segunda-feira, abril 25, 2005

25 de Abril Sempre


O dia em que todos fomos umPosted by Hello

domingo, abril 24, 2005

«Ó Sócrates, importas-te de devolver aquela moldura que os rapazecos enviaram para aí?»

O que aconteceu este fim-de semana no congresso do CDS foi bonito.
Telmo Correia quis sentir-se desejado, esperando que as massas estivessem em ponto de rebuçado para conceder a graça de ser presidente.
Enquanto isso, um militante ilustre mas longe do círculo da sucessão fez o trabalho de casa e disse o que pensava. Ser genuíno levou-o a presidente, o que é uma conquista democrática num partido aristocrático e habituado a sebastianismos.
Apesar de estar nos meus antípodas em termos de ideologia, tenho o maior dos respeitos e simpatia por Ribeiro e Castro desde que o vi subir ao pódio numa Assembleia Geral do nosso Benfica para exigir eplicações a Vale e Azevedo. Nessa altura tentou abrir os olhos a uma multidão ensandecida para evitar o desastre que aí vinha, e a única coisa recebeu em troca foi desprezo, humilhação e acusações desonrosas de anti-benfiquismo vindas daqueles para quem só era benfiquista que era a favor do presidente. Depois lá se viu que o presidente era o que era.
Este fim-de-semana Telmo Correia entrou papa e saiu cardeal. Ribeiro e Castro ganhou, como o próprio disse, «sem tropas nem exércitos». Pelo menos nesta semana há uma eleição que não faz temer o pior.

terça-feira, abril 19, 2005

A Implosão da Igreja Católica Apostólica Romana


Bento XVI, o Sinistro Posted by Hello

Perdoem-me os leitores a minha queda para cenários catastrofistas, e a veleidade com que faço este vaticínio.

A Igreja Católica surpreendeu por não ter surpreendido: a instituição que há séculos melhor gere o seu marketing elegeu para monarca absoluto (passe a aparente antítese) alguém que sempre se esperou - e temeu. Ratzinger não é o congregador do rebanho de Deus como o foi Karol Woijtila. Não é alguém que vá à procura do mundo, mas antes alguém que espera que o mundo se renda à Igreja. Não é alguém que estabeleça pontes, mas antes aquele que na sombra do último pontífice mais trabalhou para que a Igreja fosse um monolito de intransigência.
Ratzinger foi a face obscura do Vaticano, provavelmente aquele que efectivamente detinha o poder, concumitantemente com a Opus Dei. Um trabalho destes leva anos a edificar e não se pode perder só porque morre um pontífice. Há, por isso, que cuidar para que o legado não se perca. Foi o que se viu.

A Igreja de Ratzinger deixará de fora todos os que procuram mais a autenticidade da mensagem de amor, solidariedade e fraternidade humana de Jesus de Nazaré do que a doutrina que sobre ela foi erigida pelos doutores da fé ao longo dos séculos.

Uma coisa que nunca percebi no pontificado de João Paulo II foi como pôde ele ser um líder tão respeitado e acarinhado pelas restantes religiões não tendo abdicado do dogma de que só há salvação na Igreja Católica Apostólica Romana. Ou seja: como é que se inicia um diálogo quando se estabelece à partida que só eu é que tenho razão?

A bondade da mensagem de Cristo é universal, válida para crentes e não crentes, desde que expurgada de interpretações doutrinárias e abordagens farisaicas como A Paixão de Cristo, de Mel Gibson. Esta é a perspectiva que falta a Ratzinger(o polícia da fé, na expressão de um seu biógrafo), para quem é o mundo que tem de prestar vassalagem a Cristo e à Igreja (embora não necessariamente por esta ordem).

Em abono da fraternidade universal entre os povos, valha-nos o facto de ser um papa de transição. O seu sucessor que apanhe os destroços.

quinta-feira, março 24, 2005

O Pai do Capitão Nemo


O Capitão Nemo levanta a sua bandeira e contempla os amanhãs que cantam Posted by Hello

