domingo, setembro 25, 2005
Não chega metade da verdade
Este fim-de-semana assistimos a uma deterioração grave da situação. O evento principal a considerar foi uma manifestação organizada pelo Hamas, em que uma explosão causou 15 mortos e dezenas de feridos. O movimento islâmico acusa Israel de ter levado a cabo um ataque. Israel garante que não. Uma pista para entender este aparente mistério são as declarações de porta-vozes da Autoridade Palestiniana, que falam de "irresponsabilidade" do Hamas: é que durante a manifestação - que era mais uma parada militar, uma demonstração de força do movimento - estava a ser transportado material explosivo em várias carrinhas pick-up. Não é a primeira vez que este acidentes acontecem. Para além disso, o modus operandi israelita não inclui raides aleatórios a manifestações... Para todos os efeitos o Hams não ia perder esta oportunidade de mobilizar a opinião palestiniana atrás de si e... fuga para a frente: dezenas de mísseis Qassam foram lançados sobre Sderot, cidade que se encontra a alguns quilómetros de Gaza, solidamente em território israelita. O Público descreve selectivamente alguns acontecimentos que provam que os israelitas gostam é de fazer mal ao pessoal.
Enfim, para saberem a história toda, leiam a BBC - chamo particular atenção à descrição da sequência de eventos:
http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/middle_east/4280262.stm.
Para saberem a versão do órgão oficial da Fatah em Portugal, vão a:
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1233772&idCanal=18
Os tipos do Público percebem tanto do Médio Oriente como eu percebo de física quântica.
quarta-feira, setembro 21, 2005
O Meu Presidente: Jed Bartlet

Na série de televisão Os Homens do Presidente, Jed Bartlet recuperou da situação de outsider para ganhar as primárias do Partido Democrático a um candidato mais popular e com maior orçamento, e tornou-se presidente dos Estados Unidos vencendo no colégio eleitoral um candidato Republicano que obteve mais votos.
Bartlet é um economista brilhante, com um Prémio Nobel no currículo, descendente de um dos signatários da Declaração de Independência, homem de inteligência superior, íntegro mas de carácter não infalível, para quem não importam as derrotas, mas sim perder por não ir à luta. É considerado um liberal no mais estrito sentido do termo, o que nos Estados Unidos equivale a chamar a alguém socialista - e que não é propriamente um elogio.
A série desenvolve-se nos bastidores da Casa Branca e acompanha o quotidiano da equipa do presidente nas tarefas diárias de fazer política e governar. Os membros da equipa são idealistas, e põem um genuíno sentido de missão em tudo o que fazem, mas sabem com que linhas é preciso coser para que o trabalho seja feito.
A genialidade da série está em tratar os habitualmente maçudos assuntos políticos em produto televisivo de qualidade, e está, sobretudo, na forma como um enredo que tem tudo para ser demagógico não o é, bem pelo contrário. É a política enquanto arte do compromisso, actividade nobre mas cheia de podres com os quais é preciso lidar para aspirar à grandeza.
Bartlet é um presidente do outro mundo, pessoa em quem até os defeitos são edificantes, mas é uma personagem credível enquanto projecção na ficção de tudo o que se espera que um político deva ser.
A série passa ou já passou na TVI, que a chutou para o horário impróprio das 3 da madrugada. A melhor forma de acompanhar Os Homens do Presidente é pelo AXN da TV Cabo, quintas-feiras às 21h30. O episódio de amanhã, Two Cathedrals, é absolutamente imperdível para quem queira perceber o que acabo de dizer. Eu não resisti ao suspense dos episódios anteriores e saquei-o da net. É das coisas mais bem feitas que já vi em televisão.
Não há, no mundo real, político algum que possa obter do público a simpatia que tem Josiah Bartlet pelo simples facto de lhe espiolharmos a vida na televisão. Mas também, de certeza que não há ninguém no mundo como Jed Bartlet.
O mundo precisa de mais homens como Jed Bartlet. Que ele exista só na televisão já é um princípio.
Para saber mais: http://en.wikipedia.org/wiki/Jed_bartlet
segunda-feira, setembro 19, 2005
Descarrilamento
O que Carrilho ganha em criatividade e capacidade de realização perde em excesso de assertividade e temperamentalismo. Mas isso já se sabe.
Quanto a Carmona, perdeu a aura de tipo porreiro, o técnico impassível que não está para se chatear e só quer fazer um bom trabalho. O seu "Grande Ordinário" fê-lo parecer com aqueles meninos bem, que são educados para manter a aparência de bem comportado, mas que nas costas da mãe partem uma jarra e põem as culpas na copeira.
sexta-feira, setembro 16, 2005
Alienação e depressão
A desvantagem principal de uma sociedade democrática e aberta é que não há desculpas, não há ninguém que nos impeça de mudar o que está mal. Estão descontentes com o governo - votem no outro; repugna-vos a mediocridade - vão juntar-se às centenas de organizações da sociedade civil que trabalham nas mais diversas áreas; rejeitam o clientelismo - não dêem cunhas a torto e a direito. E se o país fracassou, se ele vos deixou sem opções, se a nação bateu no fundo: peguem nas coisas e façam-se à estrada durante uns tempos: há mundo para além de Portugal ("Ai, eu gostava muito de ir para o estrangeiro, mas a minha mãe ficava tristíssima...").
Aqui é preciso sublinhar uma diferença fundamental. Uma coisa é a pobreza, a miséria, o desemprego e a iliteracia. Quem sofre destas vicissitudes sociais tem todo o direito de apontar o dedo a uma sociedade que continua a ser incapaz de dar oportunidades iguais a todos, que continua a carburar impavidamente enquanto milhares de cidadãos ficam para trás. Aqueles que olham à volta e não conseguem 'ler' a sociedade, que sentem que o que existe, existe contra eles e não para eles, esses têm o direito a insurgir-se.
Quem eu não compreendo são aqueles que têm precisamente as ferramentas nas mãos que são necessárias para viver numa democracia moderna: redes sociais, domínio de línguas, cursos superiores, um mínimo de bem-estar, saber... Mesmo assim quantas dessas pessoas continuam a falar como se o futuro não dependesse delas, como se o presente fosse uma fatalidade, uma força da natureza, um fenómeno inexplicável que eles e elas observam com o olhar neutro de alguém de fora. Especula-se sobre 'porque é que somos assim', constroem-se teorias sobre 'o nosso atraso', encolhem-se os ombros perante a mediocridade da classe política (os famosos "eles").
Em 1974 refundámos Portugal. O que se passou até então influenciou em muito a nossa presente situação e estava fora do nosso controlo. A Mediocridade estava institucionalizada e firmemente ancorada no obscurantismo, na estupidez e na violência - chamavam-lhe 'o regime'.
Mas já tivemos 31 anos para dar a volta por cima. Já chega de fazer de conta que a culpa não é nossa. Chega. Façam filhos e eduquem-nos como cidadãos e cidadãs que não têm medo de assumir as responsabilidades pela sociedade que têm. A República somos nós.
quarta-feira, setembro 14, 2005
Como diz que disse?
terça-feira, setembro 06, 2005
O Gigante Caiu
Estamos dependentes deles, não haja dúvida - mas até quando?
Era Uma Vez em Gondomar
O Major Valentão tem ultimamente dedicado a sua campanha eleitoral a chamar todos os nomes a Marques Mendes, o que, como todos sabemos, é a primeira das preocupações dos eleitores de Gondomar. Bem, na verdade não se pode dizer em bom rigor que se trata de chamar todos os nomes - o vocabulário ficou-se por "pequeno líder" (Deng Xiao-Ping rói-te de inveja) e "lider menor", este último o que mais se afastou de uma grosseira alusão à estatura física do presidente do PSD (o que, convenhamos, como subtileza deixa muito a desejar).
