Estava a trabalhar e a ouvir um CD do West Side Story que comprei há dias quando decidi fazer uma pequena pausa para circular pelos blogs habituais. Ao passar pelo Arrastão, dei conta de
mais um post do Daniel Oliveira a recordar a Eurovisão, desta feita com um post da nossa canção estreante, em 1964, a Oração. Parei o Bernstein, onde os Jets cantavam ameaças aos Sharks, e pus a tocar o António Calvário.
Eloquente como só a música o pode ser, fica um retrato do fosso entre a canção nacional, sadia, devota e honesta do Festival da Canção do Doutor Salazar, e a explosão de vitalidade e ritmo das ruas de Nova York, escrita e estreada 7 anos antes da primeira lusa aventura na Eurovisão.
Com o 25 de Abril fresquinho na memória, eis a oferenda de mais um argumento para revelar as portas que Abril abriu. Oiçam, comparem e digam-me lá se preferem o Portugal do Estado Novo, mantendo o País no congelador da História e impondo uma estética musical, ou a abertura artística das sociedades livres e democráticas.
António Calvário, Oração (1964)
West Side Story, America (1957)