Júlio Verne morreu há cem anos. Pretexto para falar do Capitão Nemo - uma das personagens mais bem trabalhadas que conheço na literatura.
É curioso dizer isto de um personagem de Júlio Verne, que, apesar de ser um dos mais celebrados romancistas do séc. XIX, privilegia a acção e o conceito da história sobre a densidade dos personagens, embora não se saia propriamente mal neste aspecto.
O Capitão Nemo é um indiano de linhagem real que se devotou à ciência e à causa da libertação dos povos contra a Némesis opressora do Império Britânico. Isto leva-o a aproveitar a tecnologia desprezada por muitos para construir o prodigioso Nautillus, que usa para percorrer o mundo através do fundo do mar, explorando-o, conhecendo-o e amando-o. E pelo caminho aterrorizando as frotas mercantes das potências mundiais. O mar torna-se a sua pátria.
O Capitão Nemo nutre um profundo gosto por tudo o que é belo, acumulando no seu submarino um impressionante acervo de obras de arte, e é dono de uma cultura sólida e despretensiosa, o que o faz uma versão engagé e menos diletante do nosso Fradique Mendes.
Apesar disso, o seu principal propósito na vida é libertar o mundo da opressão, dedicando-se a acções de combate nos mares e financiando movimentos de libertação nacional com recursos que obtém do mar.
O que Nemo faz é pela fraternidade humana, mas a questão que vai passando pela cabeça de quem lê as 20 000 Léguas Submarinas é: este homem não é um terrorista?
Provavelmente, sim. Isso faz-nos gostar de terroristas? Não.
A maravilha da personagem de Nemo está em ser herói e anti-herói, e em nos fazer empatizar com ele sem nos exigir um juízo de moralidade. Um pouco como que a dizer que em todos nós há algo de bem e de mal (se é que existe o bem e o mal).
Júlio Verne era um paladino do progresso científico, mas se não tivesse criado personagens como o capitão Nemo seria apenas um especulador, nunca um visionário.

sexta-feira, março 18, 2005

Tremenda desilusão

A esquerda moderna, progressista, que pugna por valores emancipadores, verdadeira herdeira dos valores laicos e republicanos que tão caros são aos autores deste blog, essa esquerda é fácil de encontrar: está em Espanha. Quanto mais acompanho os primeiros passos deste governo, mais temo que a liderança do PS tenha permanecido imune ao entusiasmo que grassa entre as forças progressistas ibéricas, e que tem as suas raízes na coragem do governo Zapatero em se dedicar aos temas da igualdade de género e dos direitos da comunidade gay.
Só alguns elementos para esclarecer o que acima foi dito (para um resumo fantástico da situação sugere-se a leitura do artigo da revista Visão de hoje, p.65): duas mulheres em 16 ministros; 3 mulheres em 36 secretários de estado. Porquê? Porque, aparentemente, segundo o PM, entre milhares de mulheres militantes socialistas e 5 milhões de portuguesas, não existem cidadãs com o mérito, a capacidade técnica e a visibilidade política necessárias para contribuir para um governo mais representativo.
Trata-se de um retrocesso em relação ao passado, uma distorção da presente realidade social do país, e, acima de tudo, uma oportunidade perdida para o futuro da modernidade portuguesa.

quinta-feira, março 17, 2005

Já não estava habituado

É verdade que depois de 4 meses de Santana Lopes as expectativas em relação à coerência dos governantes atinge níveis inacreditáveis. Talvez venha daí o meu espanto quando li a notícia Programa de Governo mantém principais bandeiras eleitorais do PS.
Então não é que os tipos mantém a mesma opinião passadas tantas horas de terem elaborado o programa eleitoral?! Nem sequer uma contradiçãozinha?!?! Nem sinal de uma proposta tipo esta for old times sake ?!

Portugal Antes de Santana e Depois de Santana


Posted by Hello

quarta-feira, março 16, 2005

And now for something completely different...

Para uma pequena ideia do que é dito nos media do Médio Oriente - especialmente em árabe - sobre assuntos tão diversos como Israel, gays e o 11 de Setembro, vale a pena vir aqui. Bastante edificante.

Lobby da batota


No Público online deparamos com uma informação muito esclarecedora, a respeito de um inquérito sobre a venda de medicamentos em supermercados. A pergunta formulada pelo Público é a seguinte: "Os medicamentos de venda livre devem estar disponíveis nos supermercados?"
Num contexto em que apenas a Associação Nacional de Farmácias e a Ordem dos Farmacêuticos se pronunciam contra a medida anunciada pelo Primeiro-Ministro e em que a venda dos fármacos é tida por segura pelo Bastonário da Ordem dos Médicos e por benéfica para os consumidores pela DECO, este episódio vem esclarecer as dúvidas que ainda pudessem subsistir quanto à identificação de lobbies e interesses instalados nesta matéria.

Muito obrigado, sr. ex-Prim... uhm.. Presidente da Câmara!