Dá-se o caso que, a meio de uma birra, o Major senta-se e começa a falar calmamente para a câmara da RTP. Assim, como se tivesse a olhar Marques Mendes nos olhos e a dizer «Eu não tenho medo de ti, rapazinho». Até aqui tudo bem, era só um bom momento de western à portuguesa. Mas é então que o operador de câmara começa a fazer zoom, e o plano fecha-se num close-up à Sergio Leone, acentuando a carga dramática do momento. Uau. Um repórter de imagem que faz cinema.
A questão que fica é: porque é que a televisão se presta a estas coisas.
Estou À espera de ver Marques Mendes a dar um pontapé nas portas do Saloon e a entrar por aí adentro, feito Xerife. Mas algo me diz que isso não vai acontecer.
quinta-feira, julho 28, 2005
O leão acordou

Houvesse justiça na política e Manuel Alegre seria o candidato da esquerda às eleições presidenciais. O homem que sempre soube em que lado da luta pela liberdade devia estar colocado, que é consensual em para todos os quadrantes da vida portuguesa menos para o seu partido, merecia o lugar de presidente da República. Mais, os portugueses, embora não façam muito por isso, mereciam tê-lo como presidente.
Mas Manuel Alegre não é um pai da pátria: Jorge Sampaio também não o era, mas nessa altura Cavaco ainda não se descosera da imagem de primeiro-ministro antipático.
O tempo fez de Cavaco o homem de Estado, uma reserva moral, e a imagem que ele tão bem cozinhou como uma donzela que se faz difícil aos seus pretendentes faz com que se lhe impute um potencial de carisma que, sinceramente, acho que não tem nem terá.
Compreende-se, por isso, que perante a emergência do novo Cavaco, a esquerda tenha de chamar a artilharia pesada e do lado de lá soa o alarme: o PSD poderia passar a imagem de serenidade, mas em vez disso Dias Loureiro diz esperar que Cavaco Silva não desista, ou seja, que não se assuste.
A escolha de Soares é uma escolha natural, embora imprevista devido à sua provecta idade. Soares tem o peso que Alegre não tem, e a sua energia e atenção ao que se passa estão para lá daquilo em que a sua idade o pode limitar, como ontem se viu no encontro de jovens socialistas, em que o seu entusiasmo parecia querer fazer saltar um monstro para fora do corpo idoso e enrugado que o continha.
A candidtura de Soares é uma solução de recurso para o PS, mas para o próprio é uma oportunidade de garantir a transmissão de uma herança política.
A questão presidencial será semelhante ao que se passou no Chile quando Neruda abdicou a favor de Allende, embora com menos dramatismo, embora Manuel Alegre seja mais parecido com Pablo Neruda do que Mário Soares alguma vez o será com Salvador Allende.
O país precisa de alguém que saiba o que dizer e fazer quando não se está a promulgar leis ou a assinar decretos. E Cavaco, um homem de gabinete, leva neste aspecto desvantagem em relação ao poeta e ao animal político.
quarta-feira, julho 20, 2005
Reforço de Verão

Este é John Roberts Jr., o próximo juiz do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, nomeado pelo presidente Bush para substituir Sandra Day O'Connor, a moderada que era o fiel da balança na equipa capitaneado pelo venerável William J. Renqvist, também ele prestes a arrumar as botas depois de uma carreira a fazer tackles aos civil rights.
No palmarés, Roberts tem decisões contra a legitimidade processual dos cidadãos em accionarem o Estado por violação de legislação ambiental, e manifestou-se contra o acordão Roe vs. Wade, que estabeleceu o direito constitucionalmente garantido da mulher em praticar o aborto, defendendo a sua revogação. Enquanto advogado, defendeu companhias mineiras em casos de poluição e contra os mineiros, aquando de uma greve.
A possibilidade de vir a ser nomeado um juiz ultra-conservador foi um dos argumentos usados por John Kerry ao longo da campanha para as presidenciais do ano passados. Ele aí está. E republicanos (mas também, depois da novela Bolton, nunca se sabe).
terça-feira, julho 19, 2005
O paradigma da educação e o país eternamente adiado

Quando evoco a memória dos tempos de Cavaco Silva, era eu um chavalito, lembro-me distintamente da euforia da auto-estrada, essa maravilha que passava quase à minha porta e nos permitia dar um pulinho a Lisboa e ver os filmes mais recentes ao Cinema, que de outra forma demorariam mais umas semanas ou meses a chegar ao nosso orgulhoso cinema de Aveiras. Sempre me causou algum incómodo e alguma mágoa que uma pequena vila a 50 quilómetros de Lisboa tivesse um tão desmesurada vaidade na "sua" auto-estrada ("para esfregar no nariz a esses invejosos de Azambuja")e menos orgulho no facto de ser a única terra nas redondezas - do Cartaxo a Vila Franca - que tinha esse benefício para o espírito que era um Cinema, em que, por entre zaragatas do Bud Spencer e do Chuck Norris, lá mostrava um ou outro filme digno desse nome.
Era o tempo em que muita gente enchia os bolsos à conta dos fundos da CEE, entornados para dentro de empresas quase-fictícias que iam desde a criação de minhocas à mecanização da agricultura quando o problema era mesmo a agricultura e não a sua falta de mecanização. Os fundos, esses, passeavam pelas ruas na forma de Alfa Romeos e outros carros glamorosos de pato-bravo.
A auto-estrada era, em Aveiras e em todo o Portugal, o paradigma da modernidade, nessa altura em que ficar na escola aborrecia, sobretudo quando, havendo dinheiro para ganhar, já não havia que se cuidar em ganhar a vida.
O Cine-Aveiras morreu, e dos muitos empreendedores que apareceram associados à lógica mais de esperteza do que de trabalho que personificava o professor Cavaco (ou mais precisamente a sua entourage), apenas os que aproveitaram os fundos europeus para algo mais do que passear em grandes carros lograram continuar com uma vida boa, para eles e para os filhos.
Depois cresci e li que a Irlanda não tem auto-estradas de jeito, mas tem uma elevadíssima taxa de literacia (não fossem eles bons repulicanos) e uma população que é das mais altamente qualificadas do mundo, o que deu em taxas de crescimento económico entre os 20 e os 30% ao ano. A conclusão para mim era simples: menos betão, mais educação.
A Irlanda é o país da fome da batata e conseguiu. A Espanha é o país da siesta e tem o que tem. Nós somos o país do fado, e cá nos vamos aguentando - e isso é o que de mais optimista podemos dizer.
Depois vê-se isto na imprensa internacional (obrigado, David). Portugal investiu 90% dos fundos em infra-estruturas, a Espanha 70%. Portugal necessitava, enquanto país periférico, de construir auto-estradas, mas nem isso foi bem feito - basta olhar para o mapa, como observa o International Herald Tribune. "Os economistas portugueses estão de acordo em que os recursos foram utilizados de modo a adiar as decisões".
Este é o retrato de um país que andou muito tempo a ver o filme errado, e agora só lhe resta andar num Alfa Romeo recauchutado.
sexta-feira, julho 15, 2005
Bad Bad Mary
Por outro lado, admira-me porque é que o Jornal cá da terra não começa a oferecer rolinhos de papel higiénico para que o possamos ler antes de o utilizar para a única função óbvia para a qual serve. Com umas autárquicas à porta, porque não perguntar ao cidadão se gosta das obras do Centro Histórico, se quer a milésima rotunda, se prefere as estradinhas arranjadas ou os acessozinhos à cidade concluídos?
