terça-feira, março 08, 2005
Vamos lá projectar isto
Pensei inicialmente utilizar a estratégia banal de publicação regular de textos rigorosos com conteúdos relevantes até conseguir atenção do público e de forma sustentada aumentar o nosso recente counter. Esta estratégia, ainda que muito válida, não corresponde a um certo espírito progressista que pretendo manter no âmbito do choque tecnológico, pelo que optei pela mais imediatista publicação de palavras-chave que nos irá pôr nos píncaros dos indicadores de relevância em todas as pesquisas.
Prometo para este efeito usar "little or no offensive material, apart from four cunts, one clitoris and a foreskin and as they only occur in this paragraph you are past them now".
Mas deixemo-nos de Monty Python para procurarmos engrossar as fileiras de visitors com as mais altas patentes da "Intelligence" Estadounidense com os clássicos Kill Bush, Osama Rules, God is Alá's bitch, Free Irak, Communism, Michael Jackson sister's boobie e Free donuts. Como temos neste preciso momento algumas das mais brilhantes mentes do mundo a sondar este blog em busca de pecaminosos conteúdos anti-americanos, quero assegurar que vimos em paz e que até gostava de ver o Freitas do Amaral a cantar 'gospel' com a Condoleezza Rice ou o YMCA como o Colin Powel.
Creio que agora é mesmo só sentar-me aqui a olhar para o contador de visitors a subir desalmadamente, enquanto fumo um charuto, bebo um whisky, esboço um esgar de satisfação e leio o Lolita (+30% das pesquisas google) ou o Animal Farm (+10%) porque também nisto dos blogs há uns mais iguais que outros.
P.S. – Para quem quer ter a certeza que a Galiza é Portugal (e desfrutar de um bom filme pelo caminho) vale a pena ver o Mar Adentro e ouvir mais um sotaque Português
Oscar Wilde do Caldas
Certamente incomodados pela impossibilidade de expulsar Diogo Freitas do Amaral do partido, uma vez que este se antecipou uma dezena de anos e saiu pelo próprio pé, o ainda Secretário-Geral do CDS recorrereu aos serviços dos Correios de Portugal (ex-CTT) e decidiu enviar a foto oficial do seu ex-líder para o Largo do Rato. A justificação mais provável deve prender-se com a necessidade de arranjar espaço para o futuro líder do partido na galeria do Caldas. Esta traquinice deselegante é inconsciente e resultado de ausência de ponderação ou é produto do esforço concertado de dirigentes sedentos por atenção mediática gratuita a qualquer preço (incluindo o do ridículo)? |
S. Pedro ligue no Canal 1 que estão a falar de si
| A RTP decidiu fazer um directo a partir de uma igreja onde se rezava por chuva. Pergunta a jornalista da televisão pública: "Sr. Padre, como é que se explica que depois de tantas novenas, tantos pedidos a Deus, continue sem chover?" Se ela estava a falar a sério e aguardava uma explicação racional, é triste. Se estava a tentar desmascarar alguém, confrontando o pobre pároco com a contradição entre o científico e o religioso, é do mais anticlerical a que temos vindo a ser habituados. Apesar de tudo, aposto na primeira hipótese... |
segunda-feira, março 07, 2005
Post a partir da Cova da Beira
sexta-feira, março 04, 2005
And now for something completely different
Confesso que gosto do Freitas. Até há bem pouco tempo eu era dos que dizia que era das poucas pessoas credíveis à direita, porque até então o via, não como alguém que imigrou para a esquerda, mas apenas como o representante da direita com juízo.
Confesso, no entanto, que me enganei redondamente.
Ele bem pode vir dizer que o faz por superior interesse da nação - mas já não há volta a dar.
Benvindo a bordo, camarada Freitas.
Tinha de ser...