A Boina Frígia vem por este meio agradecer ao recém-regressado Presidente da Câmara Municipal de Lisboa todo o seu empenho em não deixar a blogosfera sem assunto de conversa, a sua contribuição insubstituível para o florescer de centenas de milhares de linhas de textos humorísticos e satíricos e a sua capacidade para nunca deixar de nos surpreender.

De uma assentada temos direito à existência de novo tabu - a recandidatura - e a uma potencial guerrilha interna despoletada num PSD em clima de pré-Congresso: Aguardam-se certamente declarações de Luís Filipe Menezes para breve - se Rui Rio passou de bête noire a candidato mais indicado para a Câmara do Porto, também Santana estará em condições de recolher um apoio incondicional do autarca de Gaia.
Santana Lopes está determinado em demonstrar que em política se morre muitas vezes. O que é de admirar é a impaciência em recolher a nova certidão de óbito...

terça-feira, março 15, 2005

Nostalgias

Maria José Nogueira Pinto, em entrevista recente, deu mais uma vez provas do desconforto da extrema-direita do nosso espectro político com a democracia portuguesa, tal como ela se instalou em 1974. Ficamos a saber que "Portugal não tem um projecto nacional desde 1974" e que antes da Revolução de Abril "bem ou mal, goste-se ou não se goste, Portugal tinha um projecto nacional." A nostalgia mal contida parece-me pouco menos que obscena, tendo em conta tanto os crimes cometidos pela ditadura antes da Revolução, como os avanços em todas as áreas da vida colectiva do país desde então. Exemplos que MJNP provavelmente considerará boçais, são os números do Human Development Index das Nações Unidas sobre Portugal: em 1970, a taxa de mortalidade infantil (à nascença) era de 62/1000, em 2002 era 6/1000. Isto tem um nome: progresso. Deixe lá estar o 'projecto nacional', cara MJNP: um país que deixa a população doente, pobre e ignorante, e obriga milhões a abandonar as suas aldeias, vilas e cidades à procura de uma vida mais digna pelos quatro cantos do mundo não é um país, é um fracasso.

segunda-feira, março 14, 2005

Torquemada, esse querido

Há muito tempo que a coluna de opinião de João César das Neves no DN ameaça tornar-se um caso sério de humor, ainda que involuntariamente. Aqui na Bóina já temos o hábito de lhe dar um tratamento, embora não queiramos tornar o senhor num previsível ódio de estimação.
Contudo, é inevitável referir algumas passagens inspiradoras da doutrina cesarista, como é o caso do texto desta semana:

"A Igreja é hoje desprezada, insultada, perseguida. Isso é normal e comum. Foi sempre assim ao longo dos séculos, de uma forma ou de outra. Os evangelhos avisam-no, os salmos, profetas, epístolas e a História descrevem-no."

"Nos últimos dois milénios o mundo, que tantas vezes condenou a fé, instituição, política, missionação ou doutrina social da Igreja, concordou em geral com a sua moral sexual. Não era seguida e muita gente fazia o contrário, mas todos, mesmo os que a violavam, sabiam que a visão cristã da sexualidade era equilibrada, sábia, louvável."

E JCN faz mesmo referência às constantes e aborrecidas alusões às Cruzadas e à Inquisição feitas pelos que "censuram por intolerância e obsessão aqueles que apenas formulam a posição cristã", como o bondoso padre Lereno Dias, brutalmente enxovalhado apenas por lido trechos de documentos da Santa Sé no sermão de uma missa transmitida pela rádio.

É que, como se sabe, "a Igreja, aqui como sempre, tem as posições mais elaboradas e fundamentadas de todas".

Só esses malvados é que não vêm: "Voltam as alusões às clássicas cruzadas e Inquisição e apregoa-se o perigo de prisões e fogueiras que só existe em imaginações incendiárias. Os cristãos receberam ordens de combater os erros mas amar sempre os inimigos."

Porque afinal de contas, Torquemada era um sujeito adorável. Só não vê quem não quer ver.

sexta-feira, março 11, 2005

O que se segue?

"Vídeo do Vaticano mostra primeiras palavras do Papa depois da operação" Penso que é apenas justo perguntar: com que imagens nos irá brindar o Vaticano de novas estreias post-op do papa? Será mesmo verdade que as primeiras palavras do Papa no recobro da operação foram uma benção? Será que o papa fala Kiswahili com os "prelados da Tanzânia", nomeadamente com o cardeal Polycarp Pengo e o bispo Severine Niwemugizi? Será que o Cardeal Polycarp Pengo ficou satisfeito com o curto "está bem" do Papa?
Penso que a pergunta mais relevante é: Será que tudo isto tem interesse suficente para ser referido no site de um dos mais lidos diários Portugueses (sem contar com os desportivos)?