Para que serve este jornalismo, hein?
Ele há coisas.
quinta-feira, julho 14, 2005
A Bastilha
Aparentemente, há 216 anos alguns cidadãos e cidadãs parisienses de cabeça quente tomaram a Bastilha. Encontraram-na praticamente vazia, com alguns prisioneiros de delito comum, e meia dúzia de guardas prisionais que não tiveram um destino agradável.
Mas foi acima de tudo o valor simbólico do acto de revolta que tem, desde então, sido recordado. A tomada da Bastilha foi a faísca que largou fogo vivo a um país que que ainda não era nação, mas que, começando com os debates nos Estado Gerais, gradualmente se refundou como República Francesa.
Em Agosto de 1789 eliminaram-se num dia (se não me engano no dia 2) centenas de anos de privilégios feudais e eclesiásticos.
Num dia.
Muitos dos grandes nomes da Revolução pertenciam à Nobreza: Mirabeau (conde), Condorcet (marquês e republicano da primeira hora e defensor dos direitos das mulheres), Lafayette (marquês) e alguns do clero, como o Abbé Sieyès.
Tudo era possível.
Mas a tomada da Bastilha também nos serve como aviso. Uma Revolução que tão cedo se esquece dos princípios mais elementares da humanidade, é uma Revolução que age num vazio ético. Mais cedo ou mais tarde será uma Revolução que se perde, que não consegue distinguir entre fervor revolucionário e crueldade pura e simples. Robespierre, o Incorruptível, era demasiado incorruptível: nem por sentimentos de empatia, de humanidade, de decência se deixava corromper. Talvez seja essa a lição principal da Revolução: o mais tardar quando estiver a assinar listas de condenados à morte, o indivíduo revolucionário tem que se questionar que tipo de 'progresso', que tipo de futuro está a construir. No fundo, as vontades dos revolucionários costumam pecar por alguma ausência de imperativo categórico.
Mas, convenhamos, 200 anos passados, a Revolução continua a emanar Luz e, mesmo nos seus momentos mais sombrios trata-se de um evento do qual tiramos lições. Ao fim de séculos de obscurantismo, violência e repressão, e ao fim de gerações de treino em fanatismo cristão, era difícil fazer uma Revolução diferente daquela e demasiado dogmatismo ético castra qualquer entusiasmo revolucionário.
Não queremos acabar como Kant, que nunca se conseguiu decidir se a Revolução Francesa era uma coisa boa porque demonstrava a racionalidade dos milhares de cidadãos desinteressados que se dedicaram á causa revolucionária; ou se era uma coisa má porque as revoluções, por princípio, recriam, ainda que por pouco tempo, os horrores da ausência de ordem, do Estado Natural do todos-contra-todos.
Kant, era, como se diz na gíria filosófica, um chato de merda.
Os movimentos revolucionários e emancipatórios que têm e tiveram a sua origem na Grande Revolução, e os seus efeitos sobre a vida de milhões de cidadãos e cidadãs, mais do que compensam os disparates que foram feitos por meia dúzia de imbecis que herdaram as manias autoritárias do Antigo Regime.
Judeus e mulheres foram dois grupos que mais cedo ou mais tarde, com avanços e recuos, colheram os frutos da Revolução em toda a Europa. Mas há outros, claro.
O Liberalismo moderno é ingrato quando esquece as suas raízes francesas. Hegel, muito longe de ser um 'revolucionário', festejou o Dia da Bastilha até morrer, porque sabia que o dia 14 de Julho representa o princípio da Modernidade. E de facto, quando se lê alguns dos discursos que foram feitos nos Estados Gerais, na Assembleia Nacional e na Convenção, fica-se com a distinta impressão que se está a testemunhar a Razão em acção.
Merci la France!
Liberté! Egalité! Fraternité!
Posted by Oppenheimer
domingo, julho 10, 2005
Volta Alberto, estás perdoado...
segunda-feira, julho 04, 2005
Yankee Doodle to you too!
E se mandássemos passear certos e determinados indivíduos?
O PSD habituou-se a ele como um cão se habitua a uma carraça, isto sem querer ser desrespeitoso (para o PSD, não para a carraça).
Mas o que têm estes pequenotes aspirantes a ditador é o serem olhados com benevolente comiseração e riso por toda a gente, enquanto vão urdindo novas formas de ter na mão os habitantes do quintal que governam.
A demagogia é um perigo para a democracia, e é só começar a ver uma quadrilha de delinquentes racistas manifestarem-se no Martim Moniz para que os ALbertos Joões comecem a achar que vale a pena dizer umas coisas assim.
A quem ouve Alberto João sugere-se que sustenha a vontade de rir e que puxe o autoclismo.
domingo, julho 03, 2005
Vão caindo aos poucos as folhas da árvore da Liberdade
quinta-feira, junho 30, 2005
Ai Portugal, Portugal...
Bebo as palavras dos meus amigos viajantes, que regressaram em paz. Quando é que aumenta o IVA? - pergunta um deles, e recosta-se no sofá vidrado na novela da Globo. Pareceu ver-lhe uma lágrima ao canto do olho - e não seria de tristeza.
segunda-feira, junho 20, 2005
Elogio ao Desespero
Alguém me explica a insatisfação permanente de uma classe? Alguém compreende a elegia do pessimismo que esta gente faz assim que nasce? Abro o Público e só vejo desgraças:incêndios, alertas amarelos, processos comunitários contra o défice, burlas no IVA, arrastões, fim das reformas antecipadas, listas de espera da saúde e urjo parar que já me dói muito o coração.
E depois os professores. Os alunos prejudicados, os pais que protestam, o Governo com pulso de ferro, a Ministra, a Fenprof, os sindicatos. Ca ganda nóia é sempre a mesma cantilena! Mas esta gente protesta sobre o quê? Não consideram que a educação já anda suficientemente nas ruas da amargura para se calarem um bocadinho? Até me dão ganas de fazer não sei quê quando ouço falar de um protesto dos professores. E os desgraçados que não ficam colocados? E os alunos que acabam o secundário sem saber ler nem contar (coisa que dantes dava direito a umas belas reguadas)? E as escolas a cairem de podres? Hein?
Que seca, os professores!!!!
O aniversário
Como é que se avalia um governo que tem uma batata quente em cada mão e outra no ar, e que tem de ser malabarista para não se queimar?
Podia ser melhor, pois podia. Mas não esperava que se começasse a demolir algumas torres de marfim, como a quela em que se instalaram os políticos, ou aquelas belezas que se vêem no Algarve, porque finalmente se concluiu que é melhor não brincar com a natureza.
Espero ainda pela altura em que o Estado decida acertar contas com a banca - aí sim, daríamos o primeiro passo para acabamos com as muitas capelinhas onde o país vai definhando.
É cedo para aprovar este governo, mas, por enquanto, já vou ficando satisfeito por ter um governo que sabe fazer política. Já é reconfortante não estar sempre à espera da próxima patacoada - torna a vida mais monótona, mas é reconfortante, e o país respira de alívio, apesar da austeridade. É que a austeridade aguenta-se melhor se o exemplo vier de cima.
Com tudo isto o governo vai-se aguentando bem em cima da bicicleta, e uma prova disso é que o Bloco de Esquerda ouve-se menos com oito do que com três.
quinta-feira, junho 16, 2005
La lámpara marina
quarta-feira, junho 15, 2005
O Patriarca Vermelho
Apesar de ser uma personagem cujos feitos e traços de personalidade foram carregados de simbologia revolucionária pela hagiografia comunista (e pelo próprio), é certo que passou pela prisão e sofreu o que a ditadura lhe inflingiu sem perder de vista o objectivo final.
