segunda-feira, abril 25, 2005

25 de Abril Sempre


O dia em que todos fomos umPosted by Hello

domingo, abril 24, 2005

«Ó Sócrates, importas-te de devolver aquela moldura que os rapazecos enviaram para aí?»

O que aconteceu este fim-de semana no congresso do CDS foi bonito.
Telmo Correia quis sentir-se desejado, esperando que as massas estivessem em ponto de rebuçado para conceder a graça de ser presidente.
Enquanto isso, um militante ilustre mas longe do círculo da sucessão fez o trabalho de casa e disse o que pensava. Ser genuíno levou-o a presidente, o que é uma conquista democrática num partido aristocrático e habituado a sebastianismos.
Apesar de estar nos meus antípodas em termos de ideologia, tenho o maior dos respeitos e simpatia por Ribeiro e Castro desde que o vi subir ao pódio numa Assembleia Geral do nosso Benfica para exigir eplicações a Vale e Azevedo. Nessa altura tentou abrir os olhos a uma multidão ensandecida para evitar o desastre que aí vinha, e a única coisa recebeu em troca foi desprezo, humilhação e acusações desonrosas de anti-benfiquismo vindas daqueles para quem só era benfiquista que era a favor do presidente. Depois lá se viu que o presidente era o que era.
Este fim-de-semana Telmo Correia entrou papa e saiu cardeal. Ribeiro e Castro ganhou, como o próprio disse, «sem tropas nem exércitos». Pelo menos nesta semana há uma eleição que não faz temer o pior.

terça-feira, abril 19, 2005

A Implosão da Igreja Católica Apostólica Romana


Bento XVI, o Sinistro Posted by Hello

Perdoem-me os leitores a minha queda para cenários catastrofistas, e a veleidade com que faço este vaticínio.

A Igreja Católica surpreendeu por não ter surpreendido: a instituição que há séculos melhor gere o seu marketing elegeu para monarca absoluto (passe a aparente antítese) alguém que sempre se esperou - e temeu. Ratzinger não é o congregador do rebanho de Deus como o foi Karol Woijtila. Não é alguém que vá à procura do mundo, mas antes alguém que espera que o mundo se renda à Igreja. Não é alguém que estabeleça pontes, mas antes aquele que na sombra do último pontífice mais trabalhou para que a Igreja fosse um monolito de intransigência.
Ratzinger foi a face obscura do Vaticano, provavelmente aquele que efectivamente detinha o poder, concumitantemente com a Opus Dei. Um trabalho destes leva anos a edificar e não se pode perder só porque morre um pontífice. Há, por isso, que cuidar para que o legado não se perca. Foi o que se viu.

A Igreja de Ratzinger deixará de fora todos os que procuram mais a autenticidade da mensagem de amor, solidariedade e fraternidade humana de Jesus de Nazaré do que a doutrina que sobre ela foi erigida pelos doutores da fé ao longo dos séculos.

Uma coisa que nunca percebi no pontificado de João Paulo II foi como pôde ele ser um líder tão respeitado e acarinhado pelas restantes religiões não tendo abdicado do dogma de que só há salvação na Igreja Católica Apostólica Romana. Ou seja: como é que se inicia um diálogo quando se estabelece à partida que só eu é que tenho razão?

A bondade da mensagem de Cristo é universal, válida para crentes e não crentes, desde que expurgada de interpretações doutrinárias e abordagens farisaicas como A Paixão de Cristo, de Mel Gibson. Esta é a perspectiva que falta a Ratzinger(o polícia da fé, na expressão de um seu biógrafo), para quem é o mundo que tem de prestar vassalagem a Cristo e à Igreja (embora não necessariamente por esta ordem).

Em abono da fraternidade universal entre os povos, valha-nos o facto de ser um papa de transição. O seu sucessor que apanhe os destroços.