Mourinho a Presidente da Junta

"Qualquer dia, em vez de «isto só lá com um Salazar» vai-se ouvir dizer «isto só lá vai com um Mourinho»".
O Luís Delgado já o disse, como se pode ver aqui.

quarta-feira, março 09, 2005

Israel

O conflito Israelo-Árabe e Israel, em particular, são temas que esporadicamente me fazem sentir desconfortável na minha pele de 'esquerdista'. Da menina dos olhos da esquerda europeia, o Estado de Israel foi gradualmente gravitando em direcção a um estatuto de 'bête noire'. O mais tardar depois da Guerra dos Seis Dias em 1967, em que Israel conquistou a Península do Sinai, Gaza e a Cisjordânia, o pequeno país foi lentamente adquirindo as caracterísiticas de tema unificador de uma esquerda saudosa de grandes narrativas, causas, paixões. Esta tendência agravou-se evidentemente a partir do fim da Guerra Fria: o colapso da única alternativa ideológica às formas de organização política e económica europeias e americanas com vocação global, deixou-nos a todos com a horrível sensação que já só se discutem pormenores, detalhes, minudências. A grande narrativa marxista foi - algo injustamente - arrastada para o baú das memórias juntamente com os regimes ditatoriais do Leste da Europa. Tirando a Coreia do Norte e Cuba, há poucos estados que não levem a cabo reformas mais ou menos alinhadas com os consensos globais resultantes do colapso do sistema de Bretton Woods e do Muro de Berlim. Aparentemente, até o Mundo Árabe está a acordar por razões várias para as vantagens aparentes da abertura económica e política. Sem querer embarcar num discurso teleológico e/ou determinista, dá-me a impressão que caminhamos para uma situação em que os consensos vão progressivamente ocupando a maior parte da acção política, fazendo com que os grandes debates sejam empurrados para a esfera da política internacional. No caso português, a participação no projecto europeu, e o Pacto de Estabilidade e Crescimento em particular, são exemplos de compromissos estruturais que reflectem esses tais consensos fundamentais sobre questões tão variadas como política monetária, direitos humanos, ambiente etc. Que saudades, dirão alguns, das grandes lutas, dos tempos em que a política ainda movia multidões! Que saudades de temas verdadeiramente fracturantes! Enfim, que saudades de assuntos em que o zelo emancipador da esquerda pode ser posto à prova! Estamos fartos de discutir banalidades anestesiantes! Iraque: mandamos 120 tipos a cavalo ou 0? Economia: combatemos o desemprego com a melhoria das qualificações e com a diversificação do sector productivo ou com o relaxamento das leis laborais e a simplificação do sistema fiscal, acabando com o princípio redistributivo? Política monetária: não há debate, quem manda é o Ecofin, o Eurogoup e o BCE; Finanças públicas: 3%, 3%, 3%...
Eureka, ouve-se de Braga aos Urais! De Inverness a Palermo! Finalmente encontrámos os 'bons' e os 'maus': tanques contra crianças; um Estado armado até aos dentes contra civis; opressão contra resistência; a testa-de-ponte de Washington contra a encarnação colectiva da injustiça global. Os nossos medias confundem datas, factos, manipulam notícias etc, mas não se trata aqui de má fé. Trata-se, sim, de um grande alívio: finalmente podemos dormir descansados. Somos consumistas, só conhecemos manifestações das histórias dos nossos pais, gravitamos qual aristocracia global acima da miséria que aflige dois terços da humanidade: mas pelo menos chamamos nazis aos israelitas, comparamos Jenin a Auschwitz, dizemos que "eles deviam saber o que isto é; eles sofreram isto na pele", comparamos Sionismo ao Apartheid, sussuramos que "no fundo só deixaram que se fundasse aquela aberração daquele estado porque tinham má consciência", "aquele estado só causa problemas", "o maior perigo para a paz mundial"... Uma