No blog republicano não podia faltar o comentário ao Padre Serras Pereira, descrito pelo DN de quinta-feira como "clérigo obscuro" . Apesar daquele jornal provavelmente se querer referir ao grau de notoriedade do referido cidadão, a qualificação assenta como uma luva se considerarmos os demais sentidos possíveis da palavra (eu acrescentaria um sufixo - obscurantista é ainda mais preciso). Desautorizado pela hierarquia da Igreja e desacreditado pela esmagadora maioria dos comentários publicados, o Zelota da semana aguarda certamente com expectativa pela próxima segunda-feira, para poder ser defendido e vindicado por João César das Neves na sua coluna semanal. Apesar de tudo, o que eu mais admiro na opinião expressa pelo referido prelado é a insuperável capacidade para a contradição elementar: se a argumentação contra o aborto, o uso do preservativo e de outros meios contraceptivos assenta na defesa do direito à vida, como é que é possível defender que a inseminação artificial é igualmente pecaminosa? Não se destina a reprodução medicamente assistida a gerar vida humana, auxiliando casais com dificuldades em engravidar? O DN informa-nos ainda de que o cavalheiro em questão é citado pelo Partido Nacional Renovador no seu site. Diz-me com quem andas... |
Não deixa de ter piada...
Tentem explicar esta. 80 cidadãos portugueses residentes no estrangeiro (em ambos os círculos) votaram no PNR. Será que aqueles que residem em França também votam na Front National? |
Residentes no Estrangeiro e Proporcionalidade
É urgente repensar a participação dos cidadãos portugueses residentes no estrangeiro na eleição da AR. Contados os votos, o PSD elegeu 3 Deputados (2 Fora da Europa e 1 na Europa) e o PS 1 (Europa). Contudo, em números absolutos de votos nos dois círculos o PS teve aproximadamente mais 1800 votos que o PSD - na soma dos dois círculos contam-se 15883 votos para o PS e 14011 para o PSD. Penso, contudo, que devemos ir mais longe. No Círculo Eleitoral da Europa estão inscritos 75 803 eleitores e no Círculo Eleitoral de Fora da Europa, 72 575, elegendo cada um 2 Deputados. De momento, o número de deputados a eleger pelos círculos da emigração não apresenta, aparentemente, qualquer desvio em termos de proporcionalidade face aos demais círculos. O círculo de Portalegre (elege 2 Deputados) tem cerca de 100 mil eleitores, não ficando longe do número de inscritos em cada uma daquelas circunscrições. Já o círculo de Bragança (elege 4 Deputados) tem perto de 150 mil eleitores, próximo da soma dos dois círculos de residentes no estrangeiro. Todavia, se considerarmos que no círculo da Europa apenas votaram 30% dos inscritos e que no círculo Fora da Europa votaram 18%, facilmente constatamos que os números do recenseamento estão longe de representar a participação eleitoral dos residentes no estrangeiro. Por outro lado, se todos os cidadãos portugueses residentes no estrangeiro decidissem recensear-se (não esqueçamos que a Lei da Nacionalidade é bastante generosa em relação aos luso-descendentes), estaríamos perante um gigantesca desproporção - 4 deputados para uns potenciais 4 milhões de eleitores... Deve, pois, haver lugar a uma reponderação profunda das regras - impondo um número máximo de anos a residir fora do território nacional como critério para o recenseamento (como o fazem o Reino Unido ou a Alemanha) ou acabando com os círculos da emigração através do recenseamento dos residentes no estrangeiro na circunscrição da sua última residência em território nacional. Sem alterações, o quadro vigente apenas oferece algum charme, desde a expectativa de mais de uma semana até estarem contados todos os votos (particularmente entusiasmante quando uma eventual maioria absoluta depender do resultado) até ao cheirinho a jogo de futebol internacional, do tipo Europa contra o Resto do Mundo...