Apesar de ter tentado instaurar em Portugal um regime soviético, dou-lhe o benefício de achar que o fazia com a benigna intenção de defender o seu povo, mesmo que se tenha recusado a acreditar na preversão que aquilo que defendia se tornou na Coreia do Norte ou na China (embora fosse crítico do maoísmo), ou na Europa de Leste.
Cunhal é idolatrado de um lado e enxovalhado do outro. Por mim, vejo-o como a mãe do protagonista de "Adeus Lenine", cuja fé inabalável no regime era a razão da sua vida: não sei se se pode pedir a alguém que deu tanto por uma causa que tenha cabeça fria para concluir sossegadamente que afinal não é bem assim.
Apesr de tudo, Cunhal foi um resistente e um combatente pela liberdade, aquele a quem o povo acolheu em êxtase em Santa Apolónia e depois no 1º de Maio, mais até do que a Mário Soares, que pululava de um lado para o outro a apanhar apanhar as sobras do seu magnetismo e da sua aclamação.
A história deu razão a Soares. Mas por tudo o que Cunhal representou para a luta do seu povo, inclino-me perante a sua memória.
segunda-feira, junho 13, 2005
Adeus Camaradas
Quanto a Eugénio de Andrade, a sua palavra é intemporal :
Frente a frente
Nada podeis contra o amor,
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.
Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco!
E basta. Que repouse em paz.
quinta-feira, junho 02, 2005
A Nega - 2 Actos
Parecia a equipa do Brasil quando entra em campo e canta o seu interminável hino do Brasil - mas sem a parte de cantar.
À cabeça desta artificial e ridiculamente pomposa cerimónia, um caquético Giscard d'Estaing fazia de capitão de equipa dos "convencionistas" habilitados por uma muito em voga legitimidade derivada, nos quais se incluiam os dois deputados portugueses do PSD que eu não escolhi, nem qualquer outro português. Podia ser como aqueles jogos da selecção da Europa contra a selecção do Resto do Mundo, para homenagear um grande jogador que se reforma, mas não: era uma sessão para celebrar a conclusão do Tratado Constitucional Europeu.
A construção europeia faz-se assim, às escondidas, e depois pergunta-se ao europeu comum se acha bem. Só que o europeu comum não sabe do que se fala, e aproveita para puxar as orelhas ao seu governo.
Isto de a classe política se lembrar de fazer um referendo tem destas coisas: a Espanha aprovou a Constituição com uma votação inexpressiva, a França e a Holanda chumbaram-na, e quem é esperto decide submeter a Constituição a ratificação parlamentar.
Tony Blair parece querer pôr o rabo de fora e pensa desistir de fazer o referendo (não sei porquê, mas isto não me surpreende).
Eu por mim não sei como vou votar. Não sou eurocéptico nem eurofórico; não gosto que me convidem para a festa de véspera, mas também não tenho medo de papões. E o meio termo, esse, anda perdido no meio da história.
quarta-feira, junho 01, 2005
França
Não me interessa se os franceses estão desempregados, não me interessa se o presidente deles é impopular, passa-me ao lado o debate da 'délocalisation', não sinto qualquer nostalgia em relação à soberania de antigamente, não me assustam nada as 'hordas de estrangeiros' no mercado de trabalho, já aprendi a viver com a falta de escrúpulos do neo-liberalismo e com a eterna dança de compromissos que representa o projecto europeu. Problemas temos todos. Problemas tem o nosso país. O que é que a Constituição tem a ver com o desemprego em França? E com o paternalismo gaullista de Chirac? E com os defeitos da 5a República? E com as forças nefastas da globalização? E com a perda de influência da França na União? Nada. Mas foi contra a Constituição que decidiram votar.Na democracia não há respostas 'erradas'. Temos que viver com o facto de que a França se sente insatisfeita com o rumo que o continente leva.Mas este resultado revela que as elites políticas em França andaram a brincar com o fogo durante muito tempo. Convenceram os seus concidadãos que a Europa estava a ser moldada à imagem da França e que a União era uma espécie de caixa de ressonância para as aspirações de grandeza gaulesas. Por outras palavras, a retórica em relação à Europa em França nunca passou pelo doloroso processo de emancipação de paradigmas soberanistas e nacional-chauvinistas. Enquanto que as políticas iam sendo aplicadas, a retórica recusava-se a render-se verdadeiramente à ideia da partilha da soberania. A França esquizofrénica participava na integração dos processos de decisão nas instituições da União, ao mesmo tempo que apresentava essas mesmas instituições como meios para o fim da glória e da grandeza nacionais. Já a Alemanha acompanhou a integração europeia com uma genuína recalibragem do discurso sobre o poder, a nação, a política. As nações pequenas também. Para estas tratava-se de um preço baixo a pagar em relação à segurança e à estabilidade que o projecto europeu lhes concedia.
A França neste momento parece um adolescente birrento que está zangado porque "ser adulto é muito mais difícil do que eu pensava", e "não foi nada disto que me prometeram", "não me avisaram que ia ser duro", "pensava que ia ser giro e tal."
Quanto ao PSF, este está, como se diz na gíria da ciência política 'entregue à bicharada'. Hollande ferido de morte, Fabius legitimado mas sem qualquer hipótese de levar a cabo uma liderança consensual depois de ter apunhalado o partido nas costas - possibilidade de cisão?
Depois das eleições indescritíveis de 2002, estes últimos desenvolvimentos demonstram que a França (ou talvez a 5a República, se preferirem) se encontra em plena crise ideológica, demasiado ocupada consigo mesma para sequer ter tempo para a Europa. A França neste momento não passa de um país banal, medíocre, um líder europeu falhado. Não contem com ela para nada. Jefferson dizia que "cada homem [ele devia ter dito 'pessoa', mil desculpas caras cidadãs] tem duas pátrias e uma delas é a França". Sinto-me mais órfão.
segunda-feira, maio 30, 2005
Oh la la
Isto é sintomático de um grave afastamento da sociedade civil europeia face aos assuntos europeus. O tal afastamento que foi combatido (de forma muito fraquinha, muito pobrezinha, como diria Ricardo Araújo Pereira) no processo de elaboração do texto (na Convenção da qual ninguém ouviu falar, com representantes que apresentam um consenso político, depois das dificuldades de aprovação do texto de Nice?Hum...) e que não provocou alteração nenhuma no marasmo da sociedade europeia.
Neste momento, ninguém avalia muito bem o impacto, mas quando o país fundador da CECA rejeita a ratificação de um Tratado, o impacto é muito maior do que as voltas na tumba que deve estar a dar o Jean Monnet, esse grande homem. A construção da Europa a 25, as relações internas e o efeito que externamente provoca esta rejeição são incomensuráveis.
Para aqueles que acreditam na balela federalista que lhes impingiram, este "Não" é uma vitória das soberanias europeias. Para os que, como eu, tinham este novo Tratado como um mal necessário, existe alguma apreensão. Para a massa inominada dos que nada sabem, a rejeição francesa tem tanto interesse como o aumento do IVA. O seja, enquanto não acontecer nada, nenhuma.
Quanto a mim, estarei triste. Vamos lá ver os holandeses, mas desde já prevejo um "Sim" rotundo (os franceses disseram tudo).
Europa Go.
terça-feira, maio 24, 2005
Lavar a alma
Pronto. Só agora caí em mim e interiorizei completamente que o Benfica é campeão. Até agora tenho estado estupidificado de alegria e incredulidade. Desde que vi o Nuno Assis a invadir o campo de braços abertos (porque à minha volta o barulho dos festejos, ensurdecedor, impedia-me de ouvir o que fosse) que me custa acreditar. Durante anos chorei só de pensar na alegria do momento, e o momento apanhou-me a chorar de alegria no Domingo.