pequena novidade para a esquerda entusiasmada pelo conforto deste último conflito entre opressores e oprimidos: o 'problema', meus caros, não é o Estado de Israel, o 'problema' não começa em 1948. O 'problema' já existe há séculos nos ghettos, nos Staedtl, nas ruelas e nas grandes praças de todas as capitais europeias - com especial ênfase para o nosso Rossio. Para os Judeus, Israel não é o 'problema'. É a solução do 'problema' que nunca foi resolvido, que foi sendo arrastado, que foi assumindo diferentes formas, até que em 12 terríveis anos se esclareceram as últimas dúvidas, se ouviu o canto de cisne da experiência singular do judaísmo europeu, que tanto enriqueceu o nosso continente. O 'problema', cara Esquerda, é que a Europa, o Iluminismo, a Modernidade, falharam na assimilação e/ou na aceitação da diferença do Judaísmo no seu seio; o 'problema' é que nunca a Europa conseguiu fazer os Judeus esquecer Jerusalem, Israel.
Israel é a solução. E se os Judeus aprenderam alguma lição com o passado é que só podem confiar neles próprios para sobreviver. Trata-se agora de salvar a alma de Israel e não deixar que a legítima defesa passe a justificar toda uma panóplia de injustiças, violações do direito internacional, e a brutalização da sociedade. Para aqueles que não conhecem Israel só do Público, do telejornal e das conversas com os amigos, há todas as razões do mundo para ser optimista. Numa conferência organizada pela Fundação Friedrich Ebert (julgo que nos finais de 2003), e em que tomou parte, entre outros, Yossi Beilin (agora deputado pelo partido de esquerda - sim, de esquerda -Yahad-Meretz), este afrimava-se convicto, ao contrário da maior parte dos israelitas, que Yasser Arafat "merecia mais uma hipótese", mas apelava áqueles que demonizavam Sharon a dar-lhe igualmente o benefício da dúvida. Trata-se de afirmações corajosas de quem não teve medo de remar contra a maré, numa altura em que Arafat estava completamente desacreditado e Sharon tinha reocupado grande parte dos Territórios.
Hoje a situação é outra. Sharon, por motivos aparentemente oportunistas, tomou uma iniciativa unilateral: abandonar Gaza. Sharon, o "carniceiro", o "assassino" etc, abandonará Gaza. Aprendemos todos uma lição já antiga: no Médio Oriente nada é previsível - o governo de Begin, de direita, faz a paz com o Egipto em 1979, Rabin assina Oslo em 1993, Barak retira do Líbano em 2000, Sharon arrisca a maioria parlamentar, o governo e a vida para retirar de Gaza em 2005.
Para concluir, em nome da defesa dos direitos dos Palestinianos, certos sectores e indivíduos que se dizem de esquerda irrompem regularmente em delírios anti-sionistas, e até anti-semitas. Claro que este fenómeno tem a ver, até certo ponto, com a ignorância dos factos históricos, ao mesmo tempo que revela, no recurso permanente ao simplismo, o saudosismo pelas grandes narrativas. De facto, reflecte acima de tudo, uma tentativa de apresentar Israel como uma mera extensão dos EUA, um capricho da super-potência, criatura dos Poderosos, aberração neo-colonial. Israel, por vezes por culpa própria, liberta os instintos mais xenófobos e obscurantistas da Esquerda. Mas o que se vai sussurando, aquilo que durante a segunda Intifada veio à superfície em conversas e artigos, é que o próprio Estado de Israel é ilegítimo, um erro, um perigo para a paz mundial.
Se isto tudo forem delírios paranóicos, ainda bem. Adoraria estar equivocado. Mas enquanto Israel sentir que a opinião pública mundial, e a europeia em particular, continuam a tratar este tema como um fetiche, um tema sobrecarregado de simbolismos que lhe são alheios, confluência de todas as frustrações, aspirações, ódios e amores daqueles que querem um mundo mais justo, enquanto este for o caso, a sobrevivência continuará a ser a legítima prioridade de Israel.

