em quando faz bem assistir a estes assomos de lucidez. É o que resta de esperança na grandeza da América.
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Biomedicina na Antiguidade?
Refere uma notícia da Agência Lusa: "A Bíblia (católicos), o Corão (islâmicos) e a Tora (judeus) condenam a utilização de espermatozóides ou óvulos de elementos exteriores ao casal nas técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA)."
Se não fosse a agência noticiosa mais conceituada do País até dava para rir...
Se não fosse a agência noticiosa mais conceituada do País até dava para rir...
terça-feira, fevereiro 21, 2006
Figaro, Mozart, Beaumarchais e Da Ponte
Na passada semana tive o enorme prazer de assistir no Scala de Milão a uma encenação memorável da Ópera “As Bodas de Fígaro” do aniversariante Mozart com um Libreto excepcional de Lorenzo Da Ponte baseado num texto revolucionário de Beaumarchais.
Quando Mozart celebra o seu 250 aniversário é importante lembrar uma faceta deste compositor que, não sendo tão explicitamente adepto dos ideais da Revolução como Beethoven, teve a coragem de levar à Viena feudal de 1786, três anos antes d’A Revolução Francesa, uma ópera baseada num texto incendiário de Beaumarchais que tinha na versão inicial frases como esta de Figaro ao conde:
“Por ser um grande fidalgo, o senhor acredita ser um grande génio [...] O que fez para possuir tantos bens? Deu-se apenas ao trabalho de nascer e nada mais" ou ainda esta chave de encerramento do texto "Por obra e graça do nascimento, um é rei, o outro pastor, o acaso criou a distância, apenas o espírito pode mudar tudo". Muito já se exagerou sobre a influência deste texto no despoletar da Revolução mas... Não sentem também um arrepio na espinha?
Apesar destas frases de maior impacto não constarem do libreto de Da Ponte este libretista livrepensante libertino e amigo de Casanova conseguiu, não só manter o fervor revolucionário do texto original de Beaumarchais, como criar o que é considerado por muitos um dos melhores e mais deliciosos enrredos da história da Ópera que se desenvolve num conjunto de enganos e desenganos em torno do da vitória de um noivo de condição inferior (Figaro) num desafio claro ao seu senhor (o Conde) que tenta exercer em vão o direito de Prima Nocte. Mozart demonstrou claramente, ao pôr Viena a trautear hinos de desafio ao poder da Nobreza como a primeira ária de Figaro: "se quer bailar , senhor condezinho", que não só este compositor não era um castrati, como tinha umas balls pelo menos do tamanho das que Graeme Souness atribuía a Michael Thomas e também que, se não é clara a sua aderência incondicional aos ideais republicanos, prova-se que partilhava uma grande desconfiança relativamente ao sistema instituído.
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Bonitos serviços
"Este dossier é o mais importante de toda a legislatura", ouve-se dizer nos corredores do Parlamento Europeu: será o Irão? As eleições palestinianas? O futuro da indústria de defesa europeia? As missões na República Democrática do Congo no contexto da Política Europeia de Segurança e Defesa ? Não.
Trata-se da 'Directiva dos Serviços' que é hoje votada em plenária.
E eu que não percebo nada do "dossier mais importante de toda a legislatura"...
Trata-se da 'Directiva dos Serviços' que é hoje votada em plenária.
E eu que não percebo nada do "dossier mais importante de toda a legislatura"...
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Pum!
A propósito do acidente de caça do vice-presidente americano Dick Cheney, sugere-se a quem tenha um pouco de tempo livre um jogo de Cheney Quail Hunt, a que se pode aceder por aqui.
Não há como falhar.