Não interessa que tenha sido um sofrimento ver o Benfica jogar: merecemos como mais ninguém ganhar este campeonato porque não nos armámos em cromos da bola que jogam bem quando lhes apetece, nem nos encostámos à sombra dos títulos do ano passado, como aconteceu com a concorrência mais directa (e como aconteceu connosco durante os últimos onze anos).
Merecemos este campeonato porque soubemos fazer uma omoleta sem ovos e ir mais além do que permitiam as nossas pernas.
Merecemos os parabéns porque quisemos mais que os outros ganhar o campeonato.
Merecemos todas as manifestações de ódio e de mau perder que se seguiram, porque elas apenas nos engrandecem, na mesma medida em diminuem os que as fazem.
Não somos melhores, não somos piores, não somos diferentes, não somos moralmente superiores, não somos uma ideologia nem uma forma de estar na vida.
Somos o Benfica, e isso é mais do que tudo o resto junto.
segunda-feira, maio 23, 2005
O Relatório Vieira
Quis o destino ser irónico e trazer-nos o défice nesta gloriosa segunda-feira. Fico chateada, concerteza fico chateada. Então dão-me estas notícias assim de chofre, num dia em que ninguém e sublinhe-se ninguém, quer saber? Daqui a nada andamos só de cachecol enrolado porque ninguém tem tanga, faltam dois mil milhões de euros para a saúde e para a educação, o défice é de de quase 7%, o país está à beira da ruptura e eu pergunto: mas o que é que isso interessa?
Fico entretando deprimida. Oiço as "Papoilas" mas daqui a pouco fico sem emprego, pois isto de trabalhar a prazo para o Estado foi chão que deu patacas e tenho de viver à custa do mesmo Estado que não tem dinheiro para a abrir uma vala no chão, quanto mais para a mim...
Viva o Benfica. Como dizia o outro, foi bonita a festa pá...
A última vez
Geralmente, um défice das contas públicas desta dimensão não é grave para um país em desenvolvimento como Portugal que tem que aproveitar os fundos europeus para recuperar décadas de tempo perdido. Sabemos que sem comparticipação do estado em centenas ou milhares de projectos co-financiados pela UE, o bolo dos fundos europeus à nossa disposição fica por consumir. Um défice não tem nada de grave. Um país não é uma mercearia.
Mas estamos no PEC. O que o PEC revisto diz é que os países que passaram do 3% têm que demonstrar de forma credível que, num período de tempo razoável, conseguem aproximar as contas públicas do tal défice orçamental de 3% do PIB. Resta saber se este governo tem à sua disposição as condições para escapar a punições da Comissão. Para todos os efeitos Bruxelas não está interessada em aplicar castigos pró-cíclicos, que acentuem a crise das contas públicas. A Comissão não é nem estúpida, nem o papão que a direita andou a vender.
Independentemente do desenlace: se a direita volta a falar da "irresponsabilidade" do PS nos próximos 50 anos, eu fico, tipo, género, chateado.
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1223975&idCanal=63
segunda-feira, maio 16, 2005
E de repente, vindo do nada
História de um homem perdido no mundo.
sexta-feira, maio 13, 2005
Quem ganhar que ganhe por bem...
Perdoem-me o desabafo, mas não consigo, como fanática da bola que sou, pensar noutra coisa. Desta vez não cumpri os rituais a que me proponho sempre que é jogo grande, mas não sou supersticiosa (Sexta-Feira 13 - 0 Fátima - 1). Nem consigo comentar a moção de censura que querem aprovar ao Durão Barroso, nem nada que se passe neste país e no Mundo. O Benfica vai ser campeão e amanhã vamos ganhar. Isto é uma certeza, para mim e para seis milhões. Havendo fé, tudo se consegue (lembrete: aplicar esta fé para coisas realmente produtivas, como a evolução e crescimento do nosso país).
Até domingo, estamos fechados para balanço.
quinta-feira, maio 12, 2005
Memória: D. António Ferreira Gomes
D. António foi perseguido pelo regime por se recusar a fazer da Igreja instrumento político, quando Salazar queria que a Igreja alinhasse na unidade do regime. O bispo do Porto recusou-se a debater política, o que, para altura, não podia ser maior afirmação política.
Mas ainda assim abordou temas como a condição social dos traalhadores, e é que é apontado como um teórico da democracia em Portugal, defensor da separação da Igreja do Estado, dos direitos humanos. "O famoso bispo do Porto"(tratamento com o qual João Paulo II se lhe dirigiu) apenas queria que o Estado cumprisse o seu dever, e que deixasse a Igreja cumprir o seu.
D. António foi um homem da Igreja que não voltou as costas ao mundo, o que é mais do que se pode dizer da maior parte do clero de hoje.
Isso não era para aqui chamado, acho eu...
Sabe-se agora que na missa de 7.º dia da menina de 5 anos que apareceu morta no Porto, vítimas de inenarráveis maus tratos, o padre proferiu estas declarações na homilia: uma criança no ventre da mãe "não se pode defender", enquanto que "uma criança de cinco anos pode reagir, pode chorar, queixar-se". De onde concluiu o que acima se citou.
Nem sendo preciso entrar pelo aproveitamento que se faz da situação para apregoar uma posição política, parece-me ser forma pouco feliz de confortar dizer: "Deixem lá, há mortes piores".
57 anos de Israel
Parabéns a Israel pelo 57º aniversário. Que conte muitos mais.
A Declaração de Independência, para quem estiver interessado:
http://www.yale.edu/lawweb/avalon/mideast/israel.htm
quarta-feira, maio 11, 2005
O Parlamento Europeu
O Parlamento Europeu é constituído por dois edifícios principais: Altiero Spinneli e Paul-Henri Spaak. Estes estão por sua vez unidos por um corredor ao qual se tem acesso no 3º andar. O corredor de que falamos é a aorta do parlamento, a artérea vital da instituição. Ora ao aproximarmo-nos do tal corredor somos confrontados com inúmeros artefactos (suponho que 25) oferecidos pelos parlamentos dos Estados Membros ao Parlamento Europeu. Numa mistura bastante heterogénea de documentos antigos, arte moderna e quinquilharia, que simboliza de forma exemplar a diversidade estonteante de uma Europa de Tallinn a Roma, de Dublin a Atenas, qual não foi o espanto deste cidadão quando se viu perante o busto austero de uma República. Clássica. E sim: com a Bóina. Presenteada ao Parlamento Europeu pela Assembleia da República Portuguesa.
E tenho que admitir - e digo-o porque sei que vocês (sic) não vão espalhar por aí - que senti uma espécie de orgulho patriótico.
Não acho piada a um Rei fundador sanguinário, repugna-me um conceito de nacionalidade que parece não conseguir emancipar-se da mitologia dos Descobrimentos, verdadeiro desastre cultural, demográfico e ambiental para grande parte da Humanidade e muito menos me revejo no imperialismo marcadamente obscurantista que marcou a história portuguesa até '74.
Mas a República Portuguesa, essa sim, é uma criação com a qual me identifico e em cujo destino quero participar. Parabéns à nossa República por se ver representada no Parlamento Europeu, não por uma nau, um aventureiro ou um mapa de 500 anos, mas sim por um busto que simboliza valores eternos.
terça-feira, maio 10, 2005
Manuel Sergio - Levantei-me e fui-me embora
Falou o editor, depois o Amigo Carlos Pinto Coelho e por fim o simpático jornalista, professor, autor do livro e apresentador da "Bancada Central". Foi nesta altura que o simpático e afável Fernando Correia decidiu dar a palavra a um quarto personagem a quem chamou o seu Mestre, que estava na primeira fila da assistência, estrategicamente incógnito para não afugentar potenciais compradores.
Imaginem o meu assombro quando vejo levantar-se a custo da primeira fila o Professor Dr. Manuel Sérgio, ex-líder do ex-PSN, que eu pensava tão extinto como este. A inércia venceu e, apesar de me parecer que tudo o que não tinha para fazer estava subitamente mais urgente, deixei-me ficar "a ver o que acontecia".
Veio o velho e zás! Desata num discurso sobre o Fernando Correia ser o último Homem da rádio, numa linhagem irrepetível, porque "naqueles tempos" saudosos havia uma elite mais pequena que não cometia os erros gramaticais destes jovens jornalistas de hoje. Eu apenas refiro, em defesa dos jornalistas de hoje, que era mais fácil na altura, já que os textos eram corrigidos e revistos por mais pessoas.
Neste ponto da apresentação do livro levantei-me e fui-me embora. Aprendi que "naqueles tempos" éramos censurados mas gramaticalmente correctos, aprendi sobretudo que para algumas pessoas como o Professor Manuel Sérgio isso era mais que suficiente.
sexta-feira, maio 06, 2005
Swiftly and with style
Tony Blair aproveitou a singularidade do sistema que lhe permite escolher o momento em que o eleitorado está no ponto para pedir a dissolução à rainha e a marcação das eleições. Ganhou, embora com a margem mais reduzida com que um primeiro-ministro alguma vez ganhou umas eleições na Grã-Betanha. O que interessa é que ganhou, e interessa sobretudo para garantir uma margem de projecção ao seu ministro Gordon Brown - assim, Blair pode sair a meio e permitir que o Labour recupere do desgaste que a sua imagem causa.
Mas é curioso ver como a Grã-Bretanha quebra unanimismo bipartidário da maioria das democracias ocidentais com a solidificação do Partido Liberal-Democrata, pelo menos em número de votos.
A vitória de Blair demonstra que não adianta haver uma guerra mentirosa se o povo tem pão para comer e o principal partido da oposição tem um banana como lider. Como diz o outro, «It's the economy, stupid!».
E amodorrados vamos...
E assim se vão passando os dias. Ainda me lembro, era eu jovem, de chorar quando a nova lei do aborto não foi aprovada na AR. Na altura, parece-me a mim, tinha alguma consciência social ou coisa que o valesse. Hoje em dia, o Presidente recusa-se a convocar um referendo porque alega a ida de férias dos portugueses como factor dissuasor do sucesso deste. Reacção: com que dinheiro é que os portugueses vão de férias? Por que motivo ainda não se veio dizer que os referendos em Portugal dão tanta legitimidade a uma alteração legislativa como tomate pelado numa salada de tomate com pimentos? Ainda ninguém entendeu que nenhum português se levanta da poltrona para votar em assuntos sociais, ou mesmo, NADA?
O nosso Primeiro Ministro, homem astuto e silencioso, inflexível e autoritário, não percebeu que esta questão do aborto foi chão que deu uvas? Pois digo-lhe eu: pãozinho para a boca e a malta vota toda.
E assim passo eu os dias, a ver o Benfica jogar.
Se o país continua assim, qualquer dia começo a ver a Cabocla em repetição no GNT.
terça-feira, maio 03, 2005
Bóina Museum of Fine Arts

Faz hoje 204 anos que foi aprovada a constituição polaca, ou melhor, a Constituição da Comunidade Polaco-Lituana, que foi a segunda constituição codificada do mundo (depois da americana de 1787) e a primeira da Europa (por causa da especificidade da constituição inglesa).
Vem isto a propósito de quê?
De nada, mas achei o quadro bonito.
segunda-feira, maio 02, 2005
Enfim, temos de fazer pela vida...
Para a península vem mais um prémio de consolação, depois do que foi atribuído a Aznar o ano passado, embora o distinguido não seja o chefe de governo derrotado - a menos que Donny Rumsfeld saiba algo que nós não saibamos, tipo quem é que mandava no governo.
E afinal parece que não havia tanta gente a querer o mal de Santana. Agora todos o querem. Pode ser que faça de vez as pazes com a vida.
Assim é que é bonito: os amigos são para as ocasiões.
segunda-feira, abril 25, 2005
domingo, abril 24, 2005
«Ó Sócrates, importas-te de devolver aquela moldura que os rapazecos enviaram para aí?»
Telmo Correia quis sentir-se desejado, esperando que as massas estivessem em ponto de rebuçado para conceder a graça de ser presidente.
Enquanto isso, um militante ilustre mas longe do círculo da sucessão fez o trabalho de casa e disse o que pensava. Ser genuíno levou-o a presidente, o que é uma conquista democrática num partido aristocrático e habituado a sebastianismos.
Apesar de estar nos meus antípodas em termos de ideologia, tenho o maior dos respeitos e simpatia por Ribeiro e Castro desde que o vi subir ao pódio numa Assembleia Geral do nosso Benfica para exigir eplicações a Vale e Azevedo. Nessa altura tentou abrir os olhos a uma multidão ensandecida para evitar o desastre que aí vinha, e a única coisa recebeu em troca foi desprezo, humilhação e acusações desonrosas de anti-benfiquismo vindas daqueles para quem só era benfiquista que era a favor do presidente. Depois lá se viu que o presidente era o que era.
Este fim-de-semana Telmo Correia entrou papa e saiu cardeal. Ribeiro e Castro ganhou, como o próprio disse, «sem tropas nem exércitos». Pelo menos nesta semana há uma eleição que não faz temer o pior.
terça-feira, abril 19, 2005
A Implosão da Igreja Católica Apostólica Romana

Bento XVI, o Sinistro

Perdoem-me os leitores a minha queda para cenários catastrofistas, e a veleidade com que faço este vaticínio.
A Igreja Católica surpreendeu por não ter surpreendido: a instituição que há séculos melhor gere o seu marketing elegeu para monarca absoluto (passe a aparente antítese) alguém que sempre se esperou - e temeu. Ratzinger não é o congregador do rebanho de Deus como o foi Karol Woijtila. Não é alguém que vá à procura do mundo, mas antes alguém que espera que o mundo se renda à Igreja. Não é alguém que estabeleça pontes, mas antes aquele que na sombra do último pontífice mais trabalhou para que a Igreja fosse um monolito de intransigência.
Ratzinger foi a face obscura do Vaticano, provavelmente aquele que efectivamente detinha o poder, concumitantemente com a Opus Dei. Um trabalho destes leva anos a edificar e não se pode perder só porque morre um pontífice. Há, por isso, que cuidar para que o legado não se perca. Foi o que se viu.
A Igreja de Ratzinger deixará de fora todos os que procuram mais a autenticidade da mensagem de amor, solidariedade e fraternidade humana de Jesus de Nazaré do que a doutrina que sobre ela foi erigida pelos doutores da fé ao longo dos séculos.
Uma coisa que nunca percebi no pontificado de João Paulo II foi como pôde ele ser um líder tão respeitado e acarinhado pelas restantes religiões não tendo abdicado do dogma de que só há salvação na Igreja Católica Apostólica Romana. Ou seja: como é que se inicia um diálogo quando se estabelece à partida que só eu é que tenho razão?
A bondade da mensagem de Cristo é universal, válida para crentes e não crentes, desde que expurgada de interpretações doutrinárias e abordagens farisaicas como A Paixão de Cristo, de Mel Gibson. Esta é a perspectiva que falta a Ratzinger(o polícia da fé, na expressão de um seu biógrafo), para quem é o mundo que tem de prestar vassalagem a Cristo e à Igreja (embora não necessariamente por esta ordem).
Em abono da fraternidade universal entre os povos, valha-nos o facto de ser um papa de transição. O seu sucessor que apanhe os destroços.
quinta-feira, março 24, 2005
O Pai do Capitão Nemo

O Capitão Nemo levanta a sua bandeira e contempla os amanhãs que cantam

Júlio Verne morreu há cem anos. Pretexto para falar do Capitão Nemo - uma das personagens mais bem trabalhadas que conheço na literatura.
É curioso dizer isto de um personagem de Júlio Verne, que, apesar de ser um dos mais celebrados romancistas do séc. XIX, privilegia a acção e o conceito da história sobre a densidade dos personagens, embora não se saia propriamente mal neste aspecto.
O Capitão Nemo é um indiano de linhagem real que se devotou à ciência e à causa da libertação dos povos contra a Némesis opressora do Império Britânico. Isto leva-o a aproveitar a tecnologia desprezada por muitos para construir o prodigioso Nautillus, que usa para percorrer o mundo através do fundo do mar, explorando-o, conhecendo-o e amando-o. E pelo caminho aterrorizando as frotas mercantes das potências mundiais. O mar torna-se a sua pátria.
O Capitão Nemo nutre um profundo gosto por tudo o que é belo, acumulando no seu submarino um impressionante acervo de obras de arte, e é dono de uma cultura sólida e despretensiosa, o que o faz uma versão engagé e menos diletante do nosso Fradique Mendes.
Apesar disso, o seu principal propósito na vida é libertar o mundo da opressão, dedicando-se a acções de combate nos mares e financiando movimentos de libertação nacional com recursos que obtém do mar.
O que Nemo faz é pela fraternidade humana, mas a questão que vai passando pela cabeça de quem lê as 20 000 Léguas Submarinas é: este homem não é um terrorista?
Provavelmente, sim. Isso faz-nos gostar de terroristas? Não.
A maravilha da personagem de Nemo está em ser herói e anti-herói, e em nos fazer empatizar com ele sem nos exigir um juízo de moralidade. Um pouco como que a dizer que em todos nós há algo de bem e de mal (se é que existe o bem e o mal).
Júlio Verne era um paladino do progresso científico, mas se não tivesse criado personagens como o capitão Nemo seria apenas um especulador, nunca um visionário.
sexta-feira, março 18, 2005
Tremenda desilusão
quinta-feira, março 17, 2005
Já não estava habituado
Então não é que os tipos mantém a mesma opinião passadas tantas horas de terem elaborado o programa eleitoral?! Nem sequer uma contradiçãozinha?!?! Nem sinal de uma proposta tipo esta for old times sake ?!
quarta-feira, março 16, 2005
And now for something completely different...
Lobby da batota
No Público online deparamos com uma informação muito esclarecedora, a respeito de um inquérito sobre a venda de medicamentos em supermercados. A pergunta formulada pelo Público é a seguinte: "Os medicamentos de venda livre devem estar disponíveis nos supermercados?"
Muito obrigado, sr. ex-Prim... uhm.. Presidente da Câmara!
A Boina Frígia vem por este meio agradecer ao recém-regressado Presidente da Câmara Municipal de Lisboa todo o seu empenho em não deixar a blogosfera sem assunto de conversa, a sua contribuição insubstituível para o florescer de centenas de milhares de linhas de textos humorísticos e satíricos e a sua capacidade para nunca deixar de nos surpreender.
De uma assentada temos direito à existência de novo tabu - a recandidatura - e a uma potencial guerrilha interna despoletada num PSD em clima de pré-Congresso: Aguardam-se certamente declarações de Luís Filipe Menezes para breve - se Rui Rio passou de bête noire a candidato mais indicado para a Câmara do Porto, também Santana estará em condições de recolher um apoio incondicional do autarca de Gaia.
terça-feira, março 15, 2005
Nostalgias
segunda-feira, março 14, 2005
Torquemada, esse querido
Contudo, é inevitável referir algumas passagens inspiradoras da doutrina cesarista, como é o caso do texto desta semana:
"A Igreja é hoje desprezada, insultada, perseguida. Isso é normal e comum. Foi sempre assim ao longo dos séculos, de uma forma ou de outra. Os evangelhos avisam-no, os salmos, profetas, epístolas e a História descrevem-no."
"Nos últimos dois milénios o mundo, que tantas vezes condenou a fé, instituição, política, missionação ou doutrina social da Igreja, concordou em geral com a sua moral sexual. Não era seguida e muita gente fazia o contrário, mas todos, mesmo os que a violavam, sabiam que a visão cristã da sexualidade era equilibrada, sábia, louvável."
E JCN faz mesmo referência às constantes e aborrecidas alusões às Cruzadas e à Inquisição feitas pelos que "censuram por intolerância e obsessão aqueles que apenas formulam a posição cristã", como o bondoso padre Lereno Dias, brutalmente enxovalhado apenas por lido trechos de documentos da Santa Sé no sermão de uma missa transmitida pela rádio.
É que, como se sabe, "a Igreja, aqui como sempre, tem as posições mais elaboradas e fundamentadas de todas".
Só esses malvados é que não vêm: "Voltam as alusões às clássicas cruzadas e Inquisição e apregoa-se o perigo de prisões e fogueiras que só existe em imaginações incendiárias. Os cristãos receberam ordens de combater os erros mas amar sempre os inimigos."
Porque afinal de contas, Torquemada era um sujeito adorável. Só não vê quem não quer ver.
sexta-feira, março 11, 2005
O que se segue?
Penso que a pergunta mais relevante é: Será que tudo isto tem interesse suficente para ser referido no site de um dos mais lidos diários Portugueses (sem contar com os desportivos)?
Mourinho a Presidente da Junta
O Luís Delgado já o disse, como se pode ver aqui.
quarta-feira, março 09, 2005
Israel
terça-feira, março 08, 2005
Um pouco de Futebol - Lord Mourinho of Stamford Brigde
No café onde vi o jogo foi uma festa, com toda a gente que nos últimos anos não podia com a arrogância de Mourinho a celebrar, porque agora que já não é do Porto, é de todos os portugueses.
Os portugueses festejam por causa daquela coisa muito portuguesa que é ficar contente quando os nossos fazem boa figura lá fora.
Assim, para os portugueses Mourinho é o gajo que não tem medo de se atirar com tudo para cima dos adversários e mostrar aos ingleses que o que é português é bom. Os ingleses, esses malandros que tanto mal nos têm feito ao longo da história com a sua arrogância e fleuma que só nos fazem sentir inferiores. Tomem lá para aprenderem, o melhor treinador da terra do futebol é tuga!
Mourinho não conquistou os portugueses pelo mérito que indiscutivelmente tem, mas por que é o modelo do português esperto, que pode dizer o que quer porque ninguém o cala (e sabe-se como Mourinho fica quando as coisas não lhe correm bem, como se viu quando perdeu a taça para o Benfica)
Em Mourinho os portugueses vêm o lider que gostariam de ter, o pai que nos motiva, dá carinho e manda bocas aos outros niúdos que se metem connosco, tal como faz com os seus jogadores.
Pelo que não admira que, qualquer dia, em vez de «isto só lá vai com um Salazar» se ouça «isto só lá vai com um Mourinho».
Isso é preocupante.
A minha primeira vez
Vamos lá projectar isto
Pensei inicialmente utilizar a estratégia banal de publicação regular de textos rigorosos com conteúdos relevantes até conseguir atenção do público e de forma sustentada aumentar o nosso recente counter. Esta estratégia, ainda que muito válida, não corresponde a um certo espírito progressista que pretendo manter no âmbito do choque tecnológico, pelo que optei pela mais imediatista publicação de palavras-chave que nos irá pôr nos píncaros dos indicadores de relevância em todas as pesquisas.
Prometo para este efeito usar "little or no offensive material, apart from four cunts, one clitoris and a foreskin and as they only occur in this paragraph you are past them now".
Mas deixemo-nos de Monty Python para procurarmos engrossar as fileiras de visitors com as mais altas patentes da "Intelligence" Estadounidense com os clássicos Kill Bush, Osama Rules, God is Alá's bitch, Free Irak, Communism, Michael Jackson sister's boobie e Free donuts. Como temos neste preciso momento algumas das mais brilhantes mentes do mundo a sondar este blog em busca de pecaminosos conteúdos anti-americanos, quero assegurar que vimos em paz e que até gostava de ver o Freitas do Amaral a cantar 'gospel' com a Condoleezza Rice ou o YMCA como o Colin Powel.
Creio que agora é mesmo só sentar-me aqui a olhar para o contador de visitors a subir desalmadamente, enquanto fumo um charuto, bebo um whisky, esboço um esgar de satisfação e leio o Lolita (+30% das pesquisas google) ou o Animal Farm (+10%) porque também nisto dos blogs há uns mais iguais que outros.
P.S. – Para quem quer ter a certeza que a Galiza é Portugal (e desfrutar de um bom filme pelo caminho) vale a pena ver o Mar Adentro e ouvir mais um sotaque Português
Oscar Wilde do Caldas
Certamente incomodados pela impossibilidade de expulsar Diogo Freitas do Amaral do partido, uma vez que este se antecipou uma dezena de anos e saiu pelo próprio pé, o ainda Secretário-Geral do CDS recorrereu aos serviços dos Correios de Portugal (ex-CTT) e decidiu enviar a foto oficial do seu ex-líder para o Largo do Rato. A justificação mais provável deve prender-se com a necessidade de arranjar espaço para o futuro líder do partido na galeria do Caldas. Esta traquinice deselegante é inconsciente e resultado de ausência de ponderação ou é produto do esforço concertado de dirigentes sedentos por atenção mediática gratuita a qualquer preço (incluindo o do ridículo)? |
S. Pedro ligue no Canal 1 que estão a falar de si
| A RTP decidiu fazer um directo a partir de uma igreja onde se rezava por chuva. Pergunta a jornalista da televisão pública: "Sr. Padre, como é que se explica que depois de tantas novenas, tantos pedidos a Deus, continue sem chover?" Se ela estava a falar a sério e aguardava uma explicação racional, é triste. Se estava a tentar desmascarar alguém, confrontando o pobre pároco com a contradição entre o científico e o religioso, é do mais anticlerical a que temos vindo a ser habituados. Apesar de tudo, aposto na primeira hipótese... |
segunda-feira, março 07, 2005
Post a partir da Cova da Beira
sexta-feira, março 04, 2005
And now for something completely different
Confesso que gosto do Freitas. Até há bem pouco tempo eu era dos que dizia que era das poucas pessoas credíveis à direita, porque até então o via, não como alguém que imigrou para a esquerda, mas apenas como o representante da direita com juízo.
Confesso, no entanto, que me enganei redondamente.
Ele bem pode vir dizer que o faz por superior interesse da nação - mas já não há volta a dar.
Benvindo a bordo, camarada Freitas.
Tinha de ser...
No blog republicano não podia faltar o comentário ao Padre Serras Pereira, descrito pelo DN de quinta-feira como "clérigo obscuro" . Apesar daquele jornal provavelmente se querer referir ao grau de notoriedade do referido cidadão, a qualificação assenta como uma luva se considerarmos os demais sentidos possíveis da palavra (eu acrescentaria um sufixo - obscurantista é ainda mais preciso). Desautorizado pela hierarquia da Igreja e desacreditado pela esmagadora maioria dos comentários publicados, o Zelota da semana aguarda certamente com expectativa pela próxima segunda-feira, para poder ser defendido e vindicado por João César das Neves na sua coluna semanal. Apesar de tudo, o que eu mais admiro na opinião expressa pelo referido prelado é a insuperável capacidade para a contradição elementar: se a argumentação contra o aborto, o uso do preservativo e de outros meios contraceptivos assenta na defesa do direito à vida, como é que é possível defender que a inseminação artificial é igualmente pecaminosa? Não se destina a reprodução medicamente assistida a gerar vida humana, auxiliando casais com dificuldades em engravidar? O DN informa-nos ainda de que o cavalheiro em questão é citado pelo Partido Nacional Renovador no seu site. Diz-me com quem andas... |
Não deixa de ter piada...
Tentem explicar esta. 80 cidadãos portugueses residentes no estrangeiro (em ambos os círculos) votaram no PNR. Será que aqueles que residem em França também votam na Front National? |
Residentes no Estrangeiro e Proporcionalidade
É urgente repensar a participação dos cidadãos portugueses residentes no estrangeiro na eleição da AR. Contados os votos, o PSD elegeu 3 Deputados (2 Fora da Europa e 1 na Europa) e o PS 1 (Europa). Contudo, em números absolutos de votos nos dois círculos o PS teve aproximadamente mais 1800 votos que o PSD - na soma dos dois círculos contam-se 15883 votos para o PS e 14011 para o PSD. Penso, contudo, que devemos ir mais longe. No Círculo Eleitoral da Europa estão inscritos 75 803 eleitores e no Círculo Eleitoral de Fora da Europa, 72 575, elegendo cada um 2 Deputados. De momento, o número de deputados a eleger pelos círculos da emigração não apresenta, aparentemente, qualquer desvio em termos de proporcionalidade face aos demais círculos. O círculo de Portalegre (elege 2 Deputados) tem cerca de 100 mil eleitores, não ficando longe do número de inscritos em cada uma daquelas circunscrições. Já o círculo de Bragança (elege 4 Deputados) tem perto de 150 mil eleitores, próximo da soma dos dois círculos de residentes no estrangeiro. Todavia, se considerarmos que no círculo da Europa apenas votaram 30% dos inscritos e que no círculo Fora da Europa votaram 18%, facilmente constatamos que os números do recenseamento estão longe de representar a participação eleitoral dos residentes no estrangeiro. Por outro lado, se todos os cidadãos portugueses residentes no estrangeiro decidissem recensear-se (não esqueçamos que a Lei da Nacionalidade é bastante generosa em relação aos luso-descendentes), estaríamos perante um gigantesca desproporção - 4 deputados para uns potenciais 4 milhões de eleitores... Deve, pois, haver lugar a uma reponderação profunda das regras - impondo um número máximo de anos a residir fora do território nacional como critério para o recenseamento (como o fazem o Reino Unido ou a Alemanha) ou acabando com os círculos da emigração através do recenseamento dos residentes no estrangeiro na circunscrição da sua última residência em território nacional. Sem alterações, o quadro vigente apenas oferece algum charme, desde a expectativa de mais de uma semana até estarem contados todos os votos (particularmente entusiasmante quando uma eventual maioria absoluta depender do resultado) até ao cheirinho a jogo de futebol internacional, do tipo Europa contra o Resto do Mundo...
NOTA - O presente post foi escrito tendo por base os resultados disponibilizados no site do STAPE. Contudo, os números que se encontram nas notícias do Expresso Online e do Diário de Notícias são diferentes. O Expresso noticia mesmo que o PSD apenas elegeu o seu Deputado na Europa por 5 votos. Fica por esclarecer quais os números correctos - esperemos que sejam os do STAPE... |