terça-feira, março 08, 2005

Um pouco de Futebol - Lord Mourinho of Stamford Brigde

O Chelsea ganhou ao Barcelona e Mourinho tem assunto para não se calar por mais algum tempo.
No café onde vi o jogo foi uma festa, com toda a gente que nos últimos anos não podia com a arrogância de Mourinho a celebrar, porque agora que já não é do Porto, é de todos os portugueses.
Os portugueses festejam por causa daquela coisa muito portuguesa que é ficar contente quando os nossos fazem boa figura lá fora.
Assim, para os portugueses Mourinho é o gajo que não tem medo de se atirar com tudo para cima dos adversários e mostrar aos ingleses que o que é português é bom. Os ingleses, esses malandros que tanto mal nos têm feito ao longo da história com a sua arrogância e fleuma que só nos fazem sentir inferiores. Tomem lá para aprenderem, o melhor treinador da terra do futebol é tuga!
Mourinho não conquistou os portugueses pelo mérito que indiscutivelmente tem, mas por que é o modelo do português esperto, que pode dizer o que quer porque ninguém o cala (e sabe-se como Mourinho fica quando as coisas não lhe correm bem, como se viu quando perdeu a taça para o Benfica)
Em Mourinho os portugueses vêm o lider que gostariam de ter, o pai que nos motiva, dá carinho e manda bocas aos outros niúdos que se metem connosco, tal como faz com os seus jogadores.
Pelo que não admira que, qualquer dia, em vez de «isto só lá vai com um Salazar» se ouça «isto só lá vai com um Mourinho».
Isso é preocupante.

A minha primeira vez

Nesta minha primeira contribuição, gostaria de chamar a atenção para o dia que se celebra hoje: o Dia Internacional da Mulher. Enquanto as sociedades modernas em geral, e a portuguesa em particular, não tiverem conseguido criar uma verdadeira igualdade de oportunidades entre sexos em todas as áreas da vida pública, pugnando ao mesmo tempo por um conceito de vida privada, de companheirismo, que se baseie em simetrias, partilha e respeito entre iguais, enquanto, dizíamos, esta luta não estiver concluída, justifica-se a existência desta data.
Espero que esta nossa modesta tentativa de contribuir para o aperfeiçoamento da nossa República seja a primeira de muitas.
Viva a República!
E quando é que convidamos mulheres para o nosso blog, camaradas?

Vamos lá projectar isto

Agora que temos um counter creio que é chegada a altura de projectar este Blog, da blogosfera para o espaço exterior, criando condições para que conste do maior número de pesquisas possível do google ou de qualquer outro motor de busca.

Pensei inicialmente utilizar a estratégia banal de publicação regular de textos rigorosos com conteúdos relevantes até conseguir atenção do público e de forma sustentada aumentar o nosso recente counter. Esta estratégia, ainda que muito válida, não corresponde a um certo espírito progressista que pretendo manter no âmbito do choque tecnológico, pelo que optei pela mais imediatista publicação de palavras-chave que nos irá pôr nos píncaros dos indicadores de relevância em todas as pesquisas.

Prometo para este efeito usar "little or no offensive material, apart from four cunts, one clitoris and a foreskin and as they only occur in this paragraph you are past them now".

Mas deixemo-nos de Monty Python para procurarmos engrossar as fileiras de visitors com as mais altas patentes da "Intelligence" Estadounidense com os clássicos Kill Bush, Osama Rules, God is Alá's bitch, Free Irak, Communism, Michael Jackson sister's boobie e Free donuts. Como temos neste preciso momento algumas das mais brilhantes mentes do mundo a sondar este blog em busca de pecaminosos conteúdos anti-americanos, quero assegurar que vimos em paz e que até gostava de ver o Freitas do Amaral a cantar 'gospel' com a Condoleezza Rice ou o YMCA como o Colin Powel.

Creio que agora é mesmo só sentar-me aqui a olhar para o contador de visitors a subir desalmadamente, enquanto fumo um charuto, bebo um whisky, esboço um esgar de satisfação e leio o Lolita (+30% das pesquisas google) ou o Animal Farm (+10%) porque também nisto dos blogs há uns mais iguais que outros.

P.S. – Para quem quer ter a certeza que a Galiza é Portugal (e desfrutar de um bom filme pelo caminho) vale a pena ver o Mar Adentro e ouvir mais um sotaque Português

Nova Galeria de Presidentes do CDS-PP



Oscar Wilde do Caldas

Certamente incomodados pela impossibilidade de expulsar Diogo Freitas do Amaral do partido, uma vez que este se antecipou uma dezena de anos e saiu pelo próprio pé, o ainda Secretário-Geral do CDS recorrereu aos serviços dos Correios de Portugal (ex-CTT) e decidiu enviar a foto oficial do seu ex-líder para o Largo do Rato. A justificação mais provável deve prender-se com a necessidade de arranjar espaço para o futuro líder do partido na galeria do Caldas.
Esta traquinice deselegante é inconsciente e resultado de ausência de ponderação ou é produto do esforço concertado de dirigentes sedentos por atenção mediática gratuita a qualquer preço (incluindo o do ridículo)?