NOTA - O presente post foi escrito tendo por base os resultados disponibilizados no site do STAPE. Contudo, os números que se encontram nas notícias do Expresso Online e do Diário de Notícias são diferentes. O Expresso noticia mesmo que o PSD apenas elegeu o seu Deputado na Europa por 5 votos. Fica por esclarecer quais os números correctos - esperemos que sejam os do STAPE... |
Diários de Referências
| Confeso que hoje li o 24 Horas. Há, contudo, uma boa razão: ao colocar um anúncio no jornal é-nos oferecida uma cópia do DN e outra do 24 Horas (é certo que podia não o ter lido, utilizando-o para embrulhar peixe ou para recortar letras e enviar ameaças anónimas, mas se assim tivesse feito não tinha agora tema para este post...). Escreve o Director do referido jornal, Pedro Tadeu, o seguinte editorial: "Vai uma nervoseira nos jornais da concorrência em relação aos nomes do Governo de José Sócrates. E a possibilidade de António Vitorino não ficar no executivo fez palpitar os corações de muitos jornalistas. Também se especula sobre a possibilidade de Manuela Ferreira Leite ir disputar a liderança do PSD a Marques Mendes e Menezes. É tudo, sem dúvida, muito importante para o País mas, desculpem lá o mau jeito, o que impressiona mesmo a opinião pública são os nomes das nossas novas Belas & Perigosas. Isto é que é uma equipa!" Para quem não é leitor assíduo do 24 Horas, "Belas e Perigosas" é uma secção (que ocupa as páginas 2 e 3 do jornal), em que várias jovens modelos noticiam os pontos altos da vida social portuguesa - jornalismo crítico e acutilante, portanto. Na óptica do director, a contratação da novos talentos para a referida coluna e a sua apresentação em estilo quasi-Maxmen é seguramente mais relevante que o futuro Governo ou a campanha interna no PSD, notícias claramente menores. Há que dar graças por uma imprensa livre e vigilante. Se assim não fosse, o público seria entediado com notícias sobre o futuro titular das Finanças em vez de ser colocado a par da Campanha "Somos pelos Cães" e da saúde da Juanita, a amiga canina de Cinha Jardim. Levanto ainda a hipótese académica de se tratar de um sublime exercício de ironia cósmica por parte de Pedro Tadeu. Por favor convençam-me... |
O frio que faz lá dentro
O povo quer é circo, os abutres querem carne, e só nos dão sobriedade. Está tudo escondido com o frio ou quê?
terça-feira, março 01, 2005
Também, com o frio que faz hoje...
Após algumas breves entrevistas de rua que levei a cabo hoje apurei que José António Silva (O pedreiro), Luís Pedro Santos (O servente) e outros que preferiram manter o anonimato também têm frio e gostariam de contar com “luvas” no exercício da sua profissão, mas não têm, como os nossos autarcas, coragem (A lata) de as exigir.
O que acho estranho é que “O camarário”, suposto protector da classe, ande a exigir a “O Fiscalista” que denuncie publicamente esses corajosos colegas que lutam pelo justo direito às “luvas”, ameaçando inclusive “O Fiscalista” de o considerar “como da outra vez, um aldrabão”. Ao que “A boina” conseguiu apurar, “O fiscalista” não dorme direito desde “a outra vez”.
É neste contexto que eu apelo à sociedade civil para se organizar na oferta das “luvas” aos nossos pobres autarcas para que estes deixem de câmarear de “mani pulite” e de sofrer de frieiras e outros males. Estimo que, se todas as pessoas que já pagaram “luvas” uma vez, contribuírem com um escudo, conseguimos calçar de luvas o equivalente em autarcas a metade de uma pequena província chinesa.
sexta-feira, fevereiro 25, 2005
Beethoven, Fidelio, Liberdade, Igualdade, Fraternidade
A determinada altura da ópera, ouvi (e confirmei no libreto) algumas frases que não podia deixar de partilhar convosco. Trata-se de um trecho de um monólogo do ministro dirigindo-se ao povo:
“Não sejais por mais tempo escravos sepultados,
Desapareça a tirania do tirano
O irmão procura os seus irmãos,
E se puder ajudá-los, o fará de bom grado”
Meus caros, eu não percebo nada de alemão, mas sei que naquele momento senti uma necessidade irresistível de olhar para o libreto e li nestas frases toda a força da Revolução Francesa ao som heróico de um Beethoven apaixonado pela liberdade. São momentos...
Espírito democrático
Vasco Graça Moura (VGM) é particularmente coerente quando afirma que o "eleitorado português não apostou na mudança. É conservador, corporativo e retrógrado. Essa é a estabilidade que pretende lhe seja garantida." A não ser que Portugal tenha trocado de eleitorado com algum outro país ao abrigo de um recente programa de intercâmbio, fico com a impressão de que o eleitorado que deu maioria absoluta a José Sócrates foi o mesmo que deu a vitória a Durão Barroso em 2002.
A moral da história para Vasco Graça Moura é a seguinte: quando o meu partido ganha, o eleitorado é esclarecido, dinâmico e desejoso de mudança; quando ganham os outros, o eleitorado é analfabeto, apático e retrógrado.
quinta-feira, fevereiro 24, 2005
Seguir em frente
No rescaldo eleitoral ainda continuamos a encontrar referências à decisão de Sampaio - ilegítima para os mais radicais, partidária para os mais moderados, inédita para quase todos os que se pronunciam. Quem vai mais longe afirma mesmo que Sampaio é o principal derrotado da noite eleitoral - exercício genial de contorcionismo argumentativo que a todos recomendo. É um facto indiscutível que Jorge Sampaio foi o primeiro Presidente da República a dissolver uma Assembleia em que existia uma maioria governativa. Contudo, Sampaio não acordou com humores estranhos e decidiu inventar uma norma constitucional. O juízo emitido foi estritamente político e assentou na avaliação feita pelo Presidente. Mas interrogo-me se não é precisamente por isso que elegemos quinquenalmente um Chefe de Estado em regimes republicanos. Não se trata de um órgão político? Se assim não for bastar-nos-ia um notário para as tomadas de posse e um relações públicas para as cerimónias públicas. O poder de dissolução não é novo - encontramo-lo no texto da Constituição desde a versão originária. Não desaparece pelo facto de não ter sido exercido até ao momento, nem se torna de exercício obrigatório para todos os Presidentes pelo facto de ter sido exercido no passado (um facto que muitos têm de recordar quando "ameaçam" a nova maioria com o fantasma de uma dissolução caso o próximo Presidente da República provenha de uma família política diferente). Menos convicente ainda parece a afirmação feita por Santana Lopes nos dias finais de campanha e recentemente recuperado por alguns, segundo a qual se estamos perante um poder inédito em sistemas políticos ocidentais. Santana esquece naturalmente que o nosso sistema se caracteriza pela sua natureza semi-presidencial e que a faculdade de dissolver a Assembleia parlamentar é frequente em sistemas políticos em que o Chefe de Estado é eleito por sufrágio directo e universal. Precisamente porque está investido de legitimidade democrática directa, o Presidente pode fazer juízos políticos como o que fez, dissolvendo a Assmbleia. Pode parecer estranho estar a retomar uma discussão constitucional que já foi travada em Julho e em Dezembro, mas a derrota de dia 20 suscitou uma nova leva de contestação à decisão presidencial, contestação essa que deve ser definitivamente arrumada. O eleitorado confirmou o juízo político do Presidente, demonstrando que este soube ler correctamente a opinião pública maioritária. Para além disso, a decisão de não convocar eleições em Julho fundou-se na continuidade do rumo traçado pelo maioria sufragada em 2002 e não na instalação no poder de um líder errático, inconstante, com falta de sentido de Estado e sem atributos indispensáveis para o exercício de funções governamentais. Mais do que castigado pelo legado de Durão Barroso (como Santana fez deselegantemente questão de frisar nos seus dois últimos discursos) o ainda Primeiro-Ministro perdeu as eleições essencialmente devido às suas características de "guerreiro-menino". |
Cata-vento
Daí que Luís Filipe Menezes defenda "o recentramento do partido na área do centro, centro-esquerda", passe a cacofonia.
Ou seja, Luís Filipe Menezes percebe o que está a dar votos.
Por este andar, a sedes da Jota SD vão passar a afixar cartazes de Che Guevara nas paredes, como acontecia no PREC.
quarta-feira, fevereiro 23, 2005
PSD Madeira - Há sempre uma primeira vez
Resta-me a consolação de acreditar que eu e o PSD Madeira discordamos em relação à melhor alternativa ao "Sr. Silva", e até recuperei outro animo quando li a frase: "é óbvio que o presidente do PSD-Madeira é sempre uma boa alternativa para salvar o partido a nível nacional". Afinal nem tudo são más notícias.
Porque a coerência é um bem escasso...
Luís Delgado afirma na SIC Notícias que Santana Lopes perdeu as eleições por culpa de Durão Barroso, que fugiu, governou mal e mentiu aos portugueses. Segundo Delgado, Santana mais não podia fazer em quatro meses de governação. Como qualquer leitor assíduo de Luís Delgado no DN estou muito confuso. A retoma não estava sempre aí? A austeridade imposta por Manuela Ferreira Leite não era indispensável e sábia? Durão não cumpria um desígnio nacional ao partir para Bruxelas? |
Nortista, popular e conservador?
Luís Filipe Menezes entrou na corrida à liderança do PSD. Protagonista memorável de episódios como as viagens-fantasma e o Congresso do Coliseu, pilar de coerência e conciliador de facções na Distrital do Porto, Menezes é o líder de sonho de qualquer militante do PS. |