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Cartoons dinamarqueses: algumas reflexões
1. Alguns deles são racistas e xenófobos, comparáveis às pérolas artísticas anti-semitas produzidas em jornais por todo o mundo muçulmano;
2. Como tal, a Dinamarca e qualquer governo europeu, deviam demarcar-se dos media que os reproduzem - não esperaria outra reacção em relação a cartoons que negassem o holocausto ou que insinuassem que todos os africanos são estúpidos; neste caso em particular, bastava alguma sabedoria política para justificar statements políticos de repúdio;
3. Isto não tem nada a ver com 'liberdade de expressão': ninguém está a defender que se feche jornais e se ponha jornalistas na prisão. Os tribunais que decidam que medidas legais há a tomar. Trata-se, isso sim, de fazer um statement político em como aquele tipo de discurso xenófobo é inaceitável;
4. Protestos violentos no mundo islâmico: ainda surpreendem alguém? É importante condená-los. Mas como se diz em alemão 'cada varredor tem que começar pela própria entrada'. A condenação evidente da violência no mundo islâmico tem pouco a ver com a natureza xenófoba de alguns dos cartoons que, essa sim, tem as raízes no nosso back yard;
5. Não se trata de pedir desculpas: não vou desculpar-me pelas ideias racistas de meia dúzia de imbecis; bastava ao governo dinamarquês ter - a seu tempo - recebido os representantes de alguns países muçulmanos, dizer umas palavrinha agradáveis, e talvez a coisa se tivesse passado de outra maneira;
6. E por outro lado, talvez não: muitos desses países (Irão, Síria, Arábia Saudita) usam esta história como podem para legitimar os seus regimes repressivos e retrógrados. É verdade que não há declaração de repúdio do lado europeu que seja capaz de apaziguar algumas forças políticas no mundo islâmico. Mas estas legítimas considerações pragmáticas não significam que a Europa ignore os seus princípios e se esqueça de condenar a xenofobia "porque os outros meninos não nos ligam". E o objectivo não é apaziguar ninguém, mas antes sublinhar uma questão de princípio, independentemente do que o Irão - e outros - dizem, ou fazem.
7. Competição de cartoons a gozar com o holocausto no Irão: um regime grotesco a liderar um país doente e uma sociedade civil estupidificada por uma geração inteira de lavagem cerebral. Só nos resta a esperança de que a nova geração iraniana pós-revolucionária seja mais imune a este tipo de delírios do que a presente.
Mas entretanto eu espero que Israel se agarre bem à Bomba.
2. Como tal, a Dinamarca e qualquer governo europeu, deviam demarcar-se dos media que os reproduzem - não esperaria outra reacção em relação a cartoons que negassem o holocausto ou que insinuassem que todos os africanos são estúpidos; neste caso em particular, bastava alguma sabedoria política para justificar statements políticos de repúdio;
3. Isto não tem nada a ver com 'liberdade de expressão': ninguém está a defender que se feche jornais e se ponha jornalistas na prisão. Os tribunais que decidam que medidas legais há a tomar. Trata-se, isso sim, de fazer um statement político em como aquele tipo de discurso xenófobo é inaceitável;
4. Protestos violentos no mundo islâmico: ainda surpreendem alguém? É importante condená-los. Mas como se diz em alemão 'cada varredor tem que começar pela própria entrada'. A condenação evidente da violência no mundo islâmico tem pouco a ver com a natureza xenófoba de alguns dos cartoons que, essa sim, tem as raízes no nosso back yard;
5. Não se trata de pedir desculpas: não vou desculpar-me pelas ideias racistas de meia dúzia de imbecis; bastava ao governo dinamarquês ter - a seu tempo - recebido os representantes de alguns países muçulmanos, dizer umas palavrinha agradáveis, e talvez a coisa se tivesse passado de outra maneira;
6. E por outro lado, talvez não: muitos desses países (Irão, Síria, Arábia Saudita) usam esta história como podem para legitimar os seus regimes repressivos e retrógrados. É verdade que não há declaração de repúdio do lado europeu que seja capaz de apaziguar algumas forças políticas no mundo islâmico. Mas estas legítimas considerações pragmáticas não significam que a Europa ignore os seus princípios e se esqueça de condenar a xenofobia "porque os outros meninos não nos ligam". E o objectivo não é apaziguar ninguém, mas antes sublinhar uma questão de princípio, independentemente do que o Irão - e outros - dizem, ou fazem.
7. Competição de cartoons a gozar com o holocausto no Irão: um regime grotesco a liderar um país doente e uma sociedade civil estupidificada por uma geração inteira de lavagem cerebral. Só nos resta a esperança de que a nova geração iraniana pós-revolucionária seja mais imune a este tipo de delírios do que a presente.
Mas entretanto eu espero que Israel se agarre bem à Bomba.
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
Agostinho da Silva
Agostinho da Silva, homem livre que nasceu há 100 anos e viveu sem BI nem número de contribuinte, por ele próprio:
"Não sou do ortodoxo nem do heterodoxo; cada um deles só exprime metade da vida. Sou do paradoxo que a contém no total."
"Não sou do ortodoxo nem do heterodoxo; cada um deles só exprime metade da vida. Sou do paradoxo que a contém no